
Uilton Gualberto Batista de Oliveira (Bel) nasceu no dia 25 de outubro de 1948, uma segunda-feira de verão, numa casa modesta localizada na atual Praça Monsenhor Alfredo de Arruda Câmara, no centro de Afogados da Ingazeira, onde se encontra, hoje, a residência da família de Aderval Viana de Araújo. Era o terceiro filho do casal Joaquim Nazário de Oliveira (um dos melhores alfaiates de Afogados da Ingazeira) e Alaíde Batista de Oliveira (costureira prendada e exigente).
Garoto inteligente e peralta deu trabalho até para nascer. Dizem seus pais que Dr. Hermes de Souza Canto, conceituado médico de saudosa memória, colocou-o numa bacia com água quente e, em seguida, noutra com água fria, para fazê-lo chorar pela primeira vez. O certo é que, desde pequeno (logo ficou conhecido como Bel, epíteto ganho em decorrência do Gualberto), o terceiro filho do alfaiate com a costureira passou a ser o terror das brincadeiras infantis: aonde chegava, termina fazendo confusão e arranjando briga. Mesmo assim, estranhamente era querido pelos meninos do seu tempo e bastante admirado pelas professoras das escolas onde estudou.
Exageradamente espirituoso ria com relativa facilidade e era exímio contador de histórias, muitas delas extraídas de suas fantasias. Tinha, porém, uma grande virtude: fazia amizade com relativa facilidade e sempre deixava vários amigos por onde passava.
Fez o curso primário no Grupo Escolar Padre Carlos Cottart, em Afogados da Ingazeira, no período compreendido entre os anos de 1955 e 1960. Teve como principal mestra a professora Terezinha Valadares de Souza, esposa do saudoso médico Dr. Vicente Jesus de Lima.
Nos anos de 1961 a 1964, estudou no Ginásio Monsenhor Pinto de Campos, também em Afogados da Ingazeira.
De 1965 a 1966, participou do Curso de Desenho de Arquitetura na Escola Técnica Federal de Pernambuco, na cidade de Recife. No ano seguinte, concluiu o colegial na Escola Técnica do Comércio de Recife. Quatro anos depois, em 1971, ingressou na Escola de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco, graduando-se em Engenharia de Minas, em 1975.
Neste ano de 1975 Bel participou do I Ciclo de Atualização em Exploração Mineira promovido pela Associação Nordestino-Brasileira de Engenheiros de Minas (ANBEM).
Por essa época, fez estágio na Companhia Carbonífera de Urussanga, na cidade de Criciúma, em Santa Catarina (16/01/75 a 16/03/75), desenvolvendo estudo relativo à preparação, desmonte, transporte e tratamento de minérios, beneficiamento de finos e pesquisa geológica (sondagem), e na Profértil S/A – Produtos Químicos e Fertilizantes, com estudo voltado para a pesquisa geológica (sondagem) e elaboração de bom aproveitamento econômico da camada de calcário demolítico, no município de Paulista (PE).
Por haver se destacado como profissional inteligente e capaz, Bel foi convidado para trabalhar na cidade de Criciúma, em Santa Catarina, indo residir neste município no início do ano de 1976.
Participou do Seminário Brasileiro Sobre Normas Técnicas e Cadastro de Acidentes na Mineração Subterrânea promovido pelo Ministério do Trabalho em conjunto com o Ministério das Minas e Energia, com a Delegacia Regional do Trabalho em Criciúma e com o Departamento Nacional de Produção Mineral 11º Distrito do DNPM em Criciúma (SC), no período de 09/11/81 a 13/11/81. Também participou do Curso de Explosivos Industriais promovido pela Indústria de Material Bélico do Brasil e pela Associação Catarinense dos Engenheiros de Minas, em Criciúma (SC), no período de 09/12/85 a 11/12/85. Igualmente, do II Curso de Controle da Poluição na Mineração promovido pelo Ministério das Minas e Energia e pelo Departamento Nacional da Produção Mineral, na cidade de Salvador (BA), no período de 24/11/86 a 28/11/86.
Desenvolveu atividades de pós-graduação na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM, como engenheiro chefe na Seção Geológica, no Projeto Carvão Bonito Gaseificável – Fase I, na cidade de Lauro Müller (SC), no ano de 1976, e como engenheiro chefe da sondagem, operação, manutenção e transporte de sondas Rotary, no Projeto Carvão Bonito Gaseificável – Fase II, em Criciúma (SC), no ano de 1977. Na Construtora União Ltda. como engenheiro chefe – abertura de poço e galeria exploratória, executados para a NUCLEBRÁS S/A – na cidade de Figueira (PR), no ano de 1978. Na Mineração Acauan Indústria e Comércio S/A como engenheiro chefe – lavra de scheellita – em Curais Novos (RN), no ano de 1979. Na Mineração Fluorita S/A como engenheiro chefe – lavra e beneficiamento de fluorita – em Criciúma (SC), nos anos de 1980 e 1981. Na Mineração Nossa Senhora do Carmo Ltda. como engenheiro chefe – lavra e beneficiamento de fluorita – em Criciúma (SC), nos anos de 1982 a 1985. Na Empresa Mineradora São Domingos Ltda. como engenheiro chefe – lavra e transporte de argila – em Criciúma (SC), nos anos de 1986 a 1988. E foi diretor técnico da empresa Gualberto Engenharia Construções e Representações Ltda. em Afogados da Ingazeira (PE), nos anos de 1989 a 2007.
No início de sua vida profissional, Bel teve um romance com uma das mais belas jovens de sua cidade, Maria Salete de Carvalho Sampaio, tendo residido com ela algum tempo na cidade de Figueira, no Paraná. Separaram-se quando ela estava grávida e Salete foi morar com o irmão, em São Paulo, onde deu à luz ao menino Luiz Carlos de Carvalho, nome dado em homenagem a seu irmão Luiz Carlos. Alguns anos depois, exatamente em 26 de janeiro de 1986, um trágico acidente automobilístico ceifou a vida de Salete e do seu filho, próximo a Brasília, onde ela residia com o marido.
Antes desse trágico evento, longe dali, Bel casou-se com Arlei Antonio Borges, em 28 de setembro de 1978, na cidade de Criciúma (SC). Separaram-se oito anos depois, em 19 de junho de 1986. Neste mesmo ano, em 17 de julho, casou-se com Teresinha Mafioletti, também na cidade de Criciúma. O casal teve apenas um filho: Winston Gualberto Mafioletti de Oliveira, nascido em 06 de agosto de 1986. E separaram-se em 04 de setembro de 1989.
Talvez por ter ido residir muito longe da família e sentir saudade dos seus, Bel viciou-se em bebida (havia na sua família histórico de uns tios com problema de alcolisno). Esse vício atroz fez com que seus casamentos durassem pouco tempo, assim como alguns vínculos empregatícios, de forma que, em 1989, Bel voltou para sua cidade natal, indo residir na companhia dos pais, na Avenida Artur Padilha, 672, 1º andar, centro.
Ainda sem conseguir abandonar o vício e colocar-se no meio de produção, Bel passou a alternar períodos sóbrios com outros de plena embriaguez, ocasiões em que só cessava o estágio etílico quando era hospitalizado. Depois, ficava longos períodos recluso em casa, vendo televisão e filmes, ou lendo jornais, revistas e livros, até que outra vez se entregava à bebida.
Desde quando voltou de Criciúma, em 1989, Bel vivia sendo atormentado pela cobrança judicial da pensão alimentícia que devia ao filho Winston. Por não conseguir emprego, afligia-se com a situação. Até o dia em que foi preso, em 08 de novembro de 2006, ficando recolhido ao 23º Batalhão de Polícia de Afogados da Ingazeira até o dia 08 de dezembro de 2006.
Esse foi um dos eventos mais dolorosos de sua vida. Profundamente desgostoso e se sentindo envergonhado por causa da prisão, Bel intensificou os períodos em que ficava às mesas dos bares sorvendo uísque, sua bebida preferida. Findou por ser acometido de grave crise no pâncreas, sendo internado, inicialmente, na Casa de Saúde José Evóide de Moura, em Afogados da Ingazeira.
Como não havia melhora no seu quadro clínico, no dia 16 de março de 2007 Bel foi removido para o Real Hospital de Beneficência Portuguesa, em Recife.
Após quase cinco meses recolhido ao nosocômio, confiado ao cuidados do Dr. Adaílton Vidal, seu amigo de vários anos, e com algumas entradas e saídas da UTI, Bel findou contraindo uma infecção hospitalar que o levou a óbito no dia 28 de julho de 2007, um sábado sombrio. Estava prestes a completar 59 anos de idade.
Uilton Gualberto Batista de Oliveira (Bel) encontra-se sepultado no Cemitério São Judas Tadeu, em Afogados da Ingazeira, Estado de Pernambuco. (Por Milton Oliveira)
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