O padre Pedro teve sua ordenação sacerdotal realizada em Olinda (PE). Posteriormente foi transferido para Teixeira, no estado da Paraíba.
Em 1853/1856, chegou a Misericórdia (Afogados), substituindo o frei José que havia falecido de cólera. Frei José foi capelão, também, na Serra da Colônia, então pertencente à freguesia do Pajeú de Flores (nas imediações de Ibitiranga).
(O padre Pedro Pereira tinha, aqui em Afogados, alguns sobrinhos: Levina de Souza Fitipaldi (dona Nozinha, que era casada com o italiano Gustavo Fitipaldi), Zeca Pereira e Severino Pereira, entre outros.)
O padre Pedro nunca deixou a capelania de Afogados. Era um sacerdote relapso quanto aos cuidados com a Capela, dando prioridade aos seus negócios materiais particulares.
Os tempos de capelania de Afogados não apresentaram registros de acontecimentos notáveis. A educaçào espiritual do povo foi nula ou insuficiente. O padre Pedro, mais tarde, admirava-se que num dia de primeira sexta-feira havia mais confissões e comunhões do que no seu tempo durante um ano inteiro. De fato, o capelão se ocupava mais com suas fazendas do que com o Ministério Sacerdotal.
Ficou como capelão de Afogados até 20 de outubro de 1878.
O padre Vasco, capelão da Ingazeira, saiu de lá (em 23 de outubro de 1877) de um modo pouco convencional, pois foi insultado pelo Coronel Francisco Miguel - chefe político. Ele se retirou da localidade humilhado e chorando
O padre Pedro de Souza Pereira foi nomeado vigário em sua substituição, mas se recusou a morar naquela localidade em virtude dos interesses que tinha em Afogados e por não concordar com as atitudes arbitrárias do dito coronel.
Recebeu, então, autorização do bispo de Olinda para ir à Ingazeira apenas a cada 15 dias celebrar missas e realizar confissões e comunhões. Assim regeu a Matriz, mas residindo em Afogados.
Ficou à frente daquela Igreja de 21 de outubro de 1878 até 21 de novembro de 1879 quando a sede da freguesia foi transferida definitivamente para a Vila de Misericórdia (Afogados), permanecendo capelão desta freguesia até 1907.
(Em virtude dessa transferência - apesar de todos os esforços do coronel que tentou impedi-la -, o mesmo chefe político da Ingazeira, com o auxílio de Adolfo Meia-Noite e dos seus cangaceiros (que eram do coito da Ingazeira), tentaram assaltar a nova Vila de Afogados, mas, sem êxito.)
O Pe. Pedro de Souza Pereira, que faleceu em 10 outubro de 1910, nada zelou, e a sua administração foi julgada como negativa. Nem sacrário havia na Matriz que consistia de uma capela de taipa, baixa e sem estilo.
Em uma visita realizada em 1896, um padre visitador deixou escrito no livro de tombo graves observações: "O altar-mor ainda sem Sacrário e Santa-Reserva; os livros irregulares, os vasos para os Santos Óleos imprestáveis, o ensino religioso nulo, a Igreja indecente por sua categoria de matriz. E alguns, ao reparar essa negligência, observavam que o Altar não passava de balcão de negócios do vigário".
Fonte: Compilado do Primeiro Livro de Tombo da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios, Afogadols da Ingazeira.
Imagem: cedida por Petáin Ávila.
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