Nascido na Vila de São Quintino, França, em 5 de março de 1868, Pe. Carlos, que aqui (em Afogados) chegou a 19 de abril de 1910, certo dia, quando ainda estudante de engenharia, fez uma excursão aos Alpes, em companhia de seus colegas, onde foi atacado por feroz águia. Vendo a morte diante dos olhos, agarra-se a um rochedo. Naquela aflição, lembra-se de Deus e promete à Virgem Santíssima consagrar a sua vida inteiramente ao sacerdócio, voltando para casa são e salvo. Passado algum tempo, o curso foi concluído e a promessa esquecida.
Uma noite, convidado pela mãe a assistir aos exercícios do mês Mariano, respondeu que não tinha mais fé, tornara-se ateu. Com lágrimas nos olhos segue sua mãe para a Igreja, enquanto Carlos recolhendo-se ao seu quarto e dando início à leitura de um livro, ouviu uma voz que indagava sobre a promessa que fizera há anos. Estarrecido, procura sem encontrar o autor da voz. Volta a ler, quando novamente a voz, agora em tom terrível, que abalou até o fundo de sua alma, repete a indagação: ‘Carlos, lembra-te do que prometeste?!’ Assombrado, levanta a cabeça e vê diante dos olhos atônitos a temerosa cena dos Alpes com a águia atacando-o, momento em que desmaia debruçado sobre o livro.
O choque o torna alienado, tendo passado alguns anos internado em hospício. Ali passou dois ou três anos e em dado momento começou a relembrar vagamente o ocorrido, enquanto que procurou saber a razão de encontrar-se entre os loucos, julgando ter tudo se passado no dia anterior.
Sendo dado aos poucos à sua lucidez, sai do hospício e assiste com toda a família a uma missa em ação de graças. Recupera-se e vai a Lourdes, onde renova a promessa, ingressando em 1894, na ordem da Congregação do Sagrado Coração.
Em 1º de dezembro de 1894, com 26 anos de idade ele recebeu a ordenação sacerdotal como padre congregado do Sagrado Coração, renunciando à sua brilhante carreira de engenheiro arquiteto, aos seus bens e à sua própria pessoa e vem para Pernambuco no Natal de 1902, sendo vigário do Poço da Panela, no Recife.
Volta à França em 1904, regressando definitivamente, em 1909, para o Brasil, sua nova pátria.
Primeiro ocupa o lugar de vigário do Poço, nos arrabaldes de Maceió e de lá vai para Afogados da Ingazeira, chegando numa bela manhã de 19 de abril de 1910, e onde, secularizado, permaneceu até sua morte em 23 de dezembro de 1925.
Seus restos mortais estão sepultados na catedral que construiu juntamente com os seus paroquianos; belíssimo templo em estilo neogótico, elevada à categoria de Catedral, monumento grandioso que orgulha a cidade e a região do Pajeú.”
Bibliografia:
Conferência - pronunciada aos 3 de agosto de 1949 - Padre Olímpio Torres;
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