
Filho de Antonio Barbosa de Lima e de Maria Queiroz do Amaral, nasceu no sítio Saco dos Queiroz, em Carnaíba, PE no dia 17 de maio de 1920.
De uma família católica, logo após o seu nascimento, já com a saúde debilitada, os seus pais, com receio de que ele falecesse sem ser batizado, procuraram padres em várias vilas na redondeza e, não os encontrando, numa última tentativa foram à então vila de Custódia, quando, finalmente encontraram um sacerdote e o batismo foi realizado.
Indagado sobre as alegrias e bons momentos da sua infância e juventude, disse não se recordar, pois a sua vida foi sempre de grandes dificuldades.
Os seus estudos foram realizados através de professores particulares. Recorda do professor Bernardino, tio ou avô de Carlinho de Lica.
Em novembro de 1947, na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, Otoniel contraiu matrimônio com a jovem Maria Dolores de Góes Lima (sobrinha de Luiz Bitu) com quem teve dois filhos que sobreviveram por apenas alguns dias. Esse casamento teve um lance interessante. Onde se encontrava a certidão de batismo? Procuraram em várias localidades, inclusive em Custódia, sem êxito. Tendo em vista que Custódia era uma Vila, na época, somente somente conseguiram localizá-lo na Paroquia de Sertânia.
Após esse casamento, em vista das dificuldades enfrentadas no dia a dia, chamou a esposa para irem residir na zona rural, no sítio Saco dos Queiroz, mas ela se negou dizendo que não iria, pois sempre havia morado na cidade.
Passado algum tempo e, tendo em vista que continuava desempregado, resolveu em 1950 seguir viagem em “pau de arara” para São Paulo, mas, em virtude da dificuldade desse automóvel chegar a capital paulista, resolveu se dirigir para o Rio de Janeiro.
Inicialmente foi para Teresópolis, para trabalhar em uma Granja, mas as condições oferecidas eram subumanas e ele, no dia seguinte saiu em direção ao Rio de Janeiro, Capital do então estado da Guanabara. Lá encontrou um casal que lhe deu apoio moral, no entanto o que ele mais necessitava, no momento, era um canto para repousar e se alimentar, pois estava exausto e com muita fome.
Em um prédio, ao acaso, Otoniel contatou o porteiro que, mesmo receoso por se tratar de um estranho, lhe acolheu no porão do edifício, sem a autorização do proprietário.
Nesste iterim, um empresário que passava nesse prédio, na busca de um material naquele mesmo porão, encontrando-o dormindo sob papelões, perguntou se ele gostaria de trabalhar na construção civil, no que aceitou imediatamente a proposta.
Era carnaval na Cidade Maravilhosa e esse empresário o levou para um alojamento onde ele ficou cinco dias – com direito a alimentação e teto – até que os festejos passassem.
Otoniel, com então 30 anos de idade, permaneceu uns oito anos trabalhando nos empreendimentos desse engenheiro.
Já com um ano no emprego veio buscar a esposa e, passados 7 anos, ela, saudosa, pediu para que voltassem para Afogados da Ingazeira, pois há tanto tempo não via a sua mãe.
A contragosto, Otoniel juntou seus pertences e retornou, trazendo algum dinheiro e, aqui, investiu o que consegui juntar, fruto do seu trabalho, em outro imóvel na cidade, onde já possuía uma casa.
Tempos depois conseguiu um emprego Estadual, na área da saúde, trabalhando com enfermeiro do Posto de Saúde local, indo, depois da inauguração do Hospital e Maternidade Emília Câmara, para aquele centro de saúde.
De outro relacionamento, com a jovem Maria do Carmo Ramos, teve uma filha – Fernanda – que lhe faz companhia desde que ficou viúvo.
No dia a dia, mesmo com seus quase 90 anos, faz sua caminhada e dá uma paradinha na travessa Major Antonio César para um bate-papo com os amigos até a hora do almoço, quando faz o caminho de volta a casa.
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