AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Seu Salú

AS PESSOAS

 

PERSONAGENS

Onélia Estêvão Vieira (Lalu)

* 20.01.1932
† 21.03.2011

 

 

Filha de João Estêvão da Silva e de Águeda Estêvão da Silva, nasceu no dia 20 de janeiro de 1932 no sítio Gangorra de Afogados da Ingazeira.

Logo pós o seu nascimento seus pais se separaram e sua mãe foi residir em Afogados da Ingazeira com as filhas Antônia, Amélia, Ana, Madalena e Onélia recém-nascida. O pai ficou cuidando dos filhos Francisco, Heleno e Luiz.

Logo que chegaram a Afogados, dona Águeda cuidou para que as filhas mais velhas tivessem uma atividade produtiva, pois os tempos eram de dificuldade e precisavam ajudar para a manutenção da família, agora, composta só de mulheres.
Ana aprendeu o ofício da costura de roupas e trabalhou com Joaquim Nazário, trabalhando, depois, nas Escolas Reunidas Dona Anna Melo. Madalena bordava em tecidos. Dona Águeda, confeccionava roupa, inclusive paletós – muito usados na época - que eram vendidas na zona rural - sítio Gangorra e redondeza.

Quanto aos níveis culturais das irmãs, Ana e Madalena fizeram somente o curso primário. Onélia iniciou os estudos na Escola Municipal (Escolas Reunidas Dona Anna Melo), tendo como professora dona Zefinha Cruz e as irmãs Assunção e Dolores Câmara (filhas de Nozinho Câmara, um ex-prefeito de Afogados da Ingazeira nos anos 1930); depois, no Grupo Escolar Pe. Carlos Cottart no final dos anos 40. Concluindo o curso Primário, foi estudar na Escola Normal Rural (Colégio Normal Estadual) nos anos 50 e, logo em seguida, o Instituto Pio X do professor Aderbal Mendonça, onde concluiu o primeiro grau.

Lalu guarda boas recordações de quando o primeiro bispo da diocese, dom João José da Mota e Albuquerque (dom Mota) chegou a Afogados da Ingazeira, em 1957. Ela e as garotas Francisquinha Quidute, Auristela de Milinha e Elpídio, irmão do juiz de direito da cidade, namorado de Terezinha Guimarães, cantaram em homenagem ao bispo.

Nessa época participou de um concurso para professora e passou a ensinar, em sua residência.
Nos tempos áureos da juventude, Lalu cantava em um programa no Serviço de Som Pajeú (que distribuía o áudio pra várias partes da cidade de Afogados) com seu Ribeiro (que também era cronista e tocava violão), Terezinha Guimaraes, Elpídio (o irmão do juiz), Salomé, Auristela de Milinha, acompanhados por Zé Pilão, no pandeiro. E faziam propaganda de vários estabelecimentos  comerciais da cidade. Esses anúncios eram pagos pelos comerciantes: Farmácia Lima, Mercearia de Gastão Cerquinha, entre outros.

Na sua juventude organizava teatros e animava os jovens para uma vida de cultura. Disse não ter sido uma jovem namoradeira. Gostava de um primo - Júlio Vieira - que residia no Rio de Janeiro, mas que faleceu quando ela tinha apenas 13 anos de idade. Depois veio o José Vieira que residia em Belo Jardim e era quem organizava as cantatas nas festas de São Bom Jesus dos Remédios.

Após a conclusão dos cursos que Afogados da Ingazeira oferecia, e para dar prosseguimento aos estudos e cursar o Pedagógico, tinha a opção de uma escola em Vitória de Santo Antão.
Em vista das suas boas notas escolares, Dona Nozinha, uma senhora sua amiga, a apresentou ao bispo dom Mota, dizendo das suas qualidades, e ele, muito generosamente, escreveu para as religiosas do educandário Nossa Senhora das Graças, em Vitória de Santo Antão, solicitando apoio para que aceitassem Lalu, e que para compensar os custos com a sua estada naquele internato ela poderia ensinar nos cursos primários. Resposta positiva, dom Mora a encaminhou.

Lalu recorda que recebeu muito apoio de Beta Pires, ex-estudante daquela instituição, orientando-a sobre o internato.

Passados os anos, e já no final do curso, faltando poucos meses para a sua formatura, sua mãe mandou chamá-la, pois estava muito doente e queria vê-la; mas a Madre Superiora Mariá Etiene não permitiu que ela viajasse, pois seria prejudicial aos estudos. Ela lhe disse: “Você vai concluir seu curso e ajudar a sua mãe, pois ela vai viver mais alguns anos”.
Depois da formatura, em 1961, aí sim, ela retornou à sua terra natal e ainda passou alguns anos em companhia da mãe.

A sua primeira atitude ao chegar à cidade foi se dirigir ao Palácio Episcopal para agradecer ao bispo dom Mota, e a dona Nozinha pelo apoio recebido.

Em Afogados da Ingazeira assumiu o posto de professora através de uma cadeira-prêmio, em vista das seguidas boas notas no currículo e passou a ensinar geografia, desenho, noções de música e religião no grupo Escolar Padre Carlos Cottart.

Nos anos 60 veio uma comissão do Recife para selecionar um grupo de professoras para atuarem na supervisão do ensino em Afogados da Ingazeira e região. As escolhidas foram Genedy Magalhães, Ione Góes, Helena Veras e Salete Freire.

Faltava a quinta professora e Lalu foi a convidada para uma entrevista, sendo aprovada. Quando lhe perguntaram por que ela queria fazer o curso de supervisora, ela deu a seguinte resposta: “É que pretendo  cada vez mais crescer para ajudar na educação de crianças, pois tive uma infância de sofrimento.

Concluído o curso, foi nomeada supervisora, mas continuou ensinando música e geografia no Colégio Normal. Indagada sobre os nomes dos seus alunos, recordou Luciete Martins, duas filha de Zeze Rodrigues (Suzana e Silvanete), Ceiça de dona Iracema, Beto Nogueira, Cláudio Nogueira, Saulo Gomes, entre tantos outros.

Depois de 25 anos de magistério, em 1985, requereu a aposentadora para acompanhar sua irmã que estava enferma em São Paulo. Cinco meses depois da sua ida para a capital paulista, Antônia, a irmã mais velha faleceu e ela retornou a Afogados.
Percebendo que a sua vida estava vazia, longe da sala de aula, retornou ao ensino, sendo nomeada para a Escola Bernardo Vieira de Melo, em Jaboatão, onde passou mais 12 anos em atividade escolar.

Ao longo da sua vida, juntamente com Ana (já falecida), adotou algumas crianças: Gilvan (que reside em Brasília), Edileuza, Fátima e Danilo
Assumindo definitivamente a aposentadoria, reside, hoje, na Av. Rio Branco arrodeado do filho adotivo e dos netos.

Disse que apesar dos percalços da vida, considera-se uma vencedora, pelo tudo que trilhou, pois sua família era pobre e sem recursos.

Disse, também, ser uma pessoa feliz e não se sentia solitária, mesmo residindo sozinha, pois tem a companhia, durante o dia, dos netos.

 

Faleceu nesta segunda-feira, aos 15 minutos, 21 de março de 2011, aos 75 anos.

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