Maria de Lourdes, filha de Luiz Leandro de Oliveira e Josefa Leandro de Oliveira, nasceu no dia 27 de janeiro de 1952, no sítio Riacho da Onça, Afogados da Ingazeira.
Solteira, sem filhos biológicos, criou três sobrinhos que foram acolhidos como se fossem seus: Roseane, Rosangela e George.
Em 1984, em uma visita à Cadeia Pública de Afogados da Ingazeira – quando esta ainda se localizava na rua Dr. Roberto Nogueira Lima - Maria de Lourdes se encontrou com algumas senhoras religiosas que faziam visitas periódicas aos encarcerados. Na ocasião, recebeu convite para participar do grupo. Anos depois, a CNBB deu o nome de Pastoral Carcerária Católica a esse movimento.
Diante da sua dedicação, carinho e amor fraterno aos presos, foi solicitado ao padre Edilberto Brasil de Sá que lhe fosse dada a coordenação da Pastoral em Afogados da Ingazeira em 2001. Até o presente momento ela continua à frente desse movimento.
Mesmo diante das dificuldades, do preconceito, das cobranças, Maria de Lourdes se realiza como Voluntária porque, diz ela: “Tudo que sou, agradeço a Deus e a essa Pastoral. Foi nela que aprendi a amar e perdoar, a sofrer e a ser cristã autêntica de fé, coragem e determinação. Mesmo sendo vítima da violência que se abateu no meu lar, pois o meu pai foi assassinado em 1989, não desisti; pelo contrário, me agarrei mais ainda nessa determinação para me fortalecer na fé e na coragem e perdoar o assassino. Continuei firme e forte na luta pela ressocialização dos presos e assim obtive o reconhecimento, o respeito e o amor dos encarcerados e dos seus familiares. Tenho-os como filhos adotivos. Dedico-me de corpo e alma às suas causas e, apesar do corre-corre, já me sinto gratificada por Deus”.
"Tenha paciência e calma, minha filha, você não pode resolver todos os problemas dos encarcerados. Faça a sua parte”, dizia dom Francisco Austregésilo de Mesquita Filho a Maria de Lourdes Leandro quando ela ia à presença do bispo em busca de ajuda.
AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje | 1997-2012