AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Manoel Genésio

AS PESSOAS

 

PERSONAGENS

Manoel Pereira Campos (Manoel Genésio)
*10.02.1911 - †18.01.2010


Filho de Genésio Pereira Campos e Joana Salvina da Conceição, nasceu em 10 de fevereiro de 1911 no sítio Jatobá, Afogados da Ingazeira. De uma família de 8 filhos (sete homens e uma mulher), foi batizado em 1911 pelo recém-chegado padre Carlos Cottart. E foi esse mesmo padre quem, também, lhe confessou pela primeira vez.

Tendo seu pai falecido em 1924, quando ele contava apenas 13 anos de idade, tomou conta da mãe e dos irmãos menores. Teve que trabalhar de “alugado” para manter a família.
Nos anos 30 se iniciou como aprendiz de barbeiro, exercendo a profissão em sua própria casa, na zona rural. E, para completar sua carga, um dos irmãos abandonou a esposa e 7 filhos, deixando-o com mais essa responsabilidade.

Em 10 de fevereiro de 1932, Manoel Genésio se casou com Maria Natividade Brito, com quem teve três filhos. O primeiro faleceu com dois meses de idade. Depois vieram Otília e Severino.
Após o casamento foi para Propriá (SE) a procura de dias melhores, mas, um ano depois retornou, passando a residir por uns dois anos no seu sítio, exercendo a atividade de barbeiro. Trabalhou, também, como pedreiro e sapateiro, mas por não se adaptar, abandonou as profissões, continuando na arte do corte de cabelo.

Elisbão, conhecido barbeiro da cidade, convida-o a vir para Afogados trabalhar como seu auxiliar. Ele conta, sorrindo, que o atendimento de fregueses mal pagadores ou quando se sabia que era fiado, esse trabalho era pra ele (Manoel) executar. Mas, os que pagavam à vista ele (Elisbão) fazia questão de atender.

Passados os anos, Elisbão, por motivos pessoais, se mudou para Caruaru, deixando seu Manoel à frente da barbearia, mas ele (Manoel) continuaria pagando Cr$ 2,00 (dois cruzeiros) mensais. Algum tempo depois, retornando a Afogados, Elisbão propôs a seu Manoel que ele adquirisse a barbearia, mas, com uma condição: teria que pagar o valor à vista. Ou então saísse da barbearia.

Lembra-se, perfeitamente, que foi num domingo à tarde. Nesse dia, chegou à barbearia um novo cliente, delegado da cidade, de nome Jorge, que estava ali para ser atendido por seu Manoel, pois havia recebido a informação de que ele era o melhor barbeiro da cidade.

Enquanto atendia o cliente, Elisbão insistia com seu Manoel: “Ou você me paga hoje ou lhe boto pra fora da barbearia”. Seu Manoel lhe disse que não tinha nenhum tostão. Nisso, Salustiano Seixas da Fonseca, seu Salú, vinha passando, chamou seu Manoel e o indagou sobre o que estava havendo. Sabedor da ameaça, seu Salú pediu um tempo, foi até sua casa comercial, uma grande mercearia onde hoje funciona o ponto de Zé Coió, e retornou, colocando determinada quantia na mão do amigo que o colocou no bolso sem saber o quanto seria.

Concluindo o atendimento ao cliente que efetuou o pagamento e ia saindo, seu Manoel  o indagou se ele realmente era o delegado de Afogados. Com sua afirmativa ele expôs o que estava acontecendo e disse que seu Elisbão era realmente o dono do ponto e o estava vendendo por Cr$ 80,00 (oitenta cruzeiros). “Eu quero pagar o valor deste ponto, mas, peço que o senhor mesmo o faça. A autoridade policial concordou e concretizou a aquisição da barbearia, pagando a seu Elisbão o valor pleiteado.
Elisbão ficou atarantado, pois não acreditava que seu Manoel tivesse esse dinheiro, mas, se dirigiu a ele indagando: “Quer dizer que está comprado?”. Seu Manoel disse: “sim”. Nisso, o delegado saiu, juntamente com o antigo proprietário do ponto da barbearia.
Ao chegar em casa, Manoel Genésio contou aos familiares o que havia acontecido e que agora ele era o dono da barbearia.

No dia seguinte fez uma faxina geral no ponto; era só cadeira velha. Sua primeira providência foi a aquisição de uma bancada e cadeira nova, vinda do Recife e chegou a montar uma barbearia respeitável. Uma barbearia “de Luxo”. Esse transporte foi efetuado num caminhão de Aurélio Pires Ferreira, encomendado a Zé Gago por seu Salú. A partir daí, sendo ele conhecido como o melhor barbeiro da cidade, não lhe faltaram clientes.
Os barbeiros que trabalharam com ele, no início, foram: Zé Barbeiro, Zé Delfino, Estelino, Antonio Cirino e Zé Matias.

Nos anos 40, chega a Afogados da Ingazeira a construtora Camilo Collier, e seu Manoel cortava os cabelos tanto dos seus engenheiros/proprietários, dr. Luiz Collier, dr. Pedro, quanto dos “cassacos” da obra que estava sendo implantada na região: os trilhos para a passagem dos trens da Rede Ferroviário do Nordeste.

“Aconteceram, também, grandes festas na cidade, nos anos 40, como o Congresso Eucarístico Sertanejo”, disse seu Manoel Genésio. Ao final desses eventos, seu Manoel se dirigiu a seu Salú e pagou o que lhe devia. O credor disse que não havia emprestado pensando em receber tudo de uma só vez, mas o barbeiro disse que havia conseguido o dinheiro e queria quitar a dívida.

Ele lembra, com gratidão, o ato de grandeza desse amigo que o socorreu quando ele mais necessitava, sem qualquer pergunta de quando receberia o dinheiro de volta.
No governo de Zezé Rodrigues de Brito, tendo em vista a expansão do beco onde existiam barbearias e outros pontos comerciais (atual Trav. Major Antonio Cesar), todos os ocupantes da área tiveram que se retirar. Seu Manoel disse ao prefeito que não queria a indenização, mas sua realocação para o prédio do coreto, que foi dividido (o térreo) em duas partes: a virada para a Igreja seria a barbearia, e a outra, nos fundos, um bar para Geni Marinho.
Aí sua barbearia se tornou, à noite, um ponto de encontro e bate-papo de senhores da época: Helvécio Lima, Guardiato Veras e outros mais.

Em 1976, ao completar 65 anos, se aposentou pelo INSS. Dois anos depois, já se sentindo cansado, vendeu a barbearia a Zé Marques, um sargento da polícia, que a levou para Pesqueira.

Em virtude de ser um homem “meio namorador” - como ele mesmo diz - sua esposa, com ciúmes, deixou-o e foi morar com a filha Otília. Ele então passou a dividir o teto com uma companheira por 18 anos e três meses, deixando-a porque ela bebia muito.
Seu Manoel Genésio assistiu os últimos momentos de dona Maria da Natividade, sua esposa legítima. Dezesseis dias depois, a antiga companheira de quem já estava separado, também veio a óbito.

Anos atrás, já com mais de 80 anos, sentindo-se só, conheceu uma senhora com quem viveu algum tempo e depois se casou.
No dia 18 de janeiro de 2010, com quase 99 anos, faleceu em sua residência, na Av. Rio Branco, sendo sepultado no dia seguinte, no cemitério São Judas Tadeu, em Afogados da Ingazeira.


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