AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
Professora Letícia de Campos Góes

AS PESSOAS

 

PERSONAGENS

Profª. Letícia de Campos Góes

Em 09 de junho de 1903, nascia no sítio Sobreira em Afogados, a menina Letícia, filha do Cel. Luiz Alves de Góes e Mello e de dona Petronila de Siqueira Campos do Amaral Góes.

Ela iniciou e concluiu o curso primário em sua terra natal, em escola pública, com professoras vindas do Recife. Costumava dizer que a professora que mais marcou a sua vida de criança foi Dona Anna Melo.

Seus estudos de português e francês foram realizados com o seu irmão Dr. Oscar de Campos Góes, de quem tinha muito orgulho. A paixão pela língua francesa era evidente. Isso se atribuía à cultura dos seus pais que conheciam profundamente a literatura francesa, e ao seu irmão poliglota e cientista.

Dona Letícia nos disse, certa vez, que o Dr. Oscar se correspondia com  Albert Einstein (físico e humanista alemão -14 de março 1879 / 18 de abril 1955 -, autor da teoria da relatividade e de importantes estudos em ondulatória).

Desde os 16 anos, já dava aulas particulares e declamava poesias como se fossem suas, pois fazia com toda a alma e coração como que vivendo aquela ternura, suavidade e beleza decantada pelos poetas, em particular o grande Castro Alves, poeta dos seus tempos, dos seus saraus, das suas festas familiares.

Lia, todos os dias, no mínimo 5 horas, as crônicas de Humberto Campos, Gilberto Amado, Afonso Arinos de Melo Franco, René Belbenoit, além da História Sagrada - a Bíblia.

Ingressou no Colégio das Damas de Instrução Cristã, no Recife, para concluir os seus estudos de 2º grau de 1933 a 1934, o que o fez brilhantemente.

Decidiu ser religiosa das Damas, entrando como noviça, destacando-se pela obediência, cumprimento das obrigações religiosas. Ensinou o francês a diversas turmas no Colégio das Damas da Ponte d’Uchoa.

Por motivo de saúde abandonou o hábito, o que fez contra a sua vontade e por imposição da família para poder se submeter a tratamento rigoroso, o que não era possível no convento. Graças à dedicação do seu cunhado, o Dr. Osvaldo da Cruz Gouveia, e os cuidados da sua irmã Maria Luíza, que residiam em Garanhuns, ficou completamente curada.

Não retornou ao convento, pois seu pai, já muito doente do coração, solicitou sua presença decidida, alegre e inteligente ao seu lado, em Afogados da Ingazeira.

Um ano após o seu retorno, morria seu genitor. Ela continuou com a mãe, na cidade, se dedicando à educação da juventude por mais de 30 anos, sendo professora municipal.

Foi um grande baluarte da Ação Católica na época. Envolveu-se na catequese de crianças/adultos/presos; nas obras da Igreja Matriz para a qual trabalhou durante toda sua vida ativa. Foi uma pessoa interessante, sempre se preocupando com o crescimento de Afogados em todos os aspectos.

Quando as religiosas franciscanas do Barro-Recife vieram fazer o reconhecimento da cidade, convidadas que foram pelo Mons. Arruda Câmara para tomar conta da Escola Normal Rural de Afogados da Ingazeira - ENRAI, que deveria ser inaugurada, ela as chamou para se hospedarem no casarão da família Campos Góes, sua residência.

De 1942 para 1943, auxiliada pelo padre Olímpio Torres que era vigário da cidade, na época, Dona Letícia fundou a Escola Doméstica Nossa Senhora de Fátima, da qual foi a primeira e única diretora, e que tinha a finalidade de educar a mocidade feminina, formando perfeitas donas de casa, com orientação cristã. As alunas tinham uma carga horária das matérias básicas: português, matemática, geografia, história, ciências, francês e aulas de corte, costura, bordado e culinária.

Essa escola começou a funcionar em 26 de março de 1943. Era já o anseio para a criação de um colégio oficial para moças, o que aconteceu em outubro de 1955, com a inauguração da Escola Normal Rural - iniciativa do Mons. Alfredo Bezerra de Arruda Câmara.

De 28 de dezembro de 1946 a 1º de janeiro de 1947, ela e o monsenhor Luiz Madureira - o idealizador - foram os organizadores do Primeiro Congresso Eucarístico Sertanejo, que reuniu as zonas do sertão do Moxotó e Pajeú, num só momento de fé.

Foi presidente da Juventude Católica de Afogados da Ingazeira de 1945/1946. Na vida social foi bastante atuante, organizando festas (bailes) e teatros.

O piso da Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, e a bancada, feita por Antonio Aleixo em madeira maciça, da nave central, se deve muito a ela, pois nas viagens que fazia, levava santinhos do Senhor Bom Jesus dos Remédios e a palestra sobre padre Carlos Cottart proferida pelo padre Olímpio Torres, que ela mandou imprimir e fazia campanhas para angariar fundos para as obras.

Ainda sobre a bancada da matriz, ela com o vigário e Dona Tetê César Véras, conseguiram que muitas famílias doassem um ou dois bancos. Da sua mãe conseguiu a doação de madeira de lei da fazenda Colônia, para a reforma de vários bancos.

Às 4 horas da manhã de 20 de fevereiro de 1992, sofreu um acidente cardiovascular que a prostrou num leito por vários anos.

Faleceu, tranqüilamente em sua residência, às 18h30 de 26 de janeiro de 1995. Estavam com ela: Ivone, Ana Tereza, Odete e Suely. Dona Ione por estar em tratamento de saúde no Recife, não pôde estar presente.

Ela disse, certa vez: "Se, por gratidão, meu nome ficar na história de Afogados da Ingazeira, representará muito, pois isso dará a impressão que fiz algo de bom pela minha querida terra".

 

voltar para PERSONALIDADES DE ONTEM   topo da página

AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje | 1997-2008