
Autobiografia
Nasci em Ipojuca, em 3 de fevereiro de 1923. Filho de João Batista Campos (Noca) e Maria Julieta de Mesquita Campos, fui o primogênito de uma família de 16 filhos, dos quais 8 ainda estão vivos.
Em meados de 1924, por questão de saúde, meu pai volta a morar em sua terra natal, Afogados da Ingazeira, de onde saiu para morar em Campina Grande, PB, retornando, ainda, por imposição de sua saúde, no inverno de 1930.
No São João de 1933, eu, com então 10 anos, segui para a casa do meu avô materno no Recife, para estudar no Grupo Escolar João Barbalho onde terminei o curso primário para, em janeiro de 1935 ingressar no Colégio Marista onde cursei ginasial, na época com duração de cinco anos, terminado em dezembro de 1939. Já então tinha sido criado o curso pré, com duração de dois anos e obrigatório para o vestibular, antes de ingressar na faculdade, o que fez no Colégio Osvaldo Cruz, no Recife.
Em 1942 prestei exame vestibular, ingressando na Escola Superior de Agronomia, recebendo o diploma de Engenheiro Agrônomo no fim de 1945. Já trabalhava no Diário Oficial e era Auxiliar Acadêmico no Instituto de pesquisa na própria faculdade em Dois Irmãos.
Concluído o curso superior em março de 1946, assumi um emprego no Estado e, em maio do mesmo ano, fui designado para o Departamento de açudagem, com sede em Caruaru onde logo me adaptei. Lá, passei a colaborar no Jornal Vanguarda e atuei como professor de matemática em dois colégios locais e nos Ginásios Caruaruense e Sete de Setembro onde fui paraninfo da primeira turma de concluintes do ginasial.
Junto com alguns jornalistas, como Odílio Andrade, José do Patrocínio, Luís Torres e Antonio Miranda, foi criado o Movimento Literário Jornalístico com o apoio do dr. Mauro Mota, então do Diário de Pernambuco, no Recife, que pôs em evidência o trabalho que chamou de Jornalismo Matuto, fazendo-os membros da Associação de Imprensa de Pernambuco e pondo à disposição de todos a sua página literária domingueira no Diário.
Resultante de tão valioso apoio, a turna de Caruaru resolveu fundar a Associação Caruaruense de Imprensa, congregando os jornalistas que trabalhavam no interior do Estado e, principalmente, em Caruaru, cujo número já passava de 30 naquela época, com os Correspondentes de Órgãos da Capital.
Em 1949, eu, Odílio Andrade e Jaime Menezes, após várias conversas, resolvemos lançar uma revista, saindo em março do mesmo ano o periódico trimestral com o nome de “ARU” que se desenvolveu rapidamente, contando com a participação de diversos membros da ACI, mas somente atingiu a 5ª edição em abril de 1950 quando, por força da transferência do Departamento de Açudagem de Caruaru para o Recife, os seus diretores, eu e Odílio, tivemos que deixar a “Cidade dos Aveloses” para residir na capital pernambucana, pois éramos seus funcionários, fato que impôs o arrefecimento das atividades jornalísticas dos mesmos. O Jaime Menezes foi residir em São Paulo.
Já estabelecido no Recife, fui designado para implantar a 2ª Residência do SAPI em Arcoverde e, logo depois, fui nomeado para o cargo comissionado de Chefe do Serviço de Divulgação Agrícola onde esteve até 30 de janeiro de 1950, quando fui designado para fazer um curso intensivo da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. De volta, fui para o IPA, retornando ao Departamento de Açudagem em novembro do mesmo ano.
Em março de 1952, fiquei à disposição da Prefeitura Municipal de Moreno até dezembro de 1952, voltando à repartição de origem até fevereiro de 1955 quando, por Ato do Governador fui indicado para fazer o Curso de Engenharia Rural em Sorocaba (SP), com duração de seis meses.
De volta ao Recife, cursei Administração Pública sob os auspícios da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco em 1956 e, no ano seguinte fui nomeado diretor adjunto do Departamento de Açudagem e Irrigação.
No governo Cid Sampaio, fui transferido para Inajá, PE onde permaneci 20 meses, como “castigo político”. Depois fui para Belo Jardim administrar as construções rurais da “Residência”.
Em janeiro de 1963 fui nomeado para instalar a 20ª Residência Regional do DPV em São José do Egito, acumulando a 19ª em Afogados da Ingazeira até dezembro de 1966, quando fui assessorar o Sr. Secretário da Agricultura quando, no final do governo, retornei ao Departamento de Produção Vegetal onde permaneci até 1977 quando me aposentei por tempo de serviço.
Aposentado, passei a trabalhar como autônomo em projetos rurais e agroindustriais com maior atuação em trabalhos para a SUDENE, tendo participação em inúmeros projetos no Nordeste.
Realizei levantamento semi-cadastrais de cidades para efeito de eletrificação, inclusive de Afogados da Ingazeira, São José do Egito e Carnaíba, entre outros. Realizei estudo de linhas de transmissão –LT para o DAE no agreste e sertão, não esquecendo a açudagem, tendo, quando do encontro de Salgueiro em 1950 que foi a semente da criação da SUDENE e que congregou técnicos de todas as áreas e de todo o Nordeste, atuado como relator da Comissão Técnica de Águas.
Participei de Cursos de Irrigação em Petrolina, Barreiras (BA) e Fortaleza (CE), tendo publicado duas monografias sobre o assunto e diversos outros trabalhos para o Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e revistas técnicas.
Em maio de 1996 recebi o Diploma de Mérito Agronômico da Academia Pernambucana de Ciências Agronômicas, da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Em 1999, com o falecimento da minha esposa Maria do Carmo Veras Campos, com quem fui casado 51 anos, além dos doze entre namoro e noivado, fixei residência em Afogados da Ingazeira, terra do meu pai e da minha esposa.
Tenho 2 filhos, Fred e Mônica, e quatro netos.AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje | 1997-2008