
No sopé da serra do Riacho da Onça, no município de Afogados da Ingazeira (PE), naquela segunda-feira ensolarada de 17 de janeiro de 1921, nasceu Joaquim Nazário de Oliveira, primeiro filho de Belarmino Virgínio de Oliveira (Belo) e Luzia Nazário de Oliveira.
Concebido numa família pobre, o garoto Joaquim passou toda a sua infância no sítio, ajudando o pai na faina diária, suportando a adversidade própria da vida do agricultor instalado no sertão do Pajeú.
Em poucos anos a casa do velho Belo era animada pelos sorrisos e travessuras de mais 12 filhos, numa seqüência de um a cada ano, fato comum nos lares nordestinos.
Ainda jovem, Joaquim Nazário sentiu que era preciso mudar o rumo do seu destino e ajudar sua família a sair daquela vida de penúria e sofrimento.
Com pouco mais de 16 anos de idade, deixou o sítio e instalou-se num pequeno quarto de fundo de quintal, com o objetivo de aprender a arte de alfaiate. Após inúmeras noites insones e com fome, conseguiu atingir seu objetivo e pôde, enfim, trazer os seus para morar na cidade. (Anos depois, teve a felicidade de ver alguns deles colarem grau em Odontologia e Direito.)
Em dado momento da vida, ainda jovem e solteiro, Joaquim Nazário de Oliveira achou que poderia ousar mais e mudou-se para o Rio de Janeiro. Depois de algum tempo residindo na Cidade Maravilhosa, contraiu pneumonia e decidiu retornar ao torrão sertanejo, para começar tudo outra vez.
Em Afogados da Ingazeira ele retomou o ofício de alfaiate, instalando-se na Praça Monsenhor Alfredo de Arruda Câmara (à época, Praça Domingos Teotônio), no centro da cidade.
Em pouco tempo Joaquim Nazário de Oliveira era considerado um dos melhores alfaiates da região.
Em dezembro de 1945, casou-se com Alaíde Batista de Oliveira, com quem teve quatro filhos, todos homens. Residiu, inicialmente, na Praça Monsenhor Alfredo de Arruda Câmara, 231 (onde, hoje, se encontra edificada a casa do saudoso Aderval Viana de Araújo). Em seguida, mudou-se com a família para a Av. Rio Branco, 31, centro, também na cidade de Afogados da Ingazeira. Morou alguns anos na cidade do Recife, mas terminou seus dias de vida no burgo onde nasceu.
Na década de 1960, com os ventos da modernidade soprando no seio da família brasileira sob a regência do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que abria as portas da nação para a indústria automobilística e construía Brasília, grandes transformações operaram-se na sociedade e uma delas foi a opção popular pela aquisição de roupas prontas.
Portanto, vendo sua arte perder terreno na preferência popular, Joaquim Nazário de Oliveira trocou de profissão e foi ser caminhoneiro. Durante anos a fio cruzou as estradas do país transportado o progresso, revelando-se, assim, zeloso e eficiente motorista. Foi neste novo ofício que ele conseguiu formar dois dos quatro filhos; um em Medicina (Ailton Roberto Batista de Oliveira) e o outro em Engenharia de Minas (Uilton Gualberto Batista de Oliveira). Os outros dois (Hilton Batista de Oliveira e Milton Gilberto Batista de Oliveira) abandonaram os estudos para ser funcionários do Banco do Brasil S. A.
Joaquim Nazário de Oliveira estudou no Ginásio Monsenhor Pinto de Campos até o ano de 1959, quando concluiu o curso. Tinha elevado respeito e grande admiração pela mestra de Francês, Letícia de Campos Góes, em razão do zelo e da seriedade por ela deferidos ao seu ofício de educadora.
Homem simples, tímido, bom marido e pai extremado.
Joaquim Nazário era autodidata em Geografia, conseguindo ampliar seus conhecimentos no tempo em que viveu como caminhoneiro, percorrendo as estradas deste imenso país.
No crepúsculo dos seus dias, ainda se sentindo com vigor e ânimo para viver, descobriu a presença de uma pedra a obstruir-lhe o colédoco, dificultando-lhe a irreprimível micção. Era o câncer que, traiçoeiramente, instalava-se em suas entranhas.
Na hora do Ângelus da fatídica quarta-feira daquele inesquecível 23 de junho de 1993, véspera das festividades juninas, as pálpebras de Joaquim Nazário de Oliveira cerraram-se definitivamente, para desespero e tristeza dos seus familiares e inúmeros amigos. Ficaram a saudade e o exemplo de caráter de um homem simples e bom. Além do testemunho amargurado dos seus familiares: “Vimo-lo partir sem articular uma queixa, pois no silêncio, diante da dor, jazia a força de sua alma.”
Através de proposta do vereador José Erickson Torres Lopes, que redundou no Decreto-Lei nº. 26/05, de 29 de setembro de 2005, assinado pelo presidente da Câmara de Vereadores de Afogados da Ingazeira, vereador Luiz Gonzaga da Silva, o nono jardim da Av. Rio Branco foi batizado como o nome de Jardim Joaquim Nazário de Oliveira. (por Milton Oliveira).
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