
Fruto da união de Pedro Francisco Ramos e Maria Teodora Ramos, nasceu em Afogados da Ingazeira/PE, no dia 13 de outubro de 1915.
De origem pobre, sua genitora, muito conhecida na época como dona Chiquinha, tinha a renda familiar vinda da atividade de “lavar e passar roupas” para famílias mais abastadas de Afogados, contando sempre com a ajuda da filha Maria.
Seu pai, Pedro Francisco Ramos, vivia da vida sofrida da roça que só produzia algo quando chovia, caso contrário o sofrimento era grande, chegando a ver a família passar privações.
No ano de 1930, quando Chico tinha apenas 15 anos, passava por Afogados da Ingazeira a “Coluna dos Revoltosos” que recrutava homens para o combate na famosa “Revolução de 1930”, no vizinho estado da Paraíba. Os recrutas recebiam fardamento, armas e um lenço vermelho para envolver no pescoço. Quem retornasse vivo recebia recompensa em dinheiro.
Diante das dificuldades por que passava, e não vislumbrando outra alternativa seu pai, Pedro Francisco Ramos, se alistou e seguiu com a “Coluna” naquele ano, para não mais voltar.
Órfão de pai, Chico viu as responsabilidades da manutenção da família ficarem divididas entre os irmãos Antero, o mais velho, Antonio, Maria, e ele. Então, iniciou na atividade de lenhador, cortando toras de madeira para serem queimadas nos fogões nas residências (naquela época não existia fogão e gás).
Nos anos 30 conheceu a jovem Maria Sampaio de Moura, com quem se casou no dia 10 de dezembro de 1939. Dessa união nasceram cinco filhos, mas, somente um sobreviveu.
Naquela época – final dos anos 30 para os anos 40 - surge uma fábrica de beneficiamento de Agave, no Sobreira, quando ele mudou de atividade. Passados alguns anos e, com o fechamento da referida fábrica, passou a ser ajudante de caminhão.
Vislumbrando uma atividade menos sofrida, aproveitando uma oportunidade e com sua criatividade, foi o pioneiro na comercialização de frutas: maracujá, abacaxi, maça, laranja Bahia, legumes: cenoura, batatinha, macaxeira rosa, cará, inhame, etc.
No final dos anos 40, mais precisamente em 1949, observou, em Vitória de Santo Antão e Caruaru, o comércio de Geladinha (suco de frutas misturado com gelo raspado). Levou essa atividade para Afogados, mas no início teve que distribuir amostra grátis para que as pessoas conhecessem o produto. E foi aprovado. Até então, gelo era algo raro em Afogados da Ingazeira. Só quem tinha geladeira a gás era quem dispunha dele.
Com a chegada da Luz de Paulo Afonso, sua intuição mais uma vez funcionou. No peito e na raça, com a ajuda de amigos, montou sua fábrica de gelo para produzir para o seu próprio negócio e vender para as festas e clubes de Afogados da Ingazeira e das cidades vizinhas.
A partir de 1967 passou a contribuir para o INPS e, em 1980, contando tempo da agricultura, IAPI, IAPTEC e as contribuições retroativas, completou tempo de serviço e se aposentou.
João Francisco Ramos, homem trabalhador, deixou para o seu filho, José Barnabé, como legado, a honestidade.
Esse mesmo filho cita os fatos mais importantes da vide de seu Chico: o seu casamento com dona Maria; a mudança da vida sofrida da roça; quando passou a viver das atividades autônomas; sua consolidação no ramo de gelo, e quando se aposentou.
Faleceu em sua residência, em Afogados da Ingazeira, no dia 21 de agosto de 1995, vítima de câncer, em vista do hábito de fumar. Foi sepultado no cemitério São Judas Tadeu.
AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje | 1997-2012