
Filha de João Cecílio de Barros e Julieta de Góes Barros, nasci no dia 13 de setembro de 1924, na cidade de Afogados da Ingazeira, na casa dos meus avós maternos Petronila de Siqueira Campos do Amaral Góes e Coronel Luiz Alves de Góes e Mello.
Fui alfabetizada pelos meus pais, e, em seguida, matriculada em escola pública estadual na cidade de Delmiro Gouveia, Estado de Alagoas, onde fixamos residência.
Minha primeira e única professora primária, afora meus pais, foi Natércia Serpa de Menezes. Grande professora, amiga, minha madrinha, a quem presto homenagem pelo que aprendi.
Em dezembro de 1935, prestei exame de admissão no Colégio da Sagrada Família em Casa Forte, no Recife, onde fiquei interna todo o ano de 1935. Por questões financeiras, só pude prosseguir os estudos em 1940, no Colégio Sagrado Coração, em Caruaru, em regime de externato, ficando em casa de tia Maria Luíza e tio Osvaldo, cursando a 6ª série; e a 7ª série, em 1941, em regime de internato, pois meu tio, que era médico higienista, fora transferido para Vitória de Santo Antão. Em 1942, consegui a transferência para o Curso Normal Rural do Colégio Nossa Senhora da Graça, em Vitória, pegando a reforma do Curso Normal Rural que, ao invés de quatro passou para cinco anos. Continuei em regime de externato, já que fiquei em casa dos meus tios.
Lá, em 1942, recebi a notícia do falecimento de meu pai, de angina-pectoris. Entretanto, continuei os estudos. Foi um ano péssimo.
Em dezembro de 1944 recebi o diploma de professora do Curso Normal Rural. No mês de janeiro de 1945, após 30 dias de Curso de Férias promovido pela Secretaria de Educação de Pernambuco, prestei concurso. Aprovada, fui nomeada para a Escola Estadual de Ibitiranga (Boa Vista), onde passei um ano lecionando. Apesar das dificuldades de transporte, gostei. Muitas vezes vinha a pé com as verdureiras para a feira do sábado aqui em Afogados da Ingazeira. Às vezes vinha na garupa de animal com o Sr. Aurélio Pires.
Fui transferida para a Escola Isolada na cidade de Afogados da Ingazeira em 1946 - não havia grupo escolar - onde lecionei, até a inauguração do Grupo Escolar Padre Carlos Cottart, onde ensinei por vários anos.
Prestei exame de suficiência em geografia em curso oferecido pelo MEC. Fui professora de geografia e história de Pernambuco no curso normal.
Durante todos os anos que militei na educação era muito trabalho, estudo, cursos, pois havendo perdido meu pai muito cedo, assumi a responsabilidade de ajudar no estudo e formatura dos meus três irmãos, no que fui ajudada pelos meus tios maternos: Padre Góes, Letícia Góes e Miguelito Góes. Foi muita luta, da qual saí vitoriosa, pois consegui formar todos. Meu único irmão é engenheiro civil e as duas irmãs são professoras.
Fiz Curso de Formação Rural na Escola Alberto Torres, e Curso de Artes Industriais, ambos em Recife.
Em 1967, por indicação do Senhor Bispo Diocesano D. Francisco, fui nomeada diretora do Colégio Normal Estadual de Afogados da Ingazeira, onde permaneci até 1989.
Em 1990 solicitei aposentadoria do Estado.
Colaborei na criação da Faculdade de Formação de Professores de Afogados da Ingazeira e, na gestão do padre João Carlos Acioly Paz, que foi aluno do Colégio Normal na época em que fui diretora, recebi convite para a Diretoria da Parte Administrativa da Faculdade, onde fiquei quatro anos.
Sendo professora pelo Curso Normal Rural, houve necessidade profissional, por exigência da Secretaria de Educação, de complementar o curso, freqüentando o pedagógico, hoje magistério, na cidade de Sertânia, pedindo transferência, posteriormente, por conveniência de trabalho, para o curso pedagógico na Escola do Professor Jucá em São José do Egito, onde concluí.
Ao abrir a Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde prestei vestibular, sendo aprovada no Curso de Letras, com habilitação em Inglês/Licenciatura Curta, complementando o curso de Licenciatura Plena, na cidade de Cajazeiras, na Paraíba.
Prosseguindo, em atendimento às exigências profissionais, cursei Pedagogia, com habilitação em Administração Escolar, na Faculdade de Filosofia de Caruaru. Entrei na Faculdade de Direito de Souza, na Paraíba, tendo acesso por portar diploma de curso superior, onde concluí o curso de Direito, prestando exame da OAB-PB. Posteriormente recebi a carteira da OAB-PE.
Vale acrescentar que sempre consegui levar professores do Colégio Normal, do qual fui diretora por 22 anos, a também fazer todos os cursos que fiz.
Afora os cursos universitários, participei de vários outros de aperfeiçoamento para diretores, promovidos pela SEC-PE, nas cidades de Recife, Garanhuns, Floresta, Petrolina, todos no Estado de Pernambuco. Todos esses cursos foram de livre e espontânea vontade, pois gostava do meu trabalho de ser diretora e professora. Enfim, gostava do meu trabalho, pois sendo titulada em Direito, nunca me interessei em prestar nenhum concurso ligado à prática jurídica, mesmo sabendo que a remuneração era e é muito superior à de professora. Não me arrependo, pois a melhor compensação é fazer o trabalho que você gosta, receber o agradecimento de pais, alunos, professores, pelo trabalho prestado à sociedade. Isso, não há dinheiro que pague."
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