AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Hortêncio José Bezerra

AS PESSOAS

 

PERSONAGENS

Hortêncio José Bezerra

Nascido no dia 10 de maio de 1912, em Flores/PE, era filho de Francisco José Bezerra e Luzia Angelina do Espírito Santo, pequenos agricultores.

Desde criança foi um menino de temperamento forte, que se acentuou com o passar dos anos. No entanto, pelo aguçado tino nos negócios, se despontou como um grande e promissor comerciante. Suas primeiras letras foram aprendidas no sítio Curral Velho em Carnaíba e em Flores.

Tendo conhecido a simpática jovem Estela, em Carnaíba, iniciou o namoro, e em 17 de dezembro de 1934, se uniram em matrimônio. O casamento foi celebrado pelo padre Maciel em Carnaíba. Dessa união tiveram vinte filhos, mas a metade não se criou em virtude da precariedade de atendimento médico na região e a dificuldade de acesso a remédios eficazes. Os filhos sobreviventes foram: Jaime Bezerra de Santana, José, Benício, Hilda, Paulo, Bartolomeu, Edite, Carmélia, Maria e Ronaldo George Bezerra de Santana.

Hortêncio era um próspero comerciante de milho, feijão, algodão, couro, etc. Seus negócios se estendiam além Pajeú, pois negociava diretamente com a família Coelho em Petrolina. Homem de poucos amigos, com seu modo rude de ser, conseguia suscitar respeito e antipatia. De pouca instrução, lia com desenvoltura, em vista da sua acentuada inteligência e determinação.

Quando um fato alheio à sua vontade tornava difícil o seu cumprimento, mesmo assim honrava os compromissos assumidos.  Nada se lhe opunha à vontade; quando pretendia realizar determinado negócio, não aceitava conselho capaz de lhe demover da ação. E, se tomava qualquer prejuízo, não queria comentários nesse sentido.

Católico, não perdia a missa dominical e lia a bíblia frequentemente. Nas raras conversas com vizinhos e amigos, insistia comentar sobre o Livro Sagrado.

Em 1952, uma tragédia se abateu sobre a sua família. Ao tirar o carro da garagem, seu Hortêncio atropelou e matou o filho Bartolomeu Bezerra de Santana, então com dois anos e cinco meses. Daí em diante começou, lentamente, o seu declínio pessoal e comercial. O traumatizado pai passou, então, a beber com certa frequência, chegando, inclusive, quando embriagado, a promover intermináveis, confusas e solitárias palestras em vias públicas.

Por ser um homem respeitável, esse comportamento denunciava não só o seu declínio, mas, igualmente, a dor que o perseguia, em decorrência do acidente com o filho. Passou, também, a jogar baralho, o que acelerou a sua falêncial. Chegou ao final da vida praticamente arruinado.

Morava na Rua Sete de Setembro, no bairro de São Francisco, em Afogados da Ingazeira, com a esposa e familiares. Foi um dos pioneiros do bairro, sendo sua residência um marco histórico na rua.

Faleceu, em decorrência de Neoplasia de Orofaringe (tumor maligno na garganta), em 19 de outubro de 1996, sendo sepultado no cemitério São Judas Tadeu.

Em 20 de dezembro de 2002 foi inaugurada a ponte que liga o centro da cidade ao bairro São Francisco, batizada com o nome de Hortêncio José Bezerra, em sua homenagem.


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