
Filho de agricultores, nasceu em 21 de agosto de 1892, no sítio Favela, Afogados da Ingazeira.
Guardiato conheceu Teresa Cesar (dona Tetê) no tempo que passou a ser empregado do pai da jovem, numa casa comercial de estivas. O namoro durou menos de um ano e o casamento foi realizado em 27 de novembro de 1920, na Igreja Matriz de Afogados da Ingazeira, tendo como celebrante o Pe. Carlos Cottart. Tiveram 12 filhos, mas somente seis sobreviveram: Antonio, Vicente, José Cesar, Maria de Lourdes, Socorro Azevedo e Terezinha Canto
No comércio sucedeu seu sogro Sr. Antonio César de Macedo Lima.
Faleceu em 1986, aos 94 anos, em sua cidade natal.
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Em 1982, 04 de julho, num domingo, o Diário de Pernambuco publicou uma reportagem feita em Afogados da Ingazeira, com o comerciante aposentado, Sr. Guardiato de Moraes Veras, sobre Manuel Baptista de Moraes, o cangaceiro Antonio Silvino.
Sertanejo fala do Cangaço e diz que Silvino era bom
Antonio Silvino, cangaceiro implacável e irascível, responsável por um bando que pintou miséria do Pajeú até os confins das Alagoas, durante quase duas décadas, nunca pode ser comparado ao capitão Virgulino Ferreira, o Lampião, porque era respeitador, homem de bem que criou quatro filhos e somente entrou no cangaço com o propósito de vingar a morte do seu pai, a quem muito honrava.
Pelo menos, esta é a versão do Sr. Guardiato de Moraes Veras, um ancião com 90 anos, residente em Afogados da Ingazeira, a 400 km (375 km) do Recife. Homem forte e lúcido, que caminha mais de oito horas por dia, subindo e descendo ladeira, sem sentir pelo menos uma dor de cabeça. Recentemente, submeteu-se a uma pequena cirurgia no Recife, com muito sucesso, ao ponto de o próprio médico afirmar que havia tempo que não tinha visto uma pessoa com tanta saúde numa idade dessas, como todos os órgãos funcionando normalmente.
“Seu” Guardiato Veras é casado com dona Teresa Cesar Veras – 83 anos – desde 1920, com quem teve 12 filhos, dos quais seis morreram à míngua nos primeiros dias de vida, em face da precariedade de condição de vida no Sertão, onde nem farmácia havia. Quem morava em Afogados da Ingazeira, por exemplo, e necessitasse de qualquer tipo de remédio teria que ir, de jumento ou a cavalo até a cidade de Triunfo, nesta época a mais desenvolvida.
Apesar da idade “seu” Guardiato Veras não pára em casa. Sempre está circulando pelo comércio de Afogados da Ingazeira nos bairros mais afastados e até mesmo em alguns sítios, quando é convidado por alguns amigos. Costuma receber em sua residência na Praça Arruda Câmara, parentes e amigos de infância e, principalmente, seus netos e bisnetos (20 netos e 8 bisnetos). Fala da sua dura vida no campo, no comércio e das histerias dos facínoras cangaceiros, sobretudo, Antonio Silvino, que já lhe pôs no colo várias vezes.
RESPEITADOR – Sobre Antonio Silvino, cuja história no cangaço difere bastante da de Lampião, Veras lembra-se de muitas façanhas. “Certa vez, Antonio Silvino e seu bando fizeram uma visita a Ingazeira, uma pequena cidade à margem do rio Pajeú, a procura de um velho inimigo, um inspetor. Ao chegar à cidade ninguém deu notícia a seu respeito. Foi o suficiente para o cangaceiro cair sair de casa em casa, desarmando todo mundo. Depois junto, num canto da praça, todos os bacamartes, que tomou à força e quebrou de um por um. Em seguida fez um círculo de pólvora ao redor de praça e meteu fogo pra cima. Ninguém se feria”, disse.
Acrescenta que o bandido gostava muito de respeitar as mulheres (que pra ele era coisa sagrada), e arrombar mercearias e padarias à procura de comida. Apesar de ter conhecido Antonio Silvino pessoalmente, “seu” Guardiato Veras não teve oportunidade de presenciar suas arruaças porque nesse tempo era muito novo. Porém, tudo que o cangaceiro fazia na região tomava conhecimento através dos seus pais, avós e até mesmo dos colegas mais idosos.
“Antonio Silvino não matou muita gente como Lampião. Era revoltado porque mataram seu pai aqui, em Afogados da Ingazeira, com tiros de espingarda. Ele, a partir daquele dia, decidiu vingar a sua morte, formou um bando de uns 15 a 17 homens e saiu por aí afora. Acontece, porém, que seu objetivo nunca foi concretizado: dos três assassinos do seu pai só conseguiu matar um”, conta Veras.
Sobre Lampião, o velho quase não sabe de nada. Ouvia muito falar a seu respeito e disse que “o capitão Virgulino era visto como ‘um cão’, um homem que até mesmo falar a seu respeito provocava medo. Certa vez, disseram que Lampião vinha pra cá e que já estava se aproximando. Foi o suficiente pra ninguém sair de casa, trancar-se e ficar rezando pra que ele desviasse o caminho”, disse.
Nascido em 21 de agosto de 1892, em Afogados da Ingazeira, filho de agricultores, “seu” Guardiato Veras conheceu dona Teresa Cesar Veras no tempo que passou a ser empregado do pai dela, numa casa comercial de estivas. Não namoraram sequer um ano. Casaram-se, constituíram família (família nobre de Afogados) e dessa vida longa levam muitas recordação boa como também má.
Dona Teresa Veras, por exemplo, disse que presenciou mortes à míngua de centenas de crianças na região, a maior parte em conseqüência de falta de assistência médico-hospitalar. Os partos eram feitos na própria casa, assistidos somente pelas parteiras, sem o menor critério médico no que diz respeito às condições de saúde. Lembra que os remédios caseiros faziam verdadeiros milagres. Eram utilizados para tudo – dor de cabeça, gripe, cansaço e outros males – com muito sucesso. “Nos casos mais graves, disse dona Teresa, tínhamos de ir buscar remédio de farmácia em Triunfo. Quando não achava por lá, tinha que ir ao Recife. A viagem geralmente era feita em 10 ou 12 dias. Quando voltávamos, com o remédio, a criança já estava morta, como aconteceu com seis filhos meus”. Antes de trabalhar no comércio, “seu” Guardiato Veras deu duro na roça. Disse que a propriedade era localizada à margem do rio Pajeú, numa área muito fértil. ”Quando o rio enchia, eu era obrigado a atravessá-lo nadando, amarrava a enxada nas costas e os sacos no pescoço, juntamente com as roupas, lembra, acrescentando que foi a luta, o trabalho na roça a luta, o trabalho na roça e a influência dos seus avós que permitiram hoje ter uma vida mais cômoda.
A festa das bodas de ouro (50 anos de casado) do casal foi comemorada no Recife, onde reside quase toda sua família, principalmente netos e bisnetos. Casaram-se no dia 27 de novembro de 1920, na Igreja Matriz de Afogados da Ingazeira, tendo como celebrante o Pe. Carlos Cottart, um religioso que sempre trabalhou em prol do desenvolvimento da cidade.
Guardiato Veras e Teresa Cesar formam um casal autêntico da região sertaneja, enrugados pelas secas periódicas. Vivem felizes durante este longo tempo em que estão casados e nunca estiveram em desarmonia, sendo desta forma um exemplo que deve ser seguido pela comunidade local, principalmente os mais jovens.
Seus filhos – Antonio, Vicente, José Cesar, Maria de Lourdes, Socorro Azevedo e Terezinha Canto, seguiram os mesmos caminhos dos pais do que concerne a filosofia de vida. Sempre trabalhando, lutando pelos seus objetivos. Herdaram a garra, são felizes e sempre estão em confraternização no lar dos velhos. Prometeu fazer uma grande festa para comemorar os 63 anos de vida conjugal.
Das Lembranças tristes que guarda, retidas na mente, Veras recorda as secas de 1912, 1913 a 1915, sendo esta última a maior que já se abateu na região.
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