
No dia 10 de Abril de 1887 nasceu, no sítio Alça de Peia, Afogados da Ingazeira, o menino Ezequiel.
Seus pais Victorino José de Moura e Águida Xavier de Moura formaram uma grande prole: Ezequiel Victorino de Moura, Geraldo, Pedro, Maria, Antonia, Ana, Quitéria, Luiza e Maria das Dores Victorino de Moura.
Era uma família de agricultores, mas, como bons sertanejos tinham ocupações opcionais (sapateiros, carpinteiros) que os ajudavam quando a agricultura não produzia os resultados desejados.
Ezequiel era proprietário de terras localizadas nas imediações do cemitério local, onde mantinha uma plantação de palma, que era utilizada para alimentar o gado. Noutra área do terreno, plantava milho, feijão, etc. Hoje, aquela área está completamente ocupada por ruas e casas residenciais. Dona Merenciana, sua primeira esposa, faleceu em 1929. O casal teve 14 filhos, mas apenas dona Firmina sobreviveu até a idade adulta.
Durante um período da sua vida, o Sr. Ezequiel foi comerciante, tendo sido proprietário de uma mercearia em Afogados.
Aos 43 anos de idade, no dia 23 de Setembro de 1930, contraiu matrimônio com D. Aurora de Azevedo Lopes, que passou a se chamar Aurora Lopes de Moura. O casal teve 10 filhos, no entanto apenas José e Tarcisio sobreviveram até idade adulta. Tarcisio reside no Rio de Janeiro, e José, em Rosemead, Estado da Califórnia, nos Estados Unidos.
Na sua casa, localizada na Av. Rio Branco esquina com a Travessa Cel. Paulino Raphael, ao lado da casa paroquial, abrigava também uma oficina de sapateiro, que era seu principal meio de vida.
Ele era um verdadeiro crente em medicina homeopática e ocasionalmente dispensava essa medicação aos que buscavam ajuda. Utilizava o livro referência do Dr. Sabino Pinho que era uma espécie de enciclopédia, onde se encontravam todas as informações dos sintomas das doenças e medicações a serem aplicadas. Quando os moradores dos sítios necessitavam de ajuda médica, muitos vinham consultar o Sr. Ezequiel, que na maioria das vezes não cobrava nada, pois o caboclo nem sempre tinha com que pagar.
Presenciei muitos que voltaram para agradecer-lhe o tratamento, trazendo sacos com feijão e milho verde e, às vezes, frutas. Uma maneira prática de agradecer o favor.
Para ele, servir estava acima de tudo; pagamento era algo secundário.
Havia os incrédulos, e os médicos que não viam a homeopatia com muito respeito; no entanto, posso testemunhar com minha própria experiência que as medicações e informações ajudaram muita gente que por qualquer razão não podia ser consultada por um médico.
Em 1943 houve uma epidemia da febre tifóide, (týphos) e algumas pessoas morreram em conseqüência. Eu fui acometido pela doença, tendo sido tratado com a homeopatia. Foram dias dolorosos para toda família, mas sobrevivi, com a graça de Deus.
O Sr. Ezequiel, muito ativo e envolvido nos trabalhos da Igreja, liderava a organização e campanhas para levantar fundos para a Igreja católica e diversas festividades religiosas. Era comum vê-lo visitando os estabelecimentos comercias da cidade em busca de contribuições para as festividades de fim de ano da Igreja, as quais eram bem elaboradas.
Também costumava fazer visitas aos necessitados. A assistência era às vezes em forma monetária e outras vezes em forma de vestuário, comida, medicamentos, etc. Durante a semana santa, este programa distribuía sacolas com alimentos básicos às pessoas mais carentes.
"Aos sábados nossa casa era uma espécie de hospedaria. Membros da família vinham para a feira, sendo a nossa residência a primeira parada. Era uma oportunidade de rever tios, tias, primos e primas, numa reunião fraternal com muito amor e alegria. Como de costume, ele ria bastante durante as conversas com os familiares, pois tinha um senso de humor sadio e expansivo.
Na sua tenda, atendia aos clientes, que desejavam um novo par de sapatos ou sandálias. Ainda posso ouvir sua afirmação de garantia da qualidade dos seus produtos.
Tinha uma capacidade boa de reproduzir os modelos dos sapatos que apareciam nas revistas de moda da época. No fim do ano, nosso presente de Natal era sempre um par de sapatos", disse Zezé.
O casal Ezequiel/Aurora se mudou para a capital pernambucana, para estar mais próximo do filho Tarcisio, que estava servindo no Corpo de Fuzileiros Navais.
Disse seu filho Zezé: “Em Fevereiro de 1967, recebi um telegrama em São Paulo, me informando que papai estava gravemente enfermo, e internado no Hospital da Policia Militar no Recife. O telegrama chegou às 8 da noite. O choque foi muito grande. No dia seguinte cheguei ao Recife e fui visitá-lo no Hospital. Para minha agonia, ele só me reconheceu quando mencionei o meu nome.
Ele sofria dos rins e do mal de Alzheimer.
Faleceu dois dias depois, ao nascer do sol, no mesmo hospital, de falência múltipla dos órgãos. Foi sepultado no cemitério de Santo Amaro, no Recife.
Hoje, guardo com muito carinho a única carta que recebi - escrita por ele -, porque eram normalmente escritas por minha mãe. Numa das minhas correspondências falei que desejava ter uma carta redigida do seu próprio punho. A mesma chegou um mês depois.
Tenho certeza que o Senhor Deus e Pai, na sua misericórdia, o tem no seu seio, louvando e bendizendo o Seu santo nome”.
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