AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Delmiro Nazário de Sousa

AS PESSOAS

 

PERSONAGENS

Delmiro Nazário de Sousa

No dia 23 de dezembro de 1904, nascia no Sítio Brotas, município de Afogados da Ingazeira, PE, Delmiro Nazário de Sousa, Filho de Joaquim Nazário de Sousa e de Maria Marques de Sousa, tendo como irmãos: Moisés, Severina, Maria José (Santa) e Luzia Nazário de Sousa.

Quando contava 15 anos de idade seu pai faleceu (1919) e Delmiro, único filho solteiro dos cinco irmãos teve que assumir a responsabilidade de defender os interesses econômicos de sua mãe, já residindo no Sítio Riacho da Onça, onde seu pai deixou como herança um grande açude, plantações de algodão e de cana-de-açúcar, um engenho de fabricação de rapadura (produto de grande aceitação comercial na época) e criação de gado bovino. Foi um homem comedido e, quando jovem, um tanto vaidoso. O segundo ou terceiro automóvel (Ford 24) que circulou nas ruas de Afogados da Ingazeira lhe pertencia. Vendeu-o com o objetivo de comprar outro mais moderno, mas devido se tratar de um homem muito tímido e vir a obrigatoriedade da carteira de habilitação desistiu da nova aquisição.

Em 1931 casou-se com a jovem Luiza Nunes de Azevedo, procedente do Sítio Carro Quebrado, situado nas proximidades do distrito de Varas, hoje Jabitacá, Iguaracy. Da união de Delmiro e Luiza nasceram os filhos: Maria José (Zélia), Joaquim, Pedro, Inês e Maria de Lourdes Nazário de Azevedo.

Delmiro tinha grande afeição pela sua mãe e por esse motivo nunca deixou o Sítio Riacho da Onça, vivendo de plantar cana-de-açúcar, algodão, agricultura de subsistência (milho e feijão de corda) e da  criação de gado bovino, caprino e ovino.
Homem de coração generoso, defensor do meio ambiente, seus melhores amigos em Afogados da Ingazeira foram: Luiz de Sá Maranhão (Seu Liliu), Miguel de Campos Góes (Miguelito), José Rodrigues de Brito (Zezé Rodrigues) e Aparício de Morais Veras, a quem dava preferência de vender sua produção de algodão.

Tinha aversão às cores vermelha e preta e a um juiz da comarca da cidade de Afogados da Ingazeira e proprietário do Sítio Borges, devido ter-lhe comprado um cavalo, procedente de furto, e o tal juiz ter lhe ameaçado mandar lhe meter na cadeia (...).
Seu único divertimento foi assistir os júris na cidade. Naqueles dias, selava seu cavalo e se dirigia à cidade com esse objetivo (exceto quando o júri era presidido pelo tal juiz). Admirava os debates entre promotores e advogados.

Gostava de usar os pensamentos: “não se deve deixar para fazer amanhã o que se pode fazer hoje”; “filho só puxa o pai quando o mesmo é cego”; “o homem que não sabe ler é comparado a um cego”; “a pessoa que não lê é perdida no mundo”.

Zeloso no cumprimento do dever de homem e pai de família, procurava inspirar nos filhos essa nobreza de caráter. A simplicidade de sua vida na zona rural não ocultava a preocupação com o futuro dos filhos.

Tinha o hábito de usar chapéu. Só tirava o mesmo da cabeça quando ia fazer as refeições, tomar banho ou dormir. Sua marca de preferência era a Ramezony 3X. Em 1965 comprou o último na loja do Senhor Guardiato Veras, produto de uma encomenda reservada pelo funcionário Israel Marques dos Santos. Ainda hoje a família o guarda com muito carinho.

Aos 62 anos de idade nunca havia tomado uma injeção. No dia 24 de junho de 1966, submeteu-se a uma cirurgia de estômago no Hospital do Câncer do Recife, realizada pelo Dr. Almir Couto e no dia 24 de agosto do mesmo ano partiu para o mundo dos mortos em sua residência na Praça Mons. Alfredo Arruda Câmara, nº 249, em Afogados da Ingazeira, PE, resignado, sem dar um único gemido e suas últimas  palavras foram chamar pelo nome de seu filho Pedro; deixou muitas saudades entres seus familiares.

 
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