AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Chico Bobina

AS PESSOAS

 

PERSONAGENS

Francisco Martins dos Santos (Chico Bobina)

Filho de Idelfonso Martins e Maria Martins, era o caçula de uma família de sete irmãos, sendo apenas uma mulher, Quitéria, conhecida por Calunga.

Nasceu em Monteiro-PB, em 10 de janeiro de 1902. Ainda criança perdeu os pais, ficando sob a responsabilidade do irmão mais velho - Josué Martins - que na década de 10 trouxe os irmãos para residir em Afogados da Ingazeira.

Chico Bobina se casou com Maria Guimarães, em 11 de dezembro de1925, na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios. Dessa união teve 11 filhos:  Maria do Socorro, Maria Jose, Terezinha, Wanda, Walmick Francisco (faleceu ainda criança), Iza, Waldir, Waldemir, Wanildo, Wandira e Walmick.

Em Afogados, morou com a família na Av. Rio Branco, na casa onde reside atualmente Tiziu.

Criado sem o carinho dos pais adquiriu o hábito de ser durão, severo e exigente na educação dos filhos. Embora desse o conforto necessário à família, não havia aquela aproximação carinhosa. Era próprio da época; seria ferir o respeito.

Segundo sua filha Iza, na qualidade de mais corajosa, certo dia, na despedida quando de sua viagem para Triunfo, pois ia estudar no Colégio Stela Maris, decidiu, na hora de pedir a bênção ao pai, dar-lhe um abraço e um beijo.

E o que aconteceu? Esse beijo foi retribuído, o que não era de seu feitio; nunca fora carinhoso com os filhos, mas, por trás desse homem que metia medo, existia uma alma simples e carente. Daí em diante tudo mudou.
 
A sua instrução foi do tempo da palmatória; não passou da alfabetização, mas era determinado em ter seus filhos todos alfabetizados e educados para vencerem na vida.

Tinha uma boa situação financeira. Possuía vários imóveis na cidade e propriedades rurais, entre elas a Várzea do Exu, onde construiu açude e nesse sítio explorava a fabricação de carvão que comercializava – transportando no seu próprio caminhão para o Recife.

Foi o primeiro a comprar um caminhão, na época. Toda semana viajava ao Recife para fazer compras para o comércio local. Trabalhava em parceria com o seu compadre José Rodrigues de Brito (Zezé Rodrigues).

Porque Chico BOBINA? - Ele sempre achava que todo defeito no carro era na “bobina”.

Era um homem alto e muito simpático (bonito, na visão das mulheres). Muito querido pelas meninas, porém Maria, sua primeira esposa, ignorava o assédio, pois o amava mais que tudo na vida.

Chico não perdia um só carnaval. E levava todas as filhas para os festejos, porém sob seu olhar rigoroso e controlador. Oferecia-se às brincadeiras do entrudo, chegando às vezes a ter a casa destelhada, por onde os amigos atacavam de talco e farinha de trigo para o mela-mela; brincadeira sadia. Ali esses amigos eram esperados com bebidas e comidas feitas com carinho por dona Maria Guimarães.

Costumava dizer: “Só compro carro zero, pois não quero começar onde os outros terminaram”;

Em 1950 comemorou as Bodas de Prata – 25 anos de casados. Logo após, muda-se com a família para Caruaru, onde passou alguns meses. Depois, foi para o Recife devido à facilidade de estudo e trabalho para sua numerosa prole.

Em 11.12.1954, no dia dos 28 anos de casados, na mesma hora - 11h da manhã -, sua companheira faleceu, vítima de câncer no pulmão.

Chico resolve voltar para Afogados, trazendo os restos mortais da esposa que deixou dois filhos menores.

Em 1955, contraiu novo casamento em Afogados da Ingazeira, com Evarista Siqueira Cruz, cerimônia realizada pelo padre Antonio de Pádua Santos, na Catedral do senhor Bom Jesus dos Remédios, e dessa união nasceram mais três filhos homens: José Maria, Francisco Antonio e Eugênio Pacelli. Agora, com nova companheira, volta a morar no Recife, na Rua Bahia, quadra G, lote 2  bairro, Jordão de Baixo, onde ficou até o fim dos seus dias.

No Recife se aposentou, mas, para não ficar parado, trabalhou como taxista autônomo.

Dizia nunca ter sentido uma simples dor de cabeça. E como fumava! Desde os 13 anos, até os 101. Diziam que ele não usava fósforo, pois acendia um cigarro no outro. Isso, desde a época do cigarro Selma e o charuto Petisco. Apesar dessa extravagância, sua única doença era o Glaucoma.

Em 14 de fevereiro de 2004, no hospital São Salvador, em Olinda – aos 102 anos – morre, de falência múltipla dos órgãos, o homem que foi exemplo de honestidade e lisura, honradez e boa-fé. Não deixou um só inimigo.
 
Dizia, sempre: “Se eu morrer e ficar fora de Afogados da Ingazeira, sei que não me salvarei”.

Seus restos mortais foram trasladados para Afogados da Ingazeira, dois anos depois, em 2006.

 

Chico Bobina
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Paula Pires

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