AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
Berta Celi

AS PESSOAS

 

PERSONAGENS

Berta Celi Lemos Liberal

Filha do casal João Ferreira Liberal (João Yoyô) e Cândida Xavier de Lemos nascia, no dia 2 de fevereiro de 1947, na pequena Afogados da Ingazeira, Berta Celi Lemos Liberal.

Ela, como toda a família, era católica. O seu grande sonho, fazer a Primeira Comunhão, foi realizado pelo Pe. Antonio de Pádua Santos. Seus estudos foram iniciados, como o da maioria dos afogadenses da época, nas Escolas Reunidas Anna Melo e depois no Grupo Escolar Pe. Carlos Cottart.

Na bucólica Afogados da Ingazeira, na década de 50 e início dos anos 60, a iluminação era fornecida por um pequeno motor ligado apenas das 18h às 22h. Em virtude disso, as famílias usavam velas, lampiões e candeeiros para iluminar as residências além desse horário.

Berta Celi era tão ligada à mãe que, se esta se ausentasse de sua residência sem lhe avisar, ela 'batia' toda a rua, de casa em casa, à procura da mãe.

Já o seu pai João 'Yoyô' via, na filha, a imagem da mãe dele que não chegou a conhecer, pois ela havia falecido quando do seu nascimento. Apenas sabia que ela era loira e de olhos azuis, como a sua Berta Celi.

Os seus padinhos de batismo foram dona Maria das Dores e seu Helvécio César de Macedo Lima.

No nefasto novembro de 1955, Berta Celi, com tão-somente oito anos, foi protagonista de uma fatalidade, sendo vitimada por acidente com candeeiro.

Seu pai, João Yoyô, era casado em segundas núpcias com a mãe de Berta Celi. Tinha filhos dos dois casamentos. No 1º de novembro de 1955, a esposa do seu irmão, Pedro, pediu aos pais de Berta para que ela lhe fizesse companhia à noite, tendo em vista que ele havia viajado e ela ficaria sozinha.

Naquele fatídico dia, já sem energia elétrica, que só ficava ligada até às 22h, a cunhada acendeu um candeeiro perto da cadeira de balanço onde se encontrava a garotinha Berta. Ela estava vestida com uma roupa 'armada' com goma, e adormeceu.

Sem explicação plausível, o candeeiro caiu em cima dela e, já em chamas, ela correu até sua cunhada que se encontrava na cozinha, lavando a louça e organizando o ambiente.

Mas o socorro não foi suficiente para livrá-la das sérias queimaduras de 3º grau.

Mesmo estando com o corpo todo queimado, agüentava as terríveis dores que a afligiam, sem reclamavar ou chorar. Deitada na cama, na rede ou no chão, as irmãs e familiares formaram um círculo ao seu redor como que para lhes dar forças para superar o terrível momento. Ela ficava apertando o braço das irmãs e dando pequenos beliscões - achavam que eram por conta das dores sentidas.

O que agravou seu estado de saúde foram as queimaduras sofridas no umbigo, causando o tétano.

Resistiu a esse sofrimento durante treze dias, acompanhada por atendimento médico, quando, no dia do seu falecimento, teve a visão de uma Mulher de Azul que lhe sorria.

Por conta da dor física, sem reclamar ou chorar, e dessa visão, algumas pessoas diziam que ela era uma santa e começaram a pedir graças, e à medida que eram atendidas, a notícia começou a se espalhar.

Seus pais, familiares e toda a Afogados da Ingazeira ficaram abalados com o trágico acidente.

Berta Celi foi sepultada no dia 13 de novembro de 1955, no cemitério São Judas Tadeu, em Afogados da Ingazeira.

Desde então o seu túmulo é muito visitado, principalmente nos dias de Finados, onde as pessoas depositam ex-votos (fotografias, pequenas estátuas ou órgãos moldados em madeira ou cera em túmulos, igrejas ou capelas, como agradecimento por graças alcançadas).

 

voltar para PERSONALIDADES DE ONTEM   topo da página

AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje | 1997-2008