AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Professora Aurora de Azevedo Lopes

AS PESSOAS

 

PERSONAGENS

Profª.Aurora Lopes de Moura

No dia 12 de Agosto de 1896 nasceu, no bairro de São José, Recife, Aurora de Azevedo Lopes. Seus pais, sr. Joaquim Hygino Lopes e dona Zulmira Josephina de Azevedo Lopes tiveram uma prole de 4 filhos: Romualdo, Álvaro, Aurora e Maria Laura.

D. Aurora era uma estudante dedicada e chegou a graduar-se aos 17 anos de idade, na Escola Normal Pinto Junior na sua cidade natal.

Seu anel de formatura tinha uma estrela de cinco pontas com uma pedra em cada uma delas, sendo Safira, Ametista, Brilhante, Esmeralda e Rubi formando a palavra SABER, e uma pérola no centro representando a  Mestra. O anel foi presenteado à neta mais velha, filha de Tarcisio.

Dona Aurora Moura estudou piano e transferiu este conhecimento para tocar o órgão da igreja de Afogados por muitos anos para o deleite dos que participavam nos serviços da Igreja.Alem do lado musical,ela participou também em muitas organizações da igreja.

Suas convicções religiosas, inicialmente a influenciaram a desejar ser freira, no entanto  esta idéia foi abandonada, mas o amor das coisas da Igreja a acompanharam por toda sua vida. Ela continuou como professora na Capital, até que em 1928  aceitou o cargo de  professora em Afogados da Ingazeira, para onde se transferiu acompanhada de sua mãe D. Zulmira.

Dona Aurora foi uma pioneira do ensino em Afogados.  Escolas como temos hoje eram inexistentes. Um salão alugado era a sala de aula e as condições muito precárias. Depois a sala de aula ficou localizada na sala da frente da sua residência ate que se construiu o Grupo Escolar Padre Carlos Cottart no meio da década de 40.

Tudo isto  foi um choque para uma moça da Capital. Mesmo assim ela se integrou com a sociedade local e fez amizades com todos, tais como o Sr. Guardiato e Tereza Veras (D.Tête), Sr. Helvécio Lima e Maria das Dores , Dr. Fausto Campos e muitos outros. Participou ativamente nos trabalhos da igreja tocando a velha “serafina”  até que veio um órgão mais moderno. A Serafina ficou, depois, guardada na sua casa  até que foi transferida para a igreja de “Varas”.

D. Aurora já estava em Afogados há vários meses, quando o sr. Ezequiel Moura ficou viúvo, e com uma filha. No dia 23 de setembro de 1930, depois de um longo  noivado, eles se casaram, passando ela a usar o nome Aurora Lopes de Moura.

Um fato interessante é que no mesmo dia e na mesma igreja, mas em horário diferente, a filha do Sr. Ezequiel, dona Firmina, casou-se com o Sr. Julio Bento.

O casal Ezequiel e Aurora teve dez filhos, mas apenas José e Tarcisio sobreviveram. Tarcisio fez carreira no Corpo de Fuzileiros Navais, onde se aposentou como Segundo Tenente depois de 30 anos de serviço, e reside no Rio de Janeiro. Ele se casou e teve duas filhas e um filho que também residem no Rio de Janeiro.

José serviu à Marinha por seis anos, deu baixa do serviço militar e radicou-se em São Paulo, onde se casou, teve dois filhos, e fez sua carreira na Indústria. Em 1968 mudou-se para os Estados Unidos onde reside com sua esposa, filhos e netos.

Dona Aurora deixou uma longa lista de ex-alunos, afogadenses que vieram a ser pessoas de destaque na sociedade, tais como Sr.Luiz de França Amaral, D. Maria Genedy  Magalhães, Geraldo Magela Campos e muitos outros. A lista é grande. Acredito ser esta a maior realização da sua vida: educar uma geração e ver os frutos da sua obra educadora.

Dona Aurora organizou, também, o coral da igreja, e ensinou os coristas a cantar, educando suas vozes.

Diz José, seu filho: "Lembro-me bem da cantata da 'Missa Solenis' com coral e orquestra, o que influenciou o meu amor à música clássica. A beleza melódica e as vozes angelicais são algo sublime que relembro com grande carinho".

Após à aposentadoria, ela voltou para o Recife com seu Ezequiel, indo residir com seu filho Tarcisio e esposa.  Com o falecimento do marido, ela teve a oportunidade de visitar José em São Paulo, onde ficou por alguns meses, tendo a alegria de conhecer os netos.

Ela faleceu no Hospital  Centenário da capital pernambucana no dia 15 de Abril de 1971, aos 74 anos e 8 meses de idade, deixando seus filhos e familiares saudosos.

 

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