
No final do século XIX, nascia em Afogados da Ingazeira (PE) aquele que seria uma das maiores expressões de poder e riqueza entre os coronéis do sertão do Pajeú. Era 21 de abril de 1885, quando veio ao mundo Anselmo Correia de Siqueira.
Homem letrado, educado, elegante (gostava de terno de linho branco), politizado, sabia, como poucos, dominar a atenção das pessoas que estavam ao seu lado, numa conversa informal. Dono de raciocínio rápido, não tinha dificuldade de entender o objetivo das explanações que seus amigos, correligionários ou adversários políticos entabulavam. Respeitado, temido e admirado. Anselmo Correia também era invejado.
Em 1907 ele se casou com uma jovem cearense de nome Josefina Araújo, com quem teve os filhos Antônio Anselmo de Siqueira e Aurora Siqueira. Em razão deste casamento, deixou sua terra natal e foi residir em Aurora (CE), até enviuvar. Com os filhos em idade de 6 e 5 anos, respectivamente, Anselmo Correia sentiu necessidade de contrair novas núpcias. Voltou, então, ao seu berço natal.
Em 08 de julho de 1914, casou-se com Joana Liberalina de Siqueira, que lhe gerou os seguintes filhos: Aprígio Anselmo de Siqueira, Elisa Evaristo de Siqueira, Adauto Anselmo de Siqueira, Adalberto Anselmo de Siqueira, Elza Evaristo de Siqueira, Antenor Anselmo de Siqueira, Ercília Evaristo de Siqueira, Adelson Anselmo de Siqueira, Eva Evaristo de Siqueira, Evani Evaristo de Siqueira, Agenor Anselmo de Siqueira, Edeilza Evaristo de Siqueira Silva, Ageu Anselmo de Siqueira e Admilson Anselmo de Siqueira.
Anselmo Correia residia no sítio Queimadas (também conhecido como Queimada dos Anselmos e São José), no município de Afogados da Ingazeira.
Agricultor, dono de muitas terras e gado, e de um dos melhores engenhos de cana-de-açúcar do sertão, Anselmo Correia de Siqueira era um homem rico. Íntimo de políticos influentes pode-se dizer que ali estava um cidadão de prestígio e poder.
Em 12 de março de 1919, Anselmo Correia foi nomeado 2º Suplente do Substituto do Juiz Federal, pelo Vice-Presidente da República Delfim Moreira da Costa Ribeiro. Posteriormente, na qualidade de funcionário público estadual, foi designado Delegado de Polícia, através da Portaria nº. 50843, da Polícia do Estado de Pernambuco, cargo que ocupou durante onze anos.
Homem muito católico, Anselmo Correia de Siqueira gostava de fazer novenas em sua casa, as quais eram bastante concorridas e animadas. Tinha o hábito da leitura, com verdadeira predileção pela revista Seleções. E nas horas em que não tinha nada para fazer, fica ao pé do rádio ouvindo notícias.
Era comum encontrá-lo jogando baralho com a família, após o jantar, e com os inúmeros amigos, nas longas tardes de verão.
Por ser uma pessoa de destaque, sua casa vivia sempre cheia de parentes e amigos. Em época de moagem o sítio Queimadas ficava bastante animado, com a presença das pessoas das cidades circunvizinhas. Havia muito caldo de cana, rapadura, alfenim e cachaça para todo mundo. Era um período de grande animação naquele recôncavo sertanejo.
Na noite daquela penúltima sexta-feira do mês de Sant’Ana (23 de julho de 1965), Anselmo Correia de Siqueira faleceu, após lutar, sem sucesso e em resignado silêncio, contra o câncer de uretra.
Através do Projeto de Lei nº. 08/77, de 21 de outubro de 1977, assinado pelo vereador Inocêncio Nobelino Alves, o nome de Anselmo Correia de Siqueira batizou um dos logradouros públicos da terra que lhe serviu de berço. (por Milton Oliveira)
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