AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
Mãe-Ina

AS PESSOAS

 

FIGURAS POPULARES

Severina Maria da Conceição – Mãe Ina

 

 

 

 

BIOGRAFIA

Nascida (presumivelmente) em 1870, natural da cidade de Bonito, estado de Pernambuco, e filha biológica de escravos, Mãe Ina foi criada e educada pela ex-escrava Maria Cândida, conhecida Mãe Canja (.....).

Ainda no séc. XIX, Mãe Canja e a sua filha de criação Severina vieram para Afogados da Ingazeira (Misericórdia). Aqui, encontraram trabalho na zona rural, na residência do Sr. Joaquim Nazário de Sousa (1867–1919), proprietário dos sítios Brotas - hoje bairro da cidade de Afogados da Ingazeira -, e Riacho da Onça. Posteriormente as duas foram trabalhar na casa do Sr. Moisés Nazário de Sousa (1891 –1971), filho primogênito do Sr. Joaquim Nazário.

Na década de 30, dona Antônia Morais de Sousa, esposa do Sr. Moisés, faleceu, deixando nove filhos menores. Após a morte da patroa, Mãe Canja e sua filha Severina (Mãe Ina) – Ina, de Severina -, se mudaram para a cidade, levando Geraldo, filho caçula do ex-patrão, para criá-lo e educá-lo.
Foram residir na Rua Henrique Dias, número 160, em uma casa geminada (paredes laterais de meia), com o fundo virado para a margem esquerda do Rio Pajeú, o que facilitou os trabalhos de lavadeira e engomadeira da ex-escrava e sua filha.

Com o falecimento da ex-escrava Mãe Canja, Mãe Ina herdou a sua casa da Henrique Dias e o saber exímio de cozinheira, lavadeira e engomadeira; e Geraldo para ela terminar de criar e educar, o que o fez com muita dignidade. O garoto era conhecido como “Geraldo de Mãe Ina”.
A sua casa era ponto de apoio - “arrancho” - nos finais  de semana, principalmente aos sábados para os amigos que residiam na zona rural.  Citamos o marchante Maurício José da Silva (....) e sua família que foram muito úteis para ela, até o fim da sua vida.

Na década de 50 Geraldo foi para o Recife servir à Aeronáutica, fazendo carreira militar. Depois, transferido para cidade de Petrolina- PE, onde reside até hoje, não esquecia sua mãe de criação e ela também lhe tinha muito carinho. Todo mês a mesada dela era sagrada.

O Sr. Osvaldo José da Silva (1933 –2003), filho do Sr. Maurício, gerente de uma farmácia em Afogados da Ingazeira, morou durante muitos anos em sua companhia, tornando-se uma espécie de guardião da velha ex-escrava. Dona Antônia Figueiredo da Silva também cuidou de Mãe Ina até o dia do seu falecimento.

Defronte à casa de Mãe Ina tinha um pé de Tamarindo em cuja sombra os animais se abrigavam, principalmente aos sábados. Quando o Pé de Tamarindo estava carregado, as crianças costumavam jogar pedras pra conseguir os frutos, porque não ousavam pedir à sua dona. Ela saía brava de casa, com uma vassoura na mão e gritava: “Peraí, seu fio de Rube”, porque vou lhe dar uma varadas. A meninada corria, sem olhar para trás.

Mãe Ina, católica praticante e “Filha de Maria” - ia para igreja com a fita da "Irmandade de Maria - e devota de São José, resignada e com a face cheia de rugas e os cabelos totalmente brancos, recolhida em um quarto com pouca luminosidade e falando com dificuldade, faleceu em Afogados da Ingazeira, em 1977, com presumíveis 117 anos, sendo sepultada no cemitério São Judas Tadeu, em Afogados da Ingazeira, PE, bem longe da terra onde nasceu. (Com informações de Anilda Figueiredo e Joaquim Nazário de Azevêdo)

 

Outras informações prestadas por Joaquim Nazário de Azevêdo e uma contestação:

*"O filho de criação de Mãe Ina, Geraldo Morais de Sousa, reside em Petrolina, PE. Ele é o irmão mais novo do Sargento Paulo e do Cabo João Batista Morais de Sousa."
*"Questiono a idade citada. Se ela faleceu em 1977 com 117 anos, consequentemente nasceu em 1860, o que é improvável.
Minha avó paterna, que a tratava de “Severina Preta”, aparentava ser mais velha do que Mãe Ina e nasceu em 1870. Acredito que ela tenha falecido com mais de 100 anos; mas não chegou aos 117. Não tenho certeza se ela foi sepultada no cemitério São Judas Tadeu."

 

Os Ex-Escravos
Zé Preto, Mãe Canja e sua filha Mãe Ina

O que estou escrevendo é fruto de um pouco de minhas leituras, de histórias não escritas, mas contadas pela minha avó paterna Maria Marques de Sousa (  * - 1966) e por minha mãe Luiza Nazário de Azevedo (1910–1984), e de minha memória.

Os primeiros escravos africanos chegaram ao continente americano em 1509, mas foram poucos até 1530, quando Portugal , primeira nação européia  a negociar com os reinos negros da África Ocidental, começou a mandar escravos para as plantações de cana-de-açúcar no Brasil.
O sofrimento na travessia era imenso. Arrancados das famílias, acorrentados e levados a pé até o litoral, amontoados em barracões para o embarque, a degradação dos escravos não tinha fim. Ficavam semanas, meses, acorrentados em porões de navios, lado a lado com doentes e agonizantes, sem saber qual destino teriam.
Quando aportavam no Brasil trabalhavam como artesões, criados domésticos e em maior número, na agricultura e mineração. Em Pernambuco tiveram uma ação decisiva nos trabalhos da cana-de-açúcar e na construção de estradas de ferro. No período Imperial (1822 -1889), foi realizado um tratado do Brasil com a Inglaterra para construir e explorar estradas de ferro através de uma companhia ferroviária inglesa - Great Western, cuja mão-de-obra pesada utilizada pela referida companhia foi a escrava, importada do continente africano.

No Brasil, a abolição da escravidão se deu em 13 de maio de 1888 com a  promulgação da Lei Áurea feita pela Princesa Izabel, filha de Dom Pedro II.  Muitos intelectuais da época, como José de Alencar, defensor do regime político republicano, afirmavam que não bastava libertar os escravos; era preciso dar direitos civis e oportunidades de trabalho a eles. Isto não foi feito e por esse motivo muitos ex-escravos e filhos viviam perambulando pelo Brasil afora.

O transporte ferroviário se tornou o mais praticado no Brasil no período da Monarquia (1822 - 1889). A cidade de Rio Branco, PE, (Arcoverde a partir de 1943), foi um entroncamento comercial entre o Sertão, Agreste e Mata de Pernambuco.

Meu avô paterno, Joaquim Nazário de Souza (1867-1919), proprietário do sítio Brotas, hoje bairro da cidade de Afogados da Ingazeira,  e do sítio Riacho da Onça, e de uma tropa de burros,  era almocreve juntamente com seu filho primogênito Moisés Nazário de Sousa (l891-1971). Transportava fardos de lã de algodão de Afogados da Ingazeira para a cidade de Rio Branco (Arcoverde), final da  linha do trem procedente do Recife, e retornava com  mercadorias demandadas pela região tais como: charque, querosene, latas de banha de porco, tecidos, sal, açúcar mascavo, café, sabão e ex-escravos  que viviam perambulado na estação do trem . Os ex-escravos se destinavam aos trabalhos domésticos, broca e capina das roças, apanha de algodão, trabalhos das bolandeiras (beneficiamento do algodão) e dos engenhos de rapadura, produto de grande aceitação comercial na época no Sertão pernambucano.

Entre os ex-escravos remanescentes da casa de meu avó após sua morte (1919),  ainda me lembro de Zé Preto, Maria Cândida, a Mãe Canja (Canja de Cândida) e Severina Maria da Conceição, a Mãe Ina (Ina de Severina), esta, filha biológica de escravos e  adotiva de Mãe Canja.

Zé Preto (seu nome verdadeiro o tempo o destruiu) era um negro alto, corcunda, barba e cabeça branca, fala mansa e tinha os pés grandes, com acentuado problema de joanete.  No ano de 1915 (seca histórica no Nordeste), passou a trabalhar na casa de meus avós no sítio Riacho da Onça. Dizia que tinha trabalhado na escavação dos túneis da linha do trem que ainda se encontram entre Recife e Caruaru. Fazia seus próprios chinelos de dedo (japonesa de hoje) de couro cru. Lavava sua rede e suas roupas.
Tinha a habilidade de descaroçar algodão e fazer a linha (utilizando um fuso de madeira) para remendar sua roupa. Quando ainda tinha energia suficiente, limpava mato, apanhava algodão, e na época de moagem tombava o bagaço da cana do engenho e botava lenha na fornalha para fazer rapadura.

Em 1932 houve uma seca histórica em todo o Nordeste. O açude do sítio Riacho da Onça secou. Os proprietários resolveram cavar uma cacimba no leito do açude. Nessa cacimba tinha uns degraus para o povo apanhar água.
Houve uma invasão de sapos em busca de água e insetos, e isso dificultava o povo  de apanhar água. Meu pai, Delmiro Nazário de Sousa (1904–1966), defensor nato da natureza, não permitia que os sapos fossem sacrificados. Dizia que os sapos eram animais inofensivos e úteis a humanidade.

Alimentavam-se de insetos. Uma única mariposa ou borboleta que um sapo engolia evitava o surgimento de mais de 100 lagartas, nocivas a humanidade.  A solução foi atribuir a Zé Preto colocar os sapos em um saco e soltá-los distantes da cacimba, nas margens do Riacho da Serra.  À noite, eles, aproveitando a frieza, retornavam à cacimba. Dias depois a cacimba se encontrava tomada pelos anfíbios .  E Zé Preto tinha que repetir o trabalho de remoção.

Nas noites de São João, Zé Preto fazia uma fogueira na casa de minha avó, assava milho para a meninada e promovia um espetáculo puxando as brasas da fogueira, abanando-as para eliminar as cinzas, tirava os chinelos de dedo e passava por cima delas duas, três vezes consecutivas, com aqueles pés grades e tortos. Repetia o espetáculo para os retardatários.

Quando o peso da idade lhe atingiu, seu trabalho passou a se restringir a trabalhos domésticos: carregar lenha para queimar no fogão, água do açude para encher os potes, moer milho, peneirar e torrar massa de milho e contar estórias de onça para as crianças.  

Em 1939, Zé Preto, com mais de 100 anos de idade, foi acometido de um acidente vascular cerebral – AVC - e se despediu  do mundo dos vivos. Seu corpo foi velado em cima da porta de seu quarto de dormir, na casa de minha avó, sua patroa, no sitio Riacho da Onça.
No dia seguinte foi colocado em sua rede, amarraram  nos punhos da mesma  um pau comprido (3 metros ou mais) e um batalhão de homens,  se revezando conduziu o negro velho para  o cemitério  cidade de Afogados da Ingazeira, 11 Km de distância,  onde uma cova com sete palmo de profundidade já o esperava. Colocaram o  Zé Preto  na cova, jogaram os punhos da rede por cima dele e em seguida a terra tirada da cova;  no topo da cova foi fixado uma cruz de madeira indicando que ali foi enterrado um cristão.

Ainda me lembro de Mãe Canja vestida numa saia que cobria os seus pés, apoiada em uma bengala, caminhando para a igreja de Afogados da Ingazeira, acompanhada de  sua filha de criação,  Severina Maria da Conceição, a Mãe Ina.  Após a missa, passava na casa de minha avó para conversar e a chamava de “Siá Marica”. Mãe Canja dizia que ela tinha vindo da cidade de Bonito - PE.

Minha avó falava que meu pai, Delmiro, foi criado, “no sentido figurado da palavra”, debaixo da saia de Mãe Canja. É provável que tenha sido ele quem lhe deu o nome de Mãe Canja. Meu avô pretendia mandá-lo estudar na cidade de Triunfo – PE, mas Mãe Canja discordava.

Quando meu Tio Moisés se casou, Mãe Canja foi morar com ele.  Não sei se foi em 1933 ou 1934, Tio Moisés ficou viúvo com 9 filhos menores.  Mãe Canja se mudou para a cidade de Afogados da Ingazeira e foi residir na rua Henrique Dias,  nº 160,  antiga Rua do Rio, em uma casa que tinha na frente um frondoso pé de tamarindo,  levando  o filho mais novo (Geraldo) de Tio Moisés.

A casa de Mãe Canja tinha como ponto de apoio nos finais de semana o marchante  Maurício José da Silva e a sua família que residiam na zona rural. Na década de 40, Mãe Canja faleceu. Ficou na sua casa a  filha adotiva, Severina (Mãe Ina),  que passou a viver trabalhando dignamente para a sua sobrevivência; terminou de criar e educou Geraldo, que só a deixou quando foi servir a Aeronáutica, onde  fez  carreira. O marchante Maurício e a família continuaram com o apoio na casa de Mãe Ina e lhes sendo úteis. Para completar sua renda,  lavava e engomava roupa  para os ricos de Afogados da Ingazeira.  Tornou-se a mais famosa lavadeira e engomadeira de ternos de linho branco. O peso da idade lhe fez abandonar a profissão. Osvaldo José da Silva, farmacêutico, filho do Sr. Maurício, tornou-se seu tutor e lhe deu assistência até quando Deus a chamou.

Vale lembrar que Geraldo foi servir a Aeronáutica na cidade de Recife - PE,  em seguida transferido para Petrolina, onde  tem uma base física da Aeronáutica. Sempre visitou e deu toda assistência necessária a Mãe Ina, que deixou o mundo dos vivos no ano  de 1977, com mais de 100 anos de idade, resignada, com a face cheia de rugas.

Hoje, no cemitério São Judas Tadeu de Afogados da Ingazeira, onde os três negros, ex-escravos e filha de escravos (Zé Preto, Mãe Canja e Mãe Ina) foram enterrados, longe das terras onde nasceram, só existem “resíduos de fósforo (P) e  cálcio (Ca), provenientes de seus ossos  nas terras  daquele cemitério,  alimentando as plantas invasoras.

Joaquim Nazário de Azevêdo
Teresina-PI, 28 de agosto de 2010

 

 

 

Severina Maria da Conceição (Mãe Ina)

“Com a face repleta de rugas, a fala mórbida, porém demonstrando pouca lucidez, sobrevive nesta cidade a anciã Severina Maria da Conceição, a velha “Mãe Ina”, como é mais conhecida.

Senhora mais idosa identificada pelo censo em Pernambuco: 127 anos. Apesar da idade, nunca conseguiu se casar, e isto pouco lhe preocupa. Viver sozinha, recolhida em um quarto escuro cantando, prosando, rindo e pedindo a Deus para que abrevie seu dia da morte.

Filha de escravos, conservando a cor escura da raça, cabelos grisalhos e com sangue sertanejo, dona Severina Maria da Conceição nasceu no município de Bonito. Por volta de 1890, trazida pela escrava Maria Cândido (Mãe Canja), responsável pela sua criação, pisou o solo seco de Afogados da Ingazeira, enfrentando o batente da vida como lavadeira e engomadeira. Depois aprendeu a cozinhar e tornou-se uma das melhores do Sertão.

Educada num sistema fechado para a classe dos negros, conservou sua pureza até hoje. Lutadora da vida, nunca saiu da pobreza, e em Afogados conseguiu boas amizades, principalmente com pessoas ligadas ao governo. Apaixonou-se por Afogados da Ingazeira, e da sua vida rude guarda muitas recordações, principalmente da fase histórica do capitão Virgulino – o Lampião. Com 127 anos, tem tino perfeito, olhos vivos e um corpo sofrendo a punição dos anos.

Quase não anda, porém fala com muita lucidez, ainda, e tem discernimento. Oficialmente, sua idade (127 anos) não foi confirmada. Porém o Sr. Osvaldo Silva, homem criado muito tempo pela velha, afirma “pelos cálculos que já fizemos desde a libertação dos escravos em 1888, acredito que chega uma faixa de 126 a 127 anos”. Nos últimos dias “Mãe-Ina” vem sendo assistida por dona Antonia Figueiredo da Silva, que, inclusive mora na sua própria residência.

POESIAS

Desde a sua mocidade sempre apreciou a poesia e, nas horas vagas, gostava também de criar seus versos. Hoje, embora punida pelo peso da idade, vez por outra faz suas poesias desconexas e sem rima. Fuma cachimbo, usa colar e gosta de rir. Desesperada, pede ao Criador pra morrer, argumentando que já deu muito trabalho à família. Não gosta, entretanto, de visitas, pois segundo Antonia Figueiredo, acha-se abatida pela idade. Segundo declarações de moradores que residem vizinho à sua moradia, dona Severina era mulher muito braba, no tempo em que gozava de plena saúde, aqui, em Afogados. “Os meninos que brincavam nesta rua (Henrique Dias) e começavam a subir nos tamarineiros e castanhais ela, com uma vara, botava todos pra correr e ficava de tocaia esperando-os. Todo garoto tinha medo dela”.

Recentemente a velhinha teve seu santo devoto – São José – roubado. Isso concorreu bastante para que sofresse uma forte recaída de dores reumáticas. Quando lembram seu santo, começa a chorar, “pois ele era meu protetor a quem queria muito bem”, disse.

NOIVA

Guardando traços culturais de uma região onde predomina a pureza no sexo, o Sertão – onde o casamento é obrigatório para servir de ordem para os pais de mentalidade arcaica, “Mãe-Ina” não concretizou o sonho de todas as moças matutas do Sertão: casar-se. Todavia, em 1870 chegou a colocar a aliança na mão direita com um negro escravo conhecido por “Sebastião”. Depois de tantos planos, o noivado não deu certo e ela teve que aceitar a realidade: acabou o noivado, seguindo a vida rudimentar de lavadeira. Depois aprendeu a cozinhar e, segundo Antonia Figueiredo, “era uma das melhores cozinheiras que já vi em minha vida”.

Escura, um pouco suja e muito pobre, a residência de Severina Conceição fica localizada à Rua Henrique Dias, nº 160, no centro de Afogados da Ingazeira. Na sala há inúmeros quadros de santos e imagens de ídolos. Do tempo da escravidão conseguiu, com muito esforço, um bule que hoje conta com uma idade de 110 anos. Entretanto, esse único objeto histórico não se pode mais observar em sua casa: ela ofertou ao museu histórico do Mobral, em Afogados da Ingazeira.

Falando da morte, disse a velhinha escrava, em estilo de prosa: “Zombo detrás da morte no mesmo leito da dor”. E acrescentou: “Não tenho medo da morte. Já pedi a Deus pra morrer, mas até agora não fui atendida. Não adianta levar a vida que levo, sem sair de casa, trancada neste quarto, feito bicho”.

Na verdade, “Mãe Ina”, nos últimos dias, tem demonstrado abatimento. Vive o dia em cima de uma cama. Não sabe o que é dia santo nem feriado. Quando recebe uma visita e alguém pergunta seu nome, responde: Severina, Severina desvalida. E começa a chorar”.

 

(Do Diário de Pernambuco. Reportagem da déc. de 70 do séc. passado do correspondente Magno Martins) Agradecemos a colaboração de Socorrinho Véras (em memória)que nos cedeu o recorte do Jornalo.

 

 

 

 

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