F Fotos acima: Leo Caldas/Folha imagem
OLIMPÍADA 2008
Yane está entre os 9 Brasileiros para você prestar atenção na Olimpíada
Com a maior equipe olímpica da história, o País tem mais chances de medalhas.
A pentatleta quer fazer boa surpresa nas competições em Pequim
A pernambucana Yane Marques é um fenômeno. Numa modalidade esportiva em que são necessários pelos menos dez anos de preparação para chegar a resultados positivos, ela precisou de apenas quatro. Iniciou-se no pentatlo em 2002 e em 2006 tornou-se campeã sul-americana, batendo atletas experientes. "Viajo a Pequim confiante no meu trabalho", diz ela. Quem acompanha sua carreira não tem dúvida: Yane nasceu para ser pentatleta.
SONHO OLÍMPICO
Idade: 24 anos
Altura: 1,68 m
Peso: 56 kg
Na sua primeira participação em uma Olimpíada, Yane será a única pentatlteta do Brasil
TV Quinta-feira 21, às 21h30
Revista ISTOÉ nº 2022, pág. 83
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Pequim // A mala olímpica
A pouco mais de um mês da Olimpíada, Yane Marques e Joanna Maranhão começam a preparar a bagagem que vão levar aos Jogos de Pequim
A rotina de treinos e viagens é uma velha conhecida das pernambucanas Yane Marques e Joanna Maranhão. Mas, quando o assunto é Olimpíada, elas confessam que não há como evitar a ansiedade. Com as mães Goretti Fonseca e Teresinha Maranhão não é diferente. É difícil evitar o friozinho na barriga que dá às vésperas do "dia D". A solução encontrada para amenizar a aflição da contagem regressiva é uma velha conhecida das nossas estrelas. Faltando pouco mais de um mês para o início dos Jogos Olímpicos, as atletas e suas matriarcas realizam juntas um hábito antigo: a preparação da mala.
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) enviou, na última sexta-feira, as malas com roupas, tênis e adereços olímpicos às atletas. Na casa de Yane, foi uma festa. "Nessa fase que antecede os Jogos, é muito gostoso escolher o que vai e o que não vai. Na minha bagagem não pode faltar máquina fotógrafica para registrar os melhores momentos", diz a número 1 do pentatlo brasileiro. Mas não é só em comemoraçãoa primeira Olimpíada da "caçulinha" que a família Maques está animada. A mãe, Dona Goretti, também se prepara para uma nova e inesquecível "aventura". Será a primeira vez que ela viajará para o exterior. Para tentar conter a ansiedade, Dona Goretti se ocupa com a mala da filha. "É uma forma de aliviar o aperreio. Tenho o maior cuidado para que ela não esqueça nada", diz. E não dá mesmo para esquecer. No pentatlo, são cerca de 30kg só de material de competição. "São três tênis, duas sapatilhas, uma pistola, máscara de esgrima, cela para o cavalo e as roupas. Qualquer ausência dessas é um desastre", explica Yane. As duas começaram a fazer as malas no domingo, separando o material de competição e treino de cada uma das cinco modalidades. "Sem mainha é muito complicado. Quando saio de casa, a mala vai toda arrumadinha, dá tudo. Para voltar é uma complicação", reconhece.
Juliana Ramos -
Da equipe do Diario de Pernambuco.
www.pernambuco.com - em 03.07.2008
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"Em apenas quatro anos ela conseguiu mudar a história do Pentlato Moderno no Brasil. Enquanto os maiores especialistas no esporte dizem que um pentaatleta precisa de, no mínimo, dez anos para poder chegar ao mesmo nível dos seus principais rivais internacionais, para Yane Marques bastaram apenas quatro.
Ela começou a praticar o pentatlo em 2003, quando estava deixando a prática da natação. Nunca tinha pego em uma arma, andado muito pouco de cavalo e esgrima era um campo completamente desconhecido. Mas parece que ela foi feita para isso".
www.pernambuco.com em 2007
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Yane Marques conquista ouro inédito no pentatlo
(reportagem, por Valéria Zukeran da Agência Estado – Rio, extraída do site Diário de Cuiabá) (em 24.07.2007)
A pernambucana Yane Marques colocou no mapa a pequena Afogados da Ingazeira, cidade de 36 mil habitantes encravada no Sertão de Pajeú (380 km do Recife), ao tornar-se a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro no pentatlo moderno em Jogos Pan-Americanos. Com o resultado, a atleta também levou uma vaga para a Olimpíada de Pequim. A canadense Mônica Pinette ficou com a prata e a norte-americana Mickelle Kelly, com o bronze.
Foi orgulho demais para a mãe, Maria Gorete Marques, que teve de fazer seis meses de horas extras no trabalho de cozinheira para ver, entre lágrimas e ao vivo, o feito da filha. "Valeu a pena todo o esforço que fiz para chegar até aqui, todo o sacrifício de ficar longe da família", diz Yane, logo após a conquista.
E a jornada não foi pequena para a menina, que cresceu no sertão até os 12 anos e de lá foi para Recife com o sonho de ser nadadora. Até pouco menos de quatro anos, era difícil viver do esporte em uma família sustentada pela mãe, que ganha R$ 800 mensais fazendo quitutes, e pela pensão dos avós aposentados.
O pentatlo moderno só apareceu por incentivo dos técnicos do Caxangá Golf Country Club, de Recife, onde nadava. "No começo achei que o esporte fosse corrida, natação, bicicleta e mais alguma coisa. Depois descobri que não tinha nada a ver", conta. Com exceção da natação, Yane teve de aprender todos os outros esportes: tiro, esgrima, hipismo e corrida - ainda hoje, seu ponto fraco. Mas progrediu rápido e, antes de disputar seu primeiro Pan vivendo com uma ajuda de custo de R$ 500,00, chegou a ficar em 19º lugar na última Copa do Mundo. "Espero que com a medalha eu consiga patrocínio", sonha.
SACRIFÍCIO - Também não faltou esforço a Maria Gorete para vir ao Rio. "Foram seis meses economizando para poder pagar a passagem para vir até aqui", conta a mãe de Yane. E a saudade durante o tempo de preparação para o Pan não foi pequena. "Nos últimos três meses, ela passou nove dias em casa." Os outros, a atleta passou treinando na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ).
Mas tudo valeu a pena e Maria Gorete não conteve o choro ao ver a filha subir ao lugar mais alto do pódio. Agora, espera ter mais algum tempo para ficar perto da nova super atleta do esporte brasileiro.
Os habitantes de Afogados da Ingazeira também não pouparam esforços e criatividade para dar apoio à filha ilustre da cidade. Uma delegação de aproximadamente dez pessoas viajou cinco horas de carro e mais duas de avião para chegar ao Rio. Na cidade, contaram com a ajuda de outros conterrâneos que moram na sede do Pan para fazerem as faixas de incentivo a Yane.
Com os resultados, ela saiu na prova dos 3 mil metros de corrida 1min24 à frente de Pinette. Na chegada, a brasileira somou 5.484 pontos. "Foi muito bom ter todo aquele pessoal me apoiando", diz Yane, que foi elogiada pelas adversárias. "Tenho orgulho de dizer que fui uma das duas únicas atletas (a outra foi a brasileira Larissa Lellis, que terminou em oitavo) a tocá-la na prova de esgrima", afirma a medalhista de bronze, Mickelle.
Com a vaga garantida em Pequim, o técnico da brasileira, Alexandre França, não quer perder tempo: os treinos recomeçam já na sexta-feira. E Maria Gorete começa as contas de quantos docinhos e salgadinhos terá de fazer para ver a filha competir de novo representando o Brasil. Agora, em Pequim.
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