AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Maria Dapaz Maria Dapaz Maria Dapaz - imagem Sérgio Massa

AS PESSOAS

 

CONTERRÂNEOS NA MÍDIA

Maria Dapaz

MUSA DA SEMANA: A pernambucana Maria Dapaz é cantora, compositora e instrumentista invejável. Sua estrada vem desde menina-moça quando aos 9 anos tirou o segundo lugar no concurso “A Mais Bela Voz do Nordeste”. A partir daí participou do grupo Marajoara até fazer uma trajetória internacional que apenas consagra o seu talento.

Lançou, em 1981, seu primeiro disco solo, “Pássaro Carente”, cuja repercussão permitiu que seu segundo trabalho, “Maria da Paz”, tivesse arranjos assinados pelo maestro Lincoln Olivetti.
Em 2004 lançou o cd “Vida de Viajante”, dedicado à obra de Luiz Gonzaga, com o qual foi indicada ao Grammy Latino de 2004. Ela tem mais outros álbuns gravados, todos confirmando seu talento e prestígio.

O show intimista "Projeto Adoniran apresenta Maria Dapaz" com a participação do violonista Rafael Cardoso está registrado em dvd. Essa apresentação foi gravada na Sala dos Espelhos do Memorial da América Latina em São Paulo. Este dvd está somente sendo vendido no site www.mariadapaz.com ou pela Joma Produções Artísticas (11) 4704.3494 jomaprodart@uol.com.br


Ela concedeu uma entrevista exclusiva pro Música, Teatro & Cia, confira.


Maria Dapaz é uma maravilha de mulher e artista. Uma intérprete, compositora e instrumentista invejável, digna de aplausos. E de pé. Sua estrada vem desde menina-moça quando participou do grupo Marajoara até fazer uma trajetória internacional que apenas consagra o seu talento.
Simpaticíssima pernambucana da gema, ela concedeu uma entrevista mais que exclusiva pra gente. Com vocês, Maria Dapaz:

MT&C - Maria Dapaz, inicialmente vamos para a pergunta de praxe: como e quando se deu seu encontro com a música?

Nós nos encontramos quando eu era ainda garotinha... e não nos largamos mais. Era destino mesmo!

MT&C - O que uma menina ariana jaboatonense criada em Afogados da Ingazeira curtia que ficou de representativo no seu trabalho interpretativo e autoral?

Musicalmente, eu bebi todas as informações que recebi da região em que cresci e, naturalmente, a rádio Pajeú foi minha fonte principal neste caso. Mas o que me marcou mesmo foi a voz de Clara Nunes cantando: “E agora você passa eu acho graça...”. A primeira vez que escutei senti que meu caminho ia seguir também naquela direção.

MT&C - A sua trajetória começa, salvo engano com "Os Unidos", passando pela Paizinha do Marajoara até o "Da cor morena". Que avaliação você faz da sua trajetória?

Eu fiz um caminho rico em todos os sentidos. Conheci pessoas fantásticas e lugares inesquecíveis por causa da música. Aprendi muito e continuo aprendendo, descobrindo, inventando. Quando comecei com Os Unidos, eu sonhava em ser uma cantora profissional e aqui estou. Viajo pelo mundo e canto em lugares incríveis, fazendo a música que gosto e que é respeitada pelo meu público. Não vamos esquecer o CD “Ô Abre Alas” com músicas de carnaval que foi lançado em fevereiro deste ano!

MT&C – Ah, tá. Você além de cantora também é compositora, como se dá essa relação e expectativas? A compositora se faz sempre presente no seu canto ou apenas complementa a arte?

Eu compus minha primeira música aos 17 anos. Na verdade, eu não tinha coragem de mostrar minhas composições a outros artistas, com o tempo a timidez foi se desfazendo e eu passei a gravar com grandes nomes da música brasileira. A compositora e a cantora são partes de mim, uma não sabe viver sem a outra.

MT&C - Você tem uma experiência internacional bastante pronunciada e de gabarito. Como você avalia essa experiência e como você vê a receptividade e acolhida da música e do artista brasileiro no exterior.

Cantar fora do Brasil faz você crescer muito. Mas isso depende do tempo que o artista passa lá fora. Eu acho que todo músico deve sair um pouco do país de origem, com certeza vai voltar com muitas informações na bagagem. A música brasileira é sempre muito respeitada lá fora. Qualquer que seja o gênero é sucesso!

MT&C - Retornando ao Brasil, como o país trata os seus artistas e a música brasileira? Você prefere atuar aqui - tem sido possível isso? Ou precisa manter um pé aqui e outro na carreira internacional?

O povo brasileiro gosta de qualquer gênero sem preconceito, mas o que as pessoas ouvem com frequencia é a música que toca nas rádios com muita freqüência. Não quer dizer que seja a melhor. As rádios agem como prestadora de serviços: você me paga eu te toco. No mundo inteiro é assim. Mas existem muitos caminhos, e um deles é fora daqui. Muitos artistas quase não tocam no Brasil, não tem como...

MT&C - Como você está vendo a situação da música brasileira atualmente: em transformação, dinâmica e original ou em decadência?

Eu gosto de ver o samba voltando a tocar em rádios, cantores gravando cds inteiros do gênero depois de um tempão meio esquecido pelas gravadoras. O povo não esquece nunca, o samba é a nossa verdadeira música. Eu acho que já vivemos momentos onde quase não se ouvia tocar nada de musica brasileira. Eu torço sempre para que deixemos de nos espelhar no vizinho e passemos a olhar o nosso umbigo com mais atenção. Somos os melhores do mundo quando se trata de música.

MT&C - Quais os projetos e perspectivas da Maria Dapaz? O que vem por aí?

Tenho muitas coisas na mira. Mas eu gosto de amadurecer as idéias, inventar sempre, não gosto de me repetir. No momento estou participando de vários projetos e criando outros. Como diz a música: É proibido cochilar!

 

http://ciateatromusica.blogspot.com/2008/04/maria-dapaz_15.html

As imagens acima: Sérgio Massa

 

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