AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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HISTÓRIAS

 

CONTA A HISTÓRIA...

Os índios Cariris - originários da amazônia - foram os primeiros habitantes da nossa região. A sua história tem registro a partir do século XVII. Eram bons guerreiros - terríveis nas guerras, adotavam a tática de correrias rápidas e tinham incontestável afoiteza. De estatura mediana, robustos, bronzeados, nariz grosso, cabeça larga, rosto redondo, usavam os cabelos caindo sobre os ombros, mas não deixavam cobrir as orelhas. Viviam nus, mas usavam o "atilho" para cobrir o sexo.

As mulheres eram altas, fortes e belas. E quando davam à luz, sujeitavam-se a jejum rigoroso. O recém-nascido, com nove a dez semanas de idade, era mergulhado dentro da água, para se acostumar, desde cedo, a nadar.

Os Cariris obedeciam ao pajé, chefe religioso, a quem veneravam, e que se distinguia dos demais pelo corte de cabelo e pela unha do dedo polegar sempre comprida.

A principal ocupação dos homens era a caça, destingindo-se dos demais aqueles que conseguiam capturar o animal mais feroz, principalmente os tigres da faunas, os veados e os bois bravos que erravam por suas regiões no princípio da colonização. Suas armas eram o machado de pedra com cabo comprido, o arco e azagaias ou armas de arremesso. Não dispunham de instrumento de ferro. Os arcos eram grandes e de madeira rígida; tendiam-se com nervos de tamanduá. Calçavam a madeira do arco com os pés, estando eles deitados no chão e com as duas mãos estiravam a corda. Faziam mira com acerto admirável. Também atiravam em pé.

Quando iam para a guerra, adornavam-se com penas de aves - papagaios, araras, maracanãs - em volta da cintura, e sobre as cabeças fixavam, em pé, outras penas em forma de coroa.

O cuidado com as crianças e idosos, o preparo dos alimentos e o roçado, além da colheita de frutas e legumes encontrados nas matas, eram atribuições das mulheres

Nada recolhiam com o interesse de conservar. Quando havia escassez de caça e outros alimentos, mudavam de lugar num raio de três léguas.

O pajé se ocupava com a proteção dos guerreiros contra o espírito do mal. Imolava aos deuses os prisioneiros de guerra e mandava as mulheres beberem o sangue das vítimas, como forma de proteger a vida dos seus companheiros.

Falavam a língua dos Tupis, mas costumavam usar muitos sinais para se comunicar.
Os Cariris davam preferência ao plantio de fumo, que era usado como fator primordial nas cerimônias religiosas. Conheciam o algodão, teciam suas redes e sabiam fiar o caroá.
Penetraram no sertão através de dois caminhos. Através do rio São Francisco (1650) eles chegaram às margens do rio Moxotó e do Pajeú. Outro bando desceu o curso do São Francisco até sua nascente, depois avançaram para o sudeste, transpuseram a Serra dos Irmãos e foram se estabelecer no Piauí.

Enquanto os jesuítas evangelizavam os índios mais próximos do litoral, os Carmelitas franceses foram os missionários dos Cariris do São Francisco.

Os índios Cariris eram aliados dos holandeses. Após a expulsão destes, os índios passaram a sofrer terrível perseguição por parte dos portugueses

Os colonizadores baianos foram os primeiros a se estabelecerem pelas margens do rio Pajeú. Os índios logo se identificaram com esses colonizadores. Nesta tarefa a contribuição dos missionários foi de fundamental importância, pacificando-os e orientando-os no desenvolvimento da região, erguendo igrejas, capelas, cemitérios, casas, etc.

A vila de Flores foi a primeira a prosperar à margem do rio Pajeú, graças o valioso trabalho desenvolvido junto aos índios pelo missionário capuchinho Frei Caetano de Messina.
Posteriormente, em 29 de abril de 1836 foi criada a freguesia de São José da Ingazeira, desmembrada da vila de Flores, cuja área se alongava da Serra da Carapuça, chegando a Buíque e São João do Cariri, pelo nascente, a Patos, pelo noroeste, e a Piancó, pelo norte.

 

Ingazeira

Em meados do século XVII, no desejo de evangelizar as pessoas de sua fazenda, Antônio de Oliveira, um dos primeiros proprietários de terra do lugar, dirigiu-se ao Convento da Penha, no Recife, sendo, então, Frei Theodosio de Lucé designado para esta missão, tendo ele percorrido o planalto da Borborema e a cabeceira do rio Pajeú.
Com a ocupação do Recife pelos Flamengos hereges, foram cortadas as relações da capital com o interior e a missão dos capuchinhos sofreu processo de continuidade, mas não impediu que os índios fossem catequizados.

Situada à margem do rio Pajeú, Ingazeira tinha terrenos excelentes, próprios para a agricultura e o povoamento do solo, reunindo, assim, toda condição para desenvolver o Alto Pajeú.

Agostinho Nogueira de Carvalho, fundador da vila de Ingazeira, no ano de 1820 começou a construção da capela em homenagem a São José da Ingazeira, somente ficando a obra concluída em 1849, por seu filho, haja vista Agostinho haver falecido em 1821.

Era comum ocorrer cenas de violência nas festas da igreja e isto desagradava às pessoas que para ali se dirigiam. Insatisfeitos com tal situação, as pessoas do Egito mandaram construir uma capela em seus terrenos, fato que enfureceu o Coronel Francisco Miguel de Siqueira, tendo ele enviado seus homens para derrubarem a construção.

O coronel sempre fazia desfeita aos padres que se estabeleciam em Ingazeira e isto comprometeu o desenvolvimento do lugar. Por ser um homem injusto e soberbo, muitas vezes se opôs a construção de casas e desapossou, às vezes com barbárie, alguns pobres moradores.

Esses acontecimentos contribuíram para o desenvolvimento da vila de Afogados, que caminha a passos mais largos do que Ingazeira. Assim, através da Lei Provincial nº. 1403, de 12 de maio de 1879, a sede do município e da freguesia é transferida para Afogados.

O Coronel Francisco Miguel de Siqueira morreu num acidente, em 1878, ao ser derrubado do cavalo, na entrada da rua de Ingazeira, ao retornar de Afogados, onde fora fazer a ameaça de exterminar a Vila.

Pouco depois, em 1881, foi criada a freguesia de São José do Egito e, posteriormente, o Coronel Paulino Raphael, chefe político do município, criou uma feira em Bom Jesus (Tuparetama), que pertencia a São José do Egito, sendo esta ligada administrativamente ao município de Afogados da Ingazeira.

 

Afogados da Ingazeira

Originou-se de uma fazenda pertencente a Manoel Francisco da Silva. Em 1836 o proprietário das terras mandou construir uma pequena e modesta capela de oração, de taipa, depois substituída por outra de esteio sólido e enchimento de alvenaria, porém ainda pequena e de teto baixo.

Passavam por lá missionários do convento da Baixa Verde (Triunfo) no interesse de realizar casamentos, batizados e crisma, além de celebrar missa. O Pe. Francisco trouxe uma imagem do Senhor Bom Jesus dos Remédios, a qual passou a ser venerada com muita devoção.

Pouco a pouco a fazenda foi se desenvolvendo, sempre com o apoio dos vigários e das pessoas importantes. Logo a pequena capela foi remodelada, ganhando altura e maior dimensão, e casas foram sendo erguidas em fila, espichando as ruas.

Em pouco tempo a vila de Afogados era maior que a cidade de Ingazeira. De sorte que, através da Lei Provincial nº. 1403, de 12 de maio de 1879, a sede do município e da freguesia foi transferida para o novo burgo. Em seguida, através da Lei Provincial nº. 1761, foi determinado que a sede do município voltasse novamente para Ingazeira.

Em 28 de junho de 1884 a Lei Provincial nº. 1761 foi revogada pela Lei Provincial nº. 1827, voltando a sede para a freguesia de Afogados, tendo como primeiro prefeito/administrador o português Alfredo Adolfo Ferraz da Costa; Manoel Francisco da Silva, donatário e João Martins de Queiróz Lino, fiscal Imperial.

Misericórdia/Afogados se tornou Município autônomo em 21 de abril de 1893, com base no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 03 de agosto de 1892. Era então constituído de quatro distritos: Afogados (sede), Ingazeira, Espírito Santo e Varas; Porém, com a edição da Lei Provincial nº. 991, de 1º de julho de 1909, Afogados da Ingazeira passou a cidade.

Na realidade Afogados da Ingazeira, neste 2008 - entre idas e vindas - completa 129 anos, mas a sua emancipação só foi oficializada 29 anos depois, em 1º de julho de 1909;

Em 1910 chegou o padre Carlos Adriano Maximino Cottart, de origem francesa, que muito contribuiu para o desenvolvimento do lugar(...)

(Dados compilados do livro “Afogados da Ingazeira – Memórias”. Edições Edificantes -
Autor: Fernando Pires).

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