
Bernardo, um dos quatro filhos de Otávio Ferreira da Silva e Laura Ferreira da Silva, nasceu no distrito de Tabira (então pertencente a Afogados da Ingazeira) em 9 de julho de 1943. Menino tímido e amoroso, não escondia o carinho devotado aos pais e irmãos.
Ainda pequeno veio com a família morar em Afogados da Ingazeira (PE), cidade maior e mais promissora, onde poderia ser mais favorável para o Sr. Otávio Ferreira abrir seu consultório dentário, já que era um prático a desfrutar de muito conceito na região.
Em 1953, com apenas 10 anos de idade, Bernardo tocava violão e sanfona, arte que aprimorou com o passar do tempo, tornando-se um grande músico. Esse fato não deveria ser motivo de muita admiração, posto ele fazia parte de uma família de artistas: sua irmã mais velha, Maria de Lourdes Ferreira (Lourdinha), tocava sanfona; Flávia Ferreira, a mais nova, sanfona e violão, e seu único irmão, Geraldo Berardinelli, revelou-se, cedo, um grande artista plástico.
Numa das vezes em que o cantor Luiz Gonzaga, o Rei do Baião se apresentou em Afogados da Ingazeira, hospedou-se no Grande Hotel, em frente à casa de Bernardo. E ele foi convidado para fazer uma exibição para o cantor que ficou admirado com o talento do jovem interiorano: “Esse menino vai fazer muito sucesso. Se o pai dele deixar, ele vai comigo para o Rio.” Bernardo não foi. Além de ser muito jovem, não estava em seus planos deixar a família. Na verdade, ele gostava de tocar em casa, sempre acompanhado por uma das irmãs (nas festas da escola, apresentava-se com todos os irmãos, cada um tocando um instrumento e Geraldo cantando). Gostava, também, de animar as festas de aniversário na casa de amigos.
Depois passou a abrilhantar as Manhãs de Sol no tradicional ACAI (Aeroclube), fazendo muito sucesso.
Quando o radialista Waldecy Xavier de Menezes movimentou a região com seus programas radiofônicos de auditório (“Festa na Roça” e “Domingo Alegre”), o conjunto regional responsável pela parte musical, inclusive pelo acompanhamento dos artistas, tinha Bernardo Ferreira na sanfona, Gago na bateria, Zé Malaia nos maracás, Flávia Ferreira no violão, Expedito boca-de-véio no pandeiro, Zé Martins e Charles Pantera (Lulu Pantera) no vocal.
Uma das grandes alegrias de Bernardo foi no dia da sua contratação para fazer parte da Super Oara, orquestra do Mestre Beto, de Arcoverde (PE), que fazia muito sucesso por onde se apresentava. Depois de alguns anos se exibindo com a orquestra nos palcos da vida, Bernardo voltou para junto da família. Prosseguiu, então, abrilhantando as Manhãs de Sol no ACAI e os programas de auditórios comandados por Waldecy Xavier de Menezes.
Bastante habilidoso, tocava violão e sanfona muito bem e jogava futebol e sinuca de forma impressionante. Era admirado e querido. Apesar de ser visto como um rapaz especial, ele não foi muito namorador, mesmo sendo bastante assediado. A timidez fazia dele um moço reservado, de muitos amigos e que gostava bastante de sorrir.
Bernardo também foi ótimo compositor, tendo, inclusive, gravado duas belíssimas musicas de sua autoria: “Fingimento” e “Separação”, na voz do cantor Miro Gonçalves, através da Gravadora Rozemblit.
Um dos seus fiéis amigos, José Martins de Moraes, cantor do seu regional, gostava de se exibir com essas músicas, nas inúmeras serenatas que fez com Bernardo pelas ruas românticas de Afogados da Ingazeira, nas noites enluaradas.
Um dos sonhos de Bernardo Ferreira era, no futuro, formar sua própria orquestra. Tinha capacidade de sobra para tanto. Contava, inclusive, com alguns músicos de talento incomparável. Entretanto, por uma fatalidade do destino, não pôde concretizar seu sonho.
Ainda jovem, com 18 anos de idade, um problema cardíaco obrigou-o a manter um regime de vida mais moderado, deixando-o muito triste, mas não perdeu o brilho do sorriso.
Na terça-feira de carnaval, dia 22 de fevereiro de 1966, Bernardo Delvanir Ferreira da Silva, aos 22 anos de idade, teve um infarto fulminante.
Naquele dia não só seus familiares e ardorosos amigos, mas a cidade em peso chorou a perda irreparável. Seu sepultamento contou com a presença de milhares de pessoas, todos chorando em silêncio a saudade antecipada. (por Milton Oliveira, com enxertos nossos)
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