Wellington Rocha
A minha saudade...
A minha saudade é tão sem medida
que mesmo presente eu sinto doer
um sentimento a me corroer
sabendo que vem a triste partida
nas idas e vindas que tem minha vida
eu tenho teu cheiro guardado na mente
que tem na distância um ingrediente
ferindo meu ser quando estou só
na minha garganta chega sinto um nó
contando os minutos pra te ver somente
Meu belo sertão de coisas tão puras
lugar de meus sonhos e realidade
onde muito valor tem a liberdade
moldando na gente nossas estruturas
fazendo de nós pessoas maduras
talhando na alma valores só nossos
passando por cima até dos destroços
da seca da fome e do sofrimento
vencendo o descaso e o esquecimento
das mão de teu povo é que vem teu reforços
Estando em teu seio me sinto feliz
porque é aqui que tenho alegria
cada sentimento que tenho procria
e mais uma vez o caminho refiz
a minha alegria em te ver condiz
com cada minuto ausente daqui
pois tenho a certeza que estando aqui
controlo a saudade que mora comigo
é minha lembrança, também meu castigo
qual cama de pregos que usa um faquir.
Declaro por ti todo amor que tenho
meu lugar sagrado e fonte de paz
de tu me esquecer não serei capaz
és o meu futuro, na mente eu desenho
e essa jornada que hora me empenho
é pra retornar e te agradecer
por te me ensinado a fortalecer
o elo que liga passado e presente
e um dia quem sabe assim DE REPENTE
eu serei mais um te ajudando crescer.
W. Rocha
Afogados da Ingazeira, 21 de setembro de 2011
Saudade
Saudade é faca afiada
Que corta os sonhos da gente
Destrói tudo que sente
Qualquer alma apaixonada
Deixando bem retalhada
A paixão do ser vivente
Faz dele um sobrevivente
De emoção descompassada
Maldosa faca saudade
Tu corrói toda vontade
De viver que tenho eu
Me tiras a liberdade
Sufocas minha bondade
Nos traços do corte teu.
W. Rocha
Afogados da Ingazeira, 19 de Setembro 2011
Dias mudados
Ao ver o dia cinzento
O Sol seu rosto queimando
No pensar vai se lembrando
Os dias de sofrimento
Que com horas de lamento
Magoavam sua alma
Vai embora sua calma
Pensando nos pares seus
Fecha os olhos, roga a Deus
Reza uma prece e se acalma
Mas aí no outro dia
A chuva molha seu chão
Esfriando seu sertão
Entender já não podia
Como muda todo dia
O lugar por ele amado
Dia seco, outro molhado
Endoidando sua mente
Dia triste e algum contente
Vendo o cenário mudado
W. Rocha
11 de Setembro 2011
Delírios
Para Aurora Xavier
No quarto, com o passado
Moramos eu e uma sombra
Essa visão que me assombra
Feito um quadro mal pintado
Cada delírio criado
Na solidão de meu sonho
O roteiro que componho
Seu final só sabe eu
De nos três, só um sofreu
Neste cenário medonho.
Meus momentos de tristeza
O tempo não mede mais
Os meus dias de iguais
Já perderam a sutileza
o que sobrou da grandeza
do amor que eu guardei
não te achando, então eu dei
pra o fruto do imaginário
e sem ver um calendário
sei os dias que chorei.
Hoje presa a um recinto
Que na verdade é meu mundo
Muitas vezes me confundo
Ao falar tudo que sinto
Por querer as vezes minto
Enganando mais a mim
Porque sei que só assim
Que Liberto os sentimentos
Viajando nos lamentos
Antes de tudo ter fim.
W. Rocha
Afogados da Ingazeira, 1º de Agosto 2011
Antes de a noite acabar
Aquela moça bonita
Vai vivendo a sua sorte
Pois na alma tem um corte
De profundeza infinita
em sua luta maldita
Vai pra rua labutar
Porque deve sustentar
O filho não esperado
que num beco foi gerado
Antes da noite acabar
O guarda anda na via
Guardando o que não é seu
no destino que teceu
Bota um fio a cada dia
Pra consolo lhe servia
O brilho de um luar
E seus passos clarear
Segue sua solidão
Cumprindo sua missão
Antes da noite acabar
O sino de uma igreja
bate forte sem parar
cada hora badalar
o seu som que esbraveja
onde quer que se esteja
é possível escutar
o martelo a repicar
no ritmo de um ponteiro
mais um momento certeiro
antes da noite acabar
W. Rocha
Afogados da Ingazeira, 29 de Julho 2011
Nesta casa de taipa abandonada
Neste canto fiquei porque eu quis
Preferi me acabar com meu “sobrado”
Cada pingo de choro que é pingado
Sela mais o acordo que eu fiz
Tendo sempre a existência por um triz
Nesta luta que ao mundo se revela
Cada sim que a vida me cancela
Mais me prende ao batente da morada
Nesta casa de taipa abandonada
Dou um grito de fome dentro dela
Desisti de lutar e me entreguei
Porque fui derrotado pelo mundo
Joguei tudo num só covão profundo
Os pedaços de sonhos eu larguei
O incerto sentei-me e aguardei
De passagem deixei uma janela
Meus lamentos eu fiz de sentinela
Já que minha vontade foi roubada
Nesta casa de taipa abandonada
Dou um grito de fome dentro dela
Seguem juntas tristeza e agonia
Ficam dor, sofrimento e solidão
O cenário mais puro do Sertão
Revivido ao nascer do novo dia
E do céu nosso Deus por garantia
Guarda o sopro de vida de uma vela
Pra que quando eu partir apague ela
E a alma não saia tão magoada
Nesta casa de taipa abandonada
Dou um grito de fome dentro dela
[Feito por mim, ajeitado pelo mestre Dedé Monteiro]
W. Rocha
Afogados da Ingazeira,
O luar inacreditável...
Quando a noite tem luar
Deixando claro o sertão
Se mede com exatidão
A paz que tem o lugar
É quase como sonhar
Estando com o olho aberto
Os anjos ficam mais perto
Deus está sempre presente
Nesta hora a alma sente
Que moro no lugar certo
[Em uma noite feliz, com meu amor Merizane e os amigos de verdade: Seriza, o poeta Alexandre Morais e Vera, comendo um Peixe no Bar do Careca, o cenário era um luar inacreditável]
W. Rocha
Afogados da Ingazeira,
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