AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Genecy almeida

CULTURA

 

ESCRITORES / POETAS / POETISAS

Genecy Almeida

 

 

 

O que a língua portuguesa fala de nós...

"Revela um povo que usa poucos dos inumeráveis recursos de que dispõe. O português tem cerca de 400 mil palavras. Guimarães Rosa utilizou 9 mil. Um adulto escolarizado se recorre de 2 mil. Quem só frequentou o ensino fundamental, fica pelos mil vocábulos.

Quanto menos palavras se usam, mais pobre a língua fica - Uma palavra passa a traduzir muitas significações. Vira curinga. Revela um povo com baixa autoestima. Dar nome inglês a estabelecimentos comerciais, anunciar em inglês, a liquidação, denuncia falta de amor próprio, preguiça de criar e tendência à cópia.
O comércio oferece cardápio em inglês porque o consumidor quer. Valoriza o prato. Isso revela subdesenvolvimento. Falta-nos educação e ciência. Usamos poucos recursos da língua porque não nos são exigidos. Embalamos nossos produtos em inglês porque vende melhor.
Eça de Queirós escreveu: “Uma pessoa só deve falar, com impecável segurança e muita pureza, a língua da sua terra. Todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. ”

Amo a língua portuguesa. Não sei quantas palavras conheço, mas, todos os dias, impreterivelmente, converso com pessoas esclarecidas, leio e me surpreendo com vocábulos nunca usados, ou, talvez, guardados no subconsciente.
A partir de hoje, sempre que puder, trarei algo sobre “ A última flor do lácio ”, nossa tão querida Língua Portuguesa!

Atenção, crianças: Cuidado com a avareza na escrita e na fala. Nunca escrevam "xero" no lugar de "Cheiro". O costume leva à prática. E por falar nisso, um "cheiro" e muita sorte para todos!

Geneci Almeida
Afogados da Ingazeira, 22 de outubro de 2011

 

 

Dia do Gari
O Gari e sua Margarida...

... Meu poema,  GARI,  hoje é pra ti
que passas na minha rua
recolhendo o lixo que produzi.
Gente limpa, feito tu, nunca vi!


Existe sim, gente que te desdenha.
Devo muito a quem me serve.
Por isso, também, quero te servir!

Um copo d’água, um docinho...
Um aceno, um muito obrigada.
um gesto de carinho...

Um  AGRADO no  Natal...
Não custa, não!
Um OVO de Páscoa...

E uma PAMONHA no São João!...
A mim não  custa nada,
A ti, muito te agrada!

Saber que tenho alma de gari
é um orgulho na minha vida.
Pois na limpeza da poesia
sou a tua Margarida!i!

Geneci Almeida                          
Afogados da Ingazeira, 16 de maio de 2011

Obs: O feminino de GARI é MARGARIDA

 

 

O Amor é isso

Poderoso e misterioso, o amor. / Com o tempo ensina a gente /
que só quem ama é que sente / o peso da alegria e da dor.

Quantas vezes, o paraíso me mostraste / ... com teus carinhos
quantas vezes me ensinaste / que o céu estava aqui a meus pés!...

E na ausência repentina desse amor
foi você mesmo que tanto me ensinou
que é possível de saudade também viver...

Que o amor traz em si contentamento
mas, quase sempre nos leva a conhecer
o céu e o inferno ao mesmo tempo!i!

Geneci Almeida
Afogados da Ingazeira, 25 de abril de 2011

 

 

Quem rouba, mata? Nem sempre...
Quem mata, rouba? Com certeza!

Tragédia Humana

Não sou a favor do roubo. Nunca fui, porém prefiro saber que um meu roubou, a saber que matou alguém. Refiro-me a coisas materiais, pois em se tratando da vida, quem mata rouba impiedosamente.

Rouba a vida, como fez aquele cruel assassino na Escola Municipal Tasso da Silveira. Roubou aquelas crianças dos seus pais e familiares. Roubou a paz daquela Escola. Roubou um pouco da Cidade Maravilhosa. Roubou tudo de muitas famílias e um tanto das famílias brasileiras e do mundo, é claro.

O que mais me constrange é ligar a televisão e verificar que as imagens, os comentários alusivos àquele assassino, atirando naquelas crianças, em plena sala de aula, me deixaram perplexa. Ao ligar a TV, especialmente na Globo - Fantástico -, fiquei a me perguntar: Quanta referência a um assassino inconsequente. Enquanto isso aqueles policiais que arriscaram a vida, evitando maior proporção do massacre, tiveram um relâmpago momento de deferência. E outras pessoas mais.

A mídia não deveria evidenciar tanto o mal que se faz.
O bem, sim, esse deve ser proclamado. Cada vez mais me convenço que AUDIÊNCIA é o fascínio do mundo televisivo, também.

Geneci Almeida
Afogados da Ingazeira, 11 de abril de 2011

 

 

 

"ATALHO"
 

Depois de muito pensar
vou direto ao assunto.
Em fogo brando, não vou cozinhar!
Sentada, também não espero...
 
Como fez alguém, na beira do caminho.
Nem vou dar mais voltas.
 
Vou em estrada reta
Compensar o tempo perdido...
 
Só assim eu vejo
O caminho percorrido!
 
Para mim não faz sentido
Percorrer todos os estágios.
Vou queimar etapas
sem desperdícios!...
 
Paciência, só com coisas possíveis, práticas, palpáveis, tangíveis...
 
Paciência para ver a tarde cair.
Sentir a brisa da Fonte
sem saudade doendo na alma!
 
De todo remédio que há, eu me valho.
Saio da estrada, entro num atalho
e me armo, me imponho, com muito jeito...
 
Pois... saudade, eu costumo matar
antes que ela arrebente meu peito (!i!)

 

Geneci Almeida
Afogados da Ingazeira, 23 de outubro de 2009

 

 

 

"NÃO QUERO SIMPLESMENTE VIVER"
 
Simplesmente viver?
Não quero essa farsa da vida.
Quero, antes a vida, nua e crua!
 
Quero olhar o céu, todos os dias.
Da imensidão do meu quintal
hei de contemplar muitas estrelas...
 
Ou, talvez uma... aquela...
 
aquela que povoa minha solidão
Que cicatriza as feridas da minha alma
pois se todos têm tristeza dentro de si...
 
"NÃO É PECADO RECORDAR UM DESGOSTO.
QUE EU O RECORDE!"
 
Quero uma flor, mesmo com espinhos
mas...que exale perfume!
 
"QUERO SENTIR A DOR DA SAUDADE
E QUE MINHA TRISTEZA SEJA INTOCADA".
 
Quero o silêncio, mas quero também a palavra
 
"PORQUE SILÊNCIO FERE MAIS QUE NAVALHA".
 
Quero tua presença, teu perfume.
Quero ser poesia...
 
Que tudo seja intenso...
Como intenso é o amor.
 
Quero o vinho
em cálices separados...(?)
 
Quero o amor, corpo-a-corpo
A cama bagunçada, o orgasmo da vida.
O dormir e o acordar!

E se não acordar!...
Que se diga: Morreu de tanto amar (!i!)

 

Geneci Almeida
Afogados da Ingazeira, 08 de dezembro de 2007

 

 

 

EU SOU O QUE NINGUÉM VÊ

Sou a casa em que nasci e que um bom tempo vivi.
Sou o quarto compartilhado, com minhas irmãs, eu me lembro.
Sou os segredos que delas ouvi, e o segredo que a nenhuma contei...

Eu sou os meus irmãos homens, que me dão segurança e carinho.
Sou a saudade do meu pai!
Eu sou a minha família!...

Eu sou a minha mãe, Guerreira por excelência, mãe por competência, bravura e muita coragem para com Deus compartilhar, dizendo, sim: vou multiplicar.
Sou a saudade daquele tempo. Criança ainda, bem pequena, de "CRISTO", esposa queria ser... Quem sabe, até, réplica de "MADALENA".

Sou a tristeza de não ter dado certo.
Sou o atalho de uma encruzilhada, e hoje, até dou gargalhada por não ter desfeito ali no altar, a dor de não ter dito "não" , mas a alegria de ter dito "sim", por não ter amputado do meu corpo, da minha "alma", a doce alegria de ser MÃE! Eu sou a alegria de "ser".
Sou os pelos do braço que eriçam e me excitam.
Sou a carência que grita, o afago que permuta.
Sou garras afiadas em pontas de dedos que também afagam. Mãos que acariciam. Incitam disfarçadas.

Sou LÁGRIMAS...
Sou o desprezo daquilo que prezo.
Sou a renúncia de tudo que é prazeroso, mas... SANTA eu não sou, não!...
Sou o fogo que me queima, e a água que me apaga.
Eu sou tudo que pleiteio. Sou poesia nunca recitada, mas, aplaudida!
Sou uma ausência sentida, e uma presença rejeitada.
Sou meu próprio paradoxo.
Eu sou a minha CRUZ e também meu CIRENEU...
Sou aquilo que todos veem.
Sou aquilo que ninguém vê...
"SOU EU"

Afora isso, sou professora, compositora, poetisa, pintora, cozinheira, arrumadeira e tudo que uma mulher pode conciliar no dia a dia.

Genecy Almeida
Afogados da Ingazeira,

 

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