AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje

CRÔNICAS E CONTOS

ZEZÉ DE MOURA

 

 

 

 

 

 

Lampião e seu bando

Sábado passado, dia 18, fui, como faço costumeiramente, ao show mensal de selos. Lá, encontro outros colecionadores e vendedores. Na banca onde sou freguês, comecei a verificar os livros de estoques de selos, as caixas com vários envelopes novos e usados, recentes e não tão recentes, e finalmente uma boa quantidade de cartões postais, onde às vezes encontramos selos bem raros.
Desta vez tive uma surpresa bem agradável e ao mesmo tempo emocionante, dei de cara com um postal muito inesperado. Imagine só a foto naquele postal é do grupo de Lampião, Maria Bonita e os demais membros da gang. Nem olhei para o selo usado, sem nenhuma hesitação me apoderei do cartão e falei pros amigos “este aqui vai comigo”. O comentário foi, achaste um tesouro? Tive então que explicar o significado do postal para mim.

O cartão foi carimbado em Março de 1993, no posto 5 de Copacabana, Rio de Janeiro. O remetente estava de férias naquela cidade e enviou o cartão a um individuo residente em Burbank, comentando do calor e da humidade atmosférica. Isto sem duvida não tem nenhum valor per si, no entanto achei muito interessante a trajetória do cartão até chegar as minhas mãos 18 anos depois. De maneira alguma eu esperava encontrar na feira de selos a foto de Lampião e seu grupo.

Comecei a olhar aquela pequena peça de papelão que apresenta a foto de maneira bem nítida e clara. Fiquei imaginando perguntar a cada um dos membros qual a razão que os levou a escolher tal caminho de vida, pois na sua maioria eram pessoas jovens que deveriam ter sonhos como qualquer um de nós. A única diferença era que todos estavam armados e suas vestimentas eram como costumamos ver nos filmes de cangaceiros.
A foto usada saiu dos arquivos do Jornal do Povo, que sem duvida recebeu compensação para permitir o uso da foto.

Já li alguns livros sobre Lampião e seu bando, no entanto creio que achei nada tão impressionante como esta foto. Apresenta-nos um grupo de conterrâneos que por diferente razões forjaram um caminho trágico para suas vidas, afetando direta ou indiretamente outros que por acaso tiveram o infortúnio de cruzar caminhos com eles.
Olhando a foto e observando cada um dos membros individualmente, procurando achar algo que os caracterizasse como agentes do mal, que eles eram, mas, achei apenas a jovialidade que sem duvida é a mascara que todos nós temos.
Tive sorte, sobrevivi o encontro pra contar a historia.

Zezé de Moura
Rosemead, CA - USA, 23 de junho de 2011

 

 

Relembrando...
A última etapa da jornada de retorno à Califórnia


Após uma noite de repouso, nos preparamos para continuar a nossa aventura de retorno à Califórnia. Los Angeles estava a apenas 8 horas de distância por via terrestre.

As temperaturas durante o verão são bem elevadas chegando a 40 graus e às vazes mais. Quando chegamos a Needles,u m povoado bem na fronteira do lado da Califórnia, a temperatura era de 115 F, ou seja, 42 graus C. Estacionei o carro debaixo de uma áarvore, abri a coberta do motor e vi o vapor saindo do radiador. Deixamos o carro refrescar por uma hora, ao mesmo nos refugiamos num Restaurante e Supermercado que oferecia o conforto do ar condicionado. Esta foi nossa recepção de retorno à Califórnia naquele dia quente escaldante de agosto, no verão de 1972.

Após o almoço, reiniciamos nosso trajeto, atravessando o Mojave deserto seco e quente, parando sempre que havia uma boa oportunidade. Finalmente alcançamos a cidade The Barstow, onde está a conexão com a estrada 15 que nos levaria até a número 10, rota final para Los Angeles. Continuamos nossa viagem até alcançarmos o ponto descendo a montanha na direção de San Bernardino onde faríamos a conexão com a estrada 10, a qual recebe o mesmo nome “San Bernardino Freeway”. Estávamos em altitude bem elevada quando subitamente começamos a ver as luzes acenderem, iluminando o Vale numa festividade luminosa sem par. Nossa reação foi de euforia, pois estávamos nos aproximando do nosso objetivo, a Cidade dos Anjos. O hurra ecoou pelo deserto, juntamente com a clássica expressão “finalmente!”, se bem que ainda tínhamos mais uma hora de viagem.

Chegamos a Los Angeles ao anoitecer. Fomos para o Hotel e houve um sentido de realização e alívio de missão cumprida. Um dos benefícios oferecidos pelo hotel foi a piscina, onde, após nos alojar, fomos nos refrescar , brincar e relaxar.
Havíamos planejado todos os nossos movimentos para quando chegássemos a Los Angeles, o que nos ajudou imensamente. No entanto, nada substitui a experiência visual local. No dia seguinte saímos a explorar os locais que conhecíamos nos mapas.
No dirigimos para uma área 9 milhas do centro de L.A. onde alugamos um pequeno apartamento na cidade de Monterey Park. Aquele local ficou sendo nossa base por um pequeno período de tempo. Comecei então a busca de trabalho através da seção “Classified section” do Los Angeles Times (ofertas de trabalho), que eu conhecia desde Boston, e que aos domingos era bem abundante o número de ofertas de trabalho.

Após os serviços da Igreja Batista iniciei a seleção das oportunidades de trabalho oferecidas. Finalizei a seleção e falei pra minha esposa: “Amanhã estarei empregado em uma destas companhias, com a graça de Deus”. Dito e feito. A primeira Companhia que procurei trabalho me encaminhou para o gerente do departamento de compras. Após uma primeira entrevista fui enviado para uma nova com o individuo que seria meu gerente, e fui aceito.
Isto ficou sendo uma parceria que durou 20 anos. Entrei como ajudante no almoxarifado, depois de três meses passei a ser, funcionário efetivo. À medida que ficava familiarizado com o trabalho, vieram as promoções e benefícios, etc.

Ao regressar para casa Sylvia me esperava com certa ansiedade. Sorrindo anunciei que estava contratado para trabalhar com o Los Angeles Times, que naquela época era o dominante jornal local com uma circulação de 1,2 milhão de exemplares aos domingos e 900 mil nos dias de semana. Isto foi sem duvida uma grande oportunidade para mim em diversos níveis, inclusive pelo fato de que se tornou uma escola para mim, onde aprendi não só a língua inglesa como também o sistema político e a vida em geral.
Diariamente eu praticava com a leitura dos editoriais e colunas, o que foi muito útil para entender a situação da Guerra no Vietnam, os debates e opiniões. Foi uma escola sem igual, pois as opiniões eram várias.

A minha estada em San Francisco e Boston foram extraordinárias, no entanto tive aquilo como turismo remunerado. Los Angeles foi onde nos estabelecemos com o sentido de permanência, onde nossos filhos cresceram e estudaram até o nível Universitário, chegando a graduação na Universidade da Califórnia. Participamos da cerimônia de graduação de ambos. Primeiro do Igor e dois anos depois do Ivan. Foi uma bênção celestial vê-los crescer e realizar uma educação num nível que me fugiu. Os caminhos do Senhor Deus são misteriosos e sábios. Por isto louvor e gloria a Ele.

Nosso próximo passo foi alugar um apartamento maior em Rosemead, mais ou menos uma milha distante de Monterey Park. Logo que nos estabelecemos no apartamento maior, começamos a observar o mercado de casas. Dois meses depois, na tarde de um domingo, após o almoço, saí para uma andada na vizinhança. Achei umas quatro casas à venda que me interessavam por várias razões, sendo a principal o fato de estarem nas proximidades de uma escola, o que era de muita importância para nós. A que atraiu mais foi a que moramos ate hoje. Era uma casa que havia sido reformada pelo proprietário que era construtor (que trabalhava em construção e reforma de prédios).

Voltei pra casa e falei com a esposa; ela demostrou interesse em ver o imóvel. Imediatamente liguei para a agência que marcou a visita para uma hora mais tarde. Gostamos da casa e fizemos uma oferta. Ela é modesta, mas, bem aconchegante e apresenta algo que eu sempre desejei que é espaço em volta da propriedade lote tem 80 pés de largura e 276 de fundo, e isto me cativou. A negociação continuou por uns dias e finalmente chegamos a um acordo e fechamos o negócio no final de novembro.
O processo legal e bancário levou algumas semanas. No dia 31 de Dezembro de 1972 o proprietário me entregou as chaves e nos mudamos pra nossa casa naquele mesmo dia. Com o espirito cheio de alegria e entusiasmo iniciamos Ano Novo de 1973 em Casa Nova.
Demos graças ao Senhor Nosso Deus pelas bênçãos, e pelo modo como nos dirigiu aquela conclusão tão feliz. Ate a próxima.

Zezé de Moura
Rosemead, CA - USA, 18 de maio de 2011

 

 

Relembrando...
De volta pra Califórnia

Em Abril de 1972, logo após regressarmos das férias em Niagara Falls e Ontario, Canadá, iniciamos os preparativos para o regresso à Califórnia, que ocorreu em agosto daquele ano. Planejamos chegar ao nosso destino na metade de agosto, para assim termos tempo de matricular nossos filhos na escola antes do inicio das aulas. Tudo na nossa decisão foi planejado em detalhe. Mantivemo-nos informados do mercado de trabalho em Los Angeles através dos jornais, etc. E pela graça de Deus tudo funcionou como esperávamos. Louvor e Gloria ao Senhor.

Vendemos umas poucas coisas e a maioria foi despachada por uma companhia de transportes. Nossa trajetória foi planejada com uma grande ajuda da AAA - American Automobile Association da qual somos associados. A única coisa que fizemos foi dizer para eles o nosso destino e se desejávamos a via mais expressa ou a mais turística. É uma organização que presta serviço de assistência aos motoristas nas estradas que atravessam este continente de norte a sul e do leste a oeste, 24 horas por dia e sete dias da semana. Eles me enviaram um set de mapas com a trajetória marcada, dando-nos informações das cidades, hotéis, pontos turísticos e históricos, bem como entretimento. Nós então fizemos a escolha.

Nosso primeiro dia foi quase que sem nenhum evento. Paramos em alguns locais para piquenique, espichar as pernas e deixar os garotos correrem e brincar um pouco. Isto não levava mais de uma hora. Ao alcançarmos Rochester, na parte mais norte do estado de Nova York, na fronteira com Canadá, já estava anoitecendo, fomos então para o hotel, onde descansamos confortavelmente.

No dia seguinte, após o café da manhã, continuamos a jornada. Dessa vez nosso objetivo era a cidade de Gary, Indiana, uma cidade industrial que dista apenas 20 milhas de Chicago, Illinois. Quando estávamos uns 200 metros da saída para Gary, acabou a gasolina. Os que passavam olhavam e continuavam no seu caminho. De repente um senhor parou o carro e me perguntou se necessitava de ajuda, falei que sim pois estava sem gasolina. Ele se ofereceu pra me levar ate o posto de gasolina mais próximo e lá fomos nós. Compramos um galão, enchi de gasolina e voltamos para meu carro. Conversamos bastante e ele me disse ser um residente daquele local. Coloquei a gasolina no tanque, e pra nossa alegria o carro começou a funcionar. Saímos da estrada e fomos novamente ao posto de gasolina, desta vez para encher o tanque e agradecer a ajuda.

Acontece que era exatamente o posto de gasolina que havíamos marcado para nos encontrar com amigos que nos haviam convidado para uma visita no fim de semana. De repente eles chegaram e foi uma festa.

O casal tinha três filhos e dois cachorros, foi uma amizade fácil, pois os cachorros eram de pouca idade. Após o café da manhã daquele sábado, fomos visitar Chicago. Mais precisamente o Museu da Indústria, localizado à beira do Lago Michigan. Havia muita coisa pra se ver, inclusive uma mina de carvão que os visitantes podiam ter acesso por meio do elevador que nos leva alguns metros debaixo da terra. .

O que mais nos atraiu foi ver os aviões e automóveis antigos. No dia seguinte, domingo, fomos à Igreja do Nazareno, onde o nosso amigo era pastor. Passamos o resto do dia a conversar e conhecer os amigos anfitrião. No dia seguinte saímos logo após o café, na direção sul atravessando o estado de Illinois até alcançarmos St.Louis, na beira do rio Mississipi.
Atravessando o Mississipi River pudemos ver de perto o grande arco que marca a importância daquele local na expansão territorial para o west, que era conhecido apenas como Luiziana, território comprado dos franceses.

Continuamos nosso trajeto usando a estrada interstate na direção southwest, que nos levou até o ponto onde está a Meramec Cavern, um geológico park umas 50 milhas ao sulwest de St.Louiz que serviu de esconderijo do famoso bandido, Jesse James.

A caverna é algo espetacular. É uma área grande com bastante coisa pra se ver. Nós nos congregamos num anfiteatro para ouvir uma palestra sobre a caverna, com todos os detalhes geológicos, etc. Depois exploramos um pouco daquela caverna que é bem extensa. A boa iluminação nos proporciona uma visão profunda daquele ambiente, cuja temperatura se mantem estável naturalmente. Uma das formações nos lembra de uma grande cortina, que é muito impressionante. O tour tem a duração de pouco mais de uma hora. Os que desejarem, podem fazer uma visita a este local por meio do Google Map.

Atravessamos a parte southwest do Estado de Kansas e entramos em Oaklahoma City, cujo território na sua maioria é plano. Lá, passamos a noite. Na manhã seguinte, após o café, descobrimos um park com todos os apetrechos para a criançada se divertir e ficamos por lá um bom período de tempo, dando oportunidade para eles usarem suas energias.

Deixamos o park e nos dirigimos west na direção da cidade de Amarillo, Texas. Essa cidade fica mais ou menos no centro do “pan handle”, ou seja, cabo de panela, que é aquela parte bem norte do estado. A razão desse nome é o fato de que a forma territorial daquele estado lembra uma panela, e aquela área seria o cabo. Mais ou menos às 5 da tarde paramos para jantar em Amarilo. Era um parking grande com o restaurante no centro Os carros eram atendidos por “cow girls” muito bonitas, que montadas nos cavalos orientavam os carros para o local de estacionamento. Havia também os caracteres dos tempos pioneiros, com música e dança. Armas e tiroteios, tudo de faz de conta.

Na entrada do restaurante havia um anuncio desafiante, “Se você comer o maior bife que temos você não paga, no entanto se você comer apenas parte, você pagará o total”. Eu estava com fome mas, não tanto assim. Momentos depois entraram no restaurante. O Xerife e seu assistente, dois homens grandes como eu nunca havia visto, tinham mais de 2 metros de altura e bem nutridos, eram dois gigantes, que sentaram duas mesas distante da nossa. Após um pequeno repouso reiniciamos a nossa jornada para o west aproveitando a luz do dia que se estendia até 9 da noite.

Entramos no estado do Novo México. Ao escurecer, daquele dia de verão, alcançamos Albuquerque, capital do estado e fomos para um hotel, onde descansamos, dormindo o “sono dos justos”.

Na manhã seguinte, descansados e bem alimentados nos dirigimos para o estado de Arizona. Nossa primeira parada naquele estado foi para visitar o “Painted Desert” e a “Petrified Forest.” National Park, que traduzido é Deserto pintado e Floresta petrificada.

O Deserto Pintado tem este nome pelo fato de que o terreno tem um colorido que varia de cor de areia até a cor de barro bem vermelho, embeleza as formações geológicas do local. É um local sem vegetação mas, com bastante cores. Dá a impressão de que alguém andou colorindo toda aquela vasta área.

A Floresta Petrificada é algo espetacular. No meio do deserto sem vegetação ou coisa semelhante, parei o carro e fomos à busca da floresta petrificada.
É realmente algo inacreditável, vermos troncos de árvores em diversos tamanhos, petrificados, deitados no deserto para vermos. São troncos de árvores sem dúvida, pesadíssimos e petrificados apresentando todas as características da madeira. A variedade de tamanhos é incrível e impressionante ao mesmo tempo Nós visitamos uma pequena área, suficiente para nos convencer daquela realidade, onde passamos umas duas horas ou mais. Tiramos muitas fotos, principalmente com nossos filhos. <br><br>
Saímos do Park e voltamos pra highway (estrada) 40 que nos levou até a cidade Flagstaff onde paramos pra comer. Após o lanche pegamos a estrada norte que nos levou ate o Grand Canyon depois de uma hora de viagem. Foi uma das maiores emoções poder ver e sentir de perto aquela beleza trágica da natureza que nos faz sentir diminutos, insignificantes. A profundidade e largura daquele abismo é de deixar as pessoas sem palavras.

Chegamos o mais próximo possível e aconselhável da beira do barranco e olhamos a profundidade daquele corte na terra, onde o Colorado rio parece um pequeno risco no fundo do Canyon. Segurávamos as mãos das crianças firmemente, pois sabíamos que qualquer erro não nos permitiria uma segunda chance, e sem dúvida nos lembramos do incidente em Niágara Falls.

Tivemos a oportunidade de visitar diversos pontos de observação, o que nos deixou impressionados com a criação divina. Isto é uma das coisas que palavras não são suficientes para descrever, Os interessados podem visitar o Grand Canyon por meio do Google.

Ao anoitecer, nos dirigimos para a saída do park. Alguns momentos depois, numa das curves da estrada, tive que parar subitamente. Era uma fêmea de veado com seus dois filhotes. A minha imediata reação foi gritar pra crianças, “vejam aqui em frente de nós Bambi seu irmão e sua mãe”.
Passou primeiro a mãe, seguida pelos dois filhotes. Foi algo memorável e inesquecível. Voltamos para Flagstaff e ficamos num hotel.

Na manhã seguinte continuamos a nossa jornada west. A fronteira com Califórnia estava a apenas três horas de viajem.
<br>Isto eu conto depois.
Ate breve

Zezé de Moura
Rosemead, CA - USA, 18 de abril de 2011

 

 

Reencontros

Diva, meu querido irmão em Jesus Cristo e em artimanhas e trapalhadas, é um grande prazer saber que estás entre nos, bem como a prima Zinha, tua esposa. Você não faz ideia o quanto significa para mim este reencontro, mesmo que seja apenas pela internet.
Nunca me esqueci das nossas peripécias, das estórias que costumavas contar, das tuas risadas, e sem duvida nenhuma, das nossas desavenças quando jogávamos com a bola de pano ou usando o pinhão. Meu caro, foram dias felizes aqueles, que recordo com muito carinho.
Esta foi a maior surpresa que nosso amigo Fernando me proporcionou. Por isto eu sou imensamente grato. Minha conta com ele está bastante elevada.

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Diva… Viva Diva!!!

Acabo de ouvir pela vigésima vez, a mensagem do meu muito amado irmão em espirito que é o Edivaldo Seixas da Fonseca, filho do Sr. Augusto Cerquinha. É grande a emoção de poder reentrar em contato com Diva o grande amigo de infância, juntamente com a sua esposa, minha prima Zinha.
Diva, meu caro, você não tem ideia quão significativo é para mim ter noticias tuas e ouvir a tua voz e a da tua esposa. Um mundo de ternas e lembranças me vem à mente, como que a rejuvenescendo ao relembrar o que foi. Fiquei sem saber o que dizer e passei a maior parte do tempo a meditar sobre nossos dias de infância no velho rincão sertanejo. Levou algum tempo para me convencer da realidade de haver te reencontrado depois de quase meio século
A ultima vez que tive contato com ambos, foi em Janeiro de 1964 quando da nossa visita aos meus pais em Afogados, para apresentá-los a minha esposa e nosso primogênito, que estrava com 14 meses de idade. Foi um momento muito emocionante, poder ver e abraçar os amigos e parentes.

Zinha, a Alça da Peia sempre teve e continua a ter um lugar especial no meu coração; é como se fora um lugar sagrado que guarda um mundo de sonhos e lembranças. O teu pai Sr. Antônio Flor, está bem vivo nos meus registros. As visitas a casa dele eram frequentes e agradáveis, pela maneira acolhedora como éramos recebidos.

Lembro-me claramente de um incidente ocorrido durante uma das nossas visitas. Os adultos estavam a conversar na frente da casa e era hora de levar um grupo de jumentos pra beber água. Como todo moleque, eu me voluntariei para acompanhar os primos a dirigir os animais ao bebedouro. O mais velho dos primos montou na garupa do jumento com o assertivo de quem sabe o que faz. Nós outros seguíamos a pé.

Veio-me então a ideia de seguir o exemplo e montar na garupa de uma das bestas. O primo me disse que não era uma boa ideia, pois os animais não me conheciam. Achei estar preparado, e a aventura parecia tão fácil. Depois da minha insistência, o primo me ajudou a montar na garupa de uma das bestas. Nos primeiros momentos estava tudo bem. De repente o animal resolveu que não aceitaria um noviço montar, e começou a pular e pular e dar coices, com o proposito de me derrubar. Eu não sabia o que fazer e de repente fui jogado fora da garupa pelo jumento. Assim terminou minha aventura no sitio de Toinho Flor. E claro que meus pais não souberam do incidente naquele dia; só depois é que tomaram conhecimento. Pra minha sorte não houve dano, apenas o sentimento de falência.

Outra coisa me tocou bastante foi o fato de poder ouvir a voz doce e meio cantada do sertanejo. É um som incomparável que nos faz sorrir com o prazer de viver.

Diva e Zinha, desejo que vossa mensagem seja seguida por várias outras e que escreva sobre as suas experiências nesta vida que Deus nos deu.

Quero adicionar minha gratidão ao caro amigo Fernando Pires, pois sem ele nada disto aconteceria. Esta pagina tem sido um instrumento vital em trazer a realidade reencontros como este, e devemos tudo a dedicação, tenacidade, espirito empreendedor que ele tem demonstrado desde o inicio. Um abraço e até breve!

Zezé de Moura
Rosemead - Califórnia - USA, 1º de abril de 2011

 

 

Relembrando...
Visita ao Nordeste dos Estados Unidos
(1972)

Nossa estada em Boston serviu de base para conhecermos diversos  estados da New England (Nova Inglaterra). A escolha do nosso primeiro passeio foi fácil,  New York City, que dista apenas duas horas e meia de carro.        

Minha cunhada mais nova residia em Fort Lee, New Jersey.  Ela o e esposo foram nossos tour guide.  Após o café da manha, lá fomos nós a descobrir a ilha de Manhathan,
Visitamos os locais principais daquela cidade, tais como United Nations, Times Square,  o Empire State Building, Quinta Ave, etc. A subida ao ponto mais elevado daquele prédio requeria tomarmos dois elevadores, um que nos levou até um pouco mais da metade do caminho e o segundo elevador nos levou ao ponto de observação do prédio. A vista panorâmica 360 graus, foi algo extraordinário. Podíamos ver a distancias de aproximadamente 100 milhas em dias claros. Nossos filhos estavam eufóricos. Vimos as torres gêmeas em construção, as quais foram destruídas pelos terroristas em 09/11/2002.

No Segundo dia fomos ver de perto a estátua da Liberdade que está localizada numa ilha próximo  entrada do porto de N.Y.  Entramos na barca que nos levaria ate o nosso destino em aproximadamente uma hora de viagem. Esta foi outra grande aventura para nós e nossos dois garotos. Eles estavam verdadeiramente se deleitando com aquela excursão. O numero de visitantes era maior do que esperávamos. No vozeirão em diferentes linguagens que ecoava, ouvimos um grupo de brasileiros que estavam passando férias. A estátua em si é uma coisa gigantesca, espetacular. Os que desejarem podem ter acesso ate a cabeça da estatua e ver o panorama através dos olhos, que servem como ponto de observação. O único problema é o tempo. Ficamos em linha para alcançarmos a cabeça, no entanto, a demora era muito grande e resolvemos voltar outro dia.

Em abril de 1972 tive duas semanas de férias e usamos a oportunidade para conhecer Niágara Falls, um local que ouvíamos falar em filmes e conversações. Foi uma visita espetacular a um local que separa USA e Canada.
Saímos no começo da Primavera, mais precisamente na Segunda metade de Abril.. Chegamos ao nosso destino e nos dirigimos para o hotel. Era um local pacato e acolhedor. Podíamos ouvir o barulho constante da agua caindo na cacheira, o que nos indicava estarmos no local certo. Logo depois do café da manhã nos dirigimos pra ver a cacheira. 

O Niágara River (rio) se divide em dois, formando a ilha que ajuda a formar as duas cacheiras irmãs. Uma chamada American Falls e a outra “Horse Shoe Falls. As duas são parte do parque que nos apresenta esta criação divina manejada por homens.
Para termos uma boa apreciação daquele local, se faz necessário irmos ate a ilha, de onde podemos observar a direita a American Falls e a esquerda a “Horse Shoe Fall”. La fomos nós atravessando a pequena ponte que nos leva a ilha. No local existe uma área para estacionamento e foi isto que fiz. Em volta da ilha ha uma mureta de proteção. De repente Sylvia me chama e diz, veja onde estão as crianças!

Eles estavam no topo da mureta pulando pra lá e pra cá, bem na beira do abismo aquático, onde a agua gelada corria velozmente em direção à queda d’água. Parei controlei meu  temor e simplesmente falei para os dois, desçam dai que é muito perigoso. Eles desceram sem nenhum problema. Daí então eu corri para abraça-los. Este foi o momento mais angustiante da minha vida, com um deslize eu teria perdido meus filhos. Graças a Deus nada aconteceu.

Descemos até a beira do Rio de onde podíamos ver a queda d’água em proximidade. Ainda havia gelo no rio, restos do inverno  passado. As aguas da cacheira traziam ainda grandes blocos de gelo, remanescentes do ultimo do degelo, mas a temperatura fora d’água estava agradável com apenas 20 graus cent. Visitamos a torre de observação, que nos deu uma vista mais completa da área.

Voltamos para o Hotel e no dia seguinte nos dirigimos para o Canada atravessando a ponte da amizade.  Pequenas questões, de onde vem e pra onde vai que faz em Canada e era só. Nem passaporte era necessário, hoje, no entanto é outra estória.

Entramos em território Canadense e começamos a visitar vários locais. O primeiro foi um jardim maravilhosamente colorido por uma grande variedade de flores, O jardim é alojado numa estrutura totalmente transparente e com temperatura controlada por obvias razões. Logo depois chegamos a torre de 502 pés de altura e entramos no elevador  com paredes transparentes que nos dava uma visão magnifica durante a ascensão ate o topo, onde havia um ponto de observação numa plataforma giratória.

Olhando da plataforma víamos as coisas como pequenos objetos ou seres humanos. A única inconveniência era o vento frio que soprava com certa intensidade, mas, valeu o sacrifício. Descemos da torre e nos dirigimos para ver de perto a cachoeira em forma de ferradura de cavalo (horse shoe). Esta foi uma visita bem mais impressionante pelo fato que visitamos por traz da queda d’água. Foi uma coisa bem impressionante ver pela frente e por traz, aquela imensidade d’água caindo durante 365 dias do ano sem cessar.

No lado Canadense ha uma unidade geradora de eletricidade cujos geradores são acionados por turbinas hidroelétricas. Foi realmente uma memorável visita.

Seguimos então para visitar Toronto. Visitando o Canadá nos dá uma impressão que estamos na Inglaterra por causa da arquitetura tradicional da Great Britain. Visitamos um Forte que hoje e um parque nacional, remanescente da Guerra com England. Tenho  fascinação por historia e esta visita me agradou bastante. Deu pra ver como as coisas mudaram dramaticamente em 100 anos. A cidade esta a beira do lago Ontario, que da o nome a província. Foi lá que tive a mais fascinante experiência. Estávamos andando pelo centro comercial, quando saímos de uma das lojas, deparei-me com uma banca de jornais e revistas com um detalhe, não havia nenhum atendente. Um sinal dizia, pegue o jornal ou revista e coloque o pagamento na caixa indicada.

A princípio pensei tratar-se de uma piada. Parei e fiquei discretamente a observar a banca, os clientes chegavam colocavam o dinheiro e às vezes pegavam troco. Isto foi por um bom período de tempo, Peguei então um jornal, coloquei o pagamento e fui pra frente na minha caminhada. Isto me impressionou positivamente com canadense.

Finalmente era hora de voltar pra casa e assim o fizemos sem nenhum incidente.
Foi realmente um período de férias bem aproveitado e inesquecível.
Até a próxima

Zeze de Moura
Rosemead - Califórnia (USA), 16 de fevereiro de 2011

 

 

Dois Anos em Boston
(Agosto 1970 /1972)

Nossa aclimatação a Nova Inglaterra  (New England) foi fácil pois tudo era novidade e nós estávamos dispostos a conhecer tudo sobre aquela região onde as estações do ano são bem definidas, cada uma com suas peculiaridades.
Nos estávamos localizados em Allston, um subúrbio de Boston ao longo do Charles River que nos separava de Cambridge onde esta a Harvard University. Tive a oportunidade de visitar aquele Campus bem como a praça com o mesmo nome, onde havia um tipo de loja no centro que vendia livros, revistas e outras coisas, bem como jornais de quase todas as partes do mundo. Havia uma vitalidade naquele local que chegava a ser contagiante. Era uma comunidade de jovens estudantes idealistas, e também hippies e “protesters” que às vezes nem sabiam do que protestavam; era a moda da época.     

Numa tarde de sábado, fazendo minha visita costumeira aquele local, fui confrontado com uma cena que muito me chocou. Uma jovem branca estava num abraço erótico com um jovem negro, no meio da praça, sem nenhum escrúpulo ou sentimento de pudor ou respeito aos demais. Era uma cena de paixão sem restrição qualquer. O público parecia não notar aquela cena. Depois de muito meditar e trocar ideias sobre o ocorrido, entendi que era mais uma maneira de protestarem contra os pecados sociais do racismo. Faziam aquilo exatamente para chocar a população em geral. Isto era 1970, apenas cinco anos desde a lei contra a descriminação racial ter sido assinada.

No meu trabalho cheguei a testemunhar os vestígios do racismo bem de perto. Trabalhávamos todos no mesmo local onde havia pretos, brancos e latinos e as conversações usuais. No entanto, na hora de lanche íamos para o refeitório onde percebi algo que me deixou a meditar. Os colegas que se comunicavam amigavelmente durante o trabalho separavam-se em pequenos grupos no refeitório. Brancos sentavam-se com brancos, negros com negros etc. Como não estava acostumado a tal coisa, resolvi então perguntar a diversos colegas, qual a razão de tal procedimento. Eu estava a ver e testemunhar os últimos vestígios do racismo sem acreditar no que via. As respostas foram várias; alguns  simplesmente declarava que tem sido assim e não ha razão para mudar. Outros me afirmavam que apesar da lei assinada pelo presidente Johnson, as mudanças acorreriam gradualmente, seria mais uma questão geracional.
Em outra ocasião, estávamos numa grande loja em Cambridge a fazer nossas compras para o Natal quando de repente presenciei uma mulher negra assaltar uma branca que estava com duas crianças. Foi uma cena chocante, e a meu ver sem nenhuma justificativa. A negra foi apreendida pela segurança e a branca foi assistida por paramédicos. Tudo isto me perturbou bastante pela irracionalidade de tudo. Comentando o ocorrido durante a escola dominical da nossa igreja, ouvi diferentes pontos de vista baseados nos ensinamentos bíblicos. Chegou-se a conclusão de que a resposta está nos ensinamentos de “amar ao próximo como a nos mesmos”.
É uma  resposta fácil mas muito difícil de ser realizada, mas é a única que realmente traz a solução, pois as coisas boas são difíceis de alcançar; requerem muito sacrifício e trabalho, mas é a única resposta, porque requer que sejamos parte da solução.

Com o estabelecimento das leis de “Civil Rights” direitos civis, alguns negros entenderam que agora era a hora deles se vingarem, iniciando o racismo em reverso, ou seja, dos pretos contra os brancos, pois eles todos se consideram vítimas. Consequentemente voltando tudo para a estaca zero. É tanto que até hoje ha um grupo de negros que não se associam com brancos, em fato os odeiam. Isto reafirma que o mal estar em nós e que somente o amor divino nos liberta das suas garras.

O inverno estava bem rigoroso, com tempestades de neve quase que a semana inteira, veio então nossa oportunidade de fazer nosso primeiro “snow man” homem de neve na área ao lado da casa. Nos todos vestidos de modo que apenas o rosto ficava exposto ficamos a brincar na neve, e também a liberar nosso carro que estava completamente enterrado com 12 polegadas de neve.  Perto da nossa casa estava o estádio da Universidade de Harvard e entre o estádio e nossa área havia um campo aberto onde adultos e crianças brincavam e jogavam seus jogos favoritos. Logo após a primeira nevasca o campo ficou coberto com uma crosta de neve que se transformou em gelo. La fomos nós a passear naquele parque e as crianças se deleitaram, eu dei dois passos e de repente cai sentado, por não conseguir me equilibrar na superfície gelada, todos rimos do ocorrido.       

No meu trabalho foi recebido uma meia dúzia de refugiados Tchecos, veteranos da revolta contra a invasão pela Soviet Russia. Fiz boas conexões com eles e ouvi em primeira mão o histórico dos fatos que ocorreram em Praga, durante a luta contra a subjugação pelas tropas soviéticas em 1968. O filho de um deles que também trabalhava conosco, ao completar 19 anos alistou-se com os Marines (Corpo de Fuzileiros), perguntei o porque daquela decisão. Ele me disse que faria uma brilhante carreira como Marine, e estaria na linha de frente na luta contra o comunismo e os Soviets. Uma coisa notável é que todos daquele grupo de refugiados que conheci eram pessoas bem educadas em todo sentido da palavra.

Estas são lembranças preciosas que as guardo com muito carinho e as visito periodicamente nos álbuns fotográficos que minha esposa mantem. Parece incrível que tudo isto realmente aconteceu como se fôra ontem, no entanto 40 anos já se  passaram desde aqueles eventos.
Depois eu conto mais.

Zeze de Moura
Rosemead - Califórnia - USA, 02 de dezembro de 2010

 

 

Amar ao próximo!

Após ter lido o artigo do Sr. Danizete - “Preço da Imbecilidade” -, minha reação foi de achar inacreditável, que uma pessoa bem estudada, neste século XXI - estudante de direito -, possa ter tamanha aberração mental. Isto prova que “educação” por si só, não é suficiente para criar bom caráter e desenvolver a mente com valores positivos. A história universal está cheia de exemplos. É necessário saber o que está sendo ensinado às novas gerações.
O mal não será extirpado da sociedade humana, até que passemos para nossos filhos e netos os princípios bíblicos Cristãos de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo.

Identifiquei-me muito com a contribuição do Gilberto, pois vivi 11 anos em São Paulo, onde iniciei minha carreira na vida civil. Fui sempre bem recebido e respeitado e posso afirmar que foi uma deliciosa fase da minha vida. No entanto, lembrei-me de uma ocorrência durante uma das classes no Ginásio. O assunto era sociologia e etimologia brasileira, ou coisa parecida. O Nosso torrão estava mais uma vez pedindo ajuda, pois as coisas não estavam indo bem.
Igrejas e outras organizações estavam participando dos esforços. A frente do Teatro Municipal foi o ponto de congruência onde trazíamos nossas contribuições, e a boa vontade era geral ou quase que. O tópico da conversação dirigiu-se a questionar o porquê da critica situação econômica que o nordeste sofre periodicamente. A classe era composta de moços e moças adultos, todos trabalhando para ganhar seu sustento; solteiros e casados, civis e militares. Todos com o mesmo objetivo de alcançar um melhor nível de conhecimento.
No meio da conversa, um jovem que ainda não tinha barba, achou que não havia beneficio para o Brasil, ficar prestando assistência durante a crise, e afirmou que seria melhor separar o nordeste do resto do Brasil, afinal de contas era só um bocado de paus de arara. Tentei trazer o moço a uma diferente atitude, usando razão e solidariedade humana e cristã, mas foi tudo em vão.
Finalmente eu não podia tolerar mais os insultos e imbecilidades do moço. Levantei-me fiz ele entender que, mais um insulto e ele seria fisicamente punido. O professor interviu e nos separou concluindo a classe com um bom argumento moral.

Ao que me parece, as coisas não mudaram muito desde aquela data. Isto prova que educação por si é inútil. O que falta é o conhecimento dos princípios morais ensinados na palavra de Deus e seus desígnios, que nos concita a amar os semelhantes. Sem isto somos todos egocêntricos, sem nenhum desejo de “amar o próximo como a nos mesmos”.

Zeze de Moura
Rosemead - Califórnia - USA, 25 de novembro de 2010

 

 

Relembrando...
De São Francisco para Boston (EUA)


Depois de 14 meses em São Francisco, era hora de fazer mais uma mudança; desta vez para Boston. Foi uma viagem transcontinental memorável que nos apresentou os cenários mais variados. Por cinco dias e noites ouvíamos o constante click clack do trem, que parecia uma cobra gigante. Em certo momento eram 30 vagões, incluindo duas locomotivas. Num dos pontos da trajetória pegamos um desvio para dar passagem a um trem de carga. Contei 103 vagões de carga, incluindo três locomotivas, o que me deixou boquiaberto.

Saímos de São Francisco às 13 horas. O ônibus nos levou até à estação de trem em Okland, uma cidade no lado norte da baía. Abordamos o trem e finalmente estávamos a caminho. Ao anoitecer atravessamos a fronteira com Nevada, em Lake Tanoe. O interessante desta cidade é que parte da cidade esta na Califórnia e parte em Nevada. Os que desejassem jogar, os casinos estavam do outro lado da rua, em Nevada. Naquela época Califórnia não permitia cassinos.

A marcha continuou noite adentro, e pela manhã estávamos atravessando o Salt Lake em Utah, bem como a cidade do mesmo nome. O lago é um verdadeiro mar salgado no meio do deserto. Podíamos ver as minas de sal bem como as acumulações enormes do produto. O nascer do sol é sempre um espetáculo à parte em qualquer lugar, e em Utah não foi exceção. Tomamos o café da manhã e nos dirigimos para um dos carros de observação, onde passávamos a maior parte do dia, pois desejávamos ver novos cenários e sabíamos ser esta uma oportunidade única.

Chegamos finalmente ao “Bread Basquet of América”, assim chamado por ser a área mais produtiva de cereais em geral e em particular o milho.
Assim que entramos em Nebraka notamos a diferença de cenário e a beleza das plantações de milho com quilômetros e quilômetros de extensão. Era um sítio após o outro, e esse cenário continuou ao entrarmos em Iowa, depois Illinois. E aquilo não era apenas uma visão imediata à estrada de ferro. O cenário continuava ao norte e sul daquela área. Havia um bom grupo de observação no vagão e eu não pude resistir e proclamar que era uma grande experiência para nós, conhecer a fonte de abundancia de alimentação, que em minha opinião, dava para alimentar o mundo inteiro. Alguns discordaram, mas tivemos uma boa e cordial conversação. Eles entenderam minha reação a tal cenário, que jamais havia visto. Era tudo novidade para mim, parte do meu descobrimento da América.

Chicago nos recebeu numa manhã agradável. A estação Central da Windy City (Cidade dos Ventos) estava muito movimentada. Era uma infinidade de gente indo e vindo num movimento constante. Iríamos tomar outro trem que nos levaria até Boston, pois o que nos levou a Chicago tomaria o desvio para New York City. Já havíamos viajado por três dias, a pausa em Chicago foi benéfica, pois nos deu tempo para espichar as pernas e as crianças fizeram o mesmo correndo, como de costume.

A visão da América fora dos grandes centros nos dava uma nova perspectiva do USA. Vimos os produtores e os produtos das riquezas desta terra. Os farmers, os silos onde eram estocados os produtos da agricultura, o senso de bem estar por um trabalho bem realizado e as ponderações costumeiras sobre o tempo e as chuvas. Cheguei a pensar no velho sertão.

Finalmente Boston. Na estação estava a nos esperar o meu cunhado mais novo, a quem eu havia solicitado que alugasse uma casa pra nós. Estávamos cansados, mas com muita coisa pra contar da viagem. A nossa nova residência era localizada quase em frente da casa do meu cunhado. Após uma pequena busca achei trabalho num grande armazém da United States Steel, que estava localizada a aproximadamente um quilômetro da minha casa. Isto era ótimo, não havia necessidade de carro ou estacionamento era só andar um pouco e lá estava o meu trabalho. O armazém era bem grande e estocava todos os tipos de aço, principalmente reenfoced barras de aço para construção. O melhor de tudo era o pagamento. Quase todos os sábados havia horas extras, e com isto, meu pagamento se multiplicava em dobro e às vezes em triplo. O cenário na Nova Inglaterra e quase como o que vemos em folhinhas, e em muitos casos até mais bonito. É um cenário bucólico que nos dá um sentimento de paz e de bem estar.
Nós chegamos lá na terceira semana de agosto, ainda em pleno verão. As temperaturas estavam quentes e às vezes com muita umidade que tornava o ambiente numa panela de pressão. Mas estava tudo em conta, pois o salário era mais do que compensador. Durante o inverno, recebemos uns três carros de trem carregados de aço e cobertos de neve. Nós tínhamos que descarregar os feixes de barras de aço com 60 pés de comprimento. Usávamos aquecedores portáteis para nos aquecer. Foi uma grande experiência sem duvida.

A chegada do outono trouxe a beleza e esplendor da mudança das cores das folhas das arvores desidiosas. O fenômeno era realmente novidade para nós, uma avalanche de cores, variando do amarelo ao vermelho, que encanta a nossa visão. É o que se chama Fall Colors, (cores de outono). Tivemos de visitar as vilas e vilarejos vizinhos de Boston e no Estado de New Hampshire, o que nos deixou embevecidos com a beleza e variaões em cores. O que acontece é um fenômeno da natureza, no tempo próprio quando as arvores deixam de absorver a clorofila, o que faz as folhas perderem a cor verde e logo depois secam, ficando a árvore completamente desflolhada. O contraste é grande, do verde para diferentes cores e, finalmente sem folhas, nos dá um sentimento de tristeza. Os pinheiros, no entanto permanecem com sua cor verde normal.

Na primeira semana de novembro, o noticiário nos deu a previsão do tempo anunciando que teríamos o primeiro snow storme da estação. No dia seguinte, domingo, chamei minha esposa à janela e ela ficou deslumbrada com o cenário; foi a sua introdução à beleza gelada, a neve. Após uma nevasca, tudo fica branco e limpo, pois a neve cobre tudo, de uma maneira natural, numa ação caprichosa do Criador.
Nosso primeiro “Thanks Giving” (dia de ação de graças) na casa da minha cunhada nos introduziu a mais popular das tradições na América, que tem maior significado aqui em New England, pois foi onde começaram os eventos que levaram à Guerra da Independência, e quando andamos por estes locais, estamos andando na historia. Principalmente quando andamos em Boston, há uma lista na calçada (freedom trail) que facilita os turistas a acharem os pontos históricos principais que ocorreram naquela cidade, desde o massacre pelos British, bem como o ”Tea Party“ no porto da cidade.

Nosso primeiro Natal com neve veio com toda força, mas estávamos preparados para o “White Chistmas”. Andar agasalhado, sentindo o frio no rosto, só no Natal. Na verdade, o povo até espera ter o evento gelado no Natal, e, quando não ocorre, parece que falta algo.

Todas essas experiências estão guardadas em fotos que guardo com grande carinho. São preciosas lembranças da nossa jornada juntos, por esse mundo afora. Até a próxima.

Zezé de Moura
Rosemead - Califórnia USA, 18 de outubro de 2010

 

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Zeze de Moura
  
   

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