AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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CRÔNICAS

 

"...FOI A SAUDADE QUE ME TROUXE PELO BRAÇO..."

Saudosismo? Mas quem disse que não é bom sentir saudade, quando se recorda um passado bonito, alegre e feliz?

Há muito tempo não se via, em nossa cidade, um carnaval tão bonito - a expressão de alegria e a animação estampadas em cada face. Os "100 anos do Frevo" nos devolveram realmente a euforia dos velhos carnavais, que havia desaparecido.

As músicas foram selecionadas a dedo: Turbilhão, Voltei Recife, Vassourinha, Cabeleira do Zezé, Bandeira Branca e tantas outras nos transportaram para os anos 60 e trouxeram para a avenida muitos carnavalescos que estavam saudosos, a exemplo de Zé Coió que transbordava de alegria no meio da multidão. Penso que nunca se havia registrado tanta animação, numa segunda-feira de carnaval - que normalmente é um dia dia menos movimentado - até mesmo a forte chuva, que modificou a programação, não chegou a turvar a beleza da festa (aliás, a chuva é sempre bem vinda a qualquer momento).

Não se pode negar que o carnaval é, de fato, a "festa do povo", onde tudo pode: brinca quem tem dinheiro e brinca quem nada tem. As mais diversas fantasias nos chamavam atenção pela sua criatividade. Quem não gostou de ver o “29” de Toreba (Luciano Pires) desfilando? E o jovem que, portando cortina e chuveiro, reivindicava água da Compesa? Crianças fantasiadas frevando na maior animação? Este sim é o carnaval do pernambucano autêntico.

Sem querer radicalizar, ou escantear as inovações, é bom que resgatemos as nossas origens, até porque a juventude de hoje precisa conhecer as suas raízes e descobrir a beleza que existe nas nossas tradições. No momento em que o jovem realizar esta descoberta, começará a amar também as coisas do passado, a música sadia, sem violência, sem duplo sentido e sem agressividade.

Afogados estava precisando desse resgate. Não podemos deixar de elogiar o bloco “tô na folia” e a Rádio Pajeú que “em ritmo de Pernambuco”, durante toda sua programação, nos presenteou com uma requintada seleção musical da melhor qualidade; além de dar total cobertura ao carnaval não só aqui, como nas cidades vizinhas e até na capital pernambucana.

As polícias civil e militar e a guarda municipal merecem o nosso elogio e agradecimento pelo apoio e presença em todos os momentos. É claro que um evento desse porte não pode sair 100%. Tivemos que tolerar, durante o dia, na Avenida Rio Branco, o som ensurdecedor de música, ou melhor, de sons sem sentido algum; além de carros estacionados em frente a residências, com o som ligado em volume atordoante. Apesar disto, podemos dizer: Que bom! Afogados viveu um dos carnavais mais alegres e tranqüilos de nossos dias e também recheados de saudade. Por que não? Afinal de contas: quem nunca sentiu saudade que atire a primeira pedra.

ELVIRA DE SIQUEIRA SILVA
Afogados da Ingazeira, PE - 22 de fevereiro de 2007

 

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