LUCIANO CAMPOS BEZERRA
Advogado e cronista afogadense
No Maranhão,
nem todos reverenciam Sarney
A imprensa, principalmente a do Sul e Sudeste referem-se, quase à unanimidade, ao Nordeste com um resquício de desprezo, de ironia. Isto é fato, porém, num ponto alguns têm razão quando tentam passar a imagem do Maranhão como sendo um feudo do eterno presidente do Senado - José Sarney. A exemplo, trazemos essa matéria publicada no Blog do John Cutrim, que sempre publica excelentes artigos. Esta Carta ao Senador José Sarney, escrita por Inácio Augusto de Almeida, está irretocável.
Carta ao senador José Sarney:
O que o diferencia dos outros, Senador José Sarney?
Por que intelectuais como Jorge Amado e José Américo de Almeida fizeram a doação dos seus acervos aos Estados da Bahia e da Paraíba, respectivamente, mas tiveram o cuidado de não causar nenhuma despesa aos cofres públicos. O senhor pouco está preocupado com a despesa que estará causando ao pobre Estado do Maranhão. Para o senhor só interessa que a sua memória seja preservada.
Não se preocupe, senador José Sarney, o senhor já está na história deste país. Como? O senhor sabe isto bem melhor do que eu.
O senhor recebe uma aposentadoria de ex-governador sem desta aposentadoria ter a mínima necessidade.
Jorge Amado e José Américo de Almeida jamais iriam receber uma aposentadoria para acumular com outros proventos. Até porque, um intelectual verdadeiro não é escravo do dinheiro. Conhece o valor de que é possuidor. O mesmo não acontece com o pseudo-intelectual, já que este vive preocupado com o dia de amanhã. Por mais que tenha acumulado dinheiro, às vezes de forma até não muito recomendável, sempre está preocupado em ter mais e mais. É um inseguro por natureza, já que sabe do pouco ou quase nenhum valor que possui.
E estes intelectuais, Jorge amado e José Américo de Almeida, sobre os quais nunca se levantou nenhuma suspeição sobre a autoria das suas obras, jamais baixaram o nível ao ponto de chamar de jumentos seus semelhantes. Esta forma chula de tratamento se adequa ao pseudo-intelectual que movido pelo desespero parte para a agressão tentando desqualificar os que não se curvam e rejeitam a sua megalomania.
Sabe quantas ruas levam o nome de José Américo de Almeida em João Pessoa? Não? Apenas uma.
Quantas ruas levam o seu nome em São Luís? Tentei contar, mas me cansei. Cansei-me ou perdi a conta.
Sabe quantas ruas levam o nome de Jorge Amado em Salvador? Não? Apenas uma.
Talvez, senador José Sarney, o senhor não saiba que na Paraíba não existe nenhuma cidade com o nome de José Américo de Almeida. No Maranhão existe cidade com o seu nome.
Quer comparar os valores entre o senhor e estes dois escritores? Não, não vou submetê-lo a tamanho constrangimento. Seria uma crueldade.
Respeite as pessoas para ser respeitado. Não pense o senhor que tentando desqualificar os que se mostram indignados com tantos absurdos conseguirá intimidá-los.
Quer passar à história como um benemérito, um vulto digno de honras e aplausos, comece por doar esta sua aposentadoria de ex-governador a uma instituição de caridade, esforce-se por escrever uma obra digna deste nome, e, principalmente, respeite os seus semelhantes. Talvez assim o senhor venha a ser lembrado como um homem que no fim da vida arrependeu-se.
Isso é o máximo que o senhor pode conseguir.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 24 de outubro de 2011
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