LUCIANO CAMPOS BEZERRA
Advogado e cronista afogadense
A Avenida Manoel Borba e o seu trânsito maluco
Esta crônica foi escrita em 21 de outubro de 1994 - há 17 anos. E é atualíssima, pois a situação caótica daquele logradouro é ainda mais acentuada.
Assim dizíamos em 1994: A concentração das maiores casas comerciais na Avenida Manoel Borba, somando-se às três agências bancárias, levam, forçosamente, a intensificar o trânsito naquela artéria, que se agrava pela falta de disciplina dos veículos. Isto sem contar com a falta de regulamentação, no que se refere ao estacionamento. Na Avenida Manoel Borba pode-se estacionar onde e pelo tempo que se quiser, desde que se “leve a melhor” na disputa por um espaço.
O que é mais comum, na hora de pique, são os caminhões de entregas, geralmente, aqueles imensos baús, pararem nas frentes das lojas, no meio da rua e, logo, logo, se forma o engarrafamento.
A Manoel Borba, em toda sua extensão, é um caos total. Mas não é só isso! A bagunça também se verifica na Barão de Lucena, precisamente no trecho que se inicia nos fundos da Prefeitura Municipal até a bifurcação com a Manoel Borba. Naquele logradouro quem manda mesmo são os donos de lotações. De um lado as camionetes de Carnaíba; do outro, os lotações de Tabira. Em ambos os lados eles param em fila dupla, tripla, o diabo a quatro. Os donos do pedaço são eles mesmos. E que se dane quem tiver necessidade de passar por aquele trecho.
Já se tornou praxe as camionetes fazendo manobra na bifurcação com a Manoel Borba. Ali as lotações vão ao cúmulo de parar para esperarem passageiros, tumultuando ainda mais o trânsito. A bagunça é generalizada. E o que é mais grave, não há para quem se apelar, pois um policiamento de trânsito não existe.
Seguindo a Barão de Lucena com destino a atual Praça de Alimentação, encontra-se outro problema ainda pior: são os pedestres, carros-de-bois, carroças de burros, veículos estacionados naquela travessa, bicicletas e carroças, na contramão.
Passar em frente ao Açougue Público é coisa para aventureiro. E quem se atrever a seguir pela Rua Henrique Dias, aí sim, é osso duro de roer. Conseguindo com muito esforço, passar pela Henrique Dias, num dia de sexta-feira e também no sábado, encontra-se a Rua Senador Paulo Guerra – interditada, nas imediações da CELPE, pela feira livre que ali se realiza. Aliás, já é tempo de a Saúde Pública dar uma passadinha, com frequência por ali.
Mas estávamos no trânsito da Avenida Manoel Borba. Não é nem preciso dizer o transtorno que sofrem os transeuntes que necessitam resolver seus negócios, suas compras naquele centro comercial de Afogados da Ingazeira.
Aqui cabe a pergunta: o cidadão que paga seus impostos, que tem seus direitos garantidos na Constituição Federal, deve ser submetido a tantos constrangimentos, só por falta de ordenamento do Poder Municipal?
O que falta para se resolver todo esse problema é uma tomada de posição, com pulso firme. O que falta é fazer valerem os instrumentos de que dispõe a Autoridade (no caso o Prefeito) para problemas dessa natureza.
Os bajuladores de plantão devem estar dizendo que somos contra a feira-livre; que somos contra aqueles que ganham o pão comercializando em suas barracas, com os famosos produtos do Paraguai (transferidos para outra área neste 2011). Pelo contrario, somos até muito a favor. Somos CONTRA a postergação do direito lídimo que tem o cidadão de ir e vir – com tranquilidade - e sem o risco de ser atropelado.
O que somos contra, é que uma minoria, no caso aqueles que fazem lotação na Barão de Lucena, se apossem de toda uma artéria, causando tumultos, em detrimento de toda uma população que necessita transitar livremente.
Somos contra o fato de se parar um caminhão – em plena manhã – para descarga de mercadorias, sem dar a mínima importância aos que ficam “engarrafados”, esperando que o trânsito seja desobstruído.
Somos contra a impassividade do Governo Municipal que tem nas mãos instrumentos eficazes para coibir os abusos e faz como a avestruz que enterra a cabeça na areia .
Somos contra a inoperância, a falta de decisão de um governo que vendo um problema quotidiano, faz ouvidos de mercador aos reclamos daqueles que estão exigindo que seus direitos sejam respeitados.
Mas, para que não se diga que só sabemos criticar e apontar os problemas, temos também a solução. E aqui, senhor prefeito, autoridade a quem está afeto o problema, informamos o roteiro de como agir dentro da legalidade.
A solução está, exatamente, numa Lei sancionada em 05 de abril de 1990 – a Lei Orgânica do Município.
Pois bem, nessa Lei, no Título II (que trata da competência do Município) em seu art. 50, inciso XIX – dispõe que compete ao Município:
Regulamentar a utilização dos logradouros públicos e, especialmente, do perímetro urbano.
Alínea “a”: Determinar o itinerário e os pontos de parada dos transportes coletivos;
Alínea “b”: Fixar os locais de estabelecimento (deveria ser “estacionamento” o erro não foi nosso) de táxis e demais veículos.
Alínea “e” – e aqui pedimos atenção redobrada para este dispositivo... – compete ao Município:
Disciplinar os serviços de carga e descarga, fixando a tonelagem máxima permitida a veículos que circulem em vias públicas.
E no inciso XX, temos ainda como competência do Município: Sinalizar as vias urbanas e as estradas municipais, bem como regulamentar e fiscalizar a sua utilização.
E ainda outro dispositivo que vai direto ao caso:
No inciso XXII: Ordenar as atividades urbanas, fixando condições e horários para funcionamento de estabelecimentos industriais, comerciais e similares, observadas as normas federais e estaduais pertinentes.
Por fim, no inciso XIV: Compete ao Governo Municipal: Fazer cessar, no exercício do Poder de Polícia administrativa, as atividades que violarem as normas de saúde, sossego, segurança, funcionalidade, estética, moralidade e outras de interesse da coletividade.
Tudo o que foi lido acima, senhor prefeito, encontra-se na Lei Orgânica do Município. A lei maior de nossa comuna que deve ser cumprida e respeitada por todos, sem distinção.
O problema do trânsito na Avenida Manoel Borba tem solução, como provamos e mostramos os instrumentos legais a serem aplicados. Basta, tão somente, uma tomada de posição firme, no sentido de regulamentá-lo.
E até acreditamos que o senhor prefeito tenha esse propósito. Mas... Assoberbado de atividades, não encontrou tempo para procurar na Lei Maior do município – a solução.
Compreendemos que consultas à legislação não é tarefa especifica do administrador. Para isso é que existem os assessores que devem subsidiar o governante no difícil encargo de cumprir as determinações legais para o bem da coletividade.
Uma ideia nos acorreu agora: é que alguém pode estar dizendo que – numa tomada de posição enérgica do sr. prefeito para coibir os abusos no trânsito da Manoel Borba e Barão de Lucena – tais medidas poderão desagradar a esse ou àquele. Isso não deverá ser motivo de preocupação, pois é elementar em Direito Constitucional e Administrativo que - o bem estar público prevalece sobre o particular .
Os mais renomados Juristas Constitucionais são unânimes em afirmar: “jamais os interesses privados deverão sobrepujar os interesses coletivos”.
Ainda respaldando-nos na Lei Orgânica do Município, vamos encontrar o fundamento legal para o Sr. Prefeito equacionar o problema:
No art. 42: - Ao prefeito, como chefe da Administração, compete:
VII – expedir decretos, portarias e outros atos administrativos.
Não bastando o leque de opções que, modestamente, apresentamos acima, lembramos que o Eminente Prof. de Direito Administrativo – Ely Lopes Meirelles – ensina com muita propriedade o que são “os atos discricionários do Prefeito – no exercício de chefe da edilidade”.
Tratamos o assunto, apenas superficialmente, haja vista, não termos, nem de longe, o intuito de subestimar a capacidade dos assessores jurídicos municipais. Aí está a nossa modesta contribuição, esperando que o espírito público do senhor prefeito se sensibilize e encontre uma solução para o constrangedor e caótico trânsito da Avenida Manoel Borba e Barão de Lucena, duas das principais artérias de nossa cidade.
Luciano Bezerra, em 21 de outubro de 1994
Afogados da Ingazeira, 23 de outubro de 2011
ASAVAP - Associação de Saúde do Vale do Pajeú
A Asavap é uma instituição filantrópica que tem como atividade principal dar assistência aos idosos, oferecendo-lhes atenção integral, pois o idoso é residente na instituição e lá recebe alimentação, assistência médica e Muito Carinho.
O seu quadro funcional é composto por 5 (cinco) Técnicos em Enfermagem que percebem um salário mínimo; 2 (duas) pessoas encarregadas da limpeza, que trabalham dia sim, dia não, e percebem, cada uma R$ 300,00 (trezentos reais) por mês; 2 (duas) pessoas na cozinha, também trabalhando no regime 24h por 24h, percebendo, cada uma, R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais); uma pessoa encarregada da lavanderia com salário de R$ 200,00 (duzentos reais; 1 (uma) recepcionista com salário de R$ 350,00. E por ultimo, um Enfermeiro que trabalha como voluntário, sem qualquer remuneração.
Atualmente na ASAVAP residem 24 pessoas, algumas já idosas, outras nem tanto, porém necessitando de assistência. Residem, também, duas adolescentes que foram encaminhadas pelo Ministério Público.
A presidente, sra. Clara Queiroz, nos informou que a Instituição não recebe nenhuma subvenção do governo municipal nem do governo estadual . O governo municipal fornece o leite de soja da vaca mecânica e o pão da padaria comunitária. Não se deve esquecer que, além das despesas acima, ainda tem aluguel da casa, água, energia e outras despesas eventuais.
A casa dispõe de apenas um banheiro e, logo pela manhã já se evidencia a deficiência nas instalações, pois são 24 pessoas para tomar banho, e a grande maioria necessita de ajuda no momento dessa higiene corporal em vista das suas fragilidades físicas. É possível se imaginar a cena, com a fila de espera pelo banho, logo nas primeiras horas do dia.
A casa, infelizmente, não oferece as condições desejadas, como uma área para banho de sol; não é arejada, mas... é o que se dispõe no momento.
Diante de tantas dificuldades e após 3 (três) longos anos tentando arrecadar fundos para construir sua sede própria, a ASAVAP pede SOCORRO das pessoas de boa vontade e sensíveis à situação dos nossos idosos.
Ontem, quinta-feira 8, formou-se uma Comissão Provisória que vai traçar as metas para o envolvimento de todos aqueles que queiram contribuir para a construção do Lar do Idoso de Afogados da Ingazeira. Toda contribuição será válida, pois as condições financeiras, atualmente, são mínimas. A ASAVAP já dispõe de um terreno, porém sua localização não é das mais favoráveis para a sua finalidade, isto porque o terreno situa-se distante do Hospital Regional, o que dificulta um atendimento de urgência, quando necessário.
Assim, a meta agora é arrecadar donativos para a construção do LAR DO IDOSO . Toda ajuda será de muita importância, pois no momento só existe o terreno e o desejo de concretizar a obra.
Se você pretende obter maiores detalhes e deseja colaborar, entre em contato com a ASAVAP pelo telefone: 87- 3838.1975 ou visite suas instalações atuais na Rua Henrique Dias, nº 50 e você verá que precisamos fazer algo... URGENTE.
Aqui fica o nosso apelo-convite: Venha se juntar a nós, nesta causa (que também é sua), segundo os princípios cristãos .
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 9 de setembro de 2011
Doutor Manoel Rafael
Um Juiz... Um Poeta!
Não posso deixar de reverenciar ao Grande Juiz, amigo e poeta que parte para a morada eterna - Doutor Manoel Rafael Neto. Mestre das letras jurídicas e tão grande quanto... das rimas e métricas. Doutor Manoel Rafael: um Justo dos Justos...
Intelectual e Magistrado sem perder a simplicidade e a pureza do sertanejo... Agia com a serenidade que deve nortear o Juiz imbuído da candura que há na alma do poeta...
Aqui vai apenas uma estrofe de seu discurso, quando se despedia, ao aposentar-se do Tribunal de Justiça de Pernambuco.
A todos peço perdão / Se alguma vez fui grosseiro
Atingindo um companheiro / Com Razão ou sem razão
Minha preocupação / Foi sempre fazer o bem
Mas se por acaso, alguém / Guarda uma mágoa de mim,
Fique certo porque enfim, / Eu não guardo de ninguém.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 17 de setembro de 2011
Eleições e Copa do Mundo.
É o Brasil em frenesi!...
O Brasil está excitado. É possível perceber nas suas entranhas uma convulsão tal qual aquela que deitaria por terra qualquer pessoa física. A Nação já vive, por antecipação, os momentos de frenesi causados por dois grandes eventos que se aproximam: eleições no próximo ano e a Copa do Mundo, um pouco mais adiante.
As eleições nos dão uma demonstração prática do maior cinismo e hipocrisia praticados e repetidos, em detrimento da grande massa de manobra que são os incautos e, o pior, acreditados pela maioria, afinal, é ela quem vence. Como sempre o mal continua a agir na calada da noite, nos conchavos, nas reuniões onde são loteados os poderes e as pessoas, tudo em nome da Democracia. Essa é a prática, já consolidada na política brasileira.
Partidos Políticos, ideologia, são apenas meras ficções das quais os crápulas se utilizam para conseguir seus inconfessáveis objetivos. Nessa caminhada tudo é possível e tudo é permitido.
A Jaqueline Roriz teve essa certeza depois do beneplácito de 265 coniventes com suas falcatruas. E a desculpa por terem absolvido a gatuna foi a mais espúria: “O recebimento da propina ocorreu antes do mandato”. Por essa lógica o mais sanguinário, o mais repugnante dos bandidos tornar-se-á um probo cidadão, desde que esteja sob o manto da malsinada imunidade parlamentar. Isso é mesmo pra lamentar.
Mas o Brasil convulsiona-se em berço esplêndido com a aproximação da Copa. Os políticos ávidos pelo vil metal riem internamente, já que “rios de dinheiro” serão destinados às obras necessárias à realização dos jogos. O Brasil não pode prescindir do maior espetáculo do Planeta. E as pessoas que necessitam de medicamentos nas intermináveis filas dos hospitais? Essas podem esperar? E o cidadão comum que necessita de segurança nas ruas? E as escolas sucateadas com um rendimento escolar dos mais vergonhosos? E o déficit habitacional que cresce a cada ano?
Tudo isso deixa de ser prioridade diante da magnitude de uma Copa do Mundo. Os políticos pensam positivo, no entanto, o povo é pessimista.
O Brasil dos “iluminados do Planalto” é grande demais para pensar nos esfomeados do Maranhão, no minguado salário dos professores, na mortalidade infantil que grassa nos confins do Piauí... isso é ninharia diante da efusiva emoção de uma Copa do Mundo. Ao povo resta, tão-somente, cumprir a sua parte, ou seja, votar nos escroques que se apoderarão de tudo, inclusive, da dignidade do povo brasileiro. Esta é a lógica perversa daqueles que fazem da eleição o trampolim que os levam aos píncaros da bandidagem.
Esse é o Brasil atual... Essa é a pátria amada, idolatrada... que, indiferente a todas as suas mazelas, espera gritar, mais uma vez: A taça (da amargura) é nossa!
Mas, esse inconformismo de agora, vem de longe. Numa de suas crônicas, a incomparável cearense Rachel de Queiroz extravasou toda a sua revolta: “Os donos do Brasil se embalam numa falsa segurança, pois se há um país sem dono é este; se há um país desenganado, envergonhado de si mesmo, vencido, faminto, nu, doente, analfabeto, irritado, é este ”.
Lá de Roma, do Império dos Césares os políticos herdaram a máxima: “O povo se contenta com pão e circo”. O pão será dado em migalhas na campanha eleitoral, e o circo, com toda sua pujança virá com a Copa do Mundo.
E a vida continua... A miséria também!...
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 3 de setembro de 20112011
O Trânsito, a Fome e a Guerra...
Eu não sei quem mata mais!
A tarde caía e o sol escondia-se preguiçosamente por trás das serras que circundam nossa cidade. A noite chegava com a escuridão e seus mistérios. Mais um fim de tarde e sua monotonia que foi quebrada quando rangeram os pneus e o estrondo se ouviu depois. O saldo cruel ali estava para nossa tristeza: uma vida destruída, num final de tarde. Mais uma vida, mais sangue humano a manchar o asfalto e mais uma família enlutada .
O morto... Não conhecemos, mas, com certeza, deixou pranteado, para sempre, um coração materno e tantos outros que o amavam. O morto, um homem simples, um pobre roceiro que veio aumentar a lista das vítimas da negligência dos poderes constituídos que fazem vista grossa para o caos que se tornou o trânsito de nossa cidade.
Não é de hoje que se fala, que se pede, que se exige, que se denuncia a balbúrdia que se verifica, diariamente, em nossas ruas com um trânsito no qual cada um faz como quer .
Naquele fatídico sábado tivemos dois acidentes: o primeiro por volta das 17 horas e o segundo quatro horas após. Isso, somente num dia! E não se vê nem se tem conhecimento de qualquer medida no sentido de coibir os excessos praticados por pessoas inabilitadas e que usam seus veículos irresponsavelmente. Automóveis e motos nas mãos de pessoas inconsequentes são armas mortíferas.
Só as autoridades não sabem ou fingem não saber isso.
O perigo é constante; durante o dia e mais ainda durante a noite quando a Avenida Rio Branco se transforma em pista de corrida madrugada adentro e os “rachas” entre automóveis e motos acontecem sem que ninguém (entenda-se polícia) incomode os competidores. Quantas vidas humanas serão ceifadas, estupidamente, até que se tome alguma providência?
Com a indignação que sentimos diante da inércia daqueles que têm a incumbência de zelar pela tranquilidade pública , somos forçados a concordar com os poetas que, sabiamente, já cantaram essa tragédia que vai, paulatinamente, enlutando as famílias sertanejas: O Trânsito, a Fome e a Guerra... / eu não sei quem mata mais
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 22 de agosto 2011
De repente...
Uma noite e muita poesia!
A noite fria, temperatura amena e vou dirigindo pela PE-292 com redobrada atenção para não deixar o carro encalhado nas crateras daquilo que já foi uma rodovia. Ao meu lado, o poeta Sebastião Dias, no banco de trás a professora Elvira Siqueira. Seguimos nós, enquanto um DVD nos deleita com a Maestria de Chico Arruda dedilhando um violão. Esse DVD, uma relíquia, traz momentos marcantes de uma homenagem prestada por Chico Arruda ao Grande Vate Zé Marcolino. Sebastião Dias que também conviveu com o Criador da Sala de Reboco, relembrou fatos e passagens de Marcolino; um poeta na expressão da palavra. Zé era de uma pureza de espírito; sua tansparencia era palpável; sua alegria e seu modo descontraído de viver, trannsbordava na sua arte e na maneira singular de dizer as coisas. Isso o Chico Arruda nos mostra em seu trabalho, tornando-se, para mim, no melhor interprete das toadas, “causos” e cantos de Marcolino.
A viagem prossegue até que chegamos a Iguaracy e adentramos (Graças a Deus!!!) numa estrada que nunca teve asfalto. Que beleza! Que maravilha, o trecho de estrada de terra de Iguaracy até a aprazível Jabitacá!
Chegamos ao país de Ademar Rafael. Paramos em frente à Casa de Pedra (como ele faz questão de denominá-la) e que foi residência do Vate Quincas Rafael. Lá estava ele: Ademar. Ao nos reconhecer partiu de braços abertos e foi logo exclamando: “Veio o kit completo, que alegria vocês me dão”; o Kit, segundo ele, éramos nós três: Sebastião, Elvira e eu.
Jabitacá ainda estava em festa. A igrejinha (no sentido carinhoso) testemunha secular de muita história e estórias, adornando a praça arborizada, dando-lhe um aspecto aconchegante. As pessoas transpiravam alegria. Jabitacá era uma festa só. Entramos na Casa de Pedra e fiquei embevecido com suas paredes de quase um metro de largura. As telhas centenárias resistiram às tormentas e ao sol causticante. Na parede fotografias dos antepassados... logo ali uma porta que dá acesso ao quarto onde o Poeta Quincas descansava o corpo da faina diária... e Ademar contou-nos fatos acontecidos nos seus tempos de criança. Era todo um passado a desfilar diante de nós que ouvíamos o relato com a ansiedade de saber mais sobre o Poeta que cantou desmedidamente o seu Pajeú querido.
Chega a hora e vamos ao Salão Paroquial, onde mais surpresa nos aguardava. Foi ali que tivemos um extraordinário "pé-de-parede" com a dupla Diomedes Mariano e Sebastião Dias, cantando com conhecimento de causa, a vida do poeta homenageado.
Seu livro foi apresentado aos presentes e a noite corria solta com os vates derramando versos, aos borbotões, sobre nós seus admiradores. Assim se fez uma festa de poesia... Assim, reencontramos velhos e queridos amigos... Assim, Ademar reverenciou seu pai e nós levamos o nosso tributo de gratidão a um poeta pajeuzeiro que soube amar e cantar sua terra: Quincas Rafael.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 16 de agosto 2011
Autoridade com doçura
Rigorosa com afeto
A notícia chegou e com ela levou-nos ao sobressalto: “Dona Ione faleceu”. O primeiro pensamento: “Deus a tenha na sua paz eterna”. As palavras registram o evento... a notícia é real, mas custamos a acreditar. Por que tem que ser assim?
O passado vem com toda a nitidez. Lá está ela no Grupo Escolar Padre Carlos Cottart. Lá estamos nós, ainda crianças, sob a guarda e vigilância daquela que víamos como nossa segunda mãe. Sua autoridade tinha doçura, hoje percebemos. Com a sua pedagogia, hoje para muitos ultrapassada, formou centenas, milhares, quem sabe, de personalidades que enveredaram para o bem. O seu rigor tinha afeto. Nas suas repreensões havia o desejo de mãe - que nos tornássemos cidadãos prontos para o mundo.
Pela manhã dirigi-me à Capela do Colégio Normal com a esperança de que tudo fosse apenas um sonho. Mas, ao adentrar naquele recinto lá estava o esquife. Ali, inerte, a nossa Mestra; seus olhos cerrados e seus lábios fecharam-se para sempre.
O cortejo segue pelas ruas, deixando aquele Colégio que foi seu segundo lar. Acompanhada de seus filhos espirituais, passou pelas ruas pela última vez. No semblante de cada um percebia-se a consternação pelo momento derradeiro que se aproximava. E a parada em frente à majestosa Catedral onde revigorava seu fervor religioso. Seguimos adiante com aquela que tanto deu e pouco pediu em troca. A tarde também se ia, mansamente, enquanto o sol desmaiava lá pras bandas da Colônia, terra que testemunhou seus primeiros passos. Chegamos enfim, na sua última morada. Não há retorno. É a realidade inexorável.
Agora o corpo jaz na frieza e escuridão do túmulo, enquanto seu espírito resplandece no plano celestial. Em todos nós o vazio e o conforto de que será recebida pelo Pai pelos méritos que cultivou na sua missão divina de educadora.
A emoção turva o pensamento... Nós somos pequenos demais para entender os desígnios de Deus. Só nos resta acalentar as boas lembranças e seguir os seus ensinamentos.
Querida Mestra, o mundo ficou mais triste com a sua ausência física...
Sua lembrança ficará para sempre em nossos corações.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 23 de julho 2011
Enquanto o próximo Escândalo não vem
Nesta madrugada fria (04h25), antes mesmo de buscar as últimas notícias que circulam na NET, uma indagação me acorre, como um alerta sombrio: qual será o escândalo da semana?
É lamentável, mas a nossa - minha pelo menos -, ansiedade gira em torno da próxima “bomba” que deverá “estourar” em Brasília fazendo com que os estilhaços da pouca vergonha respinguem pelo restante do país.
Brasil, o país da cachaça, do carnaval e do futebol... Brasil,este “continente” privilegiado pela natureza, mas que já disseram que “não é um país sério”. Confesso que antes me indignava com tal afirmativa, porém hoje devemos aceitar que é a mais cristalina verdade, sem esquecer que o câncer da ganância, da hipocrisia política, a buscar pelo vil metal, destituída da ética e da moral vêm erodindo, com voracidade todas as instituições que dão sustentáculo ao Estado de Direito.
Enquanto o povo sofre com as estradas destruídas pelo uso e pelo tempo. Os “ratos engravatados” travestidos de senadores, deputados, ministros e afins, usam o dinheiro público como se fosse seu e aproveitam o tempo que lhes sobra para tripudiar da passividade do povo brasileiro.
As falcatruas que sangram os cofres da Nação são gigantescas, como imensurável é a passividade do brasileiro. A revolta interior de cada um é indiscutível, porém todos - todos nós - assistimos a impunidade ser o “manto” que acolhe os crápulas que são flagrados em suas patifarias.
E nas minhas divagações, relembro as noites mal dormidas, nos tempos de faculdade, em que me debruçava sobre os compêndios que nos foram legados pelos Pensadores e vou encontrar em Jacques Maritain a resposta para o verdadeiro Humanismo, defendido pelo Filósofo Francês como o instrumento destinado à valorização do ser humano. E, acima de tudo, livrando-o das injustiças sociais que são, lamentavelmente, impostas pela ordem vigente.
Humanismo pugna pela defesa do homem e de sua dignidade, sobrepondo estes bens imateriais em todo o relacionamento social. É, segundo Maritain, a prevalência da dignidade humana sobre os dogmas, preconceitos e instituições injustas.
Enquanto vou buscar em Jacques Maritain conceitos e fundamentos para uma sociedade mais JUSTA, na acepção do termo, tenho a certeza de que mais um escândalo será anunciado nos primeiros raios do sol. E não é pessimismo de minha parte; é a regra que impera em nosso Brasil, já combalido de tantos saques às suas riquezas.
E não estou só, ao pensar assim. O sentimento de Justiça é imanente ao homem como é a esperança que nutrimos por uma realidade calcada em princípios cristãos; acreditamos numa Justiça Social com base numa igualdade cristã.
Acredito que todos os homens, todos mesmo, são iguais em essência, desde que provenientes da mesma Força Criadora. Por isso que não perdemos a esperança de que um dia irá predominar a valorização do SER em detrimento dessa canibalesca disputa pelo TER que animaliza os detentores do poder, disseminando a escravização do homem pelo próprio homem.
Nem tudo está perdido... O homem é criatura de Deus e Ele não abandona os Justos e Puros de Coração.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 17 de julho 2011
Suas incelenças...
Baxaréis e Adevogados
Mais um resultado do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB foi divulgado para comprovar o óbvio. O índice de reprovação é altíssimo. Vejamos os números: o último exame de Ordem realizado em dezembro de 2010, reprovou 88,275% dos 106.891 bacharéis em direito inscritos. Do total, apenas 12.534 candidatos foram aprovados, de acordo com a OAB. O índice de reprovação da edição anterior já havia chegado a quase 90%. A prova é realizada pela Fundação Getúlio Vargas.
A explicação é simples e evidente. Existe hoje no país uma proliferação de Cursos de Direito, ministrados por Faculdades sem a mínima condição de funcionamento. O resultado não poderia ser outro. Na prática, no dia a dia forense encontramos profissionais completamente alheios aos mais elementares princípios de processualística; alguns atropelam a lei, usam expressões que mais parecem piadas. O pior é que esses “doutores do 1º terno” ostentam carrões e pastas luxuosas e reluzentes, na vã esperança de que o “hábito faça o monge”.
O ensino mercantilizado produz a cada ano um contingente de pessoas que se deixaram levar pela facilidade de ingresso na Faculdade e a “moleza” no período acadêmico, enganando a si próprio e, depois de “formados”, alguns tentam aprender fazendo, aquilo que deveriam ter assimilado nos bancos das Faculdades. Mas os adevogados e baxaréis são o efeito de uma causa muito mais preocupante: a inércia e omissão do Conselho Nacional de Educação que não fiscaliza esses balcões de vender diplomas.
No último concurso - Exame de Ordem - das instituições participantes - 81 delas tiveram aprovação zero.
Não bastasse a gravidade do problema que constatamos a cada resultado, existe uma forte corrente na Câmara dos Deputados articulando-se no sentido de extinguir o Exame de Ordem, como se isso fosse a solução. Quem assim pensa, usa da mesma lógica do marido traído que ao chegar em casa e se depara com a mulher aos beijos com o amante no sofá, não vacila e vende o sofá.
É preciso conscientizar àqueles que pretendem uma formação superior, seja qual for a profissão escolhida: o acadêmico deve Estudar Para a Vida, não apenas para a Prova do Dia Seguinte. O exercício da profissão exige preparo acadêmico, muito estudo pós-Faculdade e, acima de tudo, a ÉTICA. Aquele que não estiver imbuído desse espírito profissional, aquele que não tiver uma formação acadêmica e moral, jamais preservará os princípios éticos no exercício de seu labor. Ser advogado é exercer uma profissão nobilíssima que não admite transigir ou tergiversar.
A história registra o que poderíamos conceituar como o embrião da OAB dos dias atuais. No governo do imperador Cláudio (41 d.C. a 54 d.C.) foi estabelecido que os advogados tivessem direito a honorários dentro de certos limites (no máximo 10.000 sestércios) por ação onde o mesmo atuasse.
Também ficou estabelecida a obrigatoriedade do advogado se inscrever (matrícula) na corporação (por sinal, também criada no governo do referido imperador), cujo nome era Colégio ou Corporação Advocatícia. Observe-se que o valor máximo não era calculado a partir de dados percentuais (como é o caso do Brasil - 20% sobre o valor da causa), e sim através de um teto ordinário máximo. Eis, portanto, como surgiram os limites dos honorários, as matrículas dos advogados e a corporação que regeria internamente a dita classe.
Dito isto, fica o alerta àqueles que necessitam constituir um advogado: informe-se sobre a sua conduta profissional e, mais que isso, sua conduta pessoal; busque informações sobre sua eficiência e lealdade para com os clientes. Não esqueça que o advogado é sua voz perante o Tribunal. Os seus interesses dependem, acima de tudo, da qualificação profissional e moral daquele a quem você confiou o sucesso do seu pleito em Juízo. .
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 04 de julho 2011
102 Anos de História
Neste momento escuto os últimos acordes da Banda que “embalou o sono” da cidade de Afogados da Ingazeira. Assim foram todas as noites de festividades em comemoração aos 102 anos de Emancipação Política. É impressionante como o tempo passa vertiginosamente, pois já ficou pra trás toda a euforia pela passagem do primeiro péculo de Emancipação Política de nosso município.
Entendo que nesta hora devemos volver nossa mente para aqueles que nos antecederam e deixaram seus legados na construção desta cidade bela e acolhedora.
Logo na entrada, de quem vem de Iguaracy, temos um educandário que foi a primeira fonte de saber de centenas de afogadenses, hoje já “cinquentões e sessentões”.
O antigo Grupo Escolar que tem como patrono o Padre Carlos Adriano Maximino Cottart - pároco que chegou por aqui em 1910 e serviu no seu mister, até 1923, quando faleceu.
Na historia de Afogados sobressai a figura do empreendedor Helvécio Cesar de Macedo Lima que nos legou, dentre outras realizações, a construção do Cine Teatro São José.
Mas Afogados da Ingazeira tem ainda, entre seus filhos Ilustres, o Mons. Alfredo de Arruda Câmara , cuja história de vida é uma abnegação total ao seu torrão fincado nas margens do Pajeú.
E as páginas da história vão passando, quando encontramos o vulto de Diógenes Arruda Câmara , um homem muito à frente do seu tempo e que contribuiu não só para o progresso da pequenina Afogados, de sua época, mas que teve influência significativa na história do país. < a Possidônio Gomes dos Santos , pessoa de fino trato e que deixou marca de sua administração, quando as dificuldades eram extremas, pela extensão territorial do município naqueles idos.
E, cada administrador ia imprimindo a marca de seu governo, a exemplo de Dr. Hermes de Souza Canto que deu um impulso com obras estruturadoras, algumas até hoje servindo como testemunho de sua passagem pela direção do governo de nossa cidade.
Outros vieram: José Rodrigues de Brito, que foi o responsável pela expansão da Rua Professor Vera Cruz, pois em seu governo foi removida uma estrada que se iniciava na Rua Senador Paulo Guerra (antiga 13 de maio) e se estendia até o Colégio Normal. Zezé Rodrigues removeu aquela estrada que impedia a construção de residências, dando um novo aspecto àquela área. Também no seu governo, nos anos 1960, foi inaugurada a "Luz de Paulo Afonso", libertando-nos da limitação de termos energia elétrica somente algumas horas noturnas.
Na sequencia, Afogados teve João Alves Filho, José Silvério Queiróz de Brito - no seu governo foi construída a barragem de Brotas -, Antonio Mariano de Brito e, antes desses, nosso município foi comandado por Miguel de Campos Goes, o saudoso “Miguelito”, que externava amor extremo por essa terra.
Outro, profissional da medicina, também foi nosso mandatário-mor: o Dr. Orisvaldo Inácio da Silva , com uma administração voltada para a formação do indivíduo, teve a preocupação prioritária com a educação, expandindo uma assistência efetiva aos nossos jovens da zona rural, dentre inúmeras outras realizações positivas. E a Professora Gizelda Simões Inácio , educadora por vocação, foi a primeira mulher a gerir nosso município, preenchendo essa lacuna, no executivo, pois no legislativo, tivemos as vereadoras: Cirene Alves e Teodora Galvão, “Madrinha Dora”.
No campo político, vieram à lembrança esses vultos de nossa história, a quem devemos render nossas homenagens por tudo que deixaram de positivo. No plano cultural e abstrato, Afogados da Ingazeira deve sua identidade a Waldecy Xavier de Menezes e Dinamérico Lopes da Silva . A trajetória de Waldecy Menezes é conhecida por seu amor extremado à terra que ele adotou com seu “segundo berço natal”. E Dinamérico Lopes da Silva gravou a ferro e fogo seu nome na memória afogadense. É de autoria deles o nosso Hino.
Hoje, Afogados da Ingazeira se sobressai como Cidade Polo Regional, na perspectiva de que, neste final de Governo de Totonho Valadares, desperte da letargia ocasionada pela crise financeira que se abateu, temporariamente, e, segundo o próprio Prefeito, terá nova fase de construção de obras que visam uma melhor qualidade de vida para seus munícipes.
É isto que esperamos, pois, a despeito de todo empenho para se realizar uma festa a altura de nossa cidade, nos seus 102 anos, ficou muita coisa a desejar. São problemas solucionáveis, porém ainda insistem a tirar o sossego e a tranquilidade de todos nós, senão vejamos:
o trânsito caótico, uma feira livre mal localizada, a falta de um pátio de eventos, as entradas da cidade que depõem pessimamente contra a administração atual, a imundície que “impera” na Rua Barão de Lucena e toda a margem do Rio Pajeú, que se estende em todo seu percurso dentro da cidade, com acúmulo de lixo, num risco permanente à saúde da população.
Com estas mazelas, ainda existentes, viramos mais uma página na história dessa cidade que tem tudo para ser um recanto de paz, neste país chamado Sertão
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 03 de julho 2011
A Arca de “Seu Noé”
Nos últimos dias estive tão assoberbado com processos, apelações, contestações etc, que me ausentei dessa nossa Tribuna Democrática. Mas, todo dia dou uma passada lá na Lanchonete do Tadeu – esquina da Manoel Borba com Barão de Lucena - onde o saudoso Dóia vendia fumo de rolo (lembra Gilberto?) - para tomar um cafezinho e ouvir as últimas notícias do nosso cotidiano.
O café do Tadeu é dos mais saborosos da região. Isso é indiscutível. Mas, além do café, ali nós temos uma Central de Informações que trata dos mais variados assuntos; do futebol à religião; da política partidária à critica ferrenha aos governantes, de todas as esferas. Sempre há alguém usando da palavra. Assunto de Economia é com o Jurandir Teotônio (Ademar conhece a “fera”). E o papo corre solto e as rodadas de cafezinhos vão sendo consumidas.
Esta semana, tive o prazer de encontrar o Diomedes Mariano, que sempre aparece por lá, no período da tarde. E o Dió me passou esta. Conta o fato que numa cantoria – pé de parede – alguém deu um mote que tem assunto de sobra, dentro da Bíblia. Acontece que um dos repentistas não tinha muita afinidade com a História Sagrada e se viu em palpos de aranha. E saiu-se com essa: (segura aí, Ademar!) O mote é o seguinte:
Foi a arca de Noé / Quem salvou os animais.
E o poeta disse:
O PEBA SARTOU DE JUNTO / DO TRONCO DUM ARVOREDO / “SEU” NOÉ TAVA CUM MEDO / DO PEBA VIRAR DEFUNTO / “SEU” NOÉ CORRIA MUNTO / O PEBA CORRIA MAIS / JOGANDO TERRA PRA TRÁS / FAZENDO ASSIM CUM OS PÉ / FOI A ARCA DE NOÉ / QUEM SALVOU OS ANIMAIS.
Por hoje é só. Um feliz São João para todos.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 22 de junho 2011
Acidente da BR-232
A notícia sobre o desastre ocorrido ontem, próximo a Arcoverde, envolvendo o ônibus que transportava estudantes da Escola Monteiro Lobato, repercutiu em vários blogs. O relato em todos eles é completo, trazendo informações detalhadas, porém, NENHUM DELES conseguiu ou conseguirá, é compreensível, traduzir a apreensão que nos envolveu, aqui em Afogados, quando as primeiras notícias chegaram. Algumas truncadas.
Sofri muito até saber da verdade real. Esse ônibus transportava uma turma de crianças na faixa etária de 8 (oito) anos de idade; alguns se faziam acompanhar de suas mães. O meu suplício só passou quando consegui falar, por telefone, com minha filha Sunnye Rose e meu herói o Paulo André.
Só resta agradecer a Deus pelos que estão salvos e pedir que guarde na sua luz aquele que se foi. E a vida continua.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 21 de junho 2011
Purtugueiz nóis çabe
“Agora ficou mais fássil iscrever. Agora a gente não vamos mais tê medo de errar. Agora num tem mais esse negoço de concordança verbal; num tem mais pronome oblíco; pode tudo. Foi uma profeçora que dice que num precisa ficá procurando em dicionaro. A profeçora Helena Ramos dice que num se aprende a língua purtugueza 'decorando regras ou procurando palavras corretas em dicionários'.
Se vossê tivé algum pai dos burro em caza pode rasgá que num vai mais pricisar. Ficou bom desse geito. Sabe quem vai gostar muinto da idéia? Os adevogados que vacilam na hora de iscrever.
Eu só fico cum pena duns cabras que a gente conhessia e que era chamado de clássico da língua purtugueza: um tá de Machado de Assis, aquele outro.. Rui Barbosa, José de Alencar... Essa turma caiu de moda. A profeçora (tem que ser com “ç” mesmo) Helena Ramos dice assim: 'O ensino que a gente defende é um ensino bastante plural, com diferentes gêneros textuais, com diferentes práticas de comunicação para que a desenvoltura linguística aconteça'.
Mais o Ministério da Educação também falou o çeguinte: 'a norma culta da língua será sempre a exigida nas provas e avaliações, mas que o livro estimula a formação de cidadãos que usem a língua com flexibilidade'.
Como é que fica, a gente vamos aprender errado e no concurso tem que iscrever serto?”
Voltando ao nosso português arcaico e que aprendemos durante os cinco anos de primário, mais quatro de ginásio e três de curso científico, ficamos aqui a imaginar se perdemos nosso tempo quebrando a cabeça com regras gramaticais, noções preliminares de latim; concordância verbal; livros e mais livros lidos para exercitar a dicção e o vocabulário.
Quanto tempo perderam os Mestres: Assis Ribeiro, no ginásio, e o Padre Assis Rocha, só para citar esses dois. Minha amiga-irmã Elvira, eu tinha orgulho de ter você como amiga, logo você uma excelente estudiosa da língua portuguesa. Agora eu vejo que você é muito complicada e exigente.
Veja você, a Professora Helena Ramos, como num passe de mágica resolveu o problema de milhares, de milhões... nada de gramática, nada de dicionário.
Agora vale tudo. Isso é a “erosão cultural” que vem se abatendo sobre a educação de nossos jovens. Consequência disso são os advogados incapazes de redigir uma petição, por menor que seja, isenta de erros crassos; são juízes que nos fazem duvidar de sua bagagem, pelas barbaridades que escrevem em suas sentenças. Não sei onde vamos parar ou se vamos parar, antes de cair num abismo cultural.
Com esse novo conceito defendido pela "profeçora" (com "ç"), não dá mais para contar o fato acontecido com Rui Barbosa, que ao encontrar-se com um amigo pediu-lhe uma pitada de rapé, nestes termos: “Permita-me, amigo, introduzir minhas extremidades digitais nesta concavidade rapéquica para dela aurir algo deste pó narzical que dissipará, sem duvida, os humores aquáticos de minha cerebração pantanosa”.
Afinal de contas, Rui Barbosa e todos nós que amamos a Última Flor do Lácio, somos coisa do passado.
E haja mediocridade no ensino de nosso ainda querido Brasil.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 15 de maio de 2011
Padres também pecam...
por omissão!
Na madrugada deste 1º de maio, atendendo convite do Setor Missionário IV da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios, dirigi-me até a Praça de Alimentação, onde seria a concentração com o objetivo de se promover uma passeata às margens do Rio Pajeú no intuito de sensibilizar as autoridades para a morte lenta do nosso Rio.
Uma chuva fina ainda caía sobre a cidade, mas nada que impedisse de se formar um grande contingente. O que tivemos, todavia, foi um pequeno grupo de participantes que, decepcionados, resolveram cancelar o evento, aliás, única alternativa cabível.
Estranhei a ausência de algumas pessoas que deveriam estar presentes. Primeiro, pelo menos um dos padres da cidade. Não se pode esquecer que a CAMPANHA DA FRATERNIDADE tem como tema: "Fraternidade e a vida no Planeta", inspirado na Bíblia, Rom. 8.22, "A criação geme em dores de parto".
Não sou católico, mas não me oponho a fazer parte de movimentos que contribuam para o bem de nosso povo, sejam ditos movimentos de iniciativa de qualquer credo. O que vi, no entanto, nesta manhã, foi um rebanho sem pastor, e fiquei a pensar como se pode esperar sucesso de uma campanha, quando os idealizadores pecam por omissão. Os padres pecaram, hoje, por omissão. Não basta o discurso instigador; o melhor discurso é a prática. E a prática não veio ou não foi à passeata pela inércia dos pastores que se omitiram na manhã de uma garoa nada estimulante a se deixar a cama quentinha.
Mas, mesmo sem um Padre e sem nenhum Representante do Governo Municipal, o que temos no nosso rio é um quadro desolador. Algo que fere o íntimo de qualquer pessoa de bom senso. Os esgotos, com total aquiescência da VIGILÂNCIA SANITÁRIA, despejam a céu aberto no leito do rio; sacolas e mais sacolas de lixo doméstico são jogadas formando uma montanha em toda a margem. Desde a ponte Hortêncio José Bezerra até a outra Ponte (dom Francisco) rodoferroviária, pode-se ver, também, carcaças de televisões, partes de móveis (guarda roupa) talvez e outros lixos que são facilmente identificáveis. Está tudo lá para quem quiser comprovar.
E assim o Rio Pajeú expõe sua agonia aos passantes: geme de dores o nosso Rio. E ele faz parte do Planeta que a CNBB pretende contribuir para sua salvação, enquanto é tempo.
Diante da manifestação natimorta, lamentamos que nenhuma autoridade, ainda, se dispôs a tomar uma iniciativa prática e efetiva para SALVAR O RIO PAJEÚ.
Que mais esse lamento de nossa parte e os estertores do rio moribundo atinjam a sensibilidade dos Poderes competentes e algo se faça para não termos de que nos arrepender quando não houver mais salvação para o nosso Pajé ferido de morte.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 1º de maio de 2011
Zé Limeira, um gênio diferente...
de tudo e de todos!
Num dia desses que a cidade desperta preguiçosa com a manhã ensolarada, encontrei-me com Antônio Xavier, na sua Lojinha de Santos e artigos religiosos e ficamos a “jogar conversa fora”, até que no assunto POESIA surgiu à lembrança o inimitável “Zé Limeira, o Poeta do Absurdo”.
Aliás, quem tem um trabalho de fôlego sobre Zé Limeira é o estudioso erudito, poeta também, Orlando Tejo. Mas, Zé Limeira no seu estilo, no seu mundo, foi único e inconfundível. Com seus disparates, tal qual um Diógenes, o filosofo, com seu cinismo, Zé Limeira andou pelo mundo fazendo versos e escrevendo sua própria história. A sua irreverência não se curvava diante de nada; mais importante para o poeta era o seu verso. E conta-se que levaram Zé Limeira, a pedido do Governador Agamenon Magalhães que tinha curiosidade em conhecê-lo.
Embora o Governador conhecesse o poeta apenas “de ouvir dizer”, ao chegarem com Limeira em Palácio, tiveram o cuidado de advertir aos presentes sobre a irreverência do Vate e que, partindo dele, tudo era possível.
Assim foi que Limeira começou sua cantoria, para deleite e, talvez, espanto de alguns. Deu início louvando a Primeira Dama do Estado:
Eu cantando pra Dona Antonieta / Esposa do Doutor Agamenon
Sou igual os Reis Magos do Sion / Encostado na mesma tabuleta
E assim vou rasgando a caderneta / De Lourival, Otacílio e Patriota
Doutor como eu não tenho uma nota / Para dar a sua bela esposa
Dou-lhe um quilo de merda de raposa / Numa casca de cana piojota.
Assim foi, viveu e cantou: Zé Limeira - o genial Poeta do Absurdo.
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 21de abril de 2011
Um ilustre delinquente...
Por que não?
Rio de Janeiro, madrugada e a cidade maravilhosa não consegue adormecer completamente. Nesta hora de calmaria, para alguns, os bares estão agitados com os noctívagos eufóricos e estimulados pelos efeitos do álcool. Foi nesse cenário que um Senador da República foi flagrado pela Polícia, que constatou algumas infrações cometidas pelo Ilustre Representante do povo brasileiro na Câmara Alta - o Senador Aécio Neves.
A primeira das infrações e a mais visível estava na cara, ou seja, a aparência de quem havia ingerido bebida alcoólica. O segundo delito apurado se deu ao verificar que a Carteira Nacional de Habilitação do “nobre” Parlamentar estava vencida há dois meses. E ao ser solicitado para submeter-se ao teste do bafômetro o Senador recusou.
Segundo a Lei 9.099/95, todos os delitos apurados são tidos como - de menor potencial ofensivo. Isso sob o aspecto legal. Mas, aqui perguntamos: e sob o ponto de vista do infrator que pretende ser o Mandatário Maior do país? Como fica a imagem do postulante à presidência, que é flagrado em alta madrugada, embriagado, dirigindo um possante LAND ROVER que custa em torno de R$ 340.000,00 (trezentos e quarenta mil reais), e quando se sabe que este mesmo veículo já foi multado duas vezes por excesso de velocidade pelas ruas do Rio de Janeiro.
Para a lei, o Senador é hoje um delinquente (isso mesmo, quem comete delito é delinquente) de menor potencial ofensivo. Para o povo que paga o seu salário, que paga seus veículos de luxo, suas noitadas, ficou mais um motivo de decepção com os políticos brasileiros.
O fato de recusar em fazer o teste do bafômetro, deixa implícita uma confissão de que não estava sóbrio. Aí a presunção é inversa, ou seja, prevalece o que meu avô - e o do Senador também - já dizia: “quem não deve não teme”. Estivesse o nobre parlamentar em plena lucidez, jamais teria se recusado ao teste.
No final das contas, saiu com uma multa de R$ 191,54 por dirigir com a habilitação vencida e mais uma multa no valor de R$ 957,69 pela recusa ao exame de alcoolemia. Ao todo, soma-se R$ 1.149,23. Isso é “fichinha” para quem recebe 14 salários por ano, além de outras “gordurinhas” no salário.
O episódio logo, logo, será superado pelo próximo escândalo de outro político e, sinceramente, fica a minha preocupação com a situação dos policiais que, certamente, serão transferidos para o mais longínquo lugarejo do Estado, se não forem designados para a mais espinhosa tarefa, como punição pela petulância que tiveram de incomodar um “laborioso” parlamentar em sua raríssima hora de lazer.
Isso ainda é... BRASIL!
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 14 de abril de 2011
Paizinha...
Nossa Estrela Reluzente!
O cine-teatro São José ficou pequeno, mais uma vez, para receber um pássaro canoro que nasceu em seu palco, ganhou o mundo em voos mais distantes e retorna para encantar a noite afogadense. Uma festa da nossa Estrela Maior e a sublimação da música enlevou a todos na voz maviosa de Maria da Paz, nossa querida e sempre... Paizinha.
No mesmo palco que cantou pela primeira vez com seus oito anos de idade, Paizinha fez, nesta noite, a plateia levitar. Eu, que fiz questão de ficar na turma do “gargarejo”, podia ver o antes e o depois. Via Paizinha hoje, já com uma longa estrada percorrida e conseguia ver, também, aquela menininha gordinha, em cima de um banco para alcançar o microfone, nas memoráveis tardes do programa “Domingo Alegre”, apresentado pelo saudoso Waldecy Menezes.
Paizinha no palco, é majestade, é grandiosa, é pura musicalidade. Sua voz quente é límpida, é genuína como a água de coco. Seu canto é suave como a bruma que envolve a relva da montanha. Paizinha é maciez ao cantar, mas agiganta-se na emoção melodiosa de sua voz inconfundível.
Aquela pequerrucha dos inesquecíveis “Domingos Alegres”, não perdeu a originalidade, nem deixou arrefecer dentro de si a pureza da gente do sertão. Paizinha modernizou-se, conheceu novas culturas, outros povos e países, mas guardou dentro de si as raízes profundas que a mantém ligada a este torrão que a viu crescer.
Quando canta as coisas do sertão, sua voz sai com o melaço da cana de açúcar; seus trinados confundem-se com o lamento do pássaro carão; assim é essa Diva sertaneja que traz dentro de si a têmpera de um povo forte, que canta com emoção.
Paizinha é um presente de Deus, pelo dom que ela tem, pela pessoa que é. E Afogados da Ingazeira faz Justiça em reconhecê-la como filha desta terra que ela tanto ama, com gestos e palavras. Foi com esse sentimento puro e de muita emoção que ela iniciou o seu show cantando “De Volta Pro Aconchego”.
Paizinha é, de alma e coração, uma sertaneja afogadense. É coisa nossa!
Nos te amamos, Maria (que) Dá Paz!
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 14 de abril de 2011
Rádio Pajeú...
falando para o Mundo!
Beirando os 52 anos no ar...
Há vagas para Ombudsman!
Não é necessário dizer ou provar o amor que tenho pela Rádio Pajeú. Assim como acontece com muitas pessoas, a Emissora é parte integrante da nossa vida. As lembranças da juventude e início da fase adulta estão permeadas da presença constante e indelével da Pioneira neste sertão pernambucano. Partindo de tais premissas, adentremos no assunto que pretendo, focalizando nossa ideia no enunciado.
É fato que a Rádio Pajeú, no início de suas atividades foi sintonizada na Suécia e em outros países da Europa. Isso se explica, pelo fato de que na época sua aparelhagem era novinha em folha. O transmissor, o primeiro, um RCA VICTOR, de válvulas, rendia cem por cento de sua capacidade, o que permitia, mesmo operando com 1Kw (um quilowatt), uma penetração ao extremo. E nessa condição, fazia com que o saudoso Ulisses Lima, num extremo “bairrismo saudável”, usasse a expressão: “Rádio Pajeú, falando para o mundo”.
Havia verdade, nessas palavras, embora até certo ponto discutível, se considerarmos que a penetração da Rádio Pajeú não era de forma efetiva, vez que, seu alcance se estendia mais à noite.
Voltando ao tema, hoje, a Pioneira do sertão Pernambucano e qualquer outra emissora de “um quilo” de potência pode se dar ao luxo de propalar que está “falando para o mundo”. Isso porque, na atualidade, consegue-se a junção Rádio/Internet. Nesse “casamento”, é possível levar o som e a voz da Rádio Pajeú para os confins do universo. Ai é onde mora o PERIGO: A Rádio Pajeú já não é ouvida APENAS aqui no nosso âmbito “familiar”. Os nossos acertos e nossos erros alcançam dimensões de audiência, incalculáveis. O mundo nos escuta!
É preciso que se tenha o cuidado no que se diz e como se fala. É preciso, para fazer uma boa figura, lá fora, caprichar na linguagem, evitar erros crassos de português e, quanto possível, evitar a linguagem chula. Afinal, disse o Mestre dos Mestres: “O mal é o que sai da boca do homem!”
Para que se consiga o melhor conceito da Rádio Pajeú, lá fora, principalmente diante daqueles que não nos conhecem, faz-se necessário que seus profissionais sejam reciclados constantemente, inclusive na Língua Portuguesa e Dicção, em busca do aperfeiçoamento. Isso é elementar, ninguém sabe tudo. E o profissional que não se recicla, será ultrapassado, inexoravelmente.
Sei que este meu comentário é contundente e poderá ferir suscetibilidades, mas minha preocupação é com a Rádio Pajeú, com o que poderão - lá fora - pensar de nós, que somos por ela representados.
Preocupa-me que a emissora seja admirada, não só pelo pioneirismo e por sua ousadia em realizar com mínimos recursos aquilo que as grandes empresas realizam com equipes numerosas e dinheiro farto.
Em síntese, aqui vai a sugestão para a alta cúpula da Rádio Pajeú: Já é hora de ter em seu corpo administrativo, um Ombudsman . Para quem não tem afinidade com o termo, que, aliás, é intraduzível, ao pé da letra, significa Alguém que deve ter a missão de criticar os erros da própria empresa, notadamente, aqueles erros persistentes que os microfones não escondem, jamais. E, façamos um “mea-culpa”, não é raro ouvirmos um locutor falar algo que só pode ser fruto da falta de atenção.
Errar é humano, mas procurar evitar o erro é inteligente e muito mais produtivo, principalmente naqueles que se propõem à comunicação de massa. Para a correção desses erros, é que existe o Ombudsman, que tem a missão de proporcionar uma ligação entre a Rádio e os Ouvintes.
Todos os grandes jornais escritos e grandes emissoras têm o seu Ombudsman. Seria uma ouvidoria em busca do melhor para todos. E isso não é demérito nem para a Rádio, tampouco para os seus homens e mulheres da palavra.
Aqui fica a sugestão e espero que não me queiram mal, pois só tive, como sempre tenho, a intenção de ajudar e querer o melhor para a nossa Rádio Pajeú. Afinal, é através dela que nós, sertanejos, falamos para o Mundo!
E como falamos para o mundo - em alto e bom som -, com a sua baixa qualidade de transmissão pela internet, como nos informam nossos contatos de várias partes do país? Onde está a falha? Que o Ombudsman entre em ação para corrigi-la!
Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 13 de abril de 2011
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