AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje

CRÔNICAS / POESIAS / OPINIÃO

LUCIANO CAMPOS BEZERRA

Advogado e cronista afogadense

 

 

 

 

 

A SAUDADE DOS TEMPOS QUE VIAJARAM NO TREM
E NÃO VOLTARAM...


No momento estou às voltas com a preparação de uma defesa para um Júri, porém, não consegui resistir e deixar passar em branco essa relíquia que nos foi presenteada pelo Fernando Pires... sempre ele! A chegada do trem na estação...
Quanta lembrança nos vem e quanta saudade. Isso sem falar na estupidez dos governantes que se dobraram diante das multinacionais e sucatearam até acabar com a malha ferroviária do Nordeste. Enquanto na Europa se dá prioridade ao transporte de trem, aqui no Brasil, a opção é pelas carretas que danificam as estradas, encarecem os preços dos fretes e ceifam milhares de vidas humanas nas estradas esburacadas desse imenso Brasil.

Mas, no meu livro - Relembrações - faço referência ao trem e a festa que era sua chegada todas as manhãs e tardes, na estação. Lá no livro eu digo assim:
Afogados era uma festa todas as tardes, quando o trem chegava à estação. Era como uma obrigação que tínhamos: ir para a estação às 09 horas da manhã e às 05 horas da tarde; não perdíamos o “bigú” naquele trem que fazia parte do nosso mundo de fantasias.
Quando o monstro de ferro dava partida, cada um de nós escolhia uma porta e, ali pendurado, dava um passeio” até que o comboio aumentasse a velocidade, quando saltávamos. O desafio era para ver quem saltava mais distante. Foi numa dessas que diante da velocidade já avançada, dois de nós fomos saltar lá no “Costa”, correndo o risco de sermos esmagados pelas rodas do trem.

O pátio da estação fervilhava de gente: eram vendedores de cocadas, bolos de mandioca, tapioca, cafezinho, frutas sazonais, enfim, aquele formigueiro humano só dispersava, ao sinal de partida, quando o trem seguia para Serra Talhada para voltar no outro dia pela manhã, com destino ao Recife.

À espera dos eventuais passageiros, formavam fileira os Ford-29 de Toreba, de Iraclides (meu pai), José Panqueta (meu tio), de Augusto (sacristão) e outros mais. Havia ainda o ônibus de Jola (de Tabira) e outro ônibus, o de Toreba, que faziam linha regular para a cidade de Tabira.

Até logo que o trem das recordações já vai partir...

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, Pe, 02de fevereiro de 2010

 

 

SAUDEMOS A TURMA DO PIJAMA
E DO CHINELÃO...


A pujante e indomável Cachoeira de Paulo Afonso é cantada em versos pelo Rei do Baião, Luiz Lua Gonzaga, citando Delmiro Gouveia, Apolônio Sales, Eurico Gaspar Dutra e Getúlio Vargas.
No nosso caso, o “garimpeiro” Fernando Pires mergulhou a “bateia” e foi buscar no caudaloso rio de valores afogadenses as pepitas preciosas que contribuíam, cada um no seu segmento, para a formação dessa comunidade que tem muito a agradecer pelos relevantes serviços que prestaram às gerações posteriores.

Encabeçando a lista vemos o Zé de Góes, hoje um autêntico “bon vivant”, que preside as sessões do “Senadinho”, que se reúne todas as noites, ao lado da Catedral, onde são repassadas as notícias de destaque do dia. O Zé de Goes e seus parceiros de “senadinho” revivem as mesmas reuniões que aconteciam, na década de 60, na Praça Joaquim Nabuco, lá em Recife, para onde acorriam, todas as noites, impreterivelmente, os afogadenses residentes na capital e aqueles que estavam em trânsito, que levavam e traziam notícias dos filhos distantes.

E vemos Dona Ivone que singrou e continua com seu inseparável Doutor Aloísio Arruda a singrar “mares de tempestades e bonança” ao longo de uma vida a dois; Dr. Aloísio esse FANÁUTICO doente incurável, que um dia deixou sua Surubim, chegou aqui, grudou e não quis nem queremos mais que ele saia.

Outro “forasteiro” que é afogadense “da gema” é o Dr. Hermes de Souza Canto, a quem o Pajeú deve todo um oceano de gratidão. Aquele médico que chegou por essas plagas nos idos de 40 e no dia 16 de novembro de 1945 uniu sua vida à da bela jovem Terezinha Cezar Veras, pelos laços sagrados do matrimonio.
E nosso reconhecimento estende-se, também, à querida Mestra: Dona Genedy Magalhães, intrépida timoneira do Grupo Escolar Padre Carlos Cottart, por onde passaram várias gerações de afogadenses; no comércio, ainda insipiente da pequena Afogados, é nítida a lembrança do pioneiro Aniceto Elias de Brito com o seu “Bazar das Miudezas”, que priorizava a venda de peças para bicicletas, no memorável “beco de Zezé Rodrigues”.
E, já no ocaso da existência, aquela que tanto fez pela saúde dos enfermos, encontra-se hoje debilitada, nossa querida Dona Carmélia que vive sob o mesmo teto com o nosso estimado Garibaldi, “o Badinho” seu único filho, também debilitado e que deambula, raramente, por nossas ruas, no seu andar claudicante. O Sílvio Leandro, hoje também usuário do pijama, era um freqüentador das noitadas de longos papos, na referida Praça Joaquim Nabuco, lá no Recife.

O Moxotó nos emprestou por tempo indefinido, um dos seus filhos mais valorosos, o Dr. Raul Cajueiro de Albuquerque. Aqui chegou como Coletor Estadual, ainda solteiro formou uma república, lá na Avenida Artur Padilha, tendo como companheiros, dentre outros: Renato Bernardo Vieira - que era Gerente da Anderson Clayton -, Conrado e outros mais. O Raul Cajueiro “enganchou-se nas barrancas do Pajeú, criou raízes, e, juntamente com sua inseparável Dona Lourdes, aqui ficou e continua a distribuir frutos por uma longa existência de honradez e benemerência.

Já se vão longe os dias em que fumegava a chaminé da padaria de Seu Luizinho Bezerra, oriundo das terras de Ibitiranga e que hoje, meu vizinho, vive a colher nos primeiros raios de sol, as lembranças de quando militou na política nos tempos em que a ética e retidão de conduta eram a tônica dos homens públicos; Sr. João Olegário, outro comerciante de outrora, que, ainda esbanjando vitalidade, prossegue na sua caminhada com sua cara metade, Lúcia Virgínio, outra oriunda da Fazenda Canafístula; Lúcia é mais uma descendente do honrado e saudoso Zé Virgínio.

Na sequência vemos o Zé Coió, que traz em seu currículo uma vida toda de comércio no famoso Beco de Zezé Rodrigues; e seu Andrelino Lucas da Silva, um entusiasta e fundador do Clube ACAI, animado folião e que, no seu ramo de atividade, desbravou para milhares de nordestinos as sendas desconhecidas do Sudeste do país, com a venda de passagens; e o nosso Gastão Cerquinha, que continua a fazer e contar a história de Afogados

Retornando o vídeo-tape da memória, vamos encontrar seu Seba subindo e descendo pelas ruas da pequena Afogados com uma varinha na mão e ligando as lâmpadas da iluminação pública, quando os motores roncavam, por volta das dezoito horas, lá no final da antiga Rua 13 de maio, defronte à casa de Seu Zeca Pereira. Era seu Seba quem fazia, pacientemente, essa tarefa que hoje é realizada pelas fotocélulas.
Dona Ivone já nos referimos acima e Zezinha Martins, figura simpática e outra descendente dos primeiros habitantes que ilustraram a sociedade afogadense; Zezito Moura, uma vida dedicada ao progresso de Afogados, seja como funcionário público, cuidando do erário, seja como político que sempre teve influência nos destinos de nossa terra; João Godê ou João Morais, viu nascer a estrada que liga Afogados a Serra Talhada e, nos tempos da “emergência” fornecia gêneros alimentícios para os cassacos, como se chamavam aqueles que eram alistados nos serviços de emergências implantados pelo governo para socorrer os flagelados da seca; e o Severino Campos ou Severino de Martinha, ainda hoje, do alto de seus noventa e seis anos, nos conta histórias de uma Afogados que “engatinhava” até se tornar essa gigante do Pajeú.

Antônio de Dondon, aquele que operava as máquinas do Cine Pajeú (São José); quando, no melhor do filme, a fita quebrava, ele, coitado, era xingado por uma platéia inteira que lhe acusava de “estar roubando”... Era essa a reação daqueles que estavam vidrados no suspense de mais um episódio de Rock Lane ou Tarzan – o rei das Selvas.
Outro que ilustra o painel é o Chico Guimarães ou Chico Fogueteiro, o nosso Professor Pardal. Chico tinha solução para tudo, desde uma arma encrencada a uma máquina de costura que desregulou o ponto; uma chave que se perdeu ou um cofre que “teimava” em não abrir... Era só chamar o Chico Fogueteiro e a solução vinha de imediato. E, por último, temos o nosso Vicente Veras, que a meninada ouvia dos adultos e repetia: “Vicente Boião”, associando o nome à sua figura superlativa. Vicente ainda vive de suas lembranças, sentado numa sombra prazerosa, em frente à casa de seu pai, o empreendedor da Afogados de tempos idos - o Sr. Guardiato Veras.

Não poderia esquecer Dona Ione, a quem tenho o mais profundo respeito, e vejo nela, que foi uma das minhas primeira professoras, a figura afável de minha mãe. Dona Ione sabe do carinho que lhe dedico, e da minha imensa gratidão por tudo que fez não só por mim, mas, também, por uma legião de afogadenses.

Em seguida vem o Isaías de quem ao lembrar não podemos dissociar a professora Luzinete Amorim, essa tabirense que se metamorfoseou em afogadense e ainda continua na sua profícua lida de educadora. Também a estes, todo o nosso apreço e que Deus prolongue sua caminhada entre nós.

Ao manusear os comandos e botões do computador (essa traiçoeira máquina, para os insipientes e munhecas de pau) deixei de transpor a alusão feita ao meu ilustre vizinho Edvaldo Xavier de Albuquerque, que é tratado pelo vulgo de “Vavá de Toreba”. Esse ex-quase padre, ainda jovem estudou em seminário, mas determinou a Providência Divina que renunciasse à frágil vocação e percorresse outros caminhos. Assim o Vavá é hoje “suportado” pela paciente Carminha, ao longo de uma vida de tranquila união. Vavá iniciou na vida Cartorária ainda no tempo de Luiz Amaral e Dona Estelita; militou e respirou a poeira dos cartórios por muito tempo e hoje se dedica a levar as netas na Escola.
É um dos frequentadores do Senadinho, sob a batuta de Zé de Góes. Por último, pode-se dizer que o Vavá é um sósia do nosso inesquecível Dom Francisco. Não só eu, mas muita gente diz isso. Será que ele aprendeu a se parecer com o bispo no seminário?

Eis, pois, apenas alguns dos nossos ilustres afogadenses... Todos e cada um ao seu modo, contribuíram para a construção desse pedacinho de Brasil que, às vezes, nos causa dissabores mas que, no fundo do coração, amamos como a nossa própria mãe.

Se foi longo o nosso relato, maiores foram os benefícios que trouxeram esses aposentados para todos nós e para aqueles que ainda virão.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, Pe, 26 de janeiro de 2010

 

 

A BABEL DO STRESS

Afogados da Ingazeira viveu nesse início de ano dois grandes eventos: o ARERÊ e, por último, o Encontro de Motociclistas. É indispensável ressaltar a importância de tais empreendimentos, do ponto de vista financeiro. Ambos trazem divisas para a cidade, movimentam hotéis, bares, o comércio em geral. Por outro lado levam a cidade, na lembrança dos participantes, para os mais distantes lugares. Isso é bom, aliás, é ótimo.
Ditos eventos, todavia, que crescem a cada ano, demonstraram, inequivocamente, que a Avenida Rio Branco já não comporta o volume de público que se concentra durante os dias de suas realizações. Não se pode exigir que o som seja baixo, ou que não se toque música. É contrariar a lógica e a própria essência daquelas manifestações. Por outro lado, não se pode usurpar o direito que têm as pessoas de dormir tranquilamente; isso sem falar que não só a Avenida Rio Branco, mas as ruas adjacentes, também, se transformaram em sanitários. A fedentina é uma só. Diga-se, a bem da verdade, que sanitários químicos foram instalados, mas existem aqueles que optam pela lei do menor esforço e, com isso, urinam na primeira árvore, na primeira porta que encontrar.

Além desses dissabores, para não dizer falta de respeito e atentado à higiene e à saúde pública, temos outro problema mais cruciante ainda: durante os dias de festejos, em ambos os eventos, a Avenida Rio Branco fica interditada com a instalação de barracas, stands e palco, causando verdadeiro transtorno à circulação de veículos. Com isso, alguns passam a transitar pela contramão e a balbúrdia se generaliza. Aliás, o trânsito de Afogados da Ingazeira perde de dez a zero para as enlouquecedoras ruas da Índia.
Quantas promessas já se fizeram de que técnicos do DETRAN virão para regulamentar o trânsito e, até agora, nada. Juntem-se todos esses desacertos administrativos e se terá a receita certa para o stress. A esperança que resta - sempre a esperança - é que o Prefeito, segundo foi anunciado, estaria se encontrando nesses dias, em Fortaleza, com alguém, representante da Rede Ferroviária, com o objetivo de se construir no Pátio da Estação um local para a realização de eventos. Isso é mais uma promessa...
Até lá... aguentem: nervos e coração

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, Pe, 25 de janeiro de 2010

 

 

A CULTURA FERVILHANDO
E O POVO FREVANDO


O mundo das letras e, por consequência a história nacional, vem cultuando e rendendo homenagens, nestes dias, ao grande vulto de nossa história - Joaquim Nabuco - que foi, sem dúvida, o maior defensor do abolicionismo. Enquanto historiadores e a imprensa, notadamente do Rio e São Paulo, destacam a figura de Nabuco e sua importância para a nossa história, é curioso perceber como no meio estudantil Nabuco não é tão conhecido. Culpa dos alunos ou dos currículos que não incluem no seu conteúdo programático a vida e lutas de tão importante figura que contribuiu para aniquilar a mácula de nossa história, que foi a Escravidão.

De outro lado, já o povo do Recife e de todo esse Brasil gigante respira e transpira o clima de carnaval. Nesta última semana passei em Recife participando do 2.º Congresso luso-brasileiro de direito, que teve como tema central: O Direito na sociedade de risco - e que foi promovido pela Escola Superior da Magistratura. Devo destacar que minha participação se deu por convite do Exmo. Sr. Desembargador e Presidente da ESMAPE, Dr. Frederico Neves - à Defensoria Pública, o que me oportunizou vivenciar aquele Conclave da mais alta envergadura nas letras jurídicas e ouvir palestras, verdadeiras aulas, dos exponenciais da Ciência do Direito Brasileiro e Português.

Cumpridas as tarefas do Encontro, vivenciei e pude perceber que o Recife já é um frevo só. E com mais ênfase nos vem à lembrança aqueles que fizeram o verdadeiro carnaval que é marco da cultura pernambucana. Daí, começamos por render nossas homenagens ao Grande Capiba e ao seu melhor intérprete Claudionor Germano; no mesmo estilo e com voz parecidíssima, podemos completar o naipe de excelentes interpretes com o Expedito Baracho; aqui falo de intérpretes, pois cantores de frevo surgiram às dezenas; intérprete é diferente. Na linha de compositores, a plêiade é imensa, a partir de Ascenso Ferreira, J. Michiles e tantos outros. Mas o carnaval autêntico de Pernambuco sempre se fortaleceu com a contribuição de Zé Menezes - irmão do nosso saudoso Waldecy Menezes. A Orquestra de Zé Menezes tem o tempero certo do ritmo contagiante e a cara do folião pernambucano.

Transportando-nos para a nossa Afogados, vem a lembrança dos grandes propulsores de nossos carnavais, encabeçando a lista o professor-maestro-compositor-pistonista - Dinamérico Lopes, que era seguido pelos músicos com “M” maiúsculo: Guaxinim, Expedito Abeinha, Tota Vasco e, mais, Mestre Biu, Jabinha, Zé Nenem, Zé Malaia. Só para citar estes que faziam o ACAI ferver com os acordes da Orquestra de Frevos Pajeú. Era esse o nosso verdadeiro carnaval, com o frevo genuinamente pernambucano. Os mais velhos foliões, com suas brincadeiras sadias, porém irreverentes, sem perder a decência nem abater a moral, iam incutindo nos jovens o sentido daquela festa multicolorida que congregava toda uma cidade, no mais puro espírito de amizade e que podia servir de exemplo a qualquer jovem. É certo que havia cachaça, em fartura, afinal estávamos no festejo de momo, porém não faltava o respeito ao pudor e à moral. As músicas carnavalescas, principalmente as de CAPIBA eram verdadeiros hinos ao amor. Aliás, ainda hoje são tocadas, mesmo que raramente, para se comprovar o que aqui se afirma.

Mas o carnaval transfigurou-se... Como exemplo, tivemos o ARERÊ, que não lembra, nem de longe, os “Gritos de Carnaval” no ACAI. Era o 1º Grito e o 2º Grito de Carnaval, quando os salões ficavam repletos, numa demonstração prévia do que seriam os festejos momescos daquele ano que se iniciava.

Esse último ARERÊ, para as pessoas de bom senso, não deixará saudades, com certeza. Aliás, nas “chamadas comerciais” se dizia: “Se você não pode ir à Bahia, a Bahia vem até você”. Como se isso fosse uma novidade. Como se isso não fosse a repetição do lixo em forma de música que querem e conseguem impor às novas gerações de foliões.
O que se viu nesse ARERÊ, felizmente fui poupado por estar fora de Afogados, foram as mesmas excrescências e, como saldo, grande parte da população prejudicada com a poluição sonora que se impõe às pessoas que residem na Avenida Rio Branco e adjacências. A falta de respeito continua... O direito que as pessoas têm ao sossego é vilipendiado com a desídia e a benevolência do Poder Público - aqui falo do Executivo - que já passou da hora de dotar a cidade de um lugar apropriado para grandes concentrações e manifestações desse porte.

É lamentável que Afogados da Ingazeira, que já foi palco de grandes carnavais, seja hoje carente da boa música que é patrimônio cultural de Pernambuco e seja, o que é mais grave, carente de um espaço onde quem deseja possa brincar a noite toda, sem agredir o sossego e até a saúde daqueles que não querem ou não podem - os idosos - participar de tais manifestações culturais.

Para finalizar, quero registrar que nas últimas horas que passei em Recife, recebi a visita do nosso estimado Fernando Pires. Conversamos por mais de uma hora e ele, com a preocupação de sempre, perguntava-me: como está Afogados? O Fernando além de se preocupar com os valores imateriais de Afogados - a nossa história e os que a fazem - preocupa-se com o aspecto físico.
Aguardem-me, Fernando e os demais participantes dessa confraria, que na próxima vamos dar um passeio por Afogados para que os mais distantes percebam a que ponto chegou a nossa querida terrinha.

Um abraço e votos de um carnaval com o autêntico frevo e muita paz, acima de tudo

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, Pe, 23 de janeiro de 2010

 

 

O Rádio que era o xodó do meu pai

Naquela manhã de domingo ensolarado, na companhia de Fernando Pires, visitamos a residência-tesouro do nosso amigo Zezinho Marceneiro, no bairro Borges. Ele nos recebeu com muita cortesia e, depois de saber o motivo de nossa visita, passou a nos mostrar sua imensa coleção de rádios antigos. É uma preciosidade: rádios de várias marcas, modelos e alguns, na maioria, com mais de 40 anos de fabricados; alguns deles, com mais de 50.

Além dos rádios, há também uma infinidade de radiolas, em pleno funcionamento. O colecionador, além de ser um apaixonado por rádios, dedica-se ao melindroso trabalho de recuperá-los. Para cada exemplar de sua coleção ele tem um breve relato sobre o ano de lançamento, a marca do aparelho, suas qualidades técnicas, e assim ele fica extasiado, deixando-nos admirados por seus conhecimentos no assunto.

Depois de percorrer várias dependências da casa, observando cada exemplar apresentado, descemos para uma parte subterrânea e lá encontramos mais rádios. Dentre eles, um me chamou a atenção. Fiquei paralisado diante daquele Rádio lá no canto de uma prateleira, todo empoeirado, porém, em perfeito estado de conservação. Não podia ser o que eu estava pensando... as lembranças do tempo de criança me vieram como um filme que a gente assiste, com todas as cores.

E o Zezinho não parava de falar, mostrando outros rádios, com as explicações técnicas, que o Fernando ouvia atentamente. Eu estava como que petrificado, absorto em minhas reminiscências. Com receio de ofender os brios de um colecionador, perguntei ao Zezinho se ele vendia algum dos seus rádios. Ele disse-me que, no caso de exemplares duplicados, seria possível se fazer negócio. Demoramos algum tempo e nos despedimos. Andamos ainda pela cidade, mas o rádio não me saía da cabeça.

No outro dia passei a averiguar sobre o destino que havia tomado o rádio que era o “xodó” de meu pai. Pergunta daqui, pergunta dali, e ninguém sabia onde fora parar o rádio. Ainda relutei um pouco, até que no outro domingo fui ter com o Zezinho em sua residência. E lhe disse que estava ali para comprar aquele rádio Mullard. Ele me disse que o rádio estava com uma válvula queimada, e que não seria interessante fazer negócio naquelas condições.

Eu insisti e lhe perguntei de quem ele havia comprado o rádio. Ele me disse que não lembrava, mas a pessoa que lhe vendera falou que aquele rádio pertencera “àquele homem que dirigia uma caçamba da Prefeitura”. Nessa hora “tremi nas bases” e com voz entrecortada lhe disse: “Aquele homem era meu pai”. Depois disso, notei que o Zezinho percebeu o meu interesse pelo rádio e me falou: “O rádio é seu. Sei que você vai guardá-lo com carinho. Na sua mão ele está melhor que aqui em casa”. Passei-lhe o cheque com o preço ajustado; coloquei o rádio no banco da frente do carro, como quem conduz uma criança frágil e cheguei em casa, radiante.

Ao me ver com aquele rádio nos braços, Ivanise, minha mulher, perguntou entre surpresa e curiosa, onde eu havia encontrado aquele objeto, motivo de tanta euforia. Fui lhe explicar todo o ocorrido e, juntos, passamos parte da manhã daquele domingo limpando o rádio, escovando, tirando a poeira, enfim, dando-lhe um tratamento todo especial. Em determinado momento, ao virar o rádio, encontrei, escrito à mão as iniciais: IB, feitas por meu pai... com a sua letra. Era ele mesmo, aquele rádio pertencera ao meu pai: Iraclides Bezerra. Ele tinha o costume de marcar com as suas iniciais todos os seus objetos. Não havia mais dúvida.

Foi naquele rádio que, ainda criança, na Avenida Rio Branco, ouvi as notícias da inauguração de Brasília, no dia 21 de abril de 1960. Lembro que meu pai ligou uns fios na bateria do carro, e as pessoas se aglomeraram para ouvir as festividades que o rádio transmitia na inauguração da Capital Federal. Só depois consegui entender o propósito de Juscelino Kubitschek de construir Brasília, o colosso da engenharia fruto da competência de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

Aquele rádio, que ocupava lugar de destaque na sala de visitas, era ligado todas as noites e meu pai ouvia as notícias da Voz do Brasil. Ele, sempre curioso, ia girando o botão de sintonia e me explicava os nomes das rádios sintonizadas: Rádio Sociedade da Bahia, Rádio Globo do Rio de Janeiro, Rádio BBC de Londres - para o Brasil; Rádio Excelsior da Bahia, Rádio Jornal do Commercio. E eu ficava maravilhado. Foi assim que aquele rádio me fez crescer culturalmente, recebendo notícias do mundo. Algumas informações, tenho certeza, contribuíram para o meu amadurecimento, pois entendo que somos o produto da sedimentação de informações ao longo da vida.

Talvez eu esteja sendo enfadonho com essas lucubrações, mas, se você chegou até aqui, colocando-se no meu lugar, vai entender que aquele rádio, mesmo mudo como está no momento, me transmite sons e imagens que só o coração pode escutar. “O Essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração.” Antoine De Saint- Exupéry, lembra?
Nele vejo a imagem do meu pai. E hoje, o meu querido e velho amigo - Rádio Mullard - ocupa um lugar de destaque na sala de minha casa e ali ficará, por tempo indefinido, a me transmitir sons e imagens do passado.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, Pe, 26 de novembro de 2009

 

 

O CONJUNTO RESIDENCIAL MIGUEL ARRAES NÃO TEM ÁREA DE ATIVIDADES CULTURAIS E RECREATIVAS

O Conjunto Residencial Miguel Arraes sempre foi motivo de controvérsias. Ainda hoje o Governo Municipal é alvo de críticas a respeito da distribuição das casas, quando, comprovadamente, os critérios de distribuição foram estabelecidos por uma comissão apartidária e, até prova em contrário, isenta de injunções exteriores.

Outro aspecto que se deve observar é que naquele Conjunto de proporção considerável, haja vista que comporta uma população de crianças e adolescentes - em torno de 600 habitantes - não foi incluído, no projeto, uma área de lazer, um espaço para atividades culturais, um salão, digamos assim, onde se possa reunir aquelas crianças e adolescentes para atividades lúdicas. Existe, apenas, e tão somente, uma quadra, em construção. Nada mais. E o que vemos são as crianças brincando na terra, na poeira, pois o calçamento prometido ainda não chegou.

Existe um trabalho (social voluntário) desenvolvido pela professora Luciete Martins, que deve ser olhado com mais carinho pelo Governo Municipal. Aliás, estou sabendo, e agora torno público, que a Professora Luciete Martins solicitou do Governo Municipal autorização para utilizar uma casa que se encontra ociosa e nela concentrar as atividades com as crianças; a permissão não foi dada de pronto, mesmo diante dos justos argumentos apresentados pela professora.

Na mesma oportunidade solicitou que fosse destinada uma área onde ela pudesse, juntamente com a comunidade, construir um local para as reuniões e atividades culturais e recreativas. Também não recebeu resposta positiva. Em resumo, a professora está aguardando que seu pedido seja apreciado e percorra toda a buRRocracia, até que se chegue à conclusão óbvia: o Conjunto necessita URGENTEMENTE de um espaço onde se possa ocupar aquela gente, principalmente as crianças, com atividades (culturais) e de lazer.

Espero que o prefeito Totonho consiga entender o alcance da obra que a Professora Luciete Martins vem fazendo diuturnamente naquela comunidade, preenchendo uma lacuna deixada pelos Governos Estadual e Municipal.

O que digo, aqui, ninguém me contou. Eu sei por que passo diariamente naquele Conjunto e vejo as crianças ao relento. Como vejo, constantemente, a professora Luciete Martins no meio deles, sempre levando algum lenitivo para amenizar as agruras daquelas crianças.
No momento, a professora está empenhada em promover o Natal das crianças do Conjunto Miguel Arraes. E está pedindo a parceria de todos para que se proporcione um sorriso naqueles rostinhos inocentes, mesmo que seja um sorriso amarelado pelas agruras que só são lembradas pelos “salvadores da pátria” no momento oportuno - PARA ELES, salvadores. É bom lembrar que 2010 está chegando, e, com ele, as promessas de sempre.

De tudo que foi exposto, fica o registro: um Conjunto Residencial, com mais de 600 crianças e adolescentes, onde não há espaço para atividades recreativas e culturais. Errou feio o arquiteto...

Por uma questão de justiça, destaco o trabalho da professora Luciete Martins que, “nadando contra a maré”, vem fazendo muito mais e falando muito menos que os “profissionais do voto”. Ela me assegurou que, mesmo com uma resposta negativa do Governo Municipal, irá construir um espaço para as atividades recreativas no Conjunto Miguel Arraes.

Só espero - eu, Luciano Bezerra -, que, depois da obra pronta, não venham os oportunistas que estão, até agora, na inércia, reclamar a “paternidade da criança”.
O momento de abraçar a causa é agora. Depois de pronto, falar é fácil.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, Pe, 22 de novembro de 2009

 

 

ORGIA FINANCEIRA PATROCINARIA O SUPÉRFLUO

Um amigo enviou-me um texto de autoria do craque (inativo) Tostão. Não o considero ex-craque. No contexto vê-se toda a indignação de Tostão pela notícia que está sendo ventilada de que o Governo (Lula) estaria com a ideia de “premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil reais cada um dos campeões do mundo brasileiros, em todas as Copas”. E Tostão afirma, literalmente: “Não há razão para isso. Podem tirar o meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia”.

Essa tomada de posição do honesto Tostão nos dá um alívio. Pelos menos um já declarou que repele ideia tão esdrúxula, para não dizer IMORAL. Onde está a moralidade, ao se premiar com o dinheiro público pessoas que já foram premiadas durante a vida? No mesmo raciocínio, está sendo anunciado o Programa “Bolsa Celular”. Outro desmando, outra “orgia financeira”, que será compulsoriamente patrocinada pelo povo brasileiro. As opiniões contrárias vão se disseminado sob os mais ferrenhos argumentos. Entendo que, antes de telefone celular, a grande maioria precisa, urgentemente, de saúde, segurança e moradia. Isso sim; Celular é supérfluo.
Mas o celular poderá salvar uma vida, em momento de extremo perigo, facilitando o pedido de socorro de uma ambulância do SAMU, diria alguém. E pergunto eu: de que adianta chegar rápido no hospital se lá não tem medicamentos, nem médicos de plantão para prescrevê-los. Antes de Celular, e com a montanha de dinheiro que será gasta nesse Programa, o Governo poderia adquirir ônibus para o transporte de estudantes da zona rural, eliminando a triste cena dos nossos jovens serem transportados em paus-de-arara (o que, aliás, é proibido pelo Código de Trânsito Brasileiro), financiados pelo Governo.

Aqui fica o nosso repúdio às medidas acima: Prêmio a ex-jogadores e Bolsa Celular, que são, repita-se, uma afronta ao trabalhador que ganha migalhas e, depois de aposentado, mais uma vez, recebe um tratamento aviltante.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 14 de novembro de 2009

 

 

AFOGADOS DA INGAZEIRA - UMA CIDADE QUE NÃO É SÓ RUÍDO E CAOS

O Poeta Dedé Monteiro, com sua fértil e prodigiosa imaginação, nos leva a dimensões variadas através da poesia. Do épico ao trágico, do satírico ao inebriante sentimento do amor. O magistral tabirense vai navegando e levando-nos a reboque de seu estro maravilhoso.

Pincei uma parte de - FIM DE FEIRA - para mostrar o contraste da “feira de Dedé” com a nossa feira da Afogados da Ingazeira que pretende ser civilizada. Na “feira de Dedé” tem a figura do jumento que chega a ser comovente pela inteligência demonstrada por um ente que é estigmatizado como símbolo da falta de senso. E diz o poeta:

Um jumento estropiado, / Magro que só a desgraça
Quando vê que a feira passa / vai prá frente do mercado
O endereço ao danado / eu não sei quem diabo ensina
Eu só sei que baixa a crina / entre as cinco e as cinco e meia
Lancha, almoça, janta e ceia / depois que a feira termina.

Já na nossa feira, o quadro é deprimente. Estávamos nós, na Travessa Tiradentes, quando avistamos a aproximação de uma carroça de burro, transitando pela contramão, vindo da Praça de Alimentação rumo a Barão de Lucena. A CARROÇA VINHA CARREGADA, PELAS ALTURAS, COM CARNE PARA SER VENDIDA À POPULAÇÃO. De início lamentamos não ter como registrar o fato, pois estávamos desprovidos de uma máquina fotográfica. Perdemos a imagem.

Não demorou muito e lá vem um rapaz conduzindo um carrinho de mão, transportando carne. Nesse momento, com um celular registramos o fato para que alguém tome as providências. Salvo o engano, o Governo Municipal adquiriu um caminhão, tipo baú, adaptado para o transporte de carne do matadouro até os açougues. Onde está este veículo? E onde está a Vigilância Sanitária? É preciso que esse órgão desperte da letargia e passe a trabalhar para justificar todo o dinheiro que a população gasta com a manutenção do próprio órgão e o salário dos funcionários. A carne que você consome é transportada por carroça de burro ou em carinho de mão. É só conferir.

Alguém pode pensar e até dizer que já é implicância essa repentina abordagem sobre o trânsito de Afogados da Ingazeira. Mas a imagem que tivemos hoje diz mais que qualquer palavra. Em plena Rua Barão de Lucena, por onde flui o tráfego advindo da Manoel Borba, flagramos neste fim de feira, “não um jumento na frente do mercado”, mas, DUAS CARRETAS PARADAS EM FILA DUPLA.

As fotos não deixam dúvidas. Isso é sinônimo de falta de ordem; faltando ordem, falta, obviamente, a Lei e faltando a lei que representa o Poder, conclui-se que se concretiza o que os gregos conceituavam como: anarquia. E Aurélio registra como sendo: “negação do princípio da autoridade. O trânsito de Afogados da Ingazeira, até então, é isto: bagunça generalizada, ANARQUIA. Alguém duvida?

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 7 de novembro de 2009

 

 

PASSOU A FESTA... BORROU A MAQUIAGEM

Passada a euforia das comemorações do Centenário, Afogados da Ingazeira encontra-se com a “maquiagem” que lhe fizeram para aqueles eventos totalmente borrada.

No pequeno trecho de rua que faz ligação entre a Avenida Rio Branco e Rua Senador Paulo Guerra, o que se vê é um exemplo perfeito de falta de civilidade. É elementar que para se viver em coletividade deve-se ter estrita observância aos princípios básicos de convivência. Nunca esquecer que o seu direito termina onde começa o meu. No caso presente, é o contrário. Alguém se acha no direito de produzir o lixo, lá nos seus domínios, e para se livrar do incômodo, vem depositá-lo na porta do vizinho; no caso, se trata de uma anciã que, por Lei específica, merece respeito redobrado. Sem contar que o lixo que vai se acumulando agride, também, aos princípios de higiene. Onde está a vigilância sanitária que não vê fatos dessa natureza e que vem se repetindo diariamente?

No trevo que dá acesso ao futuro CEFET, já concluído pela construtora, não se pode passar, pela irresponsabilidade da Companhia Telefônica que deixou um cabo rente ao chão, interditando a passagem de veículos por aquela artéria. Esse descalabro já vai há mais de 30 dias. Ninguém toma qualquer providência: nem a Companhia infratora, nem o Governo Municipal, a quem compete o poder de polícia, para disciplinar a vida do município. E o povo que pagou pela obra fica impedido de usufruir dela por incompetência generalizada dos órgãos que deveriam agir mais e falar menos. Se puderem, provem-me o contrário.

Hoje, dia de finados, foi grande a afluência de pessoas aos dois cemitérios de nossa cidade. No cemitério velho - São Judas Tadeu - é possível que se faça a visita à noite, pois neste tem iluminação. Já no novo - Parque da Saudade -, o que se vê é uma “gambiarra” que ilumina apenas uma pequena parte que fica mais próximo da entrada.
Mais um ano se percebe o descaso com que são tratados os nossos mortos e os vivos também. É inaceitável que numa necrópole onde existem mais de 15 mil corpos sepultadas, não se disponha de iluminação. Acrescente-se, ainda, que o Cemitério novo que foi planejado, com um mapa delineando todos os lotes, encontra-se grande parte num total desacerto, onde não se obedece o traçado original, numa prova de que cada um ali faz como quer. O resultado é o caos que vai se acumulando até que não se tenha mais como solucionar o problema, a exemplo do Cemitério Velho, onde até para se andar entre as sepulturas, comete-se, inevitavelmente, o desrespeito de pisar, pular sobre os túmulos, pois não há outra alternativa.

Novembro chegou e com ele está prevista a vinda dos Técnicos do DETRAN que, segundo o vice-prefeito Augusto Martins, em entrevista à Rádio Pajeú, assegurou que estarão sinalizando toda a cidade. Não deixa de ser um avanço, pois a sinalização atual já está obsoleta e não atende às necessidades do volume de trânsito, principalmente no centro da cidade.

Deve-se lembrar, todavia, que sinalizar não basta. Além do sinal deve existir FISCALIZAÇÃO rigorosa e punição aos infratores. O trânsito de Afogados da Ingazeira, comparando ao de qualquer outra cidade, é uma verdadeira “roleta russa”. Passar num cruzamento é jogar na loteria. Motoqueiros não respeitam a lei de trânsito, ultrapassam pela direita; andam em alta velocidade; carroceiros circulam em qualquer sentido sem serem incomodados; ciclistas arriscam a própria vida, pois para eles qualquer sentido de trânsito é permitido.
A Polícia Militar, mesmo diante de um flagrante delito de trânsito (e isso acontece a cada minuto em nossas ruas) permanece inerte sob a alegação de que para agir, teria que haver um convênio firmado entre o Governo Municipal e o Comando da Polícia Militar. Eu discordo desse posicionamento e o faço com respaldo no art. 301 do Código de Processo Penal que assim dispõe:
Art. 301 - Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes DEVERÃO prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
Já o Art. 302 do Código de Processo Penal, diz: “Considera-se em flagrante delito quem: I - está cometendo a infração penal; II - acaba de cometê-la. Acrescente-se que o Código e seus dispositivos acima citados, não faz exclusão dos delitos de trânsito, logo, é DEVER da Polícia COM ou SEM convênio REPRIMI-LOS.
Por hoje é só. Aqui ficamos com: lixo na rua; trevo interditado e trânsito louco.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 2 de novembro de 2009

 

 

Olha o Natal aí, gente!

A máquina do tempo prossegue, celeremente, na sua jornada. Logo mais estaremos vivendo o clima de Natal e as esperanças de um novo ano. Falta pouco; apenas 58 dias. Neste ano que já vai “dobrando a última esquina do tempo” fatos ficarão marcados como lições às gerações que nos sucederem. E a política ou os que a fazem, dão-nos motes para muitos comentários. Há exemplo do nosso Presidente que se saiu com mais uma “verborragia” atraindo para si comentários de censura da comunidade católica e seguidores do Cristianismo. Pois, o filósofo de Caetés, com sua costumeira oratória metafórica, imiscuiu Cristo nas artimanhas usadas pelos que sentem pavor de afastar-se do Poder.
Poder e Fama. Isso é uma “arma” perigosíssima, quando não se sabe usar, quando não se está preparado para exercê-los. Aquele que se encontra no cume do Poder, principalmente quando o Cargo é transitório, deve agir com parcimônia e nunca, nunca esquecer que o seu poderio começa a findar a partir do primeiro minuto de sua assunção naquele mesmo Cargo. A vaidade, porém, entorpece a mente levando o governante (ou famoso) a pensar e dizer coisas que chocam e revelam o seu verdadeiro âmago.

É difícil esquecer-se de uma frase do João Batista Figueiredo, que foi repercutida em todos os jornais. O então Chefe da Nação declarou, com todas as letras: “prefiro o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo”. O que podemos esperar de um Mandatário que prioriza seus cavalos em detrimento dos cidadãos? Aquele outro, lá de São Paulo, revelando seu senso de Justiça, seu caráter, não vacilou e bradou esta: “Estupra, mas não mata”.
Aqui me pergunto: Se lhe fosse dado escolher para uma filha ou uma neta, com qual alternativa ficaria o Maluf? Ainda de São Paulo, tivemos o Quércia que se vangloriou ao término de uma campanha, revelando: ”Quebrei São Paulo, mas fiz meu sucessor”. Isso é, no mínimo, falta de escrúpulo. É expor, descaradamente, o jogo sujo que permeia todo processo político no Brasil. Quebrar São Paulo significa dizer que os cofres ficaram vazios em busca de uma vitória conseguida a troco de corrupção, da compra de consciências. Essa praxe é generalizada.

Aqui, bem pertinho de nós, alguém que é endeusada por alienados, já disse: “em política, feio é perder”. Lá vem Maquiavel: “... o fim justifica os meios”. Fora do âmbito dos políticos, tivemos mais um exemplo perfeito de que a Fama pode “erodir” princípios morais e sentimentos mais nobres do indivíduo; basta lembrar que um dos rapazes de Liverpool, no auge da Fama chegou a dizer que eles, os Beatles, eram mais conhecidos que Jesus Cristo. Por menos que isso, milhares foram dizimados pela Santa (?) Inquisição - acusados de heresia.

Mas, não esqueçamos: o Natal nos acena ali do horizonte bem próximo. Lá em Brasília já estão trabalhando a todo vapor na confecção dos Cartões que serão enviados aos milhares. Tudo por nossa conta: o papel, a impressão, a postagem nos Correios. Isso faz parte da liturgia do cargo (não é Sarney?). Quando você menos espera o carteiro deixa em sua porta um cartão multicolorido com uma mensagem comovente e a assinatura – mecânica - daquele Deputado ou Senador que você nunca falou com ele, nem por telefone. Mas ele sabe que você existe (???). Ele faz questão de cumprimentá-lo e enviar-lhe uma mensagem natalina. Pura hipocrisia. Imagino o que comentam eles, quando estão na ceia de Natal tomando o melhor escocês, no mais requintado reveIllon, tudo também às nossas custas.

Para você que é vítima, igual a mim, dos Judas aliados do Lula, desejo, antecipada e sinceramente, que o Verdadeiro Cristo ilumine a todos nós; dê-nos o discernimento para separar o joio do trigo; que continue sendo nosso Líder Maior nesse Novo Ano que não tarda a chegar.
Saúde, paz e fraternidade a todos

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, Pe, 26 de outubro de 2009

 

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