AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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Tadeu Goes

CRÔNICAS E CONTOS

JOSÉ TADEU DE GÓES (*)

 

 

 

 

 

 

RÁDIO PAJEÚ DE EDUCAÇÃO POPULAR LTDA

O título acima foi a razão social com que a nossa querida Rádio Pajeú se registrou, juridicamente, como sociedade comercial. A proposta de agente educacional trazida em seu estatuto vem sendo honrada, sem qualquer dúvida. Talvez alguém questione a pertinência entre a radiocomunicação, como praticada pela Pajeú há cinco décadas, e a educação. Tem tudo a ver, pois a pioneira do sertão pernambucano, no tempo e no espaço, e a seu modo, com os recursos tecnológicos e humanos com que sempre contou ao longo de sua história, contribuiu sobremaneira para a educação e a cultura, seja dos ribeirinhos do Pajeú, seja dos ouvintes das mais remotas regiões que tiveram e têm a oportunidade de captar suas ondas sonoras e sua mensagem.

Para o sociólogo canadense Marshal McLuhan, o meio é a mensagem, e a comunicação é a extensão do ser humano, assim como qualquer ferramenta ou instrumento apto a suprir eventuais ou permanentes deficiências de ordem mecânica, funcional ou operacional do ser humano. Suponho ficar assim entendido que a radiocomunicação, como meio de mensagem e de interação entre as pessoas, facilita a percepção e a apreensão do conhecimento e do saber a todos disponíveis mas nem sempre por todos captados e devidamente bem utilizados e socializados.

Em 1964, naquela que considero uma das mais importantes de suas obras - A Galáxia de Gutemberg -, McLuhan previra que muito em breve o mundo tornar-se-ia uma Aldeia Global e as pessoas de todos os quadrantes seriam os seus habitantes. Segundo aquele estudioso das ciências da comunicação como suporte para a educação, "Uma rede mundial de ordenadores (computadores, em Portugal) tornará acessível, em alguns minutos, todo tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro". A teoria de McLuhan soou utópica para muita gente, pois os rudimentos de internet, na época, eram privilégio exclusivo de poucos centros militares norte-americanos e soviéticos, durante a Guerra Fria. A visão do cientista também foi restritiva, pois elegeu como futuros beneficiários da rede de computadores, apenas estudantes. McLuhan subestimou a importância da radiocomunicação, priorizou a televisão e mostrou ter uma noção pouco precisa do que viria a ser o atual fenômeno da internet, o seu alcance e abrangência.

Em 1959, quando a Rádio Pajeú falou aos quatro ventos, nem se sonhava com internet, televisão só se captava nos grandes centros, muitas pessoas não tinham acesso a revistas e jornais, mas no sertão pernambucano e noutras plagas todos escutavam a Pajeú, mesmo que apenas de passagem pela calçada do vizinho. Sob a ótica de McLuhan, é inegável que a Pajeú era a única mídia a muitos disponível e, portanto, importante meio de interação entre os seus ouvintes, sendo destes a sua extensão, do ponto de vista cultural e educacional, como propôs por McLuhan em 1964. Quando a Rádio Pajeú emitiu suas primeiras ondas, suas primeiras mensagens, corria o ano de 1959.

José Tadeu de Góes
Recife, 04/09/2009

 

 

DEAMBULAÇÕES

Na boquinha-da-noite, numa sexta-feira dessas qualquer, depois de um dia de aulas e de trabalho, fui perambular pelo centro do Recife. Bangolei precisamente pela Boa Vista, rememorando as trilhas que fiz há vinte e seis anos, quando bancário, solteiro e então sonhando ser jornalista. Naquela tarde vadiei e tomei umas cervejas, que ninguém é de ferro.

Pois bem. Passava pela Rua do Hospício, lembrando da romepeige de Afogados da Ingazeira e tentando identificar mais alguns dos cenecistas que tiveram a honra de ser alunos do Padre Antônio quando da fundação do Ginásio Monsenhor Pinto de Campos. Eu ia sobraçando um monte de livros, meu caderno de apontamentos diários e duas fitas de vídeo que tratam de uma matéria de direito que hoje muito me interessa – o processo civil. O considerável peso dos livros obrigou-me a dar uma parada e depositar todo aquele trambolho sobre um batente de janela que só depois me dei conta tratar-se do Instituto Pernambucano de História e Geografia, ou algo parecido.

Nisso sou barrado por um senhor negro de aparentes oitenta anos, portador de invejável energia – ou lepidez, para sua idade. E o que resultou daquela abordagem? Ocorreu que fui interpelado num linguajar que fiquei em dúvida se se tratava de um dialeto banto ou nagô, ou de inglês de porto: - Dizizeibuque! Ante a surpresa e o inusitado, blefei: - Bush, o presidente? -Não sabe o que é buque? -Ah...livro, não é? -E buquinrende? -Livro na mão – arrisquei de novo. -Ah...você inda se cria! E o negro velho desapareceu entre a multidão, depois de haver se derramado num sorriso generoso e bonachão, feito um Pai Dudé das senzalas de que tanto tratou Gilberto Freyre. Para mim o “você inda se cria” soou, naquele instante, como: - Você ainda tem futuro!

Mas, que futuro reserva este país para um cidadão de quarenta e nove anos, que dormita diariamente numa sala-de-aula em meio a um grupo de jovens que têm, todos, idade de ser seus filhos, ruminando o terceiro ano dum curso de graduação em direito? Findo o curso, o que mais poderá me aguardar é um concurso para a magistratura, ou para o Ministério Público. E olhe lá.

Havia poucos instantes eu acabara de ler um artigo do famoso criminalista Damásio de Jesus. Na matéria ele se reporta à estória de um sapo que resolveu participar de uma disputa. O objetivo era atingir o alto de uma torre. No local havia uma grande multidão assistindo ao certame. Começado o embate, a multidão não acreditava que os sapinhos pudessem alcançar o alto da torre, e o que mais se ouvia era: – Que pena! Esses sapinhos não vão conseguir. Os sapinhos começaram a desistir, mas havia um que persistia e continuava a correr na direção do topo. A multidão continuava gritando: – Que pena! Vocês não vão conseguir. E os sapinhos estavam mesmo desistindo, um por um, menos um que continuava tranqüilo, embora cada vez mais cansado. No final da competição, todos desistiram, menos ele, que chegou vitorioso ao alto da torre. A curiosidade tomou conta de todos. Queriam saber o que tinha acontecido. Foram perguntar ao sapinho como ele havia conseguido concluir a prova. E ficaram sabendo que ele era surdo. Segundo a mensagem trazida pelo referido texto, se um dia alguém disser que você não vai alcançar um objetivo incansavelmente perseguido, dê uma de sapo.

Não permita que pessoas com o péssimo hábito de negativismo derrubem as melhores e mais sábias esperanças do seu coração. Lembre-se sempre: há poder em suas palavras e em tudo o que você pensa. Portanto, procure sempre ser positivo. Resumindo: seja surdo quando alguém lhe diz que você não pode realizar seus sonhos. A bem da verdade confesso que, naquele dia, para uma boca-de-noite de sexta-feira, eu estava meio ressabiado. Portanto decidi que posso até fazer ouvido de mercador; e devo, como tenho feito, fingir que não vejo nem ouço o óbvio ululante, mas decidi não dar ouvidos especialmente para mim mesmo, em meus momentos de receio, pois já há outras pessoas encarregadas de dizer que o alto da torre perseguida por mim e pelos sapos é inatingível.

Assim, resolvi ensurdecer ante os incrédulos e pessimistas, e continuarei a relembrar dos sábios incentivos e da história do Doutor José Nogueira - meu velho e estimado professor de ginásio. Outra pessoa de quem jamais esquecerei é aquele negro velho de dentadura saudável e cabelos esbranquiçados pelos tempos e ventos do cais do porto.

Enfim, resolvi que, a partir daquela sexta-feira, vou ser uma espécie de sapo mouco e, - quem sabe? – talvez um dia eu ainda me crie e alcance uma torre qualquer, dessas que estão aí desafiando os intrépidos. Recife, 08 de setembro de 2002.

Recife, 08 de setembro de 2002

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O RIO DA MINHA ALDEIA

Na minha adolescência li um romance que me deixou pensativo até hoje. Trata-se de “Enterrem meu Coração na Curva do Rio”, do norte-americano Deed Brow, no qual se denuncia o antigo hábito ianque de dizimar as minorias sociais. Daquela feita foram os indígenas norte-americanos, que em seu território já se encontravam quando da chegada dos colonizadores europeus, inclusive dos judeus-holandeses saídos do Recife, da atual Rua do Bom Jesus, antiga Rua dos Judeus, no Bairro do Recife, no ano de 1654, quando, em lá chegando, compraram dos nativos, por sessenta dólares, a Ilha de Manhattan e fundaram então Nova Amsterdã, hoje Nova York. Aquela leitura provocou em mim crucial impasse, induzindo-me à dúvida de se o título um dia seria meu epitáfio ou a epígrafe de um rabisco qualquer, que às vezes faço.

Quando morei em Limoeiro do Norte, no Ceará, servindo à comunidade como bancário, certa vez tive a oportunidade de me deleitar com a leitura de um livro de crônicas do jornalista e poeta Luciano Maia, que conheci num bar. Luciano é limoeirense, trabalhou em algum jornal daqui do Recife na década de setenta e é irmão do Desembargador Federal Napoleão Maia, conterrâneo do também Desembargador José Maria Lucena – a benção Doutor Zé Maria – e do poeta Majela Colares, todos do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, do Recife, a que tenho a honra de servir. Fui do Gabinete do Doutor Zé Maria e hoje integro a equipe do Desembargador Paulo Gadelha, paraibano de boa cepa, de Sousa, que é parede-meia de Uiraúna, onde também laborei como bancário há cerca de quinze anos. Uiraúna é a terra de Luíza Erundina e do jornalista e poeta José Nêumane Pinto, radicados, ambos, em São Paulo. 

Da leitura de Luciano Maia extraí o seguinte trecho, do poeta romeno Lucian Blaga: “Ao princípio,/ à mesma fonte,/ água nenhuma retorna / senão em forma de nuvem./ Ao princípio, à mesma fonte,/ nenhum caminho retorna, / senão em forma de dor./ Caminho, água, nuvem, dor, /que serei ao retornar ao princípio, à primeira fonte?/ Serei nuvem? ou serei dor?” 

Às vezes me pego tentando associar o título daquele romance com o trecho de poema acima transcrito, e com o fragmento a seguir, de Fernando Pessoa: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” Por supor conhecer mais rios que o vate português, às vezes ouso ensaiar um esboço do curso da minha vida – meu curriculum? – sem qualquer pretensão, mas tão-somente em homenagem aos rios com que – ou com quem? – tenho intimidade, cumplicidade até. 

Em 1970, com dezessete anos, buscando ensino público, então bom e de graça, fui parar no Colégio Agrícola Dom Agostinho Ikas, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, no município de São Lourenço da Mata, mais conhecido como o Colégio de Tapera porque, localizado a nove quilômetros da BR 232, tinha acesso pelo Distrito de Tapera, hoje redenominada Bonança, pertinho de Vitória de Santo Antão, terra da cachaça pernambucana.   

Depois de Tapera, a volta. A primeira volta, depois da primeira saudade de casa. E daí, do Vale do Tapacurá, a volta para o Pajeú, para onde houve muitas idas e voltas. A Segunda foi para o Vale do Salgado, precisamente para Lavras da Mangabeira, no Ceará, onde concluí meu segundo grau porque a Barragem de Tapacurá inundou minha pretensão de em Tapera me formar Técnico Agrícola – “capa-gato” -, título que só consegui lograr no Ceará.

De Tapera voltei para casa. Trabalhei um tempo com o melhor patrão imaginável: “seu” Luiz da Antártica – nada tenho contra as outras marcas, mas adoro mesmo é uma braminha. Em 74 entrei no Banco do Brasil, em Afogados, e aí começou a história: de Afogados fui para o Capibaribe – o Cão sem Plumas de João Cabral de Melo Neto; depois, a segunda volta. Do Pajeú fui para o São Francisco, Belém do São Francisco, onde participei da fundação da Agência do Banco do Brasil, em 1978. De lá prestávamos serviço às comunidades baianas de Abaré, Chorrochó,  Rodelas e Macururé.  Depois, a terceira volta.

Daquela vez para Flores, onde também fui pioneiro do Banco do Brasil, em 1979. Fui para o Pajeú de Flores.  Flores dos Santana, onde foi concebido meu primogênito Jefferson, hoje estudante de História da Universidade Federal de Pernambuco e já soletrador das primeiras aulas em conhecido colégio particular do Recife, como monitor - Colégio Atual.

Do Pajeú de Flores fui trabalhar em Garanhuns, Capoeiras, Canhotinho, nos vales dos rios Una e Canhoto – este assim denominado porque corre “contra o mar”. Em Canhotinho também fui pioneiro. De lá fui para a Paraíba, para o Rio dos Peixes – Uiraúna, pertinho de Sousa. Nesta nasceu Aninha, minha caçula. Minha outra filha, Mirella, nasceu em Garanhuns, depois de Jefferson, que assim pedi para batizar em memória do meu padrinho Jefferson Patu, de Sertânia, soldado de polícia, colega, amigo e compadre do meu pai, e merecedor, pois, de toda a minha atenção. Meu pai era Pedro Góes, Pedro Soldado, Pedro de Bastinha.

Da Paraíba fui para o Vale do Pirapama, para o Cabo de Santo Agostinho, onde – até que a história oficial prove em contrário - Pinzón pisou antes de Cabral chegar à Bahia. Do Cabo fui para Jaboatão dos Guararapes, onde morei em Candeias, quase em Barra de Jangada, no aceiro do Rio Jaboatão, na beira do mar.                                     

Depois de tantas andanças fui parar no Ceará, em 93, nas margens dos cúmplices Banabuiú-Jaguaribe, onde deixei o Banco do Brasil ao ensejo de um plano de demissões voluntárias instituído pela empresa. Do Rio Jaguaribe voltei para o Capibaribe, em 97. Depois, não sei haverá mais alguma volta. Acho até que, ao sair de Limoeiro, encontrei o meu Norte. Passei grandes dificuldades, hoje superadas; aos quarenta e sete anos voltei a estudar e hoje vejo promissoras perspectivas para quando vier a concluir o curso de Direito que estou fazendo. 

Mas, por que tantas divagações? Porque outro dia entrei na homepage de Afogados da Ingazeira e me lasquei. Porque entrar naquela página provocou, em mim, efeito inusitado, difícil de descrever, porém ensejador de agradável saudade da minha terra. Referido sítio remete à memória do afogadense ausente uma verdadeira profusão de nomes, imagens e fatos sociais, políticos e culturais não só de Afogados, mas também de outras localidades a ela historicamente ligadas, como Tabira, Carnaíba, Solidão, São José do Egito, Princesa Isabel e outras tantas. 

A partir da rememoração de fatos relevantes ou corriqueiros, bem como da menção de pessoas ilustres ou simples - Dom João, Pedro Maravaia, Zé Doido, Lode -, pude fazer uma releitura da minha vida: pude resgatar, pelo menos ilusoriamente, minha remota e irreversível infância que para trás ficou com sonhos e fantasias, porém sempre a me impulsionar para o inatingível futuro, que é vivenciado no presente, no dia-a-dia, no aqui e agora, com todos seus senões e perspectivas. 

Penso que sou mais saudosista do que muitos dos meus conterrâneos também ausentes, mas duvido que os sentimentos acima expostos sejam privilégio meu - exclusivamente meu. Para simbolizar meu permanente estado de evocação das coisas de Afogados, elegi o Rio Pajeú, que nem é gente nem é fato: é a causa primeira da existência de todas as cidades ribeirinhas do nosso vale e, portanto, berço de todos os filhos de todas suas cidades-filhas. 

Naquele verso de Fernando Pessoa é como se o Tejo fosse o rio de apenas uma aldeia. É como se o poeta tivesse pretendido estabelecer o vínculo de cada rio a apenas uma aldeia, o que é geograficamente impossível, mas permitido ao poeta em seus devaneios e projetos quiméricos. 

E o que é que o meu Rio Pajeú tem a ver com isso? Tem tudo a ver porque, em toda a sua extensão, o Pajeú não é particularmente igual – cada um em seu terreiro – para o pajeuzeiro de Afogados, para o de Carnaíba e para o de Flores. Ele não é igual nem mesmo para quem, como eu, tenha nascido na primeira e morado também nas demais: em Carnaíba, no início dos anos 50, quando meu pai serviu como policial militar; e em Flores, quase trinta anos depois, quando ali servi como bancário. O mesmo rio banha aquelas três cidades, mas é como se fossem rios diferentes, porque o telurismo de cada cidade é ímpar. E assim sempre será. 

Em relação ao Rio Pajeú, não pretendo parafrasear o poeta porque, mais do que o rio, o ribeirinho conhece bem o seu rio, mas só o conhece até o limite do que permitirem os seus olhos, suas lembranças e seu coração. Só é possível conhecer bem o rio que seja contemplado a partir de suas margens; ou, com base em dizer cearense do Vale do Jaguaribe, onde já disse haver morado – Limoeiro do Norte -, só é possível conhecer o rio, “do beiço do rio”. Ao que acrescento: e só até onde a vista alcançar. 

De modo que o Pajeú de Afogados é diferente daquele que a antecede, ou daquele que dela se distancia, porque foi ali que bebi minha primeira água; foi naquele trecho que vadiei quando criança; foram aquelas águas que, nas cheias de 60 e 67, invadiram minha casa, quintal a dentro, até chegarem à sala em que foram pranteados meus pais, e, mais remotamente, meus bisavós; e, entre uns e outros, meu irmão Fernando, que por aquelas águas foi tragado e delas resgatado para ao pó retornar. 

O Pajeú de Afogados da Ingazeira é, pois, o trecho de rio que mais conheço, e aquele a que mais amo, porque o demais de sua extensão nada tem a ver com minhas perdas e meus desenganos. Ele pode ser tanto ou quanto importante para os diversos filhos de suas diversas aldeias, porém para cada um de acordo com o modo de ver e de sentir seu rio e sua aldeia. A minha é Afogados, a mais especial de todas as aldeias, e o Pajeú é o rio que corre por minha aldeia, onde quero que meu coração seja enterrado, em qualquer curva.  

Não sei se isso será possível. Não sei se haverá volta. E, se houver, de que forma voltarei? Em forma de caminho, de rio, de nuvem, ou de dor? 

Recife, 25 de novembro de 2001

 

(*) Cronista. Advogado afogadense

 

  
   

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