AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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CRÔNICAS E CONTOS

Hélio Noronha de Deus

Bancário aposentado (BB), advogado e cronista mineiro. Nos anos 70 trabalhou no BB Afogados da Ingazeira e Flores, retornando anos depois para a sua terra natal em Minas Gerais.
Sempre demonstrou amor pela terra e o povo que o acolheu

 

 

 

Fotografia 1979

Reviro-me na cama procurando o sono que se perdeu. Não o encontro. Silêncio no quarto, no apartamento, na quadra... Brasília dorme. De quando em vez uma sirene ao longe: bombeiros correndo a socorrer algum incauto entusiasmado pela planura das vias...
O mostrador do relógio ao lado da cama informa: três e vinte sete. Da noite, ou da madrugada?

Aguço meus sentidos e não consigo ouvir cão algum ladrar. Em Brasília não há cães nas ruas. Não sei onde eles estão... mas sei onde eles ladram.
Imediatamente perco-me nas lembranças de uma vida inteira e o pensamento que desnorteia o mais fiel dos saudosistas, busca as barrancas do Rio Pajeú.
Não venham perguntar-me a razão.

Não há razão para as lembranças e as memórias. Lembrança é uma coisa esquisita que fica ali, quieta, olhando de lado, como quem não quer nada, só esperando a hora certa (ou incerta!?) chegar, para fazer-se presente.

Transporto-me a Afogados da Ingazeira nos idos de 79.
Estou acordado ali, em um quarto de segundo andar, porque o calor não me deixa dormir. Ouço os ruídos da noite: alguns grilos noturnos, uns poucos sapos por aí... Alguns cães ladram longe, outros perto. Em um esforço de concentração posso reconhecer o lapso de algum rádio ainda ligado a essas horas... um resquício de Luiz Gonzaga a entremear-se no véu de prata que a Lua derrama sobre a cidade. Aqui não há escuridão: é noite, mas a luz brilha fatuamente pelas paredes, através das árvores que vejo ao chegar até à janela ou à varanda. Ao depois do Pajeú, ao longe, a massa de pedra da serra brilha na noite. Gosto de ver isso da varanda.

Agora já principia a soprar a brisa costumeira que anuncia a madrugada.
Esfria.
Não é o frio que conheço das Minas Gerais. É somente o prazer de arrefecer o quente que ainda dorme nas pedras das ruas em lembrança do dia inteiro de sol, o calor que amassa as almas torcidas de saudade. Eis a diferença: lembrança é só memória, saudade é falta no peito.
O que sinto é saudade.

Afogados dorme enquanto sonho acordado. Não fosse incomodar outras pessoas, eu ligava o som e começava a quebrar esse silêncio de minha alma. Poderia ser Gonzaga, porque “minha vida é andar por este País...”. Poderia ser Gonzaguinha: “explode coração!” , mas o que eu queria mesmo era Valença a dizer-me que “a solidão é fera, a solidão devora...”. Mas fico quieto. Apenas me dou o luxo de ir até à varanda e olhar os ares...

E fico imaginando os sonhos das pessoas que dormem, sem nem saber que estou acordado: algumas sonham com a difícil e quase impossível chuva nessa década de seca. Amaro dorme o sono dos tranquilos porque conhece o caminho da distribuição dos jornais. O varredor de ruas sabe que terá que varrê-las novamente pela manhã. Zezito salta em sonho pelas ruas, sonhando cartas entregues e livros lidos. Dr. Hermes e Dr. Jesus auscultam a espera do fim das doenças. Zefinha sonha com as roupas que amanhã lavará e deixará passadinhas... Dona Estelita sonha com escrituras.

Zé Gago já está acordado para sair de viagem. Severino sonha com o ótimo negócio que fará na feira de sábado. Dr. Aluísio sonha com Brizola voltando. Dona Duda antevê com o café da manhã que servirá aos hóspedes. O vigilante da rua não dorme: de vez em quando apita para demonstrar que está acordado e que é vigilante.

João do Cortiço sonha Nelson Gonçalves enquanto Waldecy Menezes declama ao microfone da Rádio Pajeú. O Tenente Arruda sonha com comunistas sendo presos. Edson Bigodão flutua entre Baco e Morfeu, ao som de Vandré.
Na Estação ninguém mais sonha: o trem quase já não passa, mas enquanto FHC não vem, ainda passa, dia sim, dia não. Expedito acorda assustado porque, em seu sonho, o trem atravessa no meio da Câmara de Vereadores.

Ademar sonha sonetos e versos ouvindo o poeta-Pai. O Prefeito-professor Mariano sonha em ser Deputado e em fazer o sucessor. Dr. Orisvaldo nem sonha com a Prefeitura! Perto da ponte, na saída pra Tabira, João, com 11 anos, sonha em ser artista. Outros, mais de quarenta iguais a ele, sonham em ter comida.

Na casa do Bispo, Dom Francisco dorme. Ele não sonha. Ele constrói acordado durante o dia, porque sabe que os sonhos demoram muito...

Hélio Noronha
Brasília-DF, 13 de maio de 2011

 

 

 

Caro Ademar e demais colegas desta página...

Na questão sem pé nem cabeça que criou vulto em razão da opinião miúda da estudante paulista, entendo que não existe nenhum "movimento separatista" contra o Nordeste. Isso é coisa de gente pequena, que perdeu as eleições e fica procurando justificativas para sua incompetência. Se analisassem com cuidado os resultados, veriam que o Nordeste apenas acompanhou a tendência nacional de apoiar um Governo que administrativamente vem dando certo e que tem resultados estatísticos positivos para mostrar: no geral, a vida melhorou nos anos LULA, embora ainda tenhamos inúmeros e graves problemas.

Registro aqui, entretanto, que na eventualidade irreal de que a separação viesse a ocorrer, eu buscaria autenticar minha NACIONALIDADE PERNAMBUCANA e Pajuezeira e Afogadenses que está solidamente fincada nos meus sentimentos, migrando imediatamente para o NORDESTE. Haveria, ainda, um lugarzinho pra mim?

Hélio Noronha
Brasília/DF, 11 de novembro de 2010

 

 

A Poesia de Dedé Monteiro

Enquanto a vida passa mansamente
Para alguns e para outros, violenta,
Assisto aos embates do destino
Que mostram as pessoas por inteiro.

E sinto-me feliz porque fluente
No sentimento que a cada dia aumenta,
Na medida em que eu me afino
Com a poesia de Dedé Monteiro.

Hélio Noronha
Brasília/DF, 26 de outubro de 2010

 

 

Em tempo de Vuvuzelas...

Enquanto meus olhos fecham-se para a realidade do som irritante e massacrante das “vuvuzelas” que envolvem o prédio onde moro, a cidade onde moro e o país onde moro, meu pensamento voa para os tempos da copa do mundo de 78... Essa mesma, aquela em que a Argentina preparou-se para ser – e foi - campeã, sob os braços e abraços da FIFA, que fechou os olhos à ditadura, aos generais, à morte nos subterrâneos dos quartéis...
O Brasil era a melhor seleção.
Tinha Reinaldo, tinha Zico, tinha Nelinho e mais um montão de craques, mas tinha um monte de milicos conscientes que seus “colegas” precisavam “levantar o caneco” pra reduzir um pouco as críticas...

Com a tabela nas mãos e o regulamento bem decorado, controlando os resultados, os embolsos e os desembolsos, a Argentina goleou o Peru e afastou o INVICTO Brasil da copa...
Naquela época eu morava – e vivia, isso é o mais importante – em Afogados da Ingazeira.
Eram – também - os tempos duros da ditadura brasileira. O famigerado AI-5 vigia com toda sua pompa e circunstância. Lembram-se bem disso o Edson Bigodão e o Ademar. Lembraria, com certeza, o Bartó, se aqui estivesse... (e o Tenente Arruda).

Passaram-se 32 anos. O que mudou?
Na esfera do futebol “los hermanos” ganharam mais uma copa e “estão” bicampeões do mundo. Nós ganhamos mais duas e “estamos” pentacampeões...
Que mais? ALCANÇAMOS A DEMOCRACIA LEGAL.
A Constituição de 1988, instalada e conduzida democraticamente, deu ao País, um LIVRINHO que chegou a ser chamado pelo “velho” Ulisses de “Constituição Cidadã”.
Eram outros os tempos e eram outros, o povo e o País.
Creio eu que a Sociedade Brasileira, por se sentir, então, tolhida em sua liberdade, desejou criar uma Carta que permitisse tirar o homem de sua situação escrava para oferecer-lhe um caminhar e o crescer.

Entre outros partidos, assim pensaram o PCB (hoje PPS), o PMDB, o PT, o PSB, o PDT, o jovem PSDB, criado em 20.6.1988, apenas 105 dias antes da promulgação da Constituição, quando o texto já estava praticamente concluído... (Aliás, a grande parte dos Tucanos veio do PMDB).

Dos considerados “grandes partidos”, o antigo PFL, hoje DEM, juntamente com os “restos” do PDS, formando o histórico “Centrão”, posicionou-se contrário a muitos avanços conquistados na Magna Carta, principalmente aqueles que representavam ganhos para os trabalhadores. Embora seja corrente que o PT não “assinou” a Constituição de 88, segundo o Deputado José Genuíno, isso não é verdade. Ele lembra que Lula foi um dos Constituintes e que o PT fez uma ação de protesto, registrando ressalvas ao texto porque “entendiam que era possível avançar mais na ordem social, nos direitos trabalhistas, na questão da reforma agrária, na Defesa Nacional e nas atribuições das Forças Armadas".

Parece-me que desde 88 avançamos.
Os primeiros passos foram lentos, mas avançamos.
Elegemos o Professor Fernando Henrique duas vezes e deu no que deu.
Elegemos Sindicalista Lula duas vezes e deu no que deu.
Quem viveu esses últimos 16 anos sabe...
Hoje Portugal não fez gol na Costa do Marfim.
O Brasil fez só dois gols na Coréia do Norte.
É isso, com vuvuzelas... ou sem elas, avançamos!

Hélio Noronha
Poços de Caldas/MG, 15 de Junho de 2010

 

Minha Menina

Foi amor à primeira vista.

Cheguei suarento, cheio de poeira e com o corpo cansado, ao final de tarde daquele 31 de março de 1978 para assumir função no Banco do Brasil. O último trecho da viagem de quase três mil quilômetros foi o caminho de terra e cascalho que existia entre Serra Talhada e meu destino, hoje asfaltado. Recebeu-me uma paisagem diferente daquela à qual meus olhos estavam acostumados e senti no corpo o calor da Caatinga, percebi o reflexo do sol nos paredões de pedra das serras, entendi o significado de lonjura...

Saído do sertão mineiro, das planuras do Cerrado na entrada do Planalto Central, pertinho de Goiás, onde piam as Seriemas, espreitam os Lobos Guarás e os Tamanduás Bandeira caminham surdamente, onde vicejam os Pequizeiros e as Sucupiras por léguas e léguas, distâncias apenas quebradas de quando em vez pela exuberância das Veredas e a imponência dos Buritis em que Tuviras e Araras fazem seus ninhos e agridem o silêncio dos Gerais com seus gritos e fuzarca a cada entardecer, meu coração apequenou-se de saudade.

Mas foi um momento apenas. Um tique só que passou quando adentrei nos limites pertencentes à Menina e percorri vagarosamente e curioso, toda a extensão da Manoel Borba, a primeira rua percorrida.

Era-me tudo novo e diferente: o lugar, o clima, as casas, a gente...

No primeiro contato humano, já me deparei com diferenças no palavreado, anunciando a dificuldade enorme que teria para “traduzir” o linguajar nos dias que se descortinariam.
Mas eu era jovem e persistente.

De todas as dificuldades da vida, uma das maiorais e que mais pejo causa ao ser humano novato e inexperiente, é o aproximar-se de gente estranha e lançar assunto, entabular conversa nova, amealhar causos e resultar em prosa que decifre o donde, o para quê e o por quê dos verbos da vida, fazendo a justificação da estadia e o providenciamento da semeadura de uma possível convivência.

Foi isso o que eu tentei fazer no entardecer daquele 31 de março de 1978, no bar chamado Gruta da Praça. Foi o que fizemos nós, Ivanildo, Ademar, Fernando Pires, Zé Carlos “Bode”, Frazão, “Ferrugem”, eu e os demais que ali estivemos presentes, onde o violão de Fernando Lagartixa, algumas porções de tira-gosto e um tanto certo de álcool tiveram um papel fundamental de quebrar o gelo e abrir as comportas do possível e do inimaginável...
Ali mesmo, naquele primeiro contato, comecei a decifrar a língua e a alma dessa gente, iniciando-me no vício bom da dependência pelo sentimento de estar e “ser” Nordestino do Pajeú. Ali mesmo começou a minha relação de amor e pertença com a Menina por quem me apaixonei.

Com essa Princesa querida convivi presencialmente por algum tempo, amparado que fui pela amizade de grandes e inesquecíveis Pajeuzeiros, muitos dos quais já conversam em outras dimensões, embora sua lembrança e presença em alma sejam uma constante e um refrigério para quem os conheceu e desfrutou. Desnecessário citar nomes. Quem me conhece sabe de quem falo.

O importante é render aqui, a homenagem à minha doce Menina, minha Princesa, pela qual me apaixonei um dia e o amor grudou como marca de ferro em brasa, para nunca mais se apagar.

Por algumas vezes as agruras da vida nos separou fisicamente e passei muito tempo sem revê-la. Mas, volta e meia estou aí, cheirando de novo esses ares, sentindo de novo na pele o sol da manhã e a conhecida brisa do entardecer, sem falar no brilho das noites de lua cheia.

Minha doce Menina sabe de meu amor por ela e nem carece mais ninguém saber. Sou-lhe grato pelo abraço receptivo que recebi quando cheguei pela primeira vez e pela alegria que me transmite à alma a cada vez que volto para revisitá-la.

A distância afastou-me fisicamente de minha Princesa, mas tenho acompanhado constantemente a sua vida, o seu dia-a-dia, seu crescimento. Não sou egoísta: gostaria de dividir com todos a possibilidade de ser amado por ela e que todos a amassem como eu a amo, com o mesmo carinho e respeito, entregando-lhe – principalmente aqueles que com ela convivem fisicamente - o esforço possível para mantê-la íntegra, a cada dia melhor e mais saudável, a cada dia mais amorosa e receptiva, a cada dia mais humana e solidária.
Ela tem um futuro enorme pela frente, embora esteja comemorando seu primeiro centenário. Para mim é a minha eterna Menina, eterna namorada, minha Princesa do Pajeú. Eu te amo Afogados da Ingazeira!

Hélio Noronha
Julho de 2009

 


Gastão Cerquinha da Fonseca


Chega às minhas mãos, por uma deferência toda especial de Zé Coió e Tila, um volume do “Afogados da Ingazeira Retalhos de sua História”, obra do prezado Gastão Cerquinha.

Desnecessário dizer que a obra foi escrita com amor.

O sentimento mais nobre encontra-se destilado em cada página, com o cuidado tomado ao longo dos anos, na compilação dos dados, na formatação dos textos, no colecionar das fotos.

Parte grande desse sentimento ultrapassa cada palavra e alcança as mãos que manuseiam o livro, os olhos que percorrem as frases e fotos, a mente que retorna às ruas de Afogados, à sua gente simples, cheia de virtudes.

Gastão nos tira da real para nos lançar no imaginário dos primeiros dias de Afogados. Da formação do povoado à constituição das famílias e da história, ao conhecimento dos perfis daqueles que, de alguma forma, construíram e ainda estão construindo essa bela cidade. E seu trabalho não é aquele costumeiro dos historiadores que simplesmente coletam dados e os publicam friamente. Gastão reveste seu trabalho de humanidade, de carinho, da emoção do pai que conduz o filho em seus primeiros passos, em suas primeiras palavras. 

Desde a dedicatória ao falecido irmão Paulo “empenhado em viver para servir”, passando pelos agradecimentos aos parentes e colaboradores; pela homenagem ao Marcos, seu sobrinho e nosso amigo, que nos deixou tão jovem ainda e “cujo prazer era servir ao seu semelhante”; pelo emocionante reconhecimento “àqueles que, anonimamente, dentro de suas limitações, trabalharam e ajudaram a transpor as dificuldades que a vida oferece”; até chegar ao conteúdo de cada capítulo, Gastão transfere nitidamente à sua obra, a sua formação humana de grande caráter, seriedade, trabalho, honestidade, simplicidade, amor ao próximo e às origens.

Afogados da Ingazeira saberá reconhecer, de seu filho ilustre, o benefício que é oferecido àqueles que precisam saber de sua história, notadamente quem está ocupando hoje os bancos escolares. Em cada sala de aula do Município deveria estar disponível um volume da obra de Gastão para a leitura de todos os estudantes. É assim que se protege a história. É assim que se reconhecem os grandes. Parabéns, Gastão!

Hélio Noronha
Brasília/DF, 22 de setembro de 2003

 

 

Lembranças!

As dobras do tempo não conseguiram esconder todas as lembranças e imagens dos poucos anos que vivi em Afogados. Aprendi a amar essa terra como se aí houvesse nascido. E ainda amo. Ainda sinto nas veias o calor das tardes, a intensidade da luz de seu céu, o desenho do perfil de pedras da Serra no horizonte, o brilho do sol na torre da Catedral, o gostoso de uma sombra de algarobeira.

Vejo-me novamente em uma mesa de bar, na Praça Monsenhor Arruda Câmara, a olhar as pessoas que passam, ouvindo algum som nordestino envolvendo o ar. E a força da recordação traz-me de volta as figuras humanas que tive o prazer de conhecer e que permanecem guardadas nos arquivos da memória: Dom Francisco, Zé Coió e Tila, Totonho Valadares, Dr. Jesus, Minéu, Ernesto Mariano, Zezito do Correio, Raul Cajueiro, Amaro do jornal, Antônio Mariano, Dr. Aloísio Arruda, Expedito Araújo, Luizinho da Cabana, Paulo Veras, Fernando do Pilão, Raimundo Pires, Dr. Orisvaldo, Vicente Veras, Luzinete Amorim, Gedeão e tantos outros, sem falar nos colegas de trabalho do Banco do Brasil de então.

Tantas pessoas, díspares à primeira vista, mas cada uma, além das qualidades próprias, carregando em seu interior esse "sentimento", essa "energia" que aproxima as pessoas do Sertão e que nos permite, quando temos a oportunidade de com elas convivermos, ficarmos mais felizes, sermos mais "gente"...

Alguns já se foram para o outro lado da história; viraram história. A maioria ainda aí está, a respirar os ares de Afogados.

À distância, olhando as imagens de Afogados que a Internet me permite, caminho de novo por essas ruas e praças. Abraço cada uma dessas pessoas amigas, converso um pouco com cada uma, dou boas risadas e comemoro, fora das limitações do tempo e do espaço, o privilégio de ter morado em Afogados, de ter ouvido o som de suas palavras. E o milagre se faz e me sinto afogadense...

Hélio Noronha
Brasília/DF, 19 de agosto de 2003

 

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