AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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CRÔNICAS / CONTOS / OPINIÃO

 

EDSON COSTA DE SIQUEIRA, o Bigodão

 

 

 

 

 

Caro amigo Luciano, depois de ler a sua explanação
Cartão Vermelho para os Fichas-Sujas”,
não foi possível, para mim, deixar de fazer algum comentário.

Na realidade, meu caro amigo, a frase “ópio do povo”, transportou-me para o ano de 1970 quando uma velha raposa “verde-amarela”, então General Presidente (que talvez realmente gostasse de futebol), utilizando-se da doentia euforia popular, colocou aqueles que pregavam mudanças (talvez meros instrumentos nas mãos hábeis de raposas vermelhas), numa situação complicadíssima perante o povo, exatamente por mostrar que a ditadura estava tirando proveito do doentio ardor por tal esporte.

E, registre-se meu amigo, naquela época, em nível de Brasil, apesar da existência da possessão a qualquer custo, tanto no âmbito das agremiações, quanto na esfera das Federações e da própria CBF, o mercantilismo do futebol estava apenas começando. E, no fundo, alguns dos “craques” daquela época deixavam transparecer algum profissionalismo ou quem sabe: patriotismo.

Em relação à conservação das nossas rodovias, particularmente as “nossas estradas sertanejas”, conforme te falei quando da minha última viagem a Afogados, eu não tive condição de continuar ouvindo uma entrevista concedida, dias antes, por um nobre conterrâneo que, de forma irrefreável defendia a atual gestão estadual, colocando-a num patamar muitíssimo superior àquele comum aos simples seres humanos. Da mesma forma, não posso omitir o asco que me causam os comentários e posicionamentos de alguns “comunicadores” aos atuais governantes, bem como à manifestação de eterna gratidão ao chefe do Poder Executivo Estadual, feita por alguns políticos, em decorrência da realização de obras de asfaltamento, ligando a sede dos seus municípios a uma PE intransitável, exatamente pelo descaso das autoridades competentes, que, quando visitam a Região, o fazem por via aérea.

Meu caro Luciano, quanto à Saúde Pública, no caso particular do Pajeú, a impressão que me causa, sempre que alguém da área concede uma entrevista, é que está falando para ouvintes de outros países, pois, mesmo admitindo, quando provocado, algumas falhas, procura sempre responsabilizar “terceiros”, quando não, a própria população carente que deveria ser atendida. No caso de Caruaru, onde atualmente resido, a situação talvez seja bem pior. Relembro, mais uma vez, que, há alguns anos, nosso amigo Chiquinho da Oficina, foi encaminhado para o HRA depois de sofrer um AVC motivado, por incontrolável hipertensão arterial. E, mesmo contando com uma recomendação especial, o referido paciente, ficou durante vários dias numa precária enfermaria, e, em uma das visitas que eu costumava fazer, tomei conhecimento que, por mais de 12 horas consecutivas, a sua pressão arterial não havia sido aferida. Após a reclamação que fiz junto ao médico de plantão, tomei ciência de que: “O único tensiômetro disponível era o da UTI e não podia ser sair daquela unidade”.

Quanto à educação, ouso sempre fazer um comparativo com a nossa época de aprendizado onde iniciávamos com a “Cartilha do ABC”, depois: Curso Primário, Exame de Admissão, Curso Ginasial, Curso Científico, Clássico ou Técnico, para pensar numa faculdade. Hoje, no que pese toda a tecnologia disponível e, em alguns casos, disponibilizada, a parte mais importante, ou seja, o educador (o ser humano) continua sem merecer o devido respeito dos Poderes Constituídos. E o pior é que, os Secretários, os Gestores, os Administradores e/ou Diretores em geral, salvo raríssimas exceções, são “programados” para defender o atual modelo em função do nome do governante (seja qual for o ente federado) e nunca como uma obrigação estatal.

Nesse aspecto, ou seja, na prioridade absoluta e primordial de marketing governamental, que tem prevalecido de forma crescente e incontrolável em todos os níveis, entra a questão da Segurança Pública, muitas vezes com operações fantasiosas, acompanhadas pela mídia para provocar o respeito da massa de manobra. No entanto, várias delegacias de polícia, vários destacamentos, continuam esquecidas, alguns sem nenhuma infraestrutura; Viaturas continuam quebradas ou sem combustível; falta papel para impressoras, etc.

Em relação ao Sistema Prisional, devo registrar que, aqui em Caruaru, no que pese todas as dificuldades possíveis e imaginárias, inclusive com a superlotação de mais de 1000%. Isso mesmo, mais de mil por cento, a direção do presídio Plácido de Souza tem feito um de trabalho de reeducação muitíssimo importante, mas, é uma questão de “caráter pessoal”, pois, as dificuldades são idênticas e sempre crescentes.

Lembro-me que, em outubro de 2008, na condição de acadêmico, participei do “Seminário Sobre Homicídios no Brasil” que aconteceu no Fórum João Elísio Florêncio, nesta cidade de Caruaru, e contou com a presença de figuras como Arthur Trindade da UnB, Renato Dirk do Instituto de Segurança Pública do RJ, Dalva Souza da Universidade Federal de Goiás, José Maria Nóbrega da UFP, Gláucio Ary Dillon Soares da IUPERJ, Letícia Schabbach da Universidade de Santa Catariana, Elizete Ignácio da Fundação Getúlio Vargas, também do ilustre Promotor de Justiça Dr. Marcellus Ugiette.

Durante o evento, o coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Criminalidade e Violência, e Assessor Especial do Governador de Pernambuco para a área de Segurança Pública, foi questionado pela Coordenação do Curso de Direito de uma Faculdade desta cidade, vez que, o tempo todo, substituía as instituições pelo nome do Governador do Estado. O palestrante tentou explicar fazendo comparativos, mas, como inevitavelmente acontece, “a emenda saiu pior do que o soneto”. Foi algo grotesco.

Também, causam-me nojo, as coalizões que estão acontecendo de forma crescente em nome da tal “governabilidade”, termo demais usado por um “ilustre” e “imaculado” Senador da República, figura conhecidíssima no cenário brasileiro por conta de uma pensão alimentícia.

No dia 29 p/passado, foi publicada no blog do Magno Martins uma nota onde, numa entrevista ao programa Roda Vida da TV Cultura a candidata Dilma Roussef teria dito: “[...] QUE PRETENDE, SE ELEITA, TER LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA A SEU LADO COMO CONSELHEIRO E CONDUTOR DAS REFORMAS TRIBUTÁRIA E POLÍTICA”. Continuando, afirma “[...] RECONHECER A POSSIBILIDADE DE UMA APROXIMAÇÃO COM O PSDB”. (Grifo nosso)

Por fim, meu amigo, eu quero afirmar que não custa nada exercitar ou por em prática o nosso sonho. Assim, e em conformidade a sua convocação: “Vamos usar o instrumento da Ficha-Limpa como critério pessoal” confesso que o usarei de forma consciente e tranquila. EU VOTO NULO.

Edson Siqueira
Caruaru, 29 de junho de 2010

 

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   Edson Costa de Siqueira

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