EDSON COSTA DE SIQUEIRA, o Bigodão
Bancário aposentado (BB), cronista e acadêmico de direito, reside em Caruaru, depois de longos anos morando em Afogados da Ingazeira, cidade que ele muito ama.
Nos anos 60, durante a Revolução - Repressão Militar -, o então jovem Edson bigodão, com sua inquietude teve sérios problemas, chegando a ser encarcerado.
Crítico ferrenho do atual governo do Brasil, está sempre tecendo comentários ácidos sobre o atual governante e seus seguidores.
BRASIL X USA - Exatamente por não estar vivenciando o dia a dia da Califórnia, de Los Angeles ou de São Francisco, na América do Norte, eu, de bom senso, não vou questionar o “VOLUME DE ÁGUA ENORME [...] ou “BENEFÍCIOS TRAZIDOS COM A TRANSPOSIÇÃO DAS ÁGUAS DA REGIÃO DELTA DO SACRAMENTO RIVER” [...] nem “AS PLANTAÇÕES QUE SE ESTENDEM POR MILHAS E MILHAS NAQUELE VALE OUTRORA DESERTO”, tão arrebatado pelo sertanejo Mr. Joseph de Moura, mas, apenas lembrar que a Barragem de Brotas, a exemplo de outras na Região do Pajeú, está cheia, e, no entanto, diversas ruas e alguns bairros de Afogados da Ingazeira continuam sem água. Por outro lado, as verduras e hortaliças comercializadas nas feiras-livres, continuam vindo de outros municípios, principalmente do agreste.
Sem dúvida, a ideia de transposição do Rio São Francisco, é antiga. A história registra que ela teria nascido no tempo do império. Mas, não foi esse o foco da discussão levantada. Nós estamos no Brasil, e, ninguém melhor do que nós, que aqui residimos, que aqui vivemos, que aqui acompanhamos o dia a dia de tudo que aconteceu, que vivemos o fenômeno da seca, para fazer real julgamento da situação.
Diferentemente de quem há quase meio século está vivendo exatamente nos STATES, e que, talvez por isso, afirma: “VAMOS DAR CRÉDITO AOS QUE ESTÃO INICIANDO ESTA GRANDE OBRA”, e, em contrapartida, taxa, aqueles que aqui labutam, de “SIMPLESMENTE PARTIDÁRIOS IDEOLÓGICOS E NEGATIVISTAS”.
Julgo importante transcrever parte do último comentário do Gilberto Moura em relação ao tema: “A ‘SEDE’ NORDESTINA NÃO SE DEVE À SECA, POIS NO NORDESTE CHOVE MUITO MAIS QUE EM MUITAS REGIÕES DO MUNDO, QUE SÃO INFINITAMENTE MAIS PRÓSPERAS; O PROBLEMA DO NORDESTE É A CERCA, O ALAMBRADO, O MURO, O ABISMO QUE SEPARA OS QUE TÊM DOS QUE NUNCA TERÃO. SE AO LONGO DOS SÉCULOS FOSSEM SENDO, PAULATINAMENTE, TOMADAS PROVIDÊNCIAS EFETIVAS PARA A SOLUÇÃO DO PROBLEMA, HOJE EM DIA A FALTA DE ÁGUA PARA HUMANOS, ANIMAIS E LAVOURA SERIA COISA DO PASSADO. INFELIZMENTE NÃO TEMOS EM NOSSOS GOVERNOS NENHUM SENTIMENTO DE "CONTINUIDADE" NA CONSTRUÇÃO DO PAÍS, E ISSO NÃO É CULPA APENAS DOS ELEITOS, A MAIOR PARTE DESSA CONTA É DOS ELEITORES”.
Apesar de sempre causar polêmica, não tive a intenção de utilizar este link para questões pessoais, e, até adianto que, talvez seja esta a minha última participação.
Edson Costa de Siqueira
Caruaru,PE, 03 de outubro de 2009
DIA INTERNACIONAL DO IDOSO
Caro amigo Fernando,
Peço-lhe permissão para complementar a sua valiosa lembrança em relação a nós, ou seja, a todos aqueles que atingiram (ou estão atingindo) os sessenta anos.
Segundo o seu xará e historiador Fernando Kitzinger, conterrâneo por adoção do nosso colega de Banco Hélio Noronha (Patos de Minas - MG) foi o General Figueiredo, então Presidente da República, que, em 27 de janeiro de 1982, instituiu aquele ano como o Ano Nacional do Idoso.
Assegura ainda o historiógrafo que, teria ele, o presidente João Batista de Figueiredo, criado uma comissão para aprofundar estudos e apresentar sugestões, mas não há detalhes ou registros sobre a atuação da tal comitê. Decorridos 17 anos, o Senado Federal, através de uma Comissão de Educação, estabeleceu o dia 27 de setembro como a data para comemoração do “Dia Nacional do Idoso.
Registre, no entanto, que, um pouco antes, mais precisamente no dia 04 de janeiro de 1994, o então presidente Itamar Franco, sancionou a Lei 8.842 tratando sobre a POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO e criando o Conselho Nacional do Idoso.
Em 1º de outubro de 2003, através da Lei 10.741, “É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos”. (Art. 1º). Por fim, conforme você mencionou, em 28 de dezembro de 2006, através da Lei 11.433, conforme preceitua o seu Artigo 1º “Fica instituído o Dia Nacional do Idoso, a ser celebrado no dia 1º de outubro de cada ano”.
Sinceramente, independentemente de paixões, e a exemplo de inúmeras datas festivas existentes, não sei se teríamos realmente o que comemorar.
Tomo a liberdade, para transcrever algumas alíneas, incisos, parágrafos e até artigos da referida Lei para que possamos fazer uma análise, mesmo superficial sobre o assunto.
O Art. 3º da Lei 10.741, diz textualmente que: “É OBRIGAÇÃO DA FAMÍLIA, DA COMUNIDADE, DA SOCIEDADE E DO PODER PÚBLICO ASSEGURAR AO IDOSO, COM ABSOLUTA PRIORIDADE, A EFETIVAÇÃO DO DIREITO À VIDA, À SAÚDE, À ALIMENTAÇÃO, À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO ESPORTE, AO LAZER, AO TRABALHO, À CIDADANIA, À LIBERDADE, À DIGNIDADE, AO RESPEITO E À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA.
Observe-se que, na ordem de compromisso, o Poder Público vem em quarto lugar: Por sua vez, inciso I do parágrafo único do mencionado artigo esclarece que “a garantia de prioridade, - dentre outras – compreende; “ATENDIMENTO PREFERENCIAL IMEDIATO E INDIVIDUALIZADO JUNTO AOS ÓRGÃOS PÚBLICOS E PRIVADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS À POPULAÇÃO”; e no inciso VIII. tutela: “GARANTIA DE ACESSO À REDE DE SERVIÇOS DE SAÚDE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL LOCAL”.
Não é piada não, gente. É o texto da Lei. Creio que, a maioria dos idosos poderia questionar: Onde é que isso acontece? Que País é este?
Prosseguindo, é importante dizer da responsabilidade de todo cidadão brasileiro, conforme o preceitua o parágrafo 1º do Artigo 4º “É DEVER DE TODOS PREVENIR A AMEAÇA OU VIOLAÇÃO AOS DIREITOS DO IDOSO”; e, Artigo 6º, “TODO CIDADÃO TEM O DEVER DE COMUNICAR À AUTORIDADE COMPETENTE QUALQUER FORMA DE VIOLAÇÃO A ESTA LEI QUE TENHA TESTEMUNHADO OU DE QUE TENHA CONHECIMENTO”.
Será que tais gestos ocorrem no dia-a-dia? Lamentavelmente, verifica-se que, em nome de uma dita “evolução”, inclusive no “seio familiar” o idoso, seja pai, mãe, avô, avó ou tios, representa, na atualidade, um obstáculo na vida dos mais jovens.
Em artigo divulgado recentemente, o padre Robson Pereira, nos ensina que: “[...] Muitas vezes, e das mais variadas formas, a sociedade torna-se desumana com o idoso, ao não lhe conceder o direito que este acumulou durante uma vida inteira. Em vez de ser reverenciado por sua sabedoria, e ser denominado de “sábio” por ela, o que vemos é um profundo desrespeito pela figura do idoso”, e complementa citando textos do psicólogo e consultor Floriano Serra: “[...] De forma absurda e revoltante, aquele sábio foi transformado em um ser ignorado, transparente ou invisível [...]. É o único ser vivo que consegue ser um ausente mesmo estando presente. Pela solidão, acentuada nas noites insones, o sábio estará vulnerável. E por estar vulnerável, estará frágil, sofrendo com o descaso, com o desrespeito e a indignidade com a qual é obrigado a conviver. O que grande parte das pessoas parece não saber é que neurônios não envelhecem. Assim como a liberdade, que uma vez conquistada, não se abre mais mão dela, assim também é a memória, as lembranças, o aprendizado, as experiências. Não tem como voltar atrás, como regredir. Está tudo lá, guardadinho num cofre mágico da mente do sábio. Basta alguém dar uma volta na chave que abre esse cofre. E isso é tão simples”;
No tocante ao direto à saúde, o Artigo 15, preceitua que: “É ASSEGURADA A ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO IDOSO, POR INTERMÉDIO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS, GARANTINDO-LHE O ACESSO UNIVERSAL E IGUALITÁRIO, EM CONJUNTO ARTICULADO E CONTÍNUO DAS AÇÕES E SERVIÇOS, PARA A PREVENÇÃO, PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E RECUPERAÇÃO DA SAÚDE, INCLUINDO A ATENÇÃO ESPECIAL ÀS DOENÇAS QUE AFETAM PREFERENCIALMENTE OS IDOSOS”.
Sem a menor sombra de dúvida, não há o que se comentar em relação a tal garantia.
Para não ser mais enfadonho do que costumo ser, apenas registro que a Lei 10.741, trata também, além do direito à saúde, o direito à alimentação; o direito a educação, esporte, cultura e lazer; o direito da profissionalização e do trabalho; Sim, direito a profissionalização e ao trabalho, veja-se o que preceitua os artigos 26, 27 e 28 da citada lei:
“ART. 26. O IDOSO TEM DIREITO AO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE PROFISSIONAL, RESPEITADAS SUAS CONDIÇÕES FÍSICAS, INTELECTUAIS E PSÍQUICAS.
“ART. 27. NA ADMISSÃO DO IDOSO EM QUALQUER TRABALHO OU EMPREGO, É VEDADA A DISCRIMINAÇÃO E A FIXAÇÃO DE LIMITE MÁXIMO DE IDADE, INCLUSIVE PARA CONCURSOS, RESSALVADOS OS CASOS EM QUE A NATUREZA DO CARGO O EXIGIR. PARÁGRAFO ÚNICO. O PRIMEIRO CRITÉRIO DE DESEMPATE EM CONCURSO PÚBLICO SERÁ A IDADE, DANDO-SE PREFERÊNCIA AO DE IDADE MAIS ELEVADA.
ART. 28. O PODER PÚBLICO CRIARÁ E ESTIMULARÁ PROGRAMAS DE: I – PROFISSIONALIZAÇÃO ESPECIALIZADA PARA OS IDOSOS, APROVEITANDO SEUS POTENCIAIS E HABILIDADES PARA ATIVIDADES REGULARES E REMUNERADAS; II – PREPARAÇÃO DOS TRABALHADORES PARA A APOSENTADORIA, COM ANTECEDÊNCIA MÍNIMA DE 1 (UM) ANO, POR MEIO DE ESTÍMULO A NOVOS PROJETOS SOCIAIS, CONFORME SEUS INTERESSES, E DE ESCLARECIMENTO SOBRE OS DIREITOS SOCIAIS E DE CIDADANIA; III – ESTÍMULO ÀS EMPRESAS PRIVADAS PARA ADMISSÃO DE IDOSOS AO TRABALHO”.
Registre-se que, no dia-a-dia, aqueles que atingem os 40 anos de vida já encontram grandes dificuldades de emprego. Imagine aqueles que ultrapassaram os sessenta anos.
A Lei 11.741, trata ainda do direito à Previdência e Assistência Social; o direito à habitação; e, o direito ao transporte.
Por fim, o Estatuto do idoso trata das medias de proteção, da política de atendimento aos idosos, infrações e das apurações das infrações administrativas, estabelecendo multas pecuniárias com pena;
Para finalizar, transcreve alguns artigos do Título VI da Lei 11.741, que trata exatamente dos crimes em espécie:
Art. 96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade: Pena – reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.
Art. 98. Abandonar o idoso em hospitais, casas de saúde, entidades de longa permanência, ou congêneres, ou não prover suas necessidades básicas, quando obrigado por lei ou mandado: Pena – detenção de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa.
Art. 99. Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado: Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa.
§ 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2º Se resulta a morte: Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
Art. 102. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade: Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa.
Faço questão de destacar o Art. 104 da referida Lei, vez que, tal abuso é prática comum no dia a dia.
ART. 104. RETER O CARTÃO MAGNÉTICO DE CONTA BANCÁRIA RELATIVA A BENEFÍCIOS, PROVENTOS OU PENSÃO DO IDOSO, BEM COMO QUALQUER OUTRO DOCUMENTO COM OBJETIVO DE ASSEGURAR RECEBIMENTO OU RESSARCIMENTO DE DÍVIDA: PENA – DETENÇÃO DE 6 (SEIS) MESES A 2 (DOIS) ANOS E MULTA.
Art. 105. Exibir ou veicular, por qualquer meio de comunicação, informações ou imagens depreciativas ou injuriosas à pessoa do idoso: Pena – detenção de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.
Assim, espero haver, de alguma forma, contribuído para um melhor entendimento a respeito do Estatuto do Idoso, que se “comemora” no dia 1º de outubro, coincidentemente dia do aniversário do meu primeiro herdeiro, o Edson Costa de Siqueira Filho.
Edson Costa de Siqueira
Caruaru,PE, 30 de setembro de 2009
ADAPTAÇÃO DE OPINIÕES
Caro amigo Luciano,
Na verdade, talvez seja necessário um auto-policiamento, a fim de que a minha decepção subjetiva com rumo político pós/89, não venha a influenciar e distorcer a lógica das coisas. Mas, o fato é que a cada dia sinto-me totalmente deslocado, inútil e sem nenhuma perspectiva. Há pouco, deixei uma mensagem para o amigo Zé da Estatística, e, dentre outros, fiz os seguintes questionamentos: “DEVEMOS ASSISTIR A TODA ESSA BANDALHEIRA POLÍTICA ATÉ O FIM DA VIDA OU ANTECIPÁ-LO ATRAVÉS DO O SUICÍDIO? TUDO QUE OUVIMOS SOBRE ÉTICA E PRINCÍPIOS ERA MENTIRA?
Em relação à precisão da água para suprir necessidades, como você bem frisa, “COM O PROPÓSITO DE MATAR A SEDE DE MILHÕES DE SEDENTOS, É HUMANITÁRIA”, e, portanto, não há o que se questionar. O caso, meu caro amigo, é que, nós, sessentões (ou quase) não podemos mais, como se diz no jargão popular “emprenhar pelos ouvidos”. Há muito e muito tempo, essa situação poderia ter sido revertida sem obras faraônicas, se houvesse o real interesse dos governantes.
O nosso amigo e colaborador deste link, Gilberto Moura, no dia 25 próximo passado, fez um comentário digno de elogios, onde afirma com total segurança que: “A ‘SEDE’ NORDESTINA NÃO SE DEVE À SECA, POIS NO NORDESTE CHOVE MUITO MAIS QUE EM MUITAS REGIÕES DO MUNDO, QUE SÃO INFINITAMENTE MAIS PRÓSPERAS; O PROBLEMA DO NORDESTE É A CERCA, O ALAMBRADO, O MURO, O ABISMO QUE SEPARA OS QUE TÊM DOS QUE NUNCA TERÃO”. Essa é a pura e absoluta verdade.
Um pouco antes, com autoridade, disse o colega Ademar Rafael: “[...] CONVIVI COM DIVERSOS MÉTODOS DE APROVEITAMENTO D'ÁGUA, PARA CADA SITUAÇÃO UM DELES TEM MAIS ADEQUAÇÃO”, e completou afirmando: “CONTUDO, MEU ETERNO PRAGMATISMO RECOMENDA: TRANSPOSIÇÃO JÁ, POLITICAGEM E CORRUPÇÃO NUNCA”, mas o fato é que, o que se tem visto nas últimas décadas, principalmente depois de 1989, com o fim do Regime Militar e com a propalada “abertura política”, são Politicagens e Corrupções. E diga-se: a cada dia mais sofisticadas e, de alguma forma, “protegidas” por normas, vez que os autores de tais atos, se pertencentes a algum Poder Constituído, estarão imunes.
Seria muito bom que o trabalho de topografia desenvolvido pelo conterrâneo Marcelo Boíba tivesse uma finalidade não eleitoreira e que, o resultado fosse benéfico para todo o semiárido, sem agredir um ‘Rio’ que, independentemente da sua vazão, segundo laudos técnicos, a exemplo dos seus demais “pares”, encontra-se bastante doente.
Por falar em politicagem, hoje cedo fui surpreendido com a reportagem de um tele-jornal, creio que o BOM DIA PERNAMBUCO, que tratava da seca em 28 municípios do Estado, e orientava que, era imprescindível que os Municípios atingidos fizessem uma “adesão” ao Governo do Estado. Por outro lado, os agricultores teriam a obrigação de se vincular a uma associação ou, se fosse o caso, ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural para obter “uma indenização”.
É importante registrar que, conforme postado no portal - pe360 graus: “PARA A SAFRA 2009-2010, O CURSO DA ADESÃO É DE R$ 6 PARA O AGRICULTOR, R$ 18 PARA O MUNICÍPIO E R$ 36 PARA O GOVERNO DO ESTADO, POR CADASTRO. ‘HAVENDO PERDA, O AGRICULTOR RECEBE QUATRO PARCELAS DE R$ 150, TOTALIZANDO EM R$ 600’, DISSE EDIVÂNIA VIDAL. ‘É O SEGUNDO MAIOR PROGRAMA DO BRASIL, DEPOIS DO BOLSA FAMÍLIA, ATENDE 700 MIL AGRICULTORES DO SEMIÁRIDO DO NORDESTE, PARTE DE MINAS GERAIS E DO ESPÍRITO SANTO’”.
Repita-se: DEPOIS DO BOLSA FAMÍLIA É O SEGUNDO MAIOR PROGRAMA DO BRASIL. Ou seja: mais uma espécie de institucionalização da esmola, agora através de uma “pseudo-indenização”.
Para um perfeito juízo de valor, julgo imprescindível transcrever a canção Vozes da Seca, do Carnaibano Zé Dantas, segundo registros, criada em 1942. Há 67 anos.
SEU DOUTÔ OS NORDESTINO TÊM MUITA GRATIDÃO / PELO AUXÍLIO DOS SULISTA NESSA SECA DO SERTÃO / MAS DOUTÔ UMA ESMOLA A UM HOMEM QUI É SÃO / OU LHE MATA DE VERGONHA OU VICIA O CIDADÃO / É POR ISSO QUE PIDIMO PROTEÇÃO A VOSMICÊ / HOME PUR NÓIS ESCUÍDO PARA AS RÉDIAS DO PUDÊ / POIS DOUTÔ DOS VINTE ESTADO TEMOS OITO SEM CHOVÊ / VEJA BEM, QUASE A METADE DO BRASIL TÁ SEM CUMÊ / DÊ SERVIÇO A NOSSO POVO, ENCHA OS RIO DE BARRAGE / DÊ CUMIDA A PREÇO BOM, NÃO ESQUEÇA A AÇUDAGE / LIVRE ASSIM NÓIS DA ISMOLA, QUE NO FIM DESSA ESTIAGE / LHE PAGAMO INTÉ OS JURU SEM GASTAR NOSSA CORAGE / SE O DOUTÔ FIZER ASSIM SALVA O POVO DO SERTÃO / QUANDO UM DIA A CHUVA VIM, QUE RIQUEZA PRA NAÇÃO! / NUNCA MAIS NÓIS PENSA EM SECA, VAI DÁ TUDO NESSE CHÃO / COMO VÊ NOSSO DISTINO MERCÊ TEM NAS VOSSA MÃOS
TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO(2)
Amigos leitores e colaboradores deste link, perdoem-me a chatice, mas julgo necessário apresentar uma explicação as colocações do ilustre amigo Gilberto Moura, em relação as opiniões apresentadas pelos parceiros, Ademar Rafael e Carlos Moura, e, ao meu ponto de vista a respeito da Transposição do Rio São Francisco.
Sem nenhuma dúvida, o ato de transpor águas é realizado pelos “seres humanos” há muito e muito tempo. A diferença, na minha ótica, está exatamente na finalidade humanitária e sem a demagogia utilizada, nos dias atuais, pelo “Chefe do Poder Executivo”.
É importante registrar que, em qualquer pesquisa superficial, descobre-se rapidamente, por exemplo, que, depois da seca que castigou o nordeste entre os anos de 1844 e 1846, o então deputado provincial do Ceará, Antonio Macedo, na particular condição de Intendente do Município do Crato, - cidade onde, há algumas décadas, trabalhou o colega Ademar Rafael, - teve a idéia de transpor para aquele Estado, águas do Rio São Francisco. Afirma-se que, naquela época, teria sido criada uma comissão por D. Pedro II para aprofundar o estudo, mas, tudo ficou no imaginário. E o fato é que, após cada grande estiagem, novos estudos eram feitos ou reavaliados.
Há pouco mais de duas décadas, esses estudos foram refeitos/reavaliados pelo DNOCS, posteriormente pela Secretaria Especial de Assuntos Regionais, hoje fantasiada de Ministério da Integração Regional.
Conforme disse o amigo Gilberto em seu comentário, é sabido que, a exemplo de todas as idéias ou lides, há sempre as duas faces da moeda. Existem aqueles que defendem a qualquer custo a transposição do Rio São Francisco, como é o caso o Chefe do Poder Executivo e seus “comandados”, da mesma forma que, existem aqueles que são contrários a tal aventura. Filio-me de forma consciente ao segundo grupo, vez que, além da existência de estudos científicos que comprovam a impossibilidade de êxito de tal empreitada, há outros meios bem mais práticos, mais baratos e mais fáceis para minimizar os problemas do semi-árido. Ocorre talvez que, a solução lógica, não seja viável, exatamente por não render os dividendos sonhados pelos atuais defensores do projeto.
É importante registrar que no DIA DE HOJE, (24/11/09) o Deputado Federal Gonzaga Patriota, aliado de carteirinha do “prisidenti Lula” fez críticas ao projeto de transposição, pontualmente a uma adutora batizada de Eixo-leste que teria início na cidade de Sertânia em direção à Arcoverde e de lá, seria distribuída pela “Adutora do Agreste” que, segundo ele “ainda não tem nem projeto executivo elaborado, o primeiro passo para que uma obra pública seja realizada. O ramal seria realizado pelo governo federal e a adutora numa parceria entre o Estado e a União, mas ambas atrasaram” (sic).
Em relação à afirmativa “perder tempo com debates “eco-chatos”, creio que, lamentavelmente, como disse Ataulfo Alves, “A carapuça na cabeça não me cabe”, pois, mesmo sem esquecer a imprescindível necessidade de assumirmos as questões ambientais, a minha crítica pontual esteve e estará sempre voltada para o desgoverno e a demagogia implantada nos últimos anos.
or fim, com pequena observação ratifico a última frase do amigo Gilberto, “levar água para onde não tem água é providência mais que necessária”. Adiantando que: da mesma forma: Armazenar racionalmente as águas advindas das chuvas, através de micros bacias de captação, barragens subterrâneas, cisternas, etc. explorar racionalmente as águas existentes no subsolo; implantar urgentemente a revitalização dos mananciais existentes, etc. etc. etc.
Edson Bigodão
Caruaru, 24/09/2009
TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
Meus caros amigos Ademar Rafael e Carlos Moura, em diversas oportunidades, certamente contrariando pontos-de-vista dos mais variados, tratamos de forma empírica, mas, resultante de diversos anos de experiência, sobre a "Transposição do Rio São Francisco", enfocando principalmente, o aproveitamento de determinado momento político por parte daquele que se encontrava no exercício do poder legal, para divulgar essa FANTASIOSA PROPOSTA, cujo único e exclusivo objetivo era o de angariar votos. SIM. Apenas angariar votos, inclusive, pelo fato de não demonstrar o mínimo conhecimento sobre o resultado e a real finalidade de tal faraônico investimento.
É imprescindível reafirmar a existência de estudos sobre a inviabilidade de tal transposição, haja vista que, além do assoreamento, da degradação e, como diria Garcia Marquez, da "morte anunciada" do "Velho Chico", existem estudos científicos que demonstram claramente a incompatibilidade inclusive em relação à comparação feita ao abastecimento da cidade do Rio de Janeiro, com águas do Rio Paraíba.
Em relação a tal comparação, aproveitamos a oportunidade para, na ótica do nosso conhecido baluarte João Suassuna, transcrever a opinião do Catedrático professor de Hidráulica Agrícola da Universidade de Viçosa em Minas Gerais, Alberto Daker,. "[...] existem três condições básicas que justificam a transposição de águas de um rio: existirem uma bacia com muita água sobrando e terras e relevo que não sirvam para irrigação; outra bacia com terras irrigáveis, mas com carência de água e uma relação custo-benefício viável para a realização da obra. Para o caso do abastecimento do Rio de Janeiro, essas alternativas se enquadraram perfeitamente na transposição ali realizada. Já para a transposição do São Francisco, as três não se enquadram, tendo em vista haver demanda por água nas terras cultiváveis próximas ao rio; existir água na região das bacias receptoras, faltando apenas o estabelecimento de uma política eficiente para a sua distribuição e posterior consumo das populações e, por último, faltar sustentação energética e financeira para a execução da obra".
Devemos registrar que, há várias décadas, quando em visita à Região de Petrolina, - considerada a Califórnia Brasileira, mas que hoje, se encontra em colapso, - observávamos com tristeza, que, junto às terras de grandes empresas onde se cultivava uva, manga, laranja e até feijão mulatinho, mas, utilizando-se um "pivô central" que irrigava de uma só vez aproximadamente 100 hectares, os produtores locais, continuavam aguardando o inverno para o tradicional plantio manual de milho e feijão de corda. Ou seja: As empresas, ou os grandes proprietários, tinham o privilégio do crédito fácil para cultivo de produtos destinados à exportação em detrimento as dificuldades enfrentadas pelos pequenos e autênticos proprietários sertanejos.
Por outro lado, devemos repetir que, quando de uma das reinaugurações da Barragem do Jucazinho, na Região Agreste do Estado de Pernambuco, aqui, na cidade de Caruaru, no Campus da Associação Caruaruense de Ensino Superior – ASCES, o então presidente Luiz Inácio, disse textualmente: "Estou triste, pois, há poucas horas, ao passar em ‘Afogado do Ingazeiro’ uma pobre mulher que residia perto do campo de aviação disse que seus filhos estavam há três dias sem ir à escola por falta d’água para tomar banho, por isso, vou fazer a transposição do Rio São Francisco de qualquer jeito".
Propositalmente, no entanto, omitiu o presidente em seu "discurso", que, naquela mesma época, a Barragem de Brotas, localizada na cidade de Afogados da Ingazeira, estava sangrando abundantemente. Logo, a menos de três quilômetros do referido campo de pouso, existia o precioso líquido. Repito: A menos de três quilômetros da situação que teria constrangido o presidente, havia água em abundancia. Portanto, estava claro e evidente, que o problema não era a falta de água, mas sim, a má ou inexistente distribuição.
Meus caros amigos, nós lembramos perfeitamente, que, há alguns anos, o afogadense José Artur Padilha, demonstrou de forma inequívoca na Região da Carapuça, no município de Afogados da Ingazeira, uma forma simples de aproveitamento da água, através das barragens subterrâneas; Paralelamente, foi lançado o projeto das micro bacias de captação, que inclusive, em determinado momento, foi motivo de estudo junto à EMATER-PE e da Secretaria de Agricultura do Estado de Pernambuco. No entanto, considerando que tal aprendizado e implantação poderia levar o agricultor à uma independência política, foi preferível, contrariando o que disse Zé Dantas na década de 40, "MAS DOUTOR UMA ESMOLA A UM HOMEM QUE É SÃO, OU LHE MATA DE VERGONHA OU VICIA O CIDADÃO", institucionalizar a esmola e manter a eterna dependência.
Pelo exposto, com total e absoluto respeito ao vosso ideário, inclusive, na condição de tão sabedores quanto vocês, das dificuldades enfrentada pelos agricultores do semi-árido, reservamo-nos no direito de não acreditar que, caso venha a ser concluída a faraônica obra de "transposição do Rio São Francisco" venha a gerar o benefício sonhado.
Edson Bigodão
Caruaru, 23/09/2009
CENTENÁRIO DE AFOGADOS
Confesso que, depois de também "viajar" no sonho o amigo Luciano Bezerra, e anteriormente, haver sido presenteado com o belo soneto do colega, Ademar Rafael, fica difícil retribuir os leitores desse painel, com algo à altura. No entanto, não posso me furtar de fazer alguns registros, principalmente quando se comemora concomitantemente 100 anos Afogados da Ingazeira e 50 anos da Rádio Pajeú.
Em relação à emissora, registro que no início dos anos 70, foi exatamente através dela, com o aval de Dom Francisco Austregésilo de Mesquita Filho (In memoriam), e da força do então diretor Francisco de Assis Magalhães Rocha, que tive a oportunidade de divulgar de forma intensa, no que pese a censura imposta, a autêntica música popular brasileira, naquela época, considerada "de protesto", e, portanto, recriminada.
Considerando que "Luciano de Iraclides", reviveu no seu sonho, o velho Coreto da então Praça Domingos Teotônio, vou divagar por outros pontos que também marcaram época na nossa querida cidade: O Bar de Gedeão; O Bar de João Godê, A sorveteria de Zé Panqueta, O Bar de Geraldo Magela, A lanchonete de Benedito Cerquinha; A Soparia de Iracema, O Hotel de Tereza, A Toca da Codorna de Zil; O Curtiço do amigo João Ramalho; A Churrascaria Paulista de Antonio Lúcio, o Bar de Zé Cotélo, A lanchonete de Toinheira, A Peixaria de Mineu, (local onde, um seleto grupo de amigos, tomava muita cerveja), O Pilão do amigo Fernando; O Bar de Luiz de Ernesto; O Bar de Dimas; e tantos e tantos outros locais que se tornaram ponto de encontro para o bate-papo informal entre amigos.
Em relação ao poema ou "pequena canção" do poeta Ademar Rafael, (rogando desculpas aos vates do Pajeú) num gesto de ousadia, apresento um decassílabo, que expressa a minha nostalgia dessa terra querida.
Saudade é uma agonia
Que vai matando aos pouco,
Deixando o sujeito louco
E sem qualquer alegria.
É sensação doentia,
Que maltrata o coração
Provocando uma aflição,
Difícil de explicar,
Só possível comparar
A uma grande paixão.
Edson Bigodão
Caruaru
LEMBRANÇAS DO AEROCLUBE DE AFOGADOS DA INGAZEIRA
Aproveitando a chamada: “O ACAI SAIU DE CENA,” do ilustre amigo e colega Fernando Pires, sem o intuito de causar polêmicas, passaremos a expor o nosso ponto de vista, em relação àquele Clube.
Para tanto, se faz necessário uma rápida retrospectiva.
O fato é que, a partir de 1967, juntamente com alguns amigos de Caruaru, tornou-se hábito viajar daquela cidade para Afogados da Ingazeira, ora de trem, ora nos ônibus da “Princesa do Agreste” ou da “Realeza” (Quem lembra hoje, de Sêo Pedro, o motorista da Realeza?) para participarmos dos “bailes” no ACAI.
Recordamos que, era comum aos jovens afogadenses daquela época, beber uísque. No entanto, no Bar de Gedeão, ponto de encontro e de partida dos “festeiros cabeludos”, tomávamos GIM com tônica, ou RUM com Coca-Cola.
Anos mais tarde, já instalados em Afogados e na condição de funcionário do Banco do Brasil, (que chegou a ter no seu quadro 70 funcionários ativos), conjuntamente, sentiu-se a necessidade de se construir uma AABB.
Cremos que, pouco tempo depois, um grupo de afogadenses, à época, liderados pelo Capitão Arruda, fundava o Clube Campestre.
É provável que “as novidades” tenham contribuído sensivelmente para que, de alguma forma, o ACAI começasse literalmente “a cair” no esquecimento. Afinal, em questão de espaço e infra-estrutura, os dois recém-fundados clubes, tinham muito mais a oferecer.
Pelo exposto, assumimos a nossa parcela de responsabilidade em relação ao abandono e conseqüente deterioração do ACAI, que, há pouco desapareceu, para, como afirmou o colega e historiador Fernando Pires, “DAR ESPAÇO PARA O PROGRESSO”.
É possível que sejamos taxados de saudosistas ou até mesmo de retrógados em relação a alguns acontecimentos ditos “necessários para o desenvolvimento”. No entanto, na nossa ótica, as coisas boas do tempo de outrora, têm um significado diferente, (seja positivo ou negativo), exatamente para aqueles que as vivenciaram.
Evidentemente, essa nossa “valorização demasiada do passado”, não nos impede de vislumbrar algumas mudanças imprescindíveis e necessárias. Entretanto, não podemos esquecer os múltiplos resultados duvidosos ou totalmente adversos, que ocorreram e ocorrem por esse Brasil afora, no tocante a diversas obras executadas, ao longo das últimas décadas, onde a subjetividade é o principal motivo.
Portanto, “sem o desígnio de suscitar contestação”, registramos a nossa lembrança do AeroClube de Afogados da Ingazeira.
Edson Bigodão - edsoncsisqueira@yahoo.com.br
Caruaru (PE)
SOBRE A CRÔNICA "RIO PAJEÚ - GRITO DE ALERTA!"
(da profª e advogada Elvira de Siqueira)
Querida Elvira,
Nossa geração lembra perfeitamente o límpido Pajeú do passado. Rio que abastecia os nossas "potes", filtros, geladeiras, nossas casas, para o uso diário.
Quem nos dera ter o Dom da Poesia para dizer de modo menos agressivo, a dor que sentimos em ver o leito do Rio Pajeú, outrora enunciado e exaltado por menestréis, nessa degradante situação. Hoje ele agoniza. Está praticamente morto. Terá ele o mesmo fim de tantos outros mananciais de Pernambuco, do Nordeste, do Brasil e do Mundo?
Elvira, acabamos de ouvir um brado. Não do moribundo Rio Pajeú, mas, de uma das suas crias. Este clamoroso alerta certamente despertará um a um todos os seus filhos que certamente, passarão a cobrar do Poder Público as primeiras providências. Teremos que reeducar nossas populações ribeirinhas, teremos que dar exemplos, teremos que sensibilizar e, se preciso, "esfregando a cara das autoridades competentes" no putrefato Pajeú.
A revitalização é bem mais lenta que a degradação, mas, havendo interesse e participação, poderá ser mais rápida do que se imagina. Sabemos que na tentativa de sobreviver fora do habitat natural, em decorrência da secular omissão do Estado, o nosso rurícola abandonou suas glebas e optou pela periferia das cidades. A acomodação em casas ou casebres sem infra-estrutura, aliada ao desconhecimento da necessidade de preservação da natureza, também contribuiu no agravamento da situação.
Entretanto, o maior dano foi, e continua sendo "a falta de zelo" provocado pelo descaso administrativo das últimas décadas para com o meio ambiente. Nossos governantes, salvo raríssimos procedimentos paliativos, não tiveram a sensibilidade ou uma visão de futuro em relação a salvaguardar a natureza.
Também costumamos dizer, quando reencontramos amigos ou familiares: "Quem bebe da água do Rio Pajeú, nunca mais esquece". Hoje, lamentavelmente, aquele se aventurar em ingerir o tal líquido, certamente terá um fim idêntico ao do manancial.
Sejamos, portanto, desde já, defensores desta causa. Dentro das limitações impostas sugerimos e predispomo-nos a participar de uma comissão intermunicipal em prol da revitalização do Rio Pajeú, desde a sua nascente, seja em Itapetim ou na Serra da Balança em Brejinho, até o município de Floresta onde deságua no São Francisco.
Conclamamos as Prefeituras, as Câmaras de Vereadores, as Organizações Não Governamentais, enfim toda a sociedade civil dos municípios banhados pelo Rio Pajeú a refletirem o "Grito de Alerta" da Professora Elvira de Siqueira; assim, quem sabe, num futuro bem próximo, juntamente com ela, "vamos gritar aos quatro ventos que o Pajeú ressuscitou".
Edson Bigodão
Caruaru-PE, 21/04/2005
SOBRE A CRÔNICA "ADUTORA DO PAJEÚ"
(da professora Fátima Pereira)
Foi impossível vencer o nosso espírito rebelde e deixar de comentar a dor expressa pela amiga Fátima Pereira em 23.09.2003.
Sua lamúria e desapontamento levou-nos a uma reflexão e a triste realidade de que ainda fazemos muito pouco para mudar as nossas vidas. Está provado que o vício da expectativa otimista gerou e gera a acomodação daqueles que continuam abandonados. Quando tememos, quando sentimos medo de alguma coisa, é evidente que existe uma forte razão. Não é à toa portanto a desconfiança do povo brasileiro.
Minha cara Fátima, "a chave mágica" está conosco e sempre ao alcance da mão. As fechaduras estão localizadas em prédios que conhecemos muito bem. Câmara de vereadores, Prefeitura Municipal, Assembléia Legislativa, etc. ou em palácios de nomes surrealistas, como por exemplo: Palácio do Campo das Princesas.
Toda cena que você brilhantemente relembrou e descreveu: "...crianças desnutridas, lares desfeitos e famílias errantes, animais morrendo, casas fechadas e baixios abandonados, terrenos vendidos às pressas, escolas sem brinquedos..." também faz parte da nossa vida.
Tivemos o privilegio de conviver boa parte da nossa juventude com pessoas como você, Bartolomeu Genésio, Geraldo Cipriano, Assis Rocha, Manoel Jerônimo e tantas outras que, a toda hora e em todo lugar, além da solidariedade, estiveram sempre disponíveis para trocar idéias e dividir conhecimentos e experiências na incansável luta por mudanças.
Portanto, hoje mais do que nunca, precisamos "arregaçar as mangas" e participar ativamente do dia a dia desses nossos irmãos esquecidos, uma vez que, a cidadania plena só é conquistada quando assumida coletivamente.
Edson Bigodão
Caruaru, PE Brasil - 25/09/2003
CHICO BERTO
Dentro de uma linha lógica de concepção, que respeito, tive a oportunidade de ler a crítica de um afogadense de comprovado conhecimento, sobre o enfoque de fatos do passado neste site, no que pese a existência de verdadeiras aberrações administrativas e políticas que denigrem a nossa sociedade e distanciam cada vez mais o povo sertanejo da real situação do Brasil e do Mundo.
Entretanto, por mais que a dinâmica luta pela sobrevivência exija do homem de hoje uma postura objetiva e dialética, não poderei esquecer totalmente os acontecimentos de outrora que de certa forma influenciaram o presente.
Nesta visão saudosista, não posso esquecer as pessoas. Sim, não posso esquecer os importantes seres humanos que, de uma forma ou de outra, contribuíram com conhecimentos ou espiritualidade, para o crescimento e desenvolvimento da sociedade.
Sem nenhuma pretensão de ser dublê de biógrafo ou historiador, também sem o conhecimento necessário para um comentário mais profundo, dissertarei com o intuito de prestar uma simples homenagem a uma grande figura do folclore afogadense, com a qual tive o deleite de conversar, participar de algumas farras e até fazer viagens para outros estados.
Falo do amigo Francisco de Assis Ramos, o popular Chico Berto que durante décadas, a exemplo do seu genitor, manteve uma oficina de lanternagem e pintura no centro de Afogados da Ingazeira.
Com o seu labor, constituiu uma grande prole que se encontra hoje espalhada por este Brasil a fora. Na sua limitação de pequeno empresário, conseguiu proporcionar educação e também ensinar a sua arte aos filhos varões.
Nossa amizade cresceu a partir de 1970 quando passei a residir definitivamente naquela cidade e necessitava de seus serviços profissionais.
Depois de um cansativo dia de trabalho ou até mesmo depois de alguma decepção, conversar com Chico Berto e ouvir as suas “estórias” funcionava como terapia.
Causava espanto vê-lo segurar com a mão nua, uma peça que acabava de soldar onde a temperatura, com certeza, era elevadíssima.
Ao perceber o susto que causava, de maneira séria, começava a encarnar, talvez inconscientemente, Gonçalo Fernandes Trancoso, que no século XVI em Portugal criou a obra “Conto de proveito e exemplo”, também conhecida como “Histórias de Trancoso e que, no Brasil teve sua continuação através do escritor Joel Rufino dos Santos. Assim, com astúcia, prendia a atenção de todos, cobrando sempre crédito inconteste as suas narrativas.
Era admirável sua eloqüência na descrição de inúmeros fatos ligados a médicos que ali atuavam e que tinham por ele um grande apreço. Tratava-os pelo prenome, sem os chamar de “doutor” demonstrando intimidade e acima de tudo, uma enorme amizade.
Tinha grande estima pelo, também saudoso, Monsenhor Antonio de Pádua Santos, mas, algumas vezes, referia-se ao prelado, tratando-o simplesmente de Antonio.
Quem não lembra da espetacular “estória” do fogo da aleluia que Chico Berto encontrou em disparada na ladeira da reunidas, levando-o de volta à Igreja Matriz e “salvando a humanidade” ?
Quem não recorda a sua narrativa sobre um automóvel que acabará de pintar mas que, por conta de uma freada brusca, ficou novamente em “mão de aparelho” ?
Quem não lembra aquele vozeirão grave e forte entoando antigas canções nas serestas?
Pelo menos duas vezes eu e o amigo Nelson Galvão de Luna Cavalcanti Filho, o Nelsinho, levamos Chico Berto, que na época já não admitia bebidas alcoólicas em hipótese alguma, para casa do violonista João Batista, para vê-lo cantar canções de Vicente Celestino.
Chico Berto, você com sua espiritualidade também faz parte da história de Afogados da Ingazeira.
Caruaru-PE, Brasil - maio-2002
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BARTOLOMEU CAMPOS GENÉSIO
Sinto-me numa situação privilegiada, exatamente por haver participado ativamente do dia-a-dia de Afogados da Ingazeira e região do Pajeú, nos últimos 33 anos, para dizer que o trabalho feito pelo companheiro Ademar Rafael em relação àqueles que contribuíram com o desenvolvimento e crescimento da nossa gente é de importância ímpar e ajudará a manter sempre viva a nossa lembrança e gratidão.
Vejo-me, portanto na obrigação de mencionar, dentre tantos outros que com certeza serão oportunamente homenageados, o nome de Bartolomeu Genésio como um grande sertanejo. Dada, entretanto a minha humilde condição de escriba e limitação de memória, fazer apenas uma breve retrospectiva.
É provável que os mais jovens, por desconhecimento, não dêem a atenção que ele merece. Seria estranhíssimo se os seus contemporâneos, amigos ou indiferentes, não tivessem o devido respeito, a admiração e a gratidão pelos seus feitos e pelo seu enorme espírito de solidariedade.
Eu o conheci nos últimos anos da década de 60 e acredito que o crescimento da nossa amizade teve como base as “brigas” e as calorosas discussões na defesa dos nossos pontos de vista divergentes.
Lembro-me perfeitamente da sua dedicação em atender, com sua peculiar maneira, aqueles que precisavam enviar mensagens via DETELPE, do qual foi operador. Lembro-me da sua partida para o Maranhão, onde permaneceu alguns anos. Lembro-me da sua volta e das dificuldades enfrentadas para iniciar a sua criação de aves e daí organizar sua vida.
Sua atuação na Equipe de Educação Política da Diocese de Afogados da Ingazeira deixou marcas que o tempo não conseguirá apagar. Muitas vezes foi chamado de “O trator do Bispo” pela disposição e coragem para realizar qualquer trabalho.
Como produtor rural, construiu, utilizando financiamento bancário em parceria com um dos seus confrontantes de terra e investindo recursos próprios na ordem de mais de 100% (cem por cento) do valor total da obra, uma barragem de pedra e cimento, no Riacho do Pajéu Mirim, que ainda hoje beneficia toda a população ribeirinha.
Foi um dos fundadores e ativo militante do então MDB, que abrigava, a nível nacional, importantes nomes da resistência ao Governo Militar, implantado em 1964. Acredito que ainda continua fiel a sigla, hoje PMDB.
Foi candidato a prefeito do município de Afogados da Ingazeira, realizando uma campanha totalmente diferente do que se praticava e pratica até hoje. Recusou ajuda financeira dos então deputados estaduais e federais do partido e com seus próprios recursos bancou a infra-estrutura da sua candidatura – comitê, propaganda, comícios, etc. – negando-se terminantemente a dá qualquer ajuda que caracterizasse troca ou compra de votos.
Claro que seus opositores venceram o pleito e não poderia ser diferente, mas a experiência de realizar algo com lisura e honestidade foi muito gratificante para todos aqueles que nele acreditaram.
Durante vários meses, abandonou totalmente os bate-papos com amigos nos finais de semana, para participar de encontros de agricultores em toda a Diocese de Afogados da Ingazeira, desde a cidade de Itapetim até Serra Talhada.
Sua participação em qualquer evento, artístico, cultural, político ou social era ativa e marcante. Apesar de não ter curso superior sua intervenções eram lógicas e dialéticas.
Nas festinhas familiares era um seresteiro e tanto. De início tímido e sempre assobiando, depois, já descontraído, soltando a voz e tendo como marca registrada a canção “Dolores Siera”, já imortalizada na voz de Nelson Gonçalves.
Nos bares da época (Gedeão, Zé Panqueta, Geraldo Magela, Toca da Codorna, Gení, etc. etc.) dependendo do nível e grau alcoólicos da platéia, em cima de uma cadeira ou mesa, recitava poesias. O Carro chefe era “Rosas de Maio”. Outras vezes, com repentistas e/ou poetas da região, costumava glosar.
Sem dúvida, a sua maior característica é a firmeza de caráter e a solidariedade.
Hoje, “ sua participação” já não a mesma até porque a saúde está um tanto debilitada, entretanto a sua contribuição no crescimento e desenvolvimento crítico e político da Região será sempre lembrada e agradecida por todos aqueles que o conhecem.
Nosso muito obrigado ao companheiro José Bartolomeu Campos Genésio - Memeu.
Caruaru - fevereiro/2002
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