Cronista e poeta afogadense
O Futebol pernambucano no cenário nacional
Como rubro negro autêntico (não apaixonado), não poderia me eximir de escrever algumas palavras sobre a festa de ontem, acontecida em Goiânia-GO, entre o nosso querido Leão da Ilha e o Vila Nova, pela última rodada da série B.
A semana provocou muita expectativa e otimismo exagerado por parte da torcida, que chegou a invadir em massa o aeroporto Internacional do Recife no embarque da delegação, quarta feira. A viagem foi antecipada justamente para que o grupo ficasse longe da euforia do torcedor.
A suada e molhada classificação em Goiânia teve um sabor diferente das outras conquistas. O gramado encharcado dificultava o toque de bola e o nervosismo ia se apoderando dos jogadores e torcedores presentes ao Serra Dourada, até que aos 28 minutos da etapa complementar uma cabeceada de Bruno Mineiro - jogador que ficou o primeiro tempo no banco de reservas - passa por entre as pernas do goleiro Luis Cetin, do Vila Nova, colocando um ponto final no sofrimento e levando o Leão da Ilha de volta à elite do futebol brasileiro (a famosa série A) lugar de onde nunca deveria ter saído o nosso querido Sport Clube do Recife. Símbolo de garra, determinação e orgulho para quem sempre acreditou no time mesmo nos momentos mais difíceis.
O Sport que neste ano de 2011 colecionou insucessos como a eliminação da Copa Brasil pelo Sampaio Corrêa (MA) e por ter deixado escapar o hexa campeonato pernambucano diante do rival Santa Cruz mas, que na reta final se redimiu e fez as pazes com a sua torcida, conquistando o acesso à série A.
Dirigido por Mazola Júnior que iniciou o ano nos juniores, foi interino, efetivado, virou assistente técnico e voltou ao comando com a saída de PC Gusmão tendo uma missão que muitos achavam impossível.
Durante a temporada, o Leão esteve sob o comando de três técnicos diferentes: Geninho, Hélio dos Anjos e PC Gusmão que sem obterem sucesso e muito criticados acabaram demitidos.
Embalado por quatro jogos sem derrotas, três vitórias, um empate, 13 gols marcados e dois sofridos, o Sport dependeu de suas próprias forças para a difícil missão de voltar à série A do nosso futebol. No decorrer do jogo, esteve ameaçado pelo Boa Esporte (MG), quando vencia o Duque de Caxias (RJ) por 2 x 0, jogo que veio a terminar empatado.
Ao final dos 90 minutos com um magro placar de 1 x 0 mas suficiente para se alcançar o objetivo proposto, o carnaval tomou conta do Serra Dourada. Os torcedores invadiram o estádio, se misturaram aos jogadores e a alegria contagiava até os que não estavam presentes.
Choros, gritos, ovações, agradecimentos e o famoso grito de guerra CAZÁ , CAZÁ, CAZÁ, CAZÁ, a turma é mesmo boa, é mesmo da furzaca, SPORT, SPORT, SPORT ecoava pelos quatro cantos do Serra Dourada fazendo estremecer e emocionar o mais sisudo e tímido espectador. Tudo era festa e o contágio se apoderava da multidão. ninguém fugia desse contágio: Jogadores, comissão técnica, torcedores todos corriam, se abraçavam, carregavam seus ídolos nos braços. Ninguém, mas ninguém mesmo, conseguia controlar os seus ímpetos e a festa acontecia num clima de muita euforia onde as lágrimas se misturavam às gotas de chuva que ainda insistiam em cair para coroar de êxito a grande festa.
Com o retorno à elite do futebol acaba a pressão sobre o presidente Gustavo Dubeux que vai poder tocar o projeto da nova arena com uma oposição mais leve. Tudo isso, claro, se os jogadores que não queriam nada com o clube continuarem com a reação que tiveram nas 5 últimas partidas.
Completando a festa leonina e aumentando o orgulho dos pernambucanos, o Clube Náutico Capibaribe, ao empatar com a Ponte Preta (SP) por 2 x 2, terminou a série B de forma honrosa como vice líder, invicto em casa, e de sobra fez de Kieza o artilheiro da competição.
Não é demais lembrar que no final de semana anterior, o tricolor do Arruda, mesmo sem ganhar a partida final conseguiu o seu acesso à série C, o que não deixa de ser, também, uma brilhante conquista.
Destarte, todos os pernambucanos independente do clube pelo qual torcem, estão em ritmo de festa e jubilosos têm motivos de sobra para encararem 2012 confiantes em nosso futebol e no potencial dos clubes que nos representam.
Parabéns SPORT, parabéns Náutico, parabéns Santa Cruz, parabéns Pernambuco, o Leão do Norte que sempre nos orgulha e que aprendemos a amar de todo coração.
Danizete Siqueira
Recife-PE,
27 de novembro de 2011
Em 13 de outubro p.p. o nosso poeta e amigo Wellington Rocha escreveu alguns decassílabos neste Mural abordando o mote:
Uma tela pintada desse jeito...
Só se vê no sertão em que fui criado.
Por ter apreciado os seus escritos e ter-me identificado com o assunto, peguei um gancho e tomei a liberdade de fazer alguns versos sobre esse mesmo tema:
A bezerra que mama ajoelhada / Procurando da mãe as suas tetas
Redemoinho fazendo piruetas / Agitando o trotar de uma boiada
Um campônio sentado na calçada / Com um cigarro de palha amarrotado
Espingarda e moringa do seu lado / Cartucheira e bisaco sobre o peito
UMA TELA PINTADA DESSE JEITO / SÓ SE VÊ NO SERTÃO QUE EU FUI CRIADO.
Caçador atirar de soca-soca / Nas marrecas que pousam na lagoa
Um menino remando uma canoa / Lá na curva onde o rio desemboca
A caseira fazendo tapioca / Pra comer com café e queijo assado,
Carne seca, xerém, leite de gado / Que outro leite por lá não é aceito
UMA TELA PINTADA DESSE JEITO / SÓ SE VÊ NO SERTÃO QUE EU FUI CRIADO.
Dois boiatos na canga da moenda / Lado a lado puxando a almanjarra
O apito estridente da cigarra / E a aranha a tecer fazendo renda
Um patrão dando as ordens na fazenda / Um vaqueiro indo atrás de um boi bichado
E um morcego dormindo pendurado / Entre as frestas da porta ou parapeito
UMA TELA PINTADA DESSE JEITO / SÓ SE VÊ NO SERTÃO QUE EU FUI CRIADO.
Dois poetas travando uma disputa / Na latada ou no pé de uma parede
Um “bruguelo” com fome numa rede / Esperando um mingau de araruta
O vestido enfeitado que a matuta /
Ou comprou ou ganhou do namorado
Desde muito na mala está guardado / Pra vestir só na posse do prefeito
UMA TELA PINTADA DESSE JEITO / SÓ SE VÊ NO SERTÃO QUE EU FUI CRIADO.
Um menino travesso e desumano / Atirar de peteca na rolinha
No terreiro da casa uma galinha / Beliscando um melão de São Caetano
A esposa ter filho todo ano / Aumentando a estatística do estado
Comprimido por lá não é comprado / E camisinha inda gera preconceito
UMA TELA PINTADA DESSE JEITO / SÓ SE VÊ NO SERTÃO QUE EU FUI CRIADO.
Danizete Siqueira Lima (Perninha)
Recife, 20 de outubro de 2011
A Grande Arte de Versejar
“Dom”, segundo o Aurélio (pai dos burros), quer dizer: qualidade inata, dádiva, presente.
Fazer verso é uma grande arte proporcionada pelo "dom" e, partindo-se do princípio de que o homem é um produto do meio, esse Nordeste - com exclusividade para o Sertão do Pajeú - tem nos presenteado com um enorme celeiro de vates e/ou repentistas do mais fino quilate. Destarte, usamos o "dom" e vamo-nos aprimorando em nosso quotidiano, surpreendendo os que nos cercam com a nossa criatividade poética, aliada à métrica, oração e rima, compondo poesias as mais diversas. Elas vão surgindo na maior espontaneidade. É como se o sangue poético estivesse infiltrado em nossas veias, não tem como fugir, a não ser que tenhamos nascido fora do Nordeste, fora do Sertão e bem longe do solo Pajeuzeiro.
Por ocasião da passagem de aniversário do amigo Gilberto, mandei uma mensagem em decassílabo e de pronto me veio a resposta com um tom de humildade desnecessária pela formosura de improviso feito pelo próprio. Na minha ótica, os versos do Gilberto não dizem nada de um leigo, pois, quem bebeu daquela água - como ele bem o disse -, absorve essa veia poética que nos é transmitida de geração para geração.
Ademar, filho do nosso amigo Quincas Rafael (in memoriam) atesta isso com muita propriedade e já frisou inúmeras vezes a absorção dessa verve. Vejam os leitores, que o dr. Luciano Bezerra já mostrou suas garras dando algumas fisgadas por essa mesma trilha; a nobre Elvira Siqueira já mostrou que entende do assunto; a profa. Geneci Almeida esta semana estava divulgando um "soneto" que fez para a sua querida genitora, além de outros trabalhos que ela já apresentou aqui no Mural e o grande amigo Edson Costa de Siqueira "o Bigodão" não deixa por menos. Fico feliz porque, coincidentemente, quase todos tem Siqueira no sobrenome logo, estamos ombreados. Que coisa magnífica.
Para não me estender muito e, como estamos falando de versos, escrevo esses, inspirado no decassílabo do Gilberto quando faz alusão à corja de políticos que infesta essa Nação:
É bom que a gente entenda
Que a crítica é necessária
Mas essa classe ordinária
Nem mesmo assim se emenda
Se abrigam em uma legenda
E depois dos votos contados
Viram as costas pros coitados
Logo da campanha esquecem
E em berço firme adormecem
Zombando dos desgraçados.
Isso vale pra Afogados
Flores, Serra, Carnaíba,
Prá Salgueiro, Mirandiba,
Caruaru e Machados
Também prá outros estados
Carentes de assistência
Tudo isso em decorrência
De leis frouxas, voto errado
E eleitor manipulado
Traidor da consciência.
Danizete Siqueira
Recife-PE, 18 de setembro de 2011
Sou Coboclo Nordestino...
Minha Terra é o Sertão
Como leitor assíduo deste Mural e, por vezes, como cronista enxerido, cada vez que volto aqui tenho uma grata surpresa com os relatos encontrados. Na última semana o destaque ficou por conta da Festa da Padroeira de Jabitacá e, consequentemente, pelo lançamento do tão sonhado livro “Jabitacá, Segundo Quincas”, do poeta Quincas Rafael (in memoriam), pai do meu grande amigo/irmão Ademar Rafael Ferreira, o “Papa Sebo” das Varas.
A festa, pelo que se sabe, foi de uma grande magnitude dentro, é claro, da expectativa prevista, pois quem conheceu o autor sabe do amor e dedicação que ele tinha pelas coisas de sua terra. O filho não deixa por menos e tenta dar continuidade a esse trabalho fantástico de resgate da cultura e dos costumes de um povo que não mediu sacrifícios para escrever a sua própria história. Essa história, como muitas outras, poderia cair no esquecimento caso não houvessem pessoas comprometidas em passar para a posteridade aquilo que vivenciaram no seu cotidiano.
Cometi um grande pecado em não estar presente, mas tenho certeza que serei entendido pelo Ademar, pois sabe ele de sã consciência, que a minha ausência física fora substituída pela minha alma que deve ter viajado no porta malas de um automóvel , talvez no do Diomedes, no do dr. Luciano ou, quem sabe, no carro do próprio “Papa-Sebo”. A grande verdade é que lá estive e comunguei com eles.
Como de costume, o dr. Luciano Bezerra que lá esteve – de corpo e alma-, junto com a professora Elvira Siqueira, com suas sábias palavras fez uma radiografia da festa em seu comentário de 16.08.2011, intitulado “De repente... Uma noite e muita poesia!”, onde se tem uma noção maior de como as coisas foram conduzidas. Repetir o que aconteceu incorre em redundância, basta alguém acessar a página e dar uma conferida.
Sobre a estada do Ademar por aqui, ouvi a sua entrevista com o radialista e me enchi de emoção ao ouvi-lo falar sobre o Pajeú. O seu amor por esse chão é de uma dimensão tão grandiosa que sentimos a sua voz embargada quando se refere às nossas coisas, ao Pajeú, a região, ao reduto que enterrou o seu umbigo; é realmente uma coisa fantástica e digna de registro.
A tônica do meu comentário, apesar de versar sobre o grande encontro de Jabitacá, vai para o relato feito pelo Ademar sobre a sua viagem Marabá / Jabitacá / Marabá, ocorrida entre os dias 12 (data da saída) e 19.08 (retorno ao lar), onde não me surpreendo com o amor que ele demonstra por esse torrão e o carinho com que trata as pessoas mais próximas e com quem conviveu por mais tempo. Digo que não me surpreendo por ter convivido com ele por cerca de vinte anos, dentro e fora do banco, quando nos tornávamos notívagos e varávamos madrugadas adentro ouvindo cantorias, jogando conversa fora e tomando algumas bicadas quando tínhamos oportunidade. É bom que se registre que a nossa amizade veio bem antes do Banco do Brasil.
Também não vou tergiversar sobre o que ele escreveu intitulado de “Doce regresso”, publicado às 19h50, do dia 20.08.2011, neste Mural. O que tenho a externar é sobre a dificuldade encontrada por qualquer sertanejo ao ter que se distanciar do seu lugarejo e enfrentar a vida em outras plagas – mesmo estando bem – pois a saudade não tem como ser substituída e a dor dilacera os nossos corações. Digo isso estando a 400 km de Afogados da Ingazeira, ou seja, em 4... 5 horas de viagem corro ali, abraço os meus, mato um pouco da saudade represada e, mais tarde, já estou de volta.
Com ele é diferente, afinal está na Região Norte do Brasil, cidade de Marabá, estado do Pará, acompanhando esposa e filhos na difícil missão de criar/educar, tornando-os cidadão/cidadã livres e de bons costumes. Essa é a grande realidade, repito: É difícil para qualquer sertanejo residir longe da sua terra, imagine o nosso amigo que demonstra um amor desmedido por aquele pedação de chão chamado Jabitacá, ou simplesmente Varas mas, como disse o grande Euclides da Cunha: “O sertanejo é antes de tudo um forte”, o Ademar se insere nesse contexto.
A boa notícia que guardamos com ansiedade é que, segundo o próprio - em entrevista ao radialista Anchieta Santos -, ele estará “de volta”, ao vivo e em definitivo com diz o Galvão Bueno, lá pelos anos 2020/2021. Demora, mas chega.
Ao grande amigo, só me resta desejar que Deus continue lhe abençoando e lhe dando muita luz para tocar os empreendimentos que tem em mente, até porque sempre esteve atualizada a máxima: “Quando Deus quer o homem sonha e a obra nasce”. Com você, não vai ser diferente. Parabéns pela brilhante festa. Quincas deve estar muito feliz.
Com certeza os anjos lhe enviaram um relato de tudo que aconteceu. Isso, se ele próprio não tiver vindo conferir. Amante como ele era pela poesia, sobretudo por um autêntico pé-de-parede e, como se não bastasse, ter juntos Sebastião Dias e Diomedes Mariano, eu não duvido nada. A única coisa que assino embaixo é que Jabitacá deve estar muito orgulhosa de vocês. O pai se foi, mas deixou o Filho em seu lugar, guiado pelo Espírito Santo, para dar sequência à sua obra. Quem viver verá. Que os anjos digam Amém (assim seja!).
Para finalizar vou lhe premiar com esse decassílabo de Valdir Teles, no tema: “Sou Caboclo Nordestino / Minha Terra é o Sertão”.
Eu acordava bem cedo / Para brincar no terreiro / E pensava que cangaceiro / Era o nome de um brinquedo / De lampião tinha medo / Mas de Virgulino, não / Sem saber que lampião / Era o mesmo Virgulino / SOU CABOCLO NORDESTINO / MINHA TERRA É O SERTÃO.
Grande abraço e até o nosso próximo encontro
Danizete Siqueira
Recife-PE, 21 de agosto de 2011
Coisas do nosso futebol
Em vinte e nove de maio /
Domingo, pela manhã /
Me veio a inspiração /
Num assunto que sou fã /
Pra contar a trajetória /
O talento e a história /
Do grande atleta DIRRAN.
Como é prazeroso voltar a esta página na manhã do último domingo do mês dedicado à MARIA. A crônica que escrevo hoje é uma crônica bastante diferente das outras e traz um tema que mexe com a maioria dos brasileiros: O futebol. Essa paixão nacional, que é transmitida de geração para geração e acaba contaminando adultos (homens e mulheres) e crianças de todas as idades.
Contam que lá pelos anos 70, ou seja, há 40 anos aproximadamente, surgiu no futebol potiguar um garoto de 19/20 anos que era um capeta com a bola nos pés. Esse rapaz foi trazido para o ABC de Natal, sabe-se lá por quem e, em pouco tempo, conquistou o carinho e a admiração dos natalenses.
A partir da chegada de DIRRAN, a torcida do ABC passou a lotar os estádios nas tardes domingueiras, quer em disputa de campeonato estadual, quer em amistosos com outros clubes da região. Destarte, depois de DIRRAN, o ABC nunca mais seria o mesmo.
E a fama de DIRRAN se espalhava aos quatro cantos. A imprensa falada e escrita, vez que a televisiva ainda não nos alcançava, não poupava elogios a esse jovem; os jornais de circulação diária, estampavam em suas primeiras páginas a grandiosidade de um garoto que estando com a bola nos pés ninguém conseguia segurá-lo. É o nosso “Garrincha” ou, é o “Pelé Nordestino”, diziam os mais vibradores.
E foi nessa euforia que chegou o aniversário da cidade ,quando os organizadores das festividades resolveram fazer um “jogo amistoso”, comemorativo, entre o ABC e o seu maior rival da época, o ALECRIN.
Essa partida tinha dois objetivos: Além da conotação festiva era uma forma inteligente de mostrar para quem não conhecia, o potencial desse jovem surgido inesperadamente e encantando a todos com o seu futebol-arte. Definidos horário e data, prontamente às 16.00h. (horário local), lá estavam as emissoras de rádio para a devida cobertura do evento. Desnecessário citar outros detalhes dessa partida, uma vez que a tônica do jogo, como já era de costume, estava voltada para o majestoso DIRRAN.
Ovacionado pela torcida e, em estado de graça, o menino não decepcionou. Ao final do espetáculo o marcador apontava um placar de 3 x 1 para o ABC, com três belíssimos tentos marcados pela estrela maior: DIRRAN.
No momento tudo era festa e o clima contagiava os expectadores. DIRRAN, conduzido nos braços pela torcida, recebia todo o carinho daquela massa humana que invadia o campo; as emissoras de rádio não falavam em outra coisa, que não o grande destaque da equipe do ABC. Nisso, um dos locutores de pista com muito sacrifício consegue se aproximar de DIRRAN que, a essa altura, está cercado pelos torcedores mais fanáticos e arranca algumas palavras do ídolo.
É quase noite aqui em Natal e somente agora conseguimos nos aproximar de DIRRAN que vai nos falar um pouco desse jogo.
- DIRRAN, boa tarde, parabéns pela atuação brilhante e eu gostaria que você dissesse para os nossos ouvintes como está se sentindo nesse momento.
- Boa tarde. Quero dizer pra todos da minha felicidade, agradecer a Deus por tudo que Ele tem me dado e externar o meu grande contentamento pela forma carinhosa com que tem me tratado essa grande torcida. Estou maravilhado, sem palavras disse se desmanchando em lágrimas...
- DIRRAN, sabemos que futebol é um dom. Você pode aprimorá-lo, mas não aprendê-lo. E esse seu futebol é uma coisa inconfundível, com você em campo não existe placar em branco. A prova disso ficou registrada, mais uma vez, nesta belíssima tarde quando os torcedores do ABC foram presenteados com 3 lindos gols. Agora a nossa maior curiosidade está relacionada com o teu nome. Diz aí pros ouvintes quem é DIRRAN. És, por acaso, descendente de alguma família francesa? Conta pra nós essa história.
- DIRRAN respira fundo, sorri e arremata: Rapaz esse nome de DIRRAN não tem nada a ver com francês, não! Na realidade eu sou do interior do Rio Grande do Norte, mais precisamente de um povoado próximo a Currais Novos e, como você sabe, não é permitido pronunciar palavrão no rádio. Sendo assim essa torcida maravilhosa achou por bem me chamar carinhosamente de DIRRAN. Fiquei feliz com o novo apelido, mas, a bem da verdade, o meu apelido verdadeiro é “Cu de Rã”.
A essa altura do campeonato, ou melhor, da entrevista, o locutor derruba o gravadorzinho portátil e cai em uma profunda gargalhada, enquanto os apaixonados gritam: Dirran nosso maior herói, viva Dirran, eternamente Dirran que Deus continue te iluminado.
São coisas do nosso futebol....
Danizete siqueira de Lima
Recife, 29 de maio de 2011
A importância do nosso site
Caso não existisse esse espaço, fico a me perguntar o que seria de nós afogadenses que vivemos ausentes da nossa querida terra? Aqui nós interagimos com os conterrâneos - próximos ou distantes -, expomos nossas ideias, discutimos, concordamos - ou não - com os outros e tudo isso num clima de muito respeito e harmonia.
Aqui, aqueles que estão fora do seu torrão natal, seja em outros estados, ou mesmo fora do país, como é o caso de Zezé Moura, basta dar uma acessada em nossa página para ficar inteirado dos acontecimentos.
Uma outra observação que faço é com relação ao serviço que ele nos presta quando alguém está perdido ou distanciado dos seus parentes, sem qualquer notícia. Com uma simples nota nesta página, logo você percebe a solidariedade existente em nossos irmãos. Aquela preocupação em dar notícias, se não de imediato, mas, com a brevidade que requer cada caso. E isso eu acho fantástico.
Somente para ilustrar o meu comentário observem que no dia 22.05.2011, domingo último, o Sr. Francisco Pereira de Araújo, ou Chico Velho como ele mesmo se intitula, morando na cidade de São Manuel- SP, postou uma nota dizendo que estava fora de Afogados há mais de 30 (trinta) anos e queria saber como andam seus familiares. Bastou dizer que morou no Sobreira e que era irmão de Expedito Araújo. Mais rápido que imediatamente, Pedro Araújo (sobrinho) e Gonzaga Barboza (primo) já esclareceram todas as suas dúvidas fornecendo, inclusive, fone para contato com os parentes.
É ou não é fantástico? Tudo isso graças a brilhante ideia do meu querido amigo/irmão e companheiro de longas jornadas no Banco do Brasil, Fernando Pires, que com sua dedicação e zelo pelas boas causas, criou e vem mantendo ativo há vários anos o nosso querido “MURAL”.
Graças à participação de alguns colaboradores, sem necessidade de citar nomes, esta página tem sido uma obrigatoriedade de leitura/consulta diária, para mim e outros amigos que conheço. Quando deixo de abrir a página por um ou outro motivo sinto que está faltando alguma coisa em minha rotina diária.
Concluindo, quero desejar ao Fernando Pires muita luz, saúde e uma longevidade acima da média, para que possamos manter acesa esta chama e nos orgulharmos cada vez mais do nosso GRANDIOSO SITE.
Com um fraternal abraço
.
Danizete Siqueira de Lima
Recife, 26 de maio de 2011
Lei da Ficha Limpa
(Da esperança à decepção)
É impressionante a rapidez com que as coisas acontecem em nosso país. Em menos de um ano uma lei consegue nos levar da esperança à decepção, mostrando como ficamos vulneráveis por não habitarmos em um país sério. Senão vejamos: Em 07 de junho de 2010 foi criada a lei da “ficha limpa”, com a finalidade de selecionar os candidatos a cargos eletivos, respaldada nos critérios morais e éticos. A tônica da discussão ficou por conta da aplicabilidade da referida lei já para as eleições de 2010 ou se valeria somente para 2012.
Desde agosto de 2010, com a aposentadoria do ministro Eros Grau, a composição do STF – Supremo Tribunal Federal estava incompleta - por contar com 10 membros- e a votação dessa lei terminou empatada com o placar de 5 x 5.
No último dia 03, com a missão de desempatar essa votação, foi nomeado para a vaga existente, o ministro Luiz Fux, que ontem, dia 23, votou contra a validade da lei para a última eleição, alegando que “Nem o melhor dos direitos pode ser aplicado contra a Constituição”. Votaram, ainda, contra a aplicação imediata: Gilmar Mendes, José Antônio Dias Taffoli, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente da corte, Cézar Peluso.
No início da sessão, o STF decidiu que o julgamento teria repercussão geral. Ou seja, ao julgar outros recursos semelhantes, os ministros ficam obrigados a seguir o mesmo entendimento firmado ontem.
Como em nossa política é comum a famosa “farra do boi”, há no STF recursos de 29 políticos em situação de impedimento, por força da atual lei. Agora essas candidaturas terão de ser legitimadas como a de Jader Barbalho (PMDB-RO), João Capiberibe (PSB-AP) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que concorreram sem registro a uma cadeira no senado e obtiveram votos suficientes para serem eleitos. O Cássio, por exemplo, teve cerca de 1 milhão de votos. No caso dos deputados será preciso refazer o cálculo dos votos do legislativo (quociente eleitoral) para saber quem sai e quem entra. No caso dos 3 senadores saem com menos de dois meses de mandato: Marinor Brito (PSOL-RO), Gilvan Borges (PMDB-AP) e Wilson Santiago (PMDB-PB).
Enquanto escutamos as lamentações dos que saem, Cássio Cunha Lima usou o TWITTER para comemorar, ontem à noite, a decisão do STF. “Louvado Seja Deus! Sem palavras para agradecer. Saberei honrar este mandato”, disse.
O caso que considero mais crítico é o de Jader Barbalho, que renunciou ao mandato para escapar de um processo por quebra de decoro parlamentar , e agora está voltando como se nada tivesse acontecido. Simples, não é?
Tudo isso é fruto da certeza da impunidade - marca registrada em nosso país - que leva os nossos políticos a usarem desse e de outros artifícios que eles vão descobrindo ao longo de suas experiências, enquanto familiarizados com as maracutaias que somente os poderosos podem fazer uso.
Essa decisão de ontem que revoltou milhões e milhões de brasileiros, foi, também, lamentada por integrantes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), grupo composto por 50 entidades e responsável pelo projeto de iniciativa popular, que resultou na lei, após o recolhimento de 1,6 milhão de assinaturas.
Para a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, a decisão “frustra a sociedade” que, por meio da lei de iniciativa popular “apontou um novo caminho para a seleção de candidatos a cargos eletivos fundado no critério da moralidade e da ética”.E nós, cidadãos comuns, como ficamos? O que fazer? Qual a saída?
As perguntas podem ser formuladas de várias maneiras mas, a resposta parece óbvia: Exercitar com responsabilidade e compromisso o direito sagrado do voto. Esses “Fichas Sujas” que estão de volta ao poder foram escolhidos por nós. Destarte, não adianta ficarmos no muro das lamentações ou reclamarmos das leis que eles elaboram/aprovam, se somos nós que outorgamos esses poderes.
Foi assim, é assim e assim continuará, enquanto não adquirirmos a verdadeira consciência política para a escolha dos nossos representantes. Esse filme é reprisado a cada dois anos, os bandidos são os mesmos, e ninguém se cansa de assisti-lo.
É por essas e outras que os Barbalhos, Calheiros, Sarneys, Malufes, Rorizes da vida e tantos outros que fazem parte dessa corja, vivem dando risadas da vida e zombando da nossa ingenuidade, ao tempo em que emporcalham a nossa Pátria e mancham de sangue as cores da nossa Bandeira
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 24 de março de 2011
Sobre a passagem do aniversário do dr. Luciano Bezerra, em 14 do corrente, e para não deixar o "matuto das varas" cantando de galo, resolvi, também, versejar a minha mensagem ao amigo aniversariante:
É pessoa de grande envergadura
Defensor por inteiro dos mais pobres
Entre nós um amigo dos mais nobres
No Mural um exemplo de cultura
No dr. você acha, se procura
Um cronista, um jurista, um veterano,
Um parceiro, um amigo ou mesmo um mano,
Um sujeito muito extraordinário
Parabéns pelo seu aniversário
Nos dez pés de MARTELO ALAGOANO.
Parabéns e felicidades mil.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 15 de janeiro de 2011
O sepultamento de dona Quitéria (viúva Pedro Batista Tavares)
Com relação ao comentário (de Fernando Pires) sobre a ausência dos nossos comerciantes no sepultamento de dona Quitéria Batista, isso nos mostra que aquela máxima do "tanto tenha, tanto vale; nada tenha, nada vale" continua em voga.
É notório nos velórios por onde passamos que a quantidade de pessoas que comparecem tem tudo a ver com a condição atual do sepultado, ou seja, se ele está fora da vitrine, pouco importa o que representou/representa o seu passado. Isso nos deixa muito tristes e me fez lembrar uma sextilha feita pelo Cearense e grande poeta Geraldo Amâncio, quando disse:
Todo rico quando morre // Deixa fortuna de feixe
Carro novo e armazém // Açude pra guardar peixe
Mas morrendo pobrezinho // Talvez nem lembranças deixe.
É triste, mas é uma pura realidade.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 07 de janeiro de 2011
Senhor Bom Jesus dos Remédios (Querido Padroeiro)
Há 13 meses, mais precisamente em novembro de 2009, o dr. Luciano Bezerra, nosso amigo e colaborador deste Mural, alertava-nos para os desmandos com a nossa cidade e pedia aos afogadenses que residem fora para não se empolgarem com a famosa e tradicional Festa do Padroeiro, sob pena de se decepcionarem com o que veriam na virada do ano 2009/2010.
Durante todo o ano de 2010, lemos várias matérias que mostravam o descaso com que a nossa querida Afogados vinha sendo tratada pelos governantes, no tocante ao trato com as coisas públicas, quais sejam: falta de limpeza urbana, falta de conservação das vias públicas, falta de manutenção e conservação da nossa querida Pça. Monsenhor Arruda Câmara, assoreamento da Barragem de Brotas, sujeira nas margens do rio Pajeú que circundam a cidade, ausência de disciplina no trânsito, desordem provocada pelas carroças de burros que trafegam pelas principais avenidas, poluição sonora provocada pelas "discotecas ambulantes", só para citar as mais gritantes.
Aos trancos e barrancos chegamos ao final do ano e, infelizmente, os problemas continuam tanto ou quanto piores. Destarte, a pergunta que não quer calar é a seguinte: Qual a explicação para tantos desmandos?
Poderemos sugerir a falta de verba, a redução do FPM, a queda na receita de um modo geral ou, simplesmente, uma má gestão para com a coisa pública.
Como justificar os atrasos nos pagamentos dos servidores aposentados? Folha de pagamento é uma coisa sagrada, o resto faz-se se puder. A propósito, no dia 03 de outubro, fui a Afogados cumprir com o dever cívico de exercer a minha cidadania e ouvi de um servidor, em frente ao Colégio Cônego João Leite: “Danizete, eu trabalhei 40 (quarenta) anos para galgar uma aposentadoria melhor e, hoje, se você olhar meu contracheque você chora. O pior é que não estou recebendo e não tenho outra fonte de renda", concluiu com os olhos marejados”. Isso é de estarrecer.
Cadê o Planejamento Anual, a Gestão Participativa? Alguém sabe dizer o que está fazendo o Poder Legislativo, além daquela briga em se ampliar o número de vereadores? São questionamentos que precisam de respostas urgentes.
Se o município passa por dificuldades, imagine um aposentado que trabalhou a vida toda, tem uma só fonte de renda e espera 2, 3, 4 meses para receber o que lhe é de direito, e quando reivindica esse direito de forma pouco convencional, como greve ou alguma passeata, mesmo que de forma pacífica, sofre retaliações e até agressões físicas, a exemplo do que ocorreu com um membro do Sindicato da categoria, em um passado recente.
Mas, para não tergiversarmos fugindo do tema principal, vamos retroceder um pouco até a festa do nosso Glorioso Padroeiro.
Este ano, mais uma vez, nos surpreendemos com o tratamento dado aos festejos Natalinos e a festa do santo Padroeiro. O que vimos dá vontade de chorar: ruas escuras, praças mal iluminadas, árvores não podadas, a nossa Igreja Católica (cartão postal da cidade), totalmente às escuras, só conseguíamos divisá-la por sabermos o local que se encontra, embora escondida por trás de uma praça e ladeada por outra, também, em péssimas condições de luminosidade, mostrando o desprestígio do nosso Padroeiro e obscurecendo toda aquela exuberância que outrora foi motivo de orgulho para nós residentes aqui ou não e que chamava à atenção de quem nos visitava.
Aquela “cidade-encanto” encravada no Sertão do Pajeú, aquela cidade-polo que enchia seus filhos de orgulho, pouco a pouco está desaparecendo e a tristeza nos domina profundamente.
Como crítico ferrenho à prorrogação de mandatos, estas considerações que fazemos só vêm a corroborar com o nosso ponto de vista sobre a nocividade da perpetuação no poder, pois quando observamos administrações que se sucedem através de reeleições e fazemos um comparativo entre os mandatos, salvo raríssimas exceções, as distorções são enormes e as explicações pouco convincentes. E isso acontece nas escalas municipais, estaduais e federais.
Defendemos um mandato mais extenso para a Presidência da Pepública (mínimo de 6 anos) e a extinção das famosas reeleições que custam muito caro, trazem prejuízos incalculáveis e decepções cada vez maiores.
Nas reeleições a coisa funciona mais ou menos assim: o político assume o primeiro mandato empolgado e comprometido com os anseios da população, faz uma senhora administração, conquista os votos dos adversários, amplia suas bases eleitorais e se reelege sem maiores dificuldades. Após assumir o segundo mandato que lhe foi conferido, muda totalmente sua forma de trabalhar, o trato com os correligionários, o convívio com o Legislativo, enfim: é comprar uma rede boa e usar como refrão aquela famosa música de Luiz Gonzaga (O Jumento é nosso Irmão); daí vem pau no lombo, pau nas orelhas e quem quiser que se exploda. Não precisa mais de votos daqueles que acreditaram em suas propostas, agora é posar de não-me-toques e se achar o máximo pelo sufrágio adquirido nas urnas como demonstração de que é mesmo imbatível. Seu projeto de vida já foi concluído. O município que vá pras cucuias e o eleitorado... quem manda ser besta?!
Pobre Senhor Bom Jesus dos Remédios, o nosso protetor, agora se encontra totalmente desprotegido e a tristeza continua a nos abater por sabermos que Ele nada tem a ver com o que está acontecendo, porém, acredito eu, um dia a sua festa voltará a ter o destaque merecido e nós regozijados voltaremos a sorrir e darmos glória ao nosso tão QUERIDO E FIEL PADROEIRO porque AFOGADOS LHE LOUVA E ACLAMA e assim pedirmos: DERRAMAI SUAS BÊNÇAOS CELESTES SOBRE O POVO QUE TANTO TE AMA.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 02 de janeiro de 2011
O Natal
Ouvimos dizer, com frequência, que o Natal tem se tornado cada vez mais uma época comercial, onde a maioria só pensa em comprar ou vender.
Nesta época é comum a troca de presentes, as ceias cada vez mais fartas e as famosas confraternizações que acontecem no ambiente do trabalho e entre as famílias.
É bem verdade que, para a maioria das pessoas, o fator comércio seja o único objetivo. Entretanto, vale ressaltar que, mesmo as pessoas que possuem essa mentalidade, sentem que a data do nascimento do menino Jesus, transmite a todos uma felicidade de espírito que fica evidenciada nas expressões, nos atos e nos semblantes de cada um de nós. É algo inexplicável. Algo que só vivenciamos nessa época, não temos como fugir.
E o comércio? E o compra-venda? Existem sim. Mas o sentimento de quem dá um presente no Natal, de quem vê um sorriso de agradecimento no rosto de quem recebeu... Isso vale todo o comércio, todo o capitalismo selvagem com o qual convivemos, toda a profanidade que se espalha nessa época do ano. Simplesmente porque o AMOR é superior a tudo isso.
O abraço fraterno, o ombro que acolhe, o afago, o sorriso amigo, esse bem-querer de amizade...
É isso o que realmente importa. Foi isso que aprendemos e devemos cultuar todos os dias se quisermos ter um mundo melhor, mais fraterno e mais humano.
Agradecendo e retribuindo os votos Natalinos, desejamos a todos os amigos e colaboradores deste mural, em particular ao meu querido amigo/irmão Fernando Pires, um Ano Novo repleto de realizações, extensivo a todos os seus familiares.
Com um fraternal abraço.
Danizete Siqueira de Lima e família.
Recife, 26 de dezembro de 2010
O Preço da Imbecilidade
Como é do conhecimento de todos, no último dia do mês de outubro próximo passado, os brasileiros foram às urnas para, em um processo democrático, escolherem o/a Presidente da República, para o quadriênio 2011/2014. Também é do nosso conhecimento que a candidata do PT Dilma Rousseff, foi a eleita com uma diferença superior aos 12.000.000 (doze milhões) de votos, o que aliás, já era apontado por quase todos os Institutos de Pesquisas.
O meu comentário nesta coluna descarta questionamentos a cerca de quem seria melhor ou pior para comandar os destinos de nossa Nação, até porque o voto além de livre é uma coisa totalmente pessoal e o Processo Democrático consiste em convivermos, quando preciso, nas divergências.
A matéria a qual me refiro consta do Jornal do Commercio do dia 04.11, caderno de Política, página 5 e diz que o escritório Peixoto e Cury Advogados, de São Paulo anunciou por meio de uma nota, em 03 do corrente, quarta feira p.p., que a estudante de Direito, MAYARA PETRUSO, apontada como autora de mensagem no Twitter contra os nordestinos não mais fazia parte dos seus quadros. Na nota, no entanto, o escritório não explicou se a jovem que atuava como estagiária, foi demitida ou pediu demissão. Lamentou, porém, o teor da declaração da estudante, que virou símbolo do preconceito. Na madrugada da última segunda feira, horas após a vitória de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) na disputa presidencial, Mayara atribuiu ao povo nordestino a derrota do tucano e escreveu na sua conta no microblog: “Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado”
Desde que postou a mensagem, a estudante cancelou a sua conta no Twitter, pediu desculpas no Orkut e não deu mais declarações.
Com muito pesar e indignação, (o Peixoto e Cury Advogados) lamentou a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia, afirmou em nota o escritório.
É muito triste para nós nordestinos nos depararmos com situações semelhantes a essa - que não são raras-, pois todos sabem que o próprio candidato derrotado, em um momento de pouca lucidez, talvez ele nem lembre, considerou os nordestinos como uma sub-raça e agora no processo eleitoral andou nos rodeando à cata de votos para assumir a tão sonhada Presidência.
O bom da vida é que ela tem os seus reveses, por mais que queiramos nos distanciar.
Tenho muita pena dessa “pobre estudante”, mesmo sem saber o porquê dessa discriminação ou revolta. Atribuo à ignorância, embora se tratando de uma estudante de Direito. Nunca vi tanta pobreza de espírito
Por acaso ela sabe que os paulistanos deram 1.300.000 votos a “tiririca”, que talvez nem assuma o mandato que lhe foi confiado? ou, ainda, que Enéas, do famoso PRONA, quando foi eleito com 1.500.000 de votos, arrastou um deputado paulista , residente no Rio de Janeiro, que teve menos de 1.000 votos e que, um dos seus projetos mais importantes, era introduzir nas escolas públicas a leitura obrigatória da Bíblia Sagrada? Será que essa estudante tem conhecimento de que o grande Reginaldo Rossi, cantor brega conhecido em todo o Brasil como o Rei da “bossa nova” e com popularidade em vários países da América do Sul foi candidato no último pleito a Deputado Estadual, por Pernambuco, e os pernambucanos lhes deram somente 15.000 votos, ou seja, ele não foi eleito?
Acho que ela não sabe desses dados, ou melhor, queira Deus ela saiba quais são os estados que compõem a Região Nordeste. Acho que esta pobre moça precisa estudar bem mais, principalmente pela carreira que ela pensa em abraçar. Precisa conhecer melhor a nossa gente e parar de dizer asneiras. Existem outras formas de aparecer, é só procurá-las.
O lado bom desse episódio, digno de ressalva, foi a conduta adotada pelo escritório onde ela estagiava.
Uma outra coisa que merece registro é que a seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) prometeu entrar na justiça de São Paulo com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada pelo Twitter. Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara Petruso deve responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.
De minha parte, com todo respeito aos leitores, eu quero é que ela se “lasque”.
Essas mensagens que circulam no Twitter, são absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social que a profissão requer. Como alguém com esse comportamento vai se tornar uma profissional que precisa defender a justiça e os direitos humanos?
Em julho deste ano, a seção pernambucana da Ordem já havia prestado queixa à Polícia Federal contra pelo menos dez usuários do Twitter, por mensagens ofensivas aos nordestinos após as enchentes na região.
“Essas redes sociais são meios de comunicação de alcance nacional, e crimes que ocorram nelas são de ordem federal. São ofensas que atingem todos os nordestinos, existe um direito difuso aí sendo desrespeitado”, comenta Mariano, para quem o baixo nível da campanha pela internet este ano, apesar de não justificar os ataques, pode tê-los estimulado.
Com a palavra, os mestres do assunto: drs. Luciano Bezerra e Gilberto Moura. Eu, por enquanto, só tenho a desabafar e esperar que atitudes como estas sejam coibidas e, em casos abusivos que sejam aplicados os rigores da Lei.
Queremos respeito e tratamento digno.
Um abraço a todos.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 07 de novembro de 2010
O Futebol e a Educação Em Nosso País
Há poucos dias vimos serem divulgados pela imprensa falada e escrita, os resultados do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, quando verificamos que apenas 7,5% das escolas de Pernambuco ficaram com média igual ou superior a média brasileira (4,6) entre o 1º e o 5º ano.
As boas notícias foram que no nível do 6º ao 9º ano, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), obteve a nota mais alta (8,0) e, dentro desse mesmo nível, o destaque positivo, no interior, foi para o Centro de Excelência Municipal Dom João José da Mota e Albuquerque, em Afogados da Ingazeira, o qual fez jus ao nome e conseguiu a excelente pontuação de 5.6 no IDEB.
Com relação à divulgação dos resultados do último Exame Nacional de Ensino Médio – ENEM aparece como uma Escola de primeiro mundo, a Escola Tomé Francisco da Silva, localizada em Quixaba-PE, que fica a mais de 400 km da capital pernambucana, e que vem repetindo este desempenho com muito orgulho, desde 2006. Esta escola apresentou uma média geral de 559,32, quando a excelência do ensino nos países de primeiro mundo é alcançada a partir de 600 pontos.
Essas boas notícias, é claro, nos deixam felizes e sinalizam que é possível, mesmo com dificuldades, proporcionarmos uma educação de qualidade em nosso país. Basta que haja vontade política na liberação de recursos com acompanhamento e fiscalização adequados, estímulo e capacitação dos professores, começando por melhoria nos salários, proporcionando uma alteração na qualidade de vida dos mesmos, que são renegados a último plano, o que se nota quando fazem qualquer tipo de manifestação como reivindicação de piso, movimentos grevistas, etc.
Observamos, em passagem por escolas do interior, que o ensinar em nosso país é um sacerdócio, pois o que vemos são salas superlotadas, mal iluminadas, sem bancas suficientes, sem verbas para manutenção e uma fartura geral, ou seja, farta água, farta gás para cozinhar a merenda (quando tem), farta material didático e, quando aparece precisa ser recolhido por conteúdo impróprio, como ocorreu recentemente em orientações sexuais para crianças do ensino fundamental e por aí vai.
Vou fugir um pouco do assunto para fazer um paralelo com o nosso futebol. Entre os dias 11 de junho e 11 de julho, últimos, o mundo inteiro assistiu o desenrolar da 19ª Copa do Mundo que, pela primeira vez, foi sediada por um país Africano. Como de praxe, começou com 08 grupos de 04 seleções e findou com a Espanha campeã do mundo, quando derrotou a Holanda, no estádio de Johanesburgo. Para nós, a Copa acabou mais cedo, quando fomos desclassificados no dia 02/07, em Porto Elisabete, ao perdermos de 2 x 1 para a Holanda.
Não é meu intuito avaliar as razões de nossa derrota até porque não é alçada minha, mas, como bom brasileiro, lamentamos a derrota. Quem gosta de perder? Queremos sempre ganhar a qualquer custo. Bota-se culpa em técnico, jogadores que foram expulsos, árbitros que não fizeram o trabalho corretamente, escalação inadequada, enfim tudo é desculpa e ninguém aceita um resultado adverso.
É impressionante como os brasileiros reagem diante dessa situação: O BRASIL FOI DESCLASSIFICADO. Pessoas choram, se revoltam, adoecem, xingam, enfartam, tem AVC, etc.
Na crônica de 13/07/2010, escrita pelo conterrâneo/amigo Carlos Gomes, ele ressalta: Ouvi de uma bem comportada e devidamente trajada torcedora a seguinte declaração: Isso é uma vergonha, não quero mais saber de copa do mundo.
E, ainda, palavras de KAKÁ: “A eliminação machuca. Dói. Estou decepcionado. Não há muito o que dizer num momento como esse.”
A mídia nos mostrou nos dias seguintes à eliminação, como cada brasileiro reage, como cada um analisa os fatos e, fica nos parecendo que o mundo desabou sob os nossos pés.
Esquecemos que somos PENTA (campeões cinco vezes) em 19 edições de Copas. Todas as outras seleções juntas somam 14 títulos. Não interessa, ninguém quer saber disso. Queremos mais títulos e mais e mais...
Calma gente! Somos a OITAVA seleção do mundo. Pra que tanta revolta?
Vamos transferir toda essa indignação para o setor da educação. Não estamos fazendo nada para melhorá-la e estamos em 85º. É isso mesmo que vocês estão vendo: 85º (Octogésimo quinto) lugar em educação no Ranking Mundial.
QUE VERGONHA!
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 24 de julho de 2010
Educação/Politização
Amigo Fernando Pires, Como estamos a poucos dias de uma eleição majoritária e o assunto em tela - acredito eu - seja do interesse da maioria, achei por bem divulgar essa matéria que considero de utilidade a todos. Dentro da minha ótica, considero o assunto muito delicado e digno de uma reflexão por todos aqueles que se preocupam com o futuro desse país.
EDUCAÇÃO (João Ubaldo Ribeiro).
Precisa-se de MATÉRIA PRIMA para construir um país.
A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizem que Lula não serve. E o que vier depois de Lula não servirá para nada...
Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula.
O problema está em nós. NÓS como POVO. NÓS como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a “esperteza” é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais que o dólar.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais não poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas na calçada onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.
Pertenço a um país onde as “empresas privadas” são papelaria particular de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos... E para eles mesmos.
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu “puxar” a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos imposto.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar o que não tem, encher o saco de quem tem pouco e beneficiar só a alguns.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser “ comprados’, sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisas erradas mas, nos esbaldamos em criticar nossos governantes.
Como “matéria prima” de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos homens e mulheres de que nosso país precisa.
Esses defeitos, essa “ESPERTEZA BRASILEIRA” congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar. Fernando Henrique ou Lula é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Entristeço-me. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor. Mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique e nem serve Lula, nem servirá o que vier.
QUAL É A ALTERNATIVA?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa “outra coisa” não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... Igualmente sacaneados!
É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar! Um novo governante com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada... Está muito claro. Somos nós os que temos que mudar.
Agora, depois dessa mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
É o que eu sempre digo. “O GOVERNO SOMOS NÓS, OS POLÍTICOS, NEM TANTO ASSIM.” (Paulo Busko) MEDITE! E eu acrescento: O que nos falta é educação.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 22 de julho de 2010
Saudade dos Velhos Festivais
Gostaria de parabenizar o amigo Luciano Bezerra, pela matéria divulgada nesta página, em 14.07, alusiva ao festival que acontecerá em breve na vizinha cidade de São José do Egito e, como bom sertanejo e amante da poesia, não poderia me furtar em fazer um breve comentário sobre tal acontecimento.
É doloroso para qualquer cidadão sensato e que conhece a nossa região, saber que a terra dos irmãos Batista, que teve por várias décadas a plêiade que tanto nos orgulhou e enalteceu a cultura dessa querida terra, seja invadida em data festiva por lixos musicais dos mais diversos, desprovidos de qualquer compromisso com a cultura, a ética e os bons costumes que norteiam a tradição do lugar.
Vaticinando, eu diria que o prejuízo que fica será enorme, uma vez que a cada evento que se repete nesses moldes também se repete a descaracterização de toda uma cultura construída há várias décadas por uma população amante da poesia-arte.
Como devem ficar tristes os nossos apologistas, os amantes das tradições culturais que fazem parte da história desse povo. Onde estão as nossas autoridades? Cadê a Secretaria de Educação, Cultura e Esportes? Vamos ouvir a população e ver o que ela acha de tudo isso. Não temos necessidade de importarmos lixo que não sabemos de onde vem e nem quem o conduz. Vamos respeitar a memória dos nossos menestréis. A cultura de um povo deve ser preservada a todo custo; a arte vence o tempo e é assim que deve ser vista.
Faço coro com o amigo/irmão Ademar Rafael, em suas sábias colocações, e conclamo a outros amigos defensores da arte e da poesia, a combatermos com veemência esse tipo de abuso, em respeito às memórias de tantos talentos que se foram e que, com certeza, onde estiverem estão inquietos diante de tanto descaso na preservação do talento e tradição de um povo que tanto orgulhou/orgulha o nosso querido Pajeú.
Finalizando, nunca é demais relembrar esta oitava feita em momento de muita inspiração por um “monstro” chamado Rogaciano Leite.
“Senhores críticos, basta! // Deixai-me passar sem pejo // Que o trovador sertanejo // Vê seu pinho dedilhar // Eu sou da terra onde as almas // São feitas de cantadores // Sou do Pajeú das Flores // Tenho razão de cantar.”
Outra vez, cantando com Lourival Batista, ele fez um comentário sobre Itapetim que Lourival retrucou, dizendo: “Não fales de tua terra // Rogaciano sossega // Filho que fala da mãe // Morrendo o diabo carrega.
Rogaciano pegando na deixa responde:
“Está certo o meu colega // Sua razão não se some // O diabo carrega o filho // Que da mãe manchar o nome // Mas também carrega a mãe // Que mata o filho de fome.”
Portanto, peço desculpa se contrario alguém, mas acho não ser de bom alvitre assistir inertes a estes desmandos que tentam nos empurrar goela abaixo. Nossos menestréis, como já disse, merecem todo o nosso respeito e a preservação das boas coisas é um norte para a sensatez.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 19 de julho de 2010
Solidariedade
Com muita tristeza lemos no Mural - da página afogadosdaingazeira.com -, com registro em 24.05.2010, pelo nosso querido Fernando Pires, e ficamos sensibilizados face à crítica situação em que se encontram o nosso amigo Garibaldi Marques, o “Badinho” e, consequentemente, dona Carmélia Marques que, como se não bastasse ser mãe, é uma pessoa idosa e em estado de saúde, também, comprometido.
Com registro naquela mesma data, postado por Júnior Sá, o popular “finfa”, vimos um apelo à sensibilidade dos afogadenses para, neste momento de dificuldades prestar o devido apoio e solidariedade a essas duas pessoas tão queridas e com um passado que lhes credencia a ter essa reciprocidade com atos humanos e generosos que só fazem bem a alma e aliviam os nossos sofrimentos.
Como se não bastassem os apelos acima, fiquei mais sensibilizado ainda, quando li a matéria de autoria dessa grande figura humana que pelo seu exemplo e forma de conduta, considero-o ímpar, o nosso querido escritor GONZAGA BARBOSA, conclamando-nos a fazer o mesmo em prol dessas pessoas tão queridas em nosso convívio.
Uno-me a eles e faço um apelo às pessoas generosas de nossa cidade, para que possam solidarizarem-se com esses nossos irmãos que passam por dificuldades.
Badinho, não tive muita aproximação com o mesmo, já que viveu parte da sua vida afastado de Afogados, mas, conheço a sua história e sempre o admirei pelo talento e pela criatura humana que tem sido. Dona Carmélia, pelo trabalho que sempre desenvolveu na área de saúde junto ao Hospital Emília Câmara, cuidando de pacientes com amor, dedicação e zelo, conquistou o carinho e a simpatia de todos que a conhecem. Sabemos tratar-se de uma excelente profissional que cumpriu com eficiência as tarefas que lhes foram atribuídas enquanto funcionária pública.
Destarte, independente das qualidades aferidas, acredito que qualquer ser humano seja digno de uma visita, um afago, um carinho, uma palavra amiga, um gesto de respeito e solidariedade, principalmente nos momentos de angústias, tristezas e, o pior de todos, o momento em que a solidão tenta nos abater e nos sentimos dissociados dos nossos semelhantes. Não podemos esquecer que somos todos irmãos e filhos do mesmo Criador.
Para ilustrar o meu comentário, resolvi fazer uso de uma matéria que li há alguns anos em uma revista evangélica e que me tocou profundamente, intitulada:
SEGURANDO UM AO OUTRO.
A sobrecarregada enfermeira viu o jovem entrar no quarto e, inclinando-se, disse alto ao paciente idoso: “Seu filho está aqui”.
Com grande esforço ele abriu os olhos e, a seguir, fechou-os outra vez. O jovem apertou a envelhecida mão e sentou-se ao lado da cama. Por toda a noite ficou sentado ali, segurando a mão e sussurrando palavras de conforto ao velho homem.
À luz da manhã, o paciente tinha morrido. Em instantes, a equipe de funcionários do hospital encheu o quarto para desligar as máquinas e remover as agulhas. A enfermeira aproximou-se do jovem e começou a oferecer-lhe condolências, mas ele a interrompeu.
- “Quem era esse homem?”, perguntou.
Assustada, a enferemeira respondeu:
- “Eu achei que era seu pai!”.
- “Não, não era meu pai”. Respondeu o jovem. “Eu nunca o vi antes em minha vida”.
- “Então, porque você não falou nada quando lhe anunciei para ele?”.
- “Eu percebi que ele precisava do filho e o filho não estava aqui”, explicou o jovem. “E como ele estava por demais doente para reconhecer que eu não era seu filho, eu vi que ele precisava de mim”...
Madre Teresa de Calcutá costumava dizer que ninguém tem que morrer sozinho.
Do mesmo modo, ninguém deve se afligir sozinho ou chorar sozinho; rir sozinho ou celebrar sozinho.
Nós fomos feitos para viajar de mãos dadas através da jornada da vida.
Há alguém pronto para segurar a sua mão hoje.
E há alguém esperando que você segure a dele.
Reflitam bastante sobre isto e tenham todos uma ótima semana.
Um fraternal abraço.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 29 de maio de 2010
Missa de 7º dia - dr. Hermes Canto
Partiu prá eternidade
Quem tantas vidas salvou,
Foi atender ao pedido
De Jesus que lhe chamou
Sem ter noção do tamanho
Da saudade que deixou.
Aos familiares, mais uma vez, os nossos sinceros sentimentos.
Danizete Siqueira de Lima e família
Afogados da Ingazeira, PE, 07 de maio de 2010
Dr. Hermes Canto
Há pouco mais de um mês, neste mesmo espaço, escrevi algumas palavras com o intuito de homenagear o dr. Hermes Canto pela passagem do seu centenário e, apesar de não poder estar presente às solenidades, tenho certeza que as homenagens foram inúmeras e as comemorações mais do que merecidas, aconteceram em um clima festivo e de muita fraternidade.
Hoje, 2 de maio de 2010, volto a essa mesma coluna para prestar-lhe a última homenagem, pois tomei conhecimento do seu falecimento, após leitura do nosso querido Site, ontem à noite.
Na verdade, são situações totalmente díspares e preferíamos que não fosse assim mas, não podemos mudar o curso natural das coisas e temos que nos contentar com essas desigualdades, onde os acontecimentos ora nos exultam, ora nos causam profundos pesares.
Falar sobre dr. Hermes, diante do que conhecemos e do que já foi dito nesse mural, constitui-se um grande erro de redundância que preferimos não cometê-lo. Cabe-nos, portanto, enviar os nossos votos de condolências à sua esposa D.Terezinha Veras Canto, aos filhos Vânia e Hermes Júnior, ao genro, noras, netos e demais familiares, pedindo a Deus que lhes dê o devido conforto, pois sabemos que o nosso grande médico, por tudo que representou em sua passagem terrena terá um lugar garantido à direita do Pai.
É sem dúvida uma perda irreparável
E o sentimento de dor fala mais forte
Nunca estamos preparados para a morte
Ainda mais de pessoa tão amável,
Caridosa, humana e responsável
Com certeza um grande espírito de luz
Como médico conduziu sua cruz
Dando tudo de si prá salvar vidas
Vai com honras bastante merecidas
Prá sentar-se à direita de Jesus.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 2 de maio de 2010.
Edson Barbosa de Araújo ( Bedeca)
A vida, em seu processo natural, está sempre nos pregando peças que normalmente nos surpreendem. Algumas surpresas são agradáveis, outras tristes; umas não nos surpreendem tanto, outras nos deixam perplexos. E nesse processo evolutivo, as alegrias vão nos contagiando e as tristezas vão deixando cicatrizes que só o próprio tempo é capaz de apagá-las.
Nesse 31 de março de 2010, quando a cidade parou para homenagear o centenário de um dos seus mais ilustres “filhos adotivos”, o nosso querido dr. Hermes Canto, também tomávamos conhecimento do falecimento de Edson Barbosa de Araújo, conhecido popularmente como “BEDECA” ou como disse Nill Juníor em seu Blog diário, o “gente boa”, que veio a falecer as 7h30 do dia 30 de março, na cidade de Arcoverde-PE.
Enquanto dr. Hermes e familiares, em um clima festivo e harmônico, recebia os cumprimento dos presentes, as muitas homenagens mais que merecidas, missa em ação de graças e tudo que tinha direito pela comemoração dos seus 100 (cem) anos de vida, em um outro endereço na Av. Artur Padilha, residência do Sr. Expedito Araújo e D.Eremita, era velado o corpo de um amigo nosso com pouco mais da metade de sua idade (52 anos).
Ao primeiro rendi minha singela homenagem em mensagem postada nessa mesma página e ao segundo o faço agora-, apesar da enorme tristeza face as diferenças circunstanciais.
Num período de 12 a 13 anos, quando fiz parte da diretoria de nossa querida Associação Atlética Banco do Brasil - AABB, tive uma convivência de irmão com o Bedeca, que já era meu amigo há muito tempo.
Como responsável pelo serviço de bar e restaurante, é bom que se registre, o Bedeca colocou o nosso clube no pódio por vários anos consecutivos, quando a nossa cozinha foi considerada entre as melhores da região.
Só para citar dois casos concretos: 1) Em uma certa ocasião, a orquestra Super Oara foi tocar em Tabira-PE ficando hospedada na pousada de José Eurico Sanzone, o conhecido “Zé Preguiça” e Beto nos ligou pedindo reserva para almoço no domingo (cerca de 30 pessoas), pois ouvira a propaganda da nossa cozinha em Arcoverde-PE. e queria comer uma “BUCHADA” preparada pelo Bedeca, o que, com certeza, aconteceu no retorno da festa. 2) Com a venda do Bandepe para o ABN AMRO BANK, houve uma concentração em Afogados reunindo os funcionários de toda a região e, mais uma vez, o nosso amigo Bedeca mostrou competência ao servir café da manhã e almoço para cerca de 300 (trezentas) pessoas.
Na área de esportes a sua ajuda não ficou por menos. Lembro-me das realizações de vários campeonatos de futebol minicampo, onde o seu apoio era imprescindível. A diretoria, junto aos organizadores era sempre acompanhada e orientada de perto pelo Bedeca, começando pelas coisas mais simples como marcação do campo, cuidados com o gramado e indo até a entrega dos troféus às equipes consagradas.
Dentre esses campeonatos, um dos mais marcantes foi o que homenageamos Alex José Rodrigues dos Santos, o grande “Lequinho”. Nesse campeonato o Bedeca deu tudo de si e muito mais, pois muitas vezes as nossas reuniões varavam noites para que tudo saísse certinho e não tivéssemos problemas. Um dos seus parceiros preferidos nessas organizações, a quem chamava de “irmão”, era o nosso querido “Júnior Finfa”. Tivemos também colaborações de Julio César, Lúcio André, Batista, João Ricardo, Naldinho Rodrigues e tantos outros apaixonados pelo futebol arte.
Fora do nosso convívio de trabalho, também o admirava pelos serviços prestados como bom desportista, atuando em várias equipes no nosso futebol amador e colaborando para o engrandecimento do nosso esporte. Não se negava a participar de qualquer evento ligado à prática esportiva. Era só procurá-lo e lá estava a sua grandeza em servir.
São essas boas recordações que guardarei do Bedeca, pois sempre fui muito grato pelo que ele representou para a nossa AABB, além de fazer parte da sua lista de amigos.
E por tudo que aqui foi relatado, me sinto na obrigação de prestar essa simples homenagem ao meu querido Edson Araújo, pedindo a Deus que conforte a sua família, os seus amigos e que lhe dê o merecido descanso afinal. Quem somos nós para questionar os desígnios do Criador.
Aos pais Expedito e Eremita, aos irmãos José Araújo, Paulão, Luis, Pedro, Toinho, Fátima e Lena, a esposa Marinês e seus 3 filhos e aos demais familiares, os nossos sinceros votos de pesar e que Deus esteja presente nesse momento de dor.
Com um fraternal abraço, esses são os sinceros votos de Danizete, Betânia, Patrícia e Darlan.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 1º de abril de 2010.
Doutor Hermes de Sousa Canto, 100 ANOS
Escrever não é o meu forte, mas, como bom afogadense, não poderia deixar de prestar a minha homenagem a uma pessoa tão querida e que tanto fez por nossa cidade e por nossa região.
Nos dias atuais, não é para qualquer um chegar aos 100 anos de vida, e mais difícil ainda é se alcançar essa idade conduzindo na bagagem o exemplo de vida do nosso homenageado. Esse pernambucano filho do Recife, que Afogados tomou por adoção quando tinha apenas 28 anos de idade, recém formado e com o firme propósito de acolher profissionalmente todos aqueles que dele precisavam. O predestinado médico que abandonou a civilização de uma grande metrópole, conhecida como a Veneza Brasileira, para conviver com pessoas rudes e humildes em nosso rincão sertanejo e cuidar da saúde do nosso povo. Isto há mais de 70 anos.
Como único médico da cidade, atendia as populações de Afogados, das cidades circunvizinhas e até do nosso vizinho estado da Paraíba, com quem fazemos divisa. Incansável, dizem os mais antigos, não media esforços para cuidar dos seus pacientes, independentemente da hora em que fosse solicitado. Assim torna-se redundante falar de suas qualidades profissionais, vez que foi um abnegado no exercício da função que exerceu com esmero por mais de 60 anos.
De conduta firme e inabalável, conquistou a confiança e o carinho dos afogadenses de tal forma que veio a ser o primeiro prefeito constitucional da nossa cidade no período de 1947 a 1951, fazendo uma administração séria e transparente, conforme atestam, também, os que conviveram naquela época.
Como pai, esposo e amigo nenhum deslize conhecemos que possa desabonar a sua conduta ou pôr em suspense o seu caráter e a sua dignidade. É um homem íntegro na expressão da palavra.
É por tudo isso que hoje aproveitamos a passagem do seu aniversário para prestar esta simples homenagem a esse afogadense de coração, que aprendemos a amar desde os primeiros dias de convívio e que hoje serve de exemplo a muitas gerações.
Parabéns, Dr. Hermes e que Deus continue iluminando os seus caminhos. Afogados lhe ama e é eternamente grata por tudo que o senhor representa para nós.
Doutor Hermes
Doutor Hermes cultivou / E plantou nessa cidade
Um ciclo de amizade / Que jamais alguém plantou,
Em trinta e oito chegou / Casou e ficou morando
Clinicando e medicando / Quem viesse a precisar
Razões prá comemorar / Afogados tem sobrando
Essa data representa / Um marco na nossa história
Porque sua trajetória / Vem desde os anos quarenta
Somando isso com sessenta / Vê-se um século completando
E a gente comemorando / Numa alegria sem par
Razões prá comemorar / Afogados tem sobrando.
O senhor é para nós / Guardião do nosso templo
Quem lhe tomar como exemplo / Jamais ficará a sós
É mestre para os avós, / Prá os novos que estão chegando
Para os que estão passando / E para os que faltam chegar
Razões prá comemorar / Afogados tem sobrando.
Como poeta amador / Vai minha humilde homenagem
Desejando na passagem / Do centenário, ao senhor
Que o manto do “Criador” / Siga firme lhe guardando
Muita saúde lhe dando / Prá lucidez não faltar
E razões prá comemorar / Afogados tem sobrando.
Com um fraternal abraço.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 20 de março de 2010.
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