DANIZETE SIQUEIRA DE LIMA
Cronista e poeta afogadense
O Futebol e a Educação Em Nosso País
Há poucos dias vimos serem divulgados pela imprensa falada e escrita, os resultados do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, quando verificamos que apenas 7,5% das escolas de Pernambuco ficaram com média igual ou superior a média brasileira (4,6) entre o 1º e o 5º ano.
As boas notícias foram que no nível do 6º ao 9º ano, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), obteve a nota mais alta (8,0) e, dentro desse mesmo nível, o destaque positivo, no interior, foi para o Centro de Excelência Municipal Dom João José da Mota e Albuquerque, em Afogados da Ingazeira, o qual fez jus ao nome e conseguiu a excelente pontuação de 5.6 no IDEB.
Com relação à divulgação dos resultados do último Exame Nacional de Ensino Médio – ENEM aparece como uma Escola de primeiro mundo, a Escola Tomé Francisco da Silva, localizada em Quixaba-PE, que fica a mais de 400 km da capital pernambucana, e que vem repetindo este desempenho com muito orgulho, desde 2006. Esta escola apresentou uma média geral de 559,32, quando a excelência do ensino nos países de primeiro mundo é alcançada a partir de 600 pontos.
Essas boas notícias, é claro, nos deixam felizes e sinalizam que é possível, mesmo com dificuldades, proporcionarmos uma educação de qualidade em nosso país. Basta que haja vontade política na liberação de recursos com acompanhamento e fiscalização adequados, estímulo e capacitação dos professores, começando por melhoria nos salários, proporcionando uma alteração na qualidade de vida dos mesmos, que são renegados a último plano, o que se nota quando fazem qualquer tipo de manifestação como reivindicação de piso, movimentos grevistas, etc.
Observamos, em passagem por escolas do interior, que o ensinar em nosso país é um sacerdócio, pois o que vemos são salas superlotadas, mal iluminadas, sem bancas suficientes, sem verbas para manutenção e uma fartura geral, ou seja, farta água, farta gás para cozinhar a merenda (quando tem), farta material didático e, quando aparece precisa ser recolhido por conteúdo impróprio, como ocorreu recentemente em orientações sexuais para crianças do ensino fundamental e por aí vai.
Vou fugir um pouco do assunto para fazer um paralelo com o nosso futebol. Entre os dias 11 de junho e 11 de julho, últimos, o mundo inteiro assistiu o desenrolar da 19ª Copa do Mundo que, pela primeira vez, foi sediada por um país Africano. Como de praxe, começou com 08 grupos de 04 seleções e findou com a Espanha campeã do mundo, quando derrotou a Holanda, no estádio de Johanesburgo. Para nós, a Copa acabou mais cedo, quando fomos desclassificados no dia 02/07, em Porto Elisabete, ao perdermos de 2 x 1 para a Holanda.
Não é meu intuito avaliar as razões de nossa derrota até porque não é alçada minha, mas, como bom brasileiro, lamentamos a derrota. Quem gosta de perder? Queremos sempre ganhar a qualquer custo. Bota-se culpa em técnico, jogadores que foram expulsos, árbitros que não fizeram o trabalho corretamente, escalação inadequada, enfim tudo é desculpa e ninguém aceita um resultado adverso.
É impressionante como os brasileiros reagem diante dessa situação: O BRASIL FOI DESCLASSIFICADO. Pessoas choram, se revoltam, adoecem, xingam, enfartam, tem AVC, etc.
Na crônica de 13/07/2010, escrita pelo conterrâneo/amigo Carlos Gomes, ele ressalta: Ouvi de uma bem comportada e devidamente trajada torcedora a seguinte declaração: Isso é uma vergonha, não quero mais saber de copa do mundo.
E, ainda, palavras de KAKÁ: “A eliminação machuca. Dói. Estou decepcionado. Não há muito o que dizer num momento como esse.”
A mídia nos mostrou nos dias seguintes à eliminação, como cada brasileiro reage, como cada um analisa os fatos e, fica nos parecendo que o mundo desabou sob os nossos pés.
Esquecemos que somos PENTA (campeões cinco vezes) em 19 edições de Copas. Todas as outras seleções juntas somam 14 títulos. Não interessa, ninguém quer saber disso. Queremos mais títulos e mais e mais...
Calma gente! Somos a OITAVA seleção do mundo. Pra que tanta revolta?
Vamos transferir toda essa indignação para o setor da educação. Não estamos fazendo nada para melhorá-la e estamos em 85º. É isso mesmo que vocês estão vendo: 85º (Octogésimo quinto) lugar em educação no Ranking Mundial.
QUE VERGONHA!
Danizete Siqueira de Lima e família
Afogados da Ingazeira, PE, 24 de julho de 2010
EDUCAÇÃO / POLITIZAÇÃO
Amigo Fernando Pires, Como estamos a poucos dias de uma eleição majoritária e o assunto em tela - acredito eu - seja do interesse da maioria, achei por bem divulgar essa matéria que considero de utilidade a todos. Dentro da minha ótica, considero o assunto muito delicado e digno de uma reflexão por todos aqueles que se preocupam com o futuro desse país.
EDUCAÇÃO (João Ubaldo Ribeiro).
Precisa-se de MATÉRIA PRIMA para construir um país.
A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizem que Lula não serve. E o que vier depois de Lula não servirá para nada...
Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula.
O problema está em nós. NÓS como POVO. NÓS como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a “esperteza” é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais que o dólar.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais não poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas na calçada onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.
Pertenço a um país onde as “empresas privadas” são papelaria particular de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos... E para eles mesmos.
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu “puxar” a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos imposto.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar o que não tem, encher o saco de quem tem pouco e beneficiar só a alguns.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser “ comprados’, sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisas erradas mas, nos esbaldamos em criticar nossos governantes.
Como “matéria prima” de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos homens e mulheres de que nosso país precisa.
Esses defeitos, essa “ESPERTEZA BRASILEIRA” congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar. Fernando Henrique ou Lula é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Entristeço-me. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor. Mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique e nem serve Lula, nem servirá o que vier.
QUAL É A ALTERNATIVA?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa “outra coisa” não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... Igualmente sacaneados!
É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar! Um novo governante com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada... Está muito claro. Somos nós os que temos que mudar.
Agora, depois dessa mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
É o que eu sempre digo. “O GOVERNO SOMOS NÓS, OS POLÍTICOS, NEM TANTO ASSIM.” (Paulo Busko) MEDITE! E eu acrescento: O que nos falta é educação.
Danizete Siqueira de Lima e família
Afogados da Ingazeira, PE, 22 de julho de 2010
SAUDADE DOS VELHOS FESTIVAIS
Gostaria de parabenizar o amigo Luciano Bezerra, pela matéria divulgada nesta página, em 14.07, alusiva ao festival que acontecerá em breve na vizinha cidade de São José do Egito e, como bom sertanejo e amante da poesia, não poderia me furtar em fazer um breve comentário sobre tal acontecimento.
É doloroso para qualquer cidadão sensato e que conhece a nossa região, saber que a terra dos irmãos Batista, que teve por várias décadas a plêiade que tanto nos orgulhou e enalteceu a cultura dessa querida terra, seja invadida em data festiva por lixos musicais dos mais diversos, desprovidos de qualquer compromisso com a cultura, a ética e os bons costumes que norteiam a tradição do lugar.
Vaticinando, eu diria que o prejuízo que fica será enorme, uma vez que a cada evento que se repete nesses moldes também se repete a descaracterização de toda uma cultura construída há várias décadas por uma população amante da poesia-arte.
Como devem ficar tristes os nossos apologistas, os amantes das tradições culturais que fazem parte da história desse povo. Onde estão as nossas autoridades? Cadê a Secretaria de Educação, Cultura e Esportes? Vamos ouvir a população e ver o que ela acha de tudo isso. Não temos necessidade de importarmos lixo que não sabemos de onde vem e nem quem o conduz. Vamos respeitar a memória dos nossos menestréis. A cultura de um povo deve ser preservada a todo custo; a arte vence o tempo e é assim que deve ser vista.
Faço coro com o amigo/irmão Ademar Rafael, em suas sábias colocações, e conclamo a outros amigos defensores da arte e da poesia, a combatermos com veemência esse tipo de abuso, em respeito às memórias de tantos talentos que se foram e que, com certeza, onde estiverem estão inquietos diante de tanto descaso na preservação do talento e tradição de um povo que tanto orgulhou/orgulha o nosso querido Pajeú.
Finalizando, nunca é demais relembrar esta oitava feita em momento de muita inspiração por um “monstro” chamado Rogaciano Leite.
“Senhores críticos, basta! // Deixai-me passar sem pejo // Que o trovador sertanejo // Vê seu pinho dedilhar // Eu sou da terra onde as almas // São feitas de cantadores // Sou do Pajeú das Flores // Tenho razão de cantar.”
Outra vez, cantando com Lourival Batista, ele fez um comentário sobre Itapetim que Lourival retrucou, dizendo: “Não fales de tua terra // Rogaciano sossega // Filho que fala da mãe // Morrendo o diabo carrega.
Rogaciano pegando na deixa responde:
“Está certo o meu colega // Sua razão não se some // O diabo carrega o filho // Que da mãe manchar o nome // Mas também carrega a mãe // Que mata o filho de fome.”
Portanto, peço desculpa se contrario alguém, mas acho não ser de bom alvitre assistir inertes a estes desmandos que tentam nos empurrar goela abaixo. Nossos menestréis, como já disse, merecem todo o nosso respeito e a preservação das boas coisas é um norte para a sensatez.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 19 de julho de 2010
SOLIDARIEDADE
Com muita tristeza lemos no Mural - da página afogadosdaingazeira.com -, com registro em 24.05.2010, pelo nosso querido Fernando Pires, e ficamos sensibilizados face à crítica situação em que se encontram o nosso amigo Garibaldi Marques, o “Badinho” e, consequentemente, dona Carmélia Marques que, como se não bastasse ser mãe, é uma pessoa idosa e em estado de saúde, também, comprometido.
Com registro naquela mesma data, postado por Júnior Sá, o popular “finfa”, vimos um apelo à sensibilidade dos afogadenses para, neste momento de dificuldades prestar o devido apoio e solidariedade a essas duas pessoas tão queridas e com um passado que lhes credencia a ter essa reciprocidade com atos humanos e generosos que só fazem bem a alma e aliviam os nossos sofrimentos.
Como se não bastassem os apelos acima, fiquei mais sensibilizado ainda, quando li a matéria de autoria dessa grande figura humana que pelo seu exemplo e forma de conduta, considero-o ímpar, o nosso querido escritor GONZAGA BARBOSA, conclamando-nos a fazer o mesmo em prol dessas pessoas tão queridas em nosso convívio.
Uno-me a eles e faço um apelo às pessoas generosas de nossa cidade, para que possam solidarizarem-se com esses nossos irmãos que passam por dificuldades.
Badinho, não tive muita aproximação com o mesmo, já que viveu parte da sua vida afastado de Afogados, mas, conheço a sua história e sempre o admirei pelo talento e pela criatura humana que tem sido. Dona Carmélia, pelo trabalho que sempre desenvolveu na área de saúde junto ao Hospital Emília Câmara, cuidando de pacientes com amor, dedicação e zelo, conquistou o carinho e a simpatia de todos que a conhecem. Sabemos tratar-se de uma excelente profissional que cumpriu com eficiência as tarefas que lhes foram atribuídas enquanto funcionária pública.
Destarte, independente das qualidades aferidas, acredito que qualquer ser humano seja digno de uma visita, um afago, um carinho, uma palavra amiga, um gesto de respeito e solidariedade, principalmente nos momentos de angústias, tristezas e, o pior de todos, o momento em que a solidão tenta nos abater e nos sentimos dissociados dos nossos semelhantes. Não podemos esquecer que somos todos irmãos e filhos do mesmo Criador.
Para ilustrar o meu comentário, resolvi fazer uso de uma matéria que li há alguns anos em uma revista evangélica e que me tocou profundamente, intitulada:
SEGURANDO UM AO OUTRO.
A sobrecarregada enfermeira viu o jovem entrar no quarto e, inclinando-se, disse alto ao paciente idoso: “Seu filho está aqui”.
Com grande esforço ele abriu os olhos e, a seguir, fechou-os outra vez. O jovem apertou a envelhecida mão e sentou-se ao lado da cama. Por toda a noite ficou sentado ali, segurando a mão e sussurrando palavras de conforto ao velho homem.
À luz da manhã, o paciente tinha morrido. Em instantes, a equipe de funcionários do hospital encheu o quarto para desligar as máquinas e remover as agulhas. A enfermeira aproximou-se do jovem e começou a oferecer-lhe condolências, mas ele a interrompeu.
- “Quem era esse homem?”, perguntou.
Assustada, a enferemeira respondeu:
- “Eu achei que era seu pai!”.
- “Não, não era meu pai”. Respondeu o jovem. “Eu nunca o vi antes em minha vida”.
- “Então, porque você não falou nada quando lhe anunciei para ele?”.
- “Eu percebi que ele precisava do filho e o filho não estava aqui”, explicou o jovem. “E como ele estava por demais doente para reconhecer que eu não era seu filho, eu vi que ele precisava de mim”...
Madre Teresa de Calcutá costumava dizer que ninguém tem que morrer sozinho.
Do mesmo modo, ninguém deve se afligir sozinho ou chorar sozinho; rir sozinho ou celebrar sozinho.
Nós fomos feitos para viajar de mãos dadas através da jornada da vida.
Há alguém pronto para segurar a sua mão hoje.
E há alguém esperando que você segure a dele.
Reflitam bastante sobre isto e tenham todos uma ótima semana.
Um fraternal abraço.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 29 de maio de 2010
Missa de 7º dia - dr. Hermes Canto
Partiu prá eternidade
Quem tantas vidas salvou,
Foi atender ao pedido
De Jesus que lhe chamou
Sem ter noção do tamanho
Da saudade que deixou.
Aos familiares, mais uma vez, os nossos sinceros sentimentos.
Danizete Siqueira de Lima e família
Afogados da Ingazeira, PE, 07 de maio de 2010
Dr. Hermes Canto
Há pouco mais de um mês, neste mesmo espaço, escrevi algumas palavras com o intuito de homenagear o dr. Hermes Canto pela passagem do seu centenário e, apesar de não poder estar presente às solenidades, tenho certeza que as homenagens foram inúmeras e as comemorações mais do que merecidas, aconteceram em um clima festivo e de muita fraternidade.
Hoje, 2 de maio de 2010, volto a essa mesma coluna para prestar-lhe a última homenagem, pois tomei conhecimento do seu falecimento, após leitura do nosso querido Site, ontem à noite.
Na verdade, são situações totalmente díspares e preferíamos que não fosse assim mas, não podemos mudar o curso natural das coisas e temos que nos contentar com essas desigualdades, onde os acontecimentos ora nos exultam, ora nos causam profundos pesares.
Falar sobre dr. Hermes, diante do que conhecemos e do que já foi dito nesse mural, constitui-se um grande erro de redundância que preferimos não cometê-lo. Cabe-nos, portanto, enviar os nossos votos de condolências à sua esposa D.Terezinha Veras Canto, aos filhos Vânia e Hermes Júnior, ao genro, noras, netos e demais familiares, pedindo a Deus que lhes dê o devido conforto, pois sabemos que o nosso grande médico, por tudo que representou em sua passagem terrena terá um lugar garantido à direita do Pai.
É sem dúvida uma perda irreparável
E o sentimento de dor fala mais forte
Nunca estamos preparados para a morte
Ainda mais de pessoa tão amável,
Caridosa, humana e responsável
Com certeza um grande espírito de luz
Como médico conduziu sua cruz
Dando tudo de si prá salvar vidas
Vai com honras bastante merecidas
Prá sentar-se à direita de Jesus.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 2 de maio de 2010.
Edson Barbosa de Araújo ( Bedeca)
A vida, em seu processo natural, está sempre nos pregando peças que normalmente nos surpreendem. Algumas surpresas são agradáveis, outras tristes; umas não nos surpreendem tanto, outras nos deixam perplexos. E nesse processo evolutivo, as alegrias vão nos contagiando e as tristezas vão deixando cicatrizes que só o próprio tempo é capaz de apagá-las.
Nesse 31 de março de 2010, quando a cidade parou para homenagear o centenário de um dos seus mais ilustres “filhos adotivos”, o nosso querido dr. Hermes Canto, também tomávamos conhecimento do falecimento de Edson Barbosa de Araújo, conhecido popularmente como “BEDECA” ou como disse Nill Juníor em seu Blog diário, o “gente boa”, que veio a falecer as 7h30 do dia 30 de março, na cidade de Arcoverde-PE.
Enquanto dr. Hermes e familiares, em um clima festivo e harmônico, recebia os cumprimento dos presentes, as muitas homenagens mais que merecidas, missa em ação de graças e tudo que tinha direito pela comemoração dos seus 100 (cem) anos de vida, em um outro endereço na Av. Artur Padilha, residência do Sr. Expedito Araújo e D.Eremita, era velado o corpo de um amigo nosso com pouco mais da metade de sua idade (52 anos).
Ao primeiro rendi minha singela homenagem em mensagem postada nessa mesma página e ao segundo o faço agora-, apesar da enorme tristeza face as diferenças circunstanciais.
Num período de 12 a 13 anos, quando fiz parte da diretoria de nossa querida Associação Atlética Banco do Brasil - AABB, tive uma convivência de irmão com o Bedeca, que já era meu amigo há muito tempo.
Como responsável pelo serviço de bar e restaurante, é bom que se registre, o Bedeca colocou o nosso clube no pódio por vários anos consecutivos, quando a nossa cozinha foi considerada entre as melhores da região.
Só para citar dois casos concretos: 1) Em uma certa ocasião, a orquestra Super Oara foi tocar em Tabira-PE ficando hospedada na pousada de José Eurico Sanzone, o conhecido “Zé Preguiça” e Beto nos ligou pedindo reserva para almoço no domingo (cerca de 30 pessoas), pois ouvira a propaganda da nossa cozinha em Arcoverde-PE. e queria comer uma “BUCHADA” preparada pelo Bedeca, o que, com certeza, aconteceu no retorno da festa. 2) Com a venda do Bandepe para o ABN AMRO BANK, houve uma concentração em Afogados reunindo os funcionários de toda a região e, mais uma vez, o nosso amigo Bedeca mostrou competência ao servir café da manhã e almoço para cerca de 300 (trezentas) pessoas.
Na área de esportes a sua ajuda não ficou por menos. Lembro-me das realizações de vários campeonatos de futebol minicampo, onde o seu apoio era imprescindível. A diretoria, junto aos organizadores era sempre acompanhada e orientada de perto pelo Bedeca, começando pelas coisas mais simples como marcação do campo, cuidados com o gramado e indo até a entrega dos troféus às equipes consagradas.
Dentre esses campeonatos, um dos mais marcantes foi o que homenageamos Alex José Rodrigues dos Santos, o grande “Lequinho”. Nesse campeonato o Bedeca deu tudo de si e muito mais, pois muitas vezes as nossas reuniões varavam noites para que tudo saísse certinho e não tivéssemos problemas. Um dos seus parceiros preferidos nessas organizações, a quem chamava de “irmão”, era o nosso querido “Júnior Finfa”. Tivemos também colaborações de Julio César, Lúcio André, Batista, João Ricardo, Naldinho Rodrigues e tantos outros apaixonados pelo futebol arte.
Fora do nosso convívio de trabalho, também o admirava pelos serviços prestados como bom desportista, atuando em várias equipes no nosso futebol amador e colaborando para o engrandecimento do nosso esporte. Não se negava a participar de qualquer evento ligado à prática esportiva. Era só procurá-lo e lá estava a sua grandeza em servir.
São essas boas recordações que guardarei do Bedeca, pois sempre fui muito grato pelo que ele representou para a nossa AABB, além de fazer parte da sua lista de amigos.
E por tudo que aqui foi relatado, me sinto na obrigação de prestar essa simples homenagem ao meu querido Edson Araújo, pedindo a Deus que conforte a sua família, os seus amigos e que lhe dê o merecido descanso afinal. Quem somos nós para questionar os desígnios do Criador.
Aos pais Expedito e Eremita, aos irmãos José Araújo, Paulão, Luis, Pedro, Toinho, Fátima e Lena, a esposa Marinês e seus 3 filhos e aos demais familiares, os nossos sinceros votos de pesar e que Deus esteja presente nesse momento de dor.
Com um fraternal abraço, esses são os sinceros votos de Danizete, Betânia, Patrícia e Darlan.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 1º de abril de 2010.
Doutor Hermes de Sousa Canto, 100 ANOS
Escrever não é o meu forte, mas, como bom afogadense, não poderia deixar de prestar a minha homenagem a uma pessoa tão querida e que tanto fez por nossa cidade e por nossa região.
Nos dias atuais, não é para qualquer um chegar aos 100 anos de vida, e mais difícil ainda é se alcançar essa idade conduzindo na bagagem o exemplo de vida do nosso homenageado. Esse pernambucano filho do Recife, que Afogados tomou por adoção quando tinha apenas 28 anos de idade, recém formado e com o firme propósito de acolher profissionalmente todos aqueles que dele precisavam. O predestinado médico que abandonou a civilização de uma grande metrópole, conhecida como a Veneza Brasileira, para conviver com pessoas rudes e humildes em nosso rincão sertanejo e cuidar da saúde do nosso povo. Isto há mais de 70 anos.
Como único médico da cidade, atendia as populações de Afogados, das cidades circunvizinhas e até do nosso vizinho estado da Paraíba, com quem fazemos divisa. Incansável, dizem os mais antigos, não media esforços para cuidar dos seus pacientes, independentemente da hora em que fosse solicitado. Assim torna-se redundante falar de suas qualidades profissionais, vez que foi um abnegado no exercício da função que exerceu com esmero por mais de 60 anos.
De conduta firme e inabalável, conquistou a confiança e o carinho dos afogadenses de tal forma que veio a ser o primeiro prefeito constitucional da nossa cidade no período de 1947 a 1951, fazendo uma administração séria e transparente, conforme atestam, também, os que conviveram naquela época.
Como pai, esposo e amigo nenhum deslize conhecemos que possa desabonar a sua conduta ou pôr em suspense o seu caráter e a sua dignidade. É um homem íntegro na expressão da palavra.
É por tudo isso que hoje aproveitamos a passagem do seu aniversário para prestar esta simples homenagem a esse afogadense de coração, que aprendemos a amar desde os primeiros dias de convívio e que hoje serve de exemplo a muitas gerações.
Parabéns, Dr. Hermes e que Deus continue iluminando os seus caminhos. Afogados lhe ama e é eternamente grata por tudo que o senhor representa para nós.
Doutor Hermes
Doutor Hermes cultivou / E plantou nessa cidade
Um ciclo de amizade / Que jamais alguém plantou,
Em trinta e oito chegou / Casou e ficou morando
Clinicando e medicando / Quem viesse a precisar
Razões prá comemorar / Afogados tem sobrando
Essa data representa / Um marco na nossa história
Porque sua trajetória / Vem desde os anos quarenta
Somando isso com sessenta / Vê-se um século completando
E a gente comemorando / Numa alegria sem par
Razões prá comemorar / Afogados tem sobrando.
O senhor é para nós / Guardião do nosso templo
Quem lhe tomar como exemplo / Jamais ficará a sós
É mestre para os avós, / Prá os novos que estão chegando
Para os que estão passando / E para os que faltam chegar
Razões prá comemorar / Afogados tem sobrando.
Como poeta amador / Vai minha humilde homenagem
Desejando na passagem / Do centenário, ao senhor
Que o manto do “Criador” / Siga firme lhe guardando
Muita saúde lhe dando / Prá lucidez não faltar
E razões prá comemorar / Afogados tem sobrando.
Com um fraternal abraço.
Danizete Siqueira de Lima
Afogados da Ingazeira, PE, 20 de março de 2010.
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