ADEMAR RAFAEL FERREIRA
Poeta e cronista afogadense
Aos amigos do sertão,
com saudade sertaneja
Fico mais um ano sem
A missa de Marcolino
Poeta que uma vaca
Alterou o seu destino,
Puro feito água de coco
Fez de “Casa de Reboco”
O hino do nordestino.
Escuto desde menino
A sua obra graúda
Eternizou-se poeta
Sem da mídia ter ajuda
Na arte polivalente
Inspiração permanente
Do menestrel Chico Arruda.
Seu estilo ninguém muda
Seu jeito ninguém copia
Na sua missa em Tabira,
Não pense que é heresia:
A homilia é um xote
Salmo ter forma de mote
A benção é de poesia.
AdemarRafael Ferreira
Marabá/PA, 16 de setembro de 2011
Doce regresso
No último 12 de agosto saí de Marabá para realizar a viagem mais difícil de minha vida. Por que difícil? Após a morte de Quincas Rafael era a primeira vez que retornava a Jabitacá, durante a Festa de Nossa Senhora dos Remédios, onde ficaria o dia dos pais longe dos meus filhos e esposa e reencontraria a Casa de Pedra onde Quincas Rafael nos deixou.
Duas razões deram motivos para essa viagem: primeiro, o lançamento do livro “Jabitacá, Segundo Quincas”, e o segundo, matar a saudade de minha terra.
Ao pegar os livros no bairro Jardim Atlântico, em Olinda, e rumar com destino ao Pajeú, no final da tarde, via que pequena parte da missão estava sendo cumprida.
Após Sertânia, sentindo o cheiro de minha Jabitacá, vi os buracos da estrada serem aclarados pela luz de uma lua que teima em ser mais bonita no sertão. No frio da madrugada reencontrei amigos de infância, irmãos e sobrinhos e percebi o quando fora covarde em não voltar antes. Afinal, com o apoio daquelas pessoas, toda a dor seria abrandada.
Na tarde do dia 13, da ponte do Rio Pajeú, em São José do Egito, pude ver as “lágrimas vermelhas que o sol derrama ao se por” decantadas pelo poeta Rogaciano Leite, no “Poema de Minha Terra”, recitar o ouvir versos de Didi, filho de Jó Patriota, e de um neto de Zé Catota, no Bar do Checo.
Desde a chegada muitas pessoas perguntavam sobre o livro; estes fatos faziam emergir um ambiente mágico. Durante vários momentos fui chamado para fazer dedicatórias em exemplares para pessoas que não permaneceriam em Jabitacá na noite do dia 15. Isto criava uma estranha situação: Como autografar uma obra que não havia escrito? Obediente, atendi, dentro de minhas limitações, todos os pedidos.
Na noite de 15 de agosto, depois do encerramento da festa, tive o privilégio de receber os poetas Diomedes Mariano e Sebastião Dias, o primeiro acompanhado da sua noiva. Para aumentar a alegria vieram também Luciano Bezerra e Elvira de Siqueira e traziam mensagens de apoio dos amigos Fernando Pires e Hélio Noronha de Deus. O amigo Edson Bigodão já abonara sua falta ao remeter por e-mail uma linda décima, e Júnior de Zezito Sá telefonou justificando a falta.
No salão paroquial, construído sobre a área onde existiu o primeiro cemitério de Jabitacá, na presença de Toinho, Tarcísio, Rosângela e Janduir, filhos e genro de João Torres; Chico de Zé Torres e Esposa; José Rabelo, João Rabelo e familiares; Lina, David e vários outros descendentes das famílias Pires e Freitas; família Filó; Simone representando a família Teixeira; herdeiros do autor Quincas Rafael; poeta Laércio Siqueira e tantos outros amigos de infância.
Ali, entre um verso e outro, entre uma dedicatória e outra meus olhos foram muitas vezes inundados por lágrimas. Acredito que Quincas Rafael estava presente para ver o livro e ouvir a cantoria, especialmente o mote “Pai teve vários amores; o maior, a liberdade”, de autoria de sua filha Aparecida.
Na manhã do dia 17, atendendo a sugestão de Elvira de Siqueira, Luciano Bezerra levou-me ao Programa “Rádio Vivo” de Anchieta Santos, na Rádio Pajeú. Na entrevista, além de comentários sobre a cultura do Pajeú e o livro “Jabitacá, Segundo Quincas” falei sobre projetos futuros que envolvem o nome do poeta das Varas, tais como: biblioteca na Casa de Pedra e Instituto a ser materializado em 2021.
Em Afogados da Ingazeira reencontrei, entre outros, os amigos Celso, Zé e Pedro Brandão, Pé-de-Banda, Carlinhos de Lica, Tadeu da Lanchonete cujo café e cuscuz com arroz e bode continuam inigualáveis, Horácio Pires, Nego Cícero, Aniceto, Zumbinha, Milton Oliveira, Serra Pau, Dário, Edierk José, Nivaldo Gomes, Miguel Alcântara, Humberto do cartório e Sônia, Erickson, Josete, Nivaldo Cascão, Professores Durval Galdino e Reginaldo Remígio, Jurandir Pires, João Paraibano, Toinho Xavier que com boa vontade, característica natural do sertanejo, acatou a sugestão para vender o livro em sua loja.
Na cidade em que vivi minha adolescência tive privilégio de tomar uns cafés na Praça da Alimentação, para mim sempre Oscar de Campos Góis.
No dia 16, em companhia de Luciano Bezerra, e no dia 17 com o irmão Luciano, Júnior de Zezito Sá, Beto de Roberto Pinto e Elvira Siqueira, naquele ambiente relembramos figuras que muito fizeram por nossa região e que muitas vezes são esquecidas.
Apesar da pressa pude rever o Recife. Em função disso não pude reencontrar os amigos Lulinha, Danizete, Alberto, Edson Poeta assim como a amiga Leni. Foram poucas horas no dia 18, mas suficientes para devolver-me o direito de continuar amando a capital do Leão do Norte. No dia 19, após sobrevoar Fortaleza, Taíba, Jericoacoara, o delta do Parnaíba, Lençóis Maranhenses e pisar no solo da capital do Pará, a Belém das mangueiras recebi um telefonema de Luciano Bezerra dando conta que na Praça da Alimentação, em companhia de Fernando Pires, continuava a luta em defesa da cultura do sertão nordestino.
Na oportunidade agradeci os presentes recebidos durante minha estada no sertão de Pernambuco e comuniquei que já havia escutado novamente a entrevista da Pajeú, desta vez no site www.afogadosdaingazeira.com.
Depois desta missão, já em Marabá, torno como verdadeira a seguinte assertiva: “ Podemos crescer, criar galhos, folhas, flores e frutos, porém se perdemos a conectividade com nossas raízes perderemos a essência e, por conseguinte, a vida .”
Ademar Rafael
Marabá-PA, 20 de agostol de 2011
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