ADEMAR RAFAEL FERREIRA
Escritor, cronista, poeta e administrador de empresa, filho do saudoso poeta Quincas Rafael, é natural de Jabitacá, com coração afogadense.
Bancário (BB) aposentado, continua prestando relevantes serviços à empresa lá pelas bandas no Norte do Brasil
Uma Homenagem
Nesta manhã, em Fortaleza, faleceu o irmão mais velho da minha esposa Helaine. O professor Hélio, como era conhecido, foi um devotado pela educação e pela cultura popular. Várias vezes esteve no Pajeú, adorava uma banda de pífano, chamava Alceu Valença de gênio e dizia que numa terra onde a cultura popular fosse respeitada Ruy Grudi seria festejado com grande artista. Ao ouvir Marquinhos e Sales em São José do Egito fez de tudo para levá-los até Juazeiro do Norte e os pajeuzeiros fizeram um grande show no principal restaurante da terra de Pe. Cícero, o LA FAVORITA. O soneto abaixo foi a forma que encontrei para fazer uma singela homenagem, a qual divido com vocês.
"Adeus ao guerreiro Hélio"
Enquanto matéria estás inerte, // Na lógica espírita, segue a labuta. // Que com tua ida alguém desperte: // “Jamais a vitória precede a luta”.
Esta equação que ninguém inverte // Foi o teorema da tua conduta. // O vetor da saudade não há quem conserte // Foste vencedor em cada disputa.
Para teus seis filhos, pai sem igual // Na academia, o intelectual // Na defesa plena da pura ciência.
Oh! Imbatível anfitrião, // Perco o cunhado, Helaine o irmão, // Perde o Ceará uma voz da decência.
Ademar Rafael Ferreira
Marabá, PA, 24 de março de 2010
Doutor Hermes de Sousa Canto - 100 Anos
Esta é minha singela homenagem para este homem que soube, como poucos, ser referência para todos nós que tivemos o privilégio de seu convívio. Muito obrigado Dr. Hermes.
"Consultou Zé Panqueta, Gedeão,
Chico Berto, Gastão e Zé Coió
Guardiato, Geni, Miguel Jacó,
Aristeu, Dona Ione e Elisbão.
Se encantou com as coisas do sertão,
Suas festas, seu povo e o linguajar.
Conviveu com a crença popular
Que indicava a reza pro quebranto
PARABÉNS DR. HERMES SOUSA CANTO
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.
Ademar Rafael Ferreira
Marabá, PA, 22 de março de 2010
Pessoas do meu sertão
Danizete: Perninha de abelha
O menino Danizete Siqueira de Lima (foto maior) deixou pais e irmãos no Sítio Barra de Solidão para vir trabalhar com o tio Aniceto, no Bazar das Miudezas. Morou com os avós maternos Seu Elias e Dona Maria que, segundo Jurandir de Helvécio, colocou-lhe o apelido Perninha de Abelha. Detentor de uma memória extraordinária e de uma inteligência matemática acima das melhores médias era capaz de citar à distância o local das mercadorias dentro da loja.
Como seu primo, Dimas, dorme com facilidade, muitas vezes foi acordado em Vitória de Santo Antão, quando o destino era Caruaru para fazer compras. Quando residia no Recife, no final dos anos 70, foi acordado algumas vezes na garagem dos ônibus por passar pelo ponto final, sonhando com o Pajeú.
Através de Danizete conheci os amigos Tota Flor, Saulo Gomes, Carrinho de Lica, Arnaldo de Luiz Ernesto e tantos outros. Coube-me a difícil missão de substituí-lo no Bazar das Miudezas; apesar da paciência de Aniceto comigo, não foi fácil. Ele trabalhou no escritório de João Mariano, na fábrica de doce, deu aulas, oportunidade em que conheceu a menina Betânia, filha do estimado Silvino Teles e de dona Sônia Quidute e mãe dos seus filhos Patrícia e Darlan.
Reencontramo-nos no Banco do Brasil no início dos anos 80. Intensificamos a convivência, inclusive nas farras. Foi o parceiro predileto para os “rodetes” da irresponsabilidade que consistia em, após uma noite de “cana brava” sairmos de Afogados por volta de cinco horas da manhã para tomarmos “outras” no Hotel de Dolores em Jabitacá, na Barraca de Jaime e no Elite Bar em São José do Egito, no Bar de Adalberto em Tabira e encerrar as atividades em torno de meia noite em Afogados.
Fizemos juntos périplos mais arriscados, nas mesmas condições etílicas. Dentre os quais podem ser destacadas as viagens para Tavares na Paraíba, indo pela Quixaba e voltando por Princesa Isabel e para Juazeiro do Norte. Graças a Deus e seu famoso sono não bateu em nenhuma dessas viagens.
É contador de “estórias” e recitador de alto nível. Estar com Danizete é ter a certeza de boas risadas e muitos versos de Pinto, de Lourival, de Ivanildo, de Geraldo, de Dedé Monteiro e de Diomedes Mariano, seu irmão. Tem cabedal suficiente para escrever vários livros sobre nossa região e participar intensivamente desde espaço. Não o fez ainda por comodidade.
Merece estar nesta galeria tanto pela capacidade de construir amizades perenes como pela história fincada no sertão. Disse-me na última vez que nos encontramos em um almoço no Distrito de Brejinho de Tabira, na data em que foi publicada a aprovação do seu filho Darlan no vestibular: “Morro de saudade disto aqui, Recife é bom para passeio.”
Ademar Rafael Ferreira
Marabá, PA, 17 de janeiro de 2010
Fernando Antonio Lucas de Lima (Fernandão)
Nasceu em 20.06.1954 / Faleceu em 31.10.2005, com 51 anos de idade
Muitos jovens de Afogados da Ingazeira não conhecem a importância de Fernandão para o desporto de Afogados, principalmente no tocante a arbitragem. Quando cheguei em Afogados, no início dos anos 70, ele trabalhava com o seu tio Andrelino Lucas na agência da Princesa do Agreste, onde hoje, salvo engano, funciona uma sorveteria.
Fomos colegas de classe do segundo ano até a formatura em contabilidade, no saudoso Colégio Industrial. Pela sua seriedade foi escolhido tesoureiro da turma, cujo presidente da comissão de formatura foi Nivaldo Gomes, o popular Furica. Com mão de ferro, ele cuidou do dinheiro, e durante a excursão para João Pessoa funcionava com o pai da turma; toda despesa passava pelo seu crivo. O certo é que sobrou dinheiro e fizemos uma festa em Campina Grande, onde fomos ciceroneados pelos atuais Desembargadores Alberto e Cláudio Nogueira.
Foi um lateral vigoroso que encerrou a carreira precocemente em virtude de uma contusão no joelho. Não largou o futebol; sempre que podia batia uma peladinha de salão. Por força do seu conhecimento foi convidado para treinar o Barcelona, fantástico time criado por Magno Martins. Não aceitou, e juntamente com Antônio Grilo, também convidado, indicou meu nome para o cargo. Na condição de juiz apitou jogos importantes em Afogados, inclusive foi o árbitro da estréia de Mimi no Guarani, tendo confidenciado no final do jogo: “Com a minha visão privilegiada, percebi que o espaço em que Mimi colocou a bola na cobrança da falta, apenas um craque descobre”.
Com a sua sobriedade ganhou a confiança de Aderval Viana e João Cordeiro, presidentes do Guarani de Afogados e do Nacional de Tabira, respectivamente. Legitimou-se, portanto, para apitar muitas vezes o maior clássico do interior de Pernambuco.
Em 1976, ao assumir a direção técnica do Ferroviário, convidou-me para treinar o Juvenil. Numa tarde daquele ano, enquanto trabalhávamos no campo do União, recebi a notícia que eu havia sido aprovado no concurso do Banco do Brasil. Fernandão foi um dos primeiros a prestar-me parabéns e desejar-me sorte.
Posteriormente nos encontramos no Banco do Brasil, eu como funcionário e ele como vigilante. Por mais amigos que éramos ele teimava em manter certa distância; era seu jeito. Foi, por diversas vezes conselheiro, quando eu me excedia nas “farras”.
O maior legado de Fernandão para os que o conheceram foi provar que não há dinheiro que compre a dignidade de um ser humano. Este valor ele imprimia em todos os seus atos dentro e fora das quatro linhas; nunca permitiu qualquer dúvida quanta a lisura das suas atitudes. Para ele a regra do jogo estava acima da fama um da importância do craque; expulsou quem julgou merecedor da penalidade.
Muito obrigado pelo exemplo de honra e moral que você nos deixou, caro amigo
Ademar Rafael
Marabá, PA, 14 de agosto de 2009
Toinho do bar
Oriundo de Quitimbú, povoado localizado na divisa dos municípios de Iguaracy e Custódia, Antônio Gedeão Silva veio no final dos anos 60 para Afogados da Ingazeira, com intuito de estudar e ajudar o cunhado Geni,no bar localizado no sobrado da Praça Monsenhor Arruda Câmara. Com o tempo ganhou os nomes de Toinho de Geni, Toinho do Bar e Toinho da Moringa, os primeiros em função do cunhado que o recebeu e do bar que administrou com maestria e o último por força do empreendimento próprio na Praça Padre Carlos Cottart.
No lendário Ginásio Industrial fez parte da famosa turma de Boíba, época que o conheci ao chegar a Afogados, no ano de 1972. Desde então fui cliente assíduo do bar de Geni onde ao lado do amigo Dário consumi muito Jurubeba com pipoca.
Nos anos 90, quando passava por Afogados,sempre visitava Toinho na Moringa e ele ao me ver entrado no bar, servia uma dose do famoso vinho com a pipoca. Ao lado de Amaro Pé de Pato e João Rato Branco, Toinho foi um cambista que zelava pela clareza na distribuição do jogo no pequeno talão. Fazer a conferência dos jogos dos três era muito fácil, a separação que eles faziam entre grupo, centena e milhar ganharia a ISO 9000 com destaque. Respeitando o limite que somente as pessoas de muito bom censo são capazes de identificar Toinho tirava o couro dos torcedores do Náutico e do Santa Cruz quando o seu Leão da Ilha ganhava um clássico.
Era extremamente zeloso com as mesas de sinuca e do bar. As primeiras sempre mais verdes que os campos citados por Agnaldo Timóteo em relação a sua Caratinga, e as últimas sempre limpas e prontas para receber o próximo cliente.
Muitas vezes Luizão, carioca que trabalhou no Banco do Brasil, me disse: “Esse Toinho é disparado o dono de bar mais cuidadoso que conheço”. E olha que ele tinha como concorrentes Celso na Gruta da Praça, Seu Luiz de Ernesto no bar da Paulo Guerra, Fernando no Pilão, João no Cortiço e Zil na Toca da Codorna. Com certeza era seu jeito cativante que levava Luizão a fazer o julgamento acima.
Como não poderia ser diferente, possuía uma paciência de Jó para tratar os que se excediam na bebida, nunca vi Toinho tratar mal um cliente. Quando carecia tomar uma medida moralizante ele o fazia sem desrespeitar ninguém.
Outro ponto de destaque era sua disponibilidade para divulgar times e atletas locais. Nas paredes da Moringa você encontrava fotos do Guarani, do Ferroviário, do Santa Cruz de Ninô e tantos outros times e atletas.
Foi um sertanejo que venceu com suas próprias pernas, deixando o legado que devemos fazer tudo com dedicação e agregando nosso jeitão em cada gesto ou ação.
Obrigado amigo Toinho, você faz parte da história da centenária Afogados da Ingazeira e a partir de hoje da galeria: "Pessoas do meu sertão".
Ademar Rafael
Marabá – PA, 10 de junlo de 2009
TOTA FLOR
Não poderia faltar nesta galeria o amigo Tota Flor. Tota é sinônimo das histórias da centenária Afogados da Ingazeira. Nunca foi afeito aos bens materiais; para ele a amizade é a única riqueza. Cícero quando escreveu sobre esse valor, não imaginava que no Pajeú, Tota Flor tão bem defenderia sua tese.
Conviver com Tota é uma dádiva que recebemos ao morar na região de Afogados. Ele escolheu esta faixa de terra para regar a sua infinita horta de amigos, para ele isto é atividade mais prazerosa da vida.
Jogador de futebol tipo carrapato, quando gruda em um, só larga com fogo; ele fez parte de vários times de Afogados. Destaco o time da Prefeitura que ele e Jurandir de Zé de Louro fizeram. Como dois grandes guerreiros, enfrentaram as melhores equipes da época, dando um trabalho danado. Que o digam Pé-de-Banda, Vanderlei e Batista.
Contador de “estórias” nato, faz de cada farra uma momento ímpar. A melhor de todas, o famoso caso de pênalti que Zé de Dora queria nova cobrança e Zé Martins, goleiro que poderia morrer ao tentar defender o novo chute, assumiu que o bola entrara e não permitiu. A irregularidade do lance, segundo o juiz, é que o goleiro havia se mexido antes da cobrança, e como o chute foi desperdiçado, não poderia haver benefício ao infrator. Este fato contado por Tota, ganha uma versão nova em cada relato.
Amante da poesia, sempre solicitava que eu recitasse um poema de Cancão, poeta que, na visão do amigo Tota Flor, escrevia com a mão divina. Recitei incontáveis vezes “Dia de Finados” e tantos outros.
Através de Tota tive acesso aos livros “2455 Cela da Morte”, “A Face Cruel da Justiça”, “A lei Quer Que Eu Morra” e “O Garoto Era Um Assassino”, todos de Caryl Chessman, obras estas que me ajudaram na busca do entendimento sobre crimes seriados e outros pontos narrados pelo “bandido da luz vermelha”.
Outro ponto destacável em Total Flor foram suas paixões. A partir delas criava situações para divertir-se e divertir os companheiros. Bila de Zé Mariano sabe como ninguém multiplicar as criações “totianas” e transformá-las em algo leve e sadio.
Tive o privilégio de conviver com Tota Flor de 1972 até hoje; desde 1992 sem a frequência desejada, posso afirmar que boa parte do tenho de bom foi lapidado pelo “Beckenbauer” do sertão. Afirmo sem qualquer reserva que Tota Flor e Totonho de Zé Cajá foram as duas pessoas mais puras no quesito ambição que conheci.
O bom mesmo é que ele, durante nossa convivência, sempre me chamou de Itamar.
Para Tota, Ademar não existe.
Ademar Rafael
Marabá – PA, 12 de junho de 2009
Clóvis de Dóia, Jucá Neto e Paulo Rato - Desta feita os homenageados são três figuras que tinham em comum qualidades como desportistas e a ilimitada capacidade de fazer amigos.
CLÓVIS DE DÓIA, afogadense da gema, zagueiro de altíssimo nível e líder nato. Descrevendo sua atuação em campo o colega Célio registrou: “baixinho que subia quase da altura das nuvens”. Nesta verdade acrescento que poucos jogadores no futebol mundial tiveram a perspicácia de Clóvis em relação ao tempo da bola e a rapidez na recuperação caso perdesse o primeiro bote, fato raro.
Tenho na lembrança um duelo travado por Clóvis e Edmilson Barbudo em jogo entre o Guarany e Comercial de Carnaíba, em tal partida os dois titãs disputaram cada bola com valentia e sagacidade, como o atacante não fez gol o baixinho venceu a disputa.
Além das habilidades como jogador Clóvis exerceu, com extrema maestria, a liderança em campo, seu grito era uma ordem, os treinadores tinham nele a sua voz no decorrer das partidas.
Fora das quatro linhas é uma companhia agradável, um “papo cabeça” e um sertanejo completo por gostar de cantorias de viola, de vaquejada e da nossa caatinga, de preferência toda verde com gado pastando.
JUCÁ NETO, filho de São José do Egito, exímio contador de “estórias” que sabia fazer ironia do tudo, conseguia não perder a piada nem o amigo. Não poupava nem os grandes cantadores de sua terra.
Jogando futebol de salão era do tipo jogador chato, perseguia o gol como ninguém. Tive oportunidade de assistir brilhantes partidas suas na quadra do famoso Ginásio de Seu Jucá, em sua terra natal.
Trabalhou e constituiu família em Afogados, ao lado de Elias Mariano, fez muita gente rir nos bares de Nem, Djalma, Grilinho, no clube de campo, na AABB...
Entre suas “estórias” prediletas contava que certa vez um pintor da terra dos cantadores, ao terminar a pintura da casa dos Jucás, a pedido de sua mãe, pintou um retrato de seu avô com a sobra das tintas. Segundo Jucá Neto o retrato ficou tão perfeito que os netos ao ingressar na sala davam a benção, pois viam ali a presença viva do velho Jucá.
Morreu levando muita alegria no coração, deixando muitas saudades com os inúmeros amigos que cultivou, irrigando com muitas piadas, em todo pajeú.
PAULO RATO, cria das Varas de Quincas Flor (Jabitacá). É difícil encontrar um apreciador da boa mesa de bar que tenha morado no pajeú nos anos 60 a 90 que não tomou, pelo menos, uma dose com Paulo Rato.
Informalmente foi uma verdadeira agência de empregos em Recife. Muitos jovens do sertão chegaram ao primeiro emprego na capital através da rede de amizade de Paulo Rato. Seu escritório por muito tempo funcionou na mesa de um bar que ficava na esquina da Imperatriz com a Rua do Hospício, na boêmia Boa Vista.
Paulo servia também como conselheiro para assuntos que versavam como se portar na mesa, abordar uma paquera ou participar de um processo seletivo. Ele detinha ainda a qualidade de dormir no chão para deixar a cama para um amigo. Tinha muito pouco apego para coisas materiais, mesmo não sendo rotariano aplicava uma das máximas do Rotary: Dar de si sem pensar em si.
Todas as vezes que eu chegava com família para participar da festa de Jabitacá, Paulo pontualmente às 05:00 horas da manhã soltava uma dúzia de fogos no beco da casa onde estávamos. Por volta do meio dia com a cara limpa perguntava para minha esposa: Helaine dormiu bem? E ria quando ela respondia: Estava tudo bem até que um “fi d’uma égua” soltou uns foguetões ao lado da janela.
Amante da boa música, estando no sertão, não perdia uma seresta com Lostiba, Zá Marinho, Marquinhos, Chico Arruda, Pé Roxo, Pé de Banda e, principalmente, com Val. Estivemos juntos em vários congressos de violeiros e inúmeras cantorias pé de parede, ali ele expunha toda sua sensibilidade em relação à poesia. Ao falecer deixou uma legião amigos, aqui simbolicamente representados por Lulinha de Mestre Biu, Júnior de Zezito Sá e Luciano de Luis Alves.
Nos anos 70, na inauguração da quadra de esporte em Jabitacá Paulo Rato, pivô enjoado e detentor de um chute fortíssimo, ao lado de Clóvis de Dóia, Jucá Neto e de outros amigos comuns deram um verdadeiro show onde a placar do jogo pouco importava, o que saltava aos olhos era a amizade reinante entre eles.
Ademar Rafael, em 17 de janeiro de 2009
SAULO GOMES
No início dos anos 70 fui apresentado a Saulo Gomes pelo amigo comum Danizete Siqueira. Naquela oportunidade eu, jovem estudante; ele, filho do ex-prefeito Possidônio Gomes e parente do governador Jose Francisco de Moura Cavalcanti. Nada disto, porém, inibiu uma forte amizade.
Varamos várias madrugadas recitando Augusto dos Anjos e João Batista de Siqueira, o Cancão de São José do Egito. Nos intervalos dos poemas eu ouvia atentamente suas análises sobre política e suas versões sobre o mundo.
Naquele tempo muitos o criticavam por não aproveitar o parentesco com Moura para se arrumar sua vida. Contudo, contra tudo e todos, ele preferiu a independência e a liberdade de expressão. Estudou o que quis e não o que sugeria o “mercado”.
Foi destacado professor de cursinho, em Recife, e na volta para Afogados da Ingazeira passou a ministrar aulas na Faculdade, onde se destacou pelo método de não apenas repassar conteúdos e sim criar massa crítica em cada aluno.
Em emissoras de rádio da região atua à frente de programas de entrevistas e cultura geral. Em tais programas faz as perguntas que quer e não as que os entrevistados – principalmente os políticos - gostariam que fossem feitas.
Temos muitas coisas em comum e aqui destaco o encantamento por Zá, por Cação e por Augusto dos Anjos. Em sua residência, nos arredores da Barragem de Brotas, pode-se ouvir músicas clássicas, xotes, baiões de sanfona e de viola, estórias de Carrim de Lica, de Bila e Tota Flor além de tomar uma pinga de primeira com caldo de galinha de capoeira ou de feijão temperado com manteiga de terra e queijo de coalho.
A lente com que Saulo vê o mundo tem um zoom raro, conversando com ele podemos notar o seu alcance além de percebermos, com suas intervenções, o imperceptível ao olho nú.
É, sem exagero, uma fonte inesgotável de cultura e rebeldia.
Saulo, como todos que cultuam as regras libertárias, provoca o contraditório e dele faz o fermento para construção do seu pensamento. Sem novelas é o nosso Dias Gomes, sem filmes é o Glauber Rocha do Pajeú e com o existencialismo, ao seu modo, é o Sartre do Sertão.
Ademar Rafael
Marabá-PA – dez/2005
MANOEL FILÓ
No mês de junho de 2004, no Bar de Lulinha em Recife, Felizardo Moura – festejado apresentador de congressos de violeiros – disse a mim, ao João Paraibano, ao Joselito Nunes e ao Júnior de Zezito Sá o seguinte: “Não conheço duas pessoas tão nobres e encantadoras como Dedé Monteiro e Manoel Filó”.
Dedé Monteiro já citado nesta coluna - Pessoas do meu sertão XII – é tudo aquilo e muito mais. Manoel Filó, ora lembrado, é daquelas pessoas que os adjetivos existentes são insuficientes para qualificar.
Tenho com ele forte ligação familiar. Na minha infância, enquanto minha mãe tratava-se de uma enfermidade, fui adotado pela família dele onde recebi um carinho tão grande que, apesar das minha extravagâncias, rende até hoje. Isto fez com que eu passasse a chamar a sua mãe de mãe Tetê e sua irmã Terezinha de madrinha Teca.
As homenagens recebidas por Manoel Filó, no livro “As curvas de meu caminho”, coletânea de pequena parte de sua vasta obra poética, espelha o quanto ele é diferenciado.
Conviver com Manoel Filó é uma benção, até na crítica ele é fidalgo. Podemos afirmar que é um ser humano incapaz de causar um dano, moral ou material, a outrem. Seu desapego aos bens materiais é sua marca registrada, assim como seu cumprimento ao encontrar um conhecido: “Tais bom?”.
Fazer registros de poemas de Manoel Filó é gratificante. Para capa do seu livro fez a seguinte quadra:
“Sobre um trecho acidentado/ Deus passa devagarinho/
Amaciando um cajado/ Nas curvas do meu caminho”.
Para o convite do seu aniversário escreveu:
“Este retrato esquisito/ Que lhe dou contra vontade/
Não diz com eu fui bonito/ Nos tempos da mocidade”.
Na deixa de Heleno Rafael, “Eu nunca gostei de festa/ Sem ter uma namorada”, respondeu:
“A mulata desprezada/ Numa noite novena/
Uma lágrima que derrama/ Do olhar dessa morena/
Mostra a brancura da água/ Que o guiné junta na pena”.
A residência de Manoel Filó foi, é e será um porto seguro para quem desejar afeto, compreensão e apoio. A sua loja “Cachoeira Auto Peças”, em Paulo Afonso-BA, foi o maior cabide de empregos que conheci. Raros políticos ampararam em seu guarda chuva tantos parentes e amigos como ele fez e com uma diferença marcante: Nunca cobrou nada em troca.
Continue, Manoel Filó, distribuindo paz e amizade pelo sertão, você enobrece o Taboado, Jabitacá e o Pajeú.
Marabá-PA – dez/2004
Z E T O
No início dos anos 80 numa noite de cinco de janeiro na encantadora São José do Egito, em uma rodada de improvisos na casa de Toin Zé – também genro de Lourival -, conheci Zeto. No primeiro contato percebi que acabara de conhecer um grande talento. No dia seguinte, na festa de aniversário de Lourival Batista, tive a privilégio de ver Zeto tocando violão e interpretando canções que seriam incluídas no LP “Zeto & Bia”, ali confirmei a avaliação da noite anterior. Na época eu trabalhava em Barbalha-CE e meses depois recebi de Hilário Marinho um exemplar autografado do disco da dupla Zeto & Bia Marinho. É, com certeza, um trabalho encantador, expressão verdadeira do homem do interior.
Quando voltei para Pernambuco, em 1992, reencontrei-me com o grande músico e tive muitas oportunidades de apreciar sua obra, verdadeira junção do popular com o erudito.As composições “Forropé”, “Vento Penteado”, “Quadro Pensativo” e “Lá no sertão”, constituem-se páginas coloridas da nossa região. Além de grande poeta e músico Zeto foi um intérprete de primeira linha. Suas apresentações tinham cheiro de sertão e os poemas de Canção na sua voz ganhavam mais brilho, ou seja: lapidava um já valioso diamante. Defensor incansável da liberdade e dos direitos sociais não verá um metalúrgico na Presidência da República, porém lutou pelos ideais que Lula defende.
Arrisco-me, no decassílabo a seguir, a sintetizar sua estada neste mundo: “Meu Nordeste está de luto/e o meu Sertão incompleto/depois da morte de Zeto/ agrestino muito astuto/que gostava de matuto/de Canção e de Chudu/de Jó de Zezé Lulu/e que a Louro deu alegria/quando em dueto com Bia/animou meu Pajeú”.
Tenho certeza que seu encontro com Zé Marinho, Lourival, Jó Patriota, Zé Marcolino e Chudu foi uma grande festa onde não faltaram baiões, xotes e “estórias” do Pajeú.
Novamente fora de Pernambuco abrando um pouco a saudade ouvindo as canções de Zeto: poeta, músico, intérprete e amigo. Saiba amigo: Os acordes de seu violão e o eco de sua voz serão ouvidos todas vezes que passarmos perto do Rio Pajeú e do Riacho do Navio ou quisermos relembrar o nosso Sertão querido.
Ademar Rafael FerreiraMarabá-PA – 22 de fevereiro de 2003
SEBASTIÃO DIAS
A primeira vez que o ouvi cantar foi no antigo Cine Bom Jesus, na Av. Manoel Borba, durante o intervalo de uma cantoria entre Moacir Laurentino e Zé Feitosa, ao fazer um “baião” com Moacir falando sobre o céu e inferno.
Naquela oportunidade meu querido pai sentenciou: “Este rapaz vai ser um grande cantador”. A previsão do velho Quincas Rafael realizou-se: Sebastião Dias tornou-se um dos melhores cantadores do Nordeste.
Dono de um estilo inconfundível, detentor de um domínio destacável nunca vi Sebastião Dias perder a compostura antes de enfrentar qualquer cantador.
Forma com João Paraibano uma das mais antigas duplas de cantadores e juntos realizaram feitos indescritíveis pelo Nordeste afora.
Seus poemas: “Conselho ao filho adulto”, “A voz do Eito” e “Súplica dos Ecólogos” são obras de altíssimo nível. Em “Cenários do Pajeú” ele retrata o nosso rio com uma riqueza de detalhes comparável às obras de José de Alencar e Machado de Assis.
Na recente “Canção da Paz” ao escrever: ... “Levantem todos que estão caídos/nem todos sonhos foram destruídos/novos caminhos temos que seguir/chegou à hora de ferir os ombros/somar esforços, remover escombros/que ainda é tempo de reconstruir” o poeta do Rio Grande do Norte deixa um dos mais brilhantes recados contra a violência que já li.
Além de poeta extraordinário Sebastião Dias é inovador. Levou a sanfona para seus poemas, dando-lhes uma roupagem nova com uma coragem encontrada apenas nos mitos.
Conhecido como o Chico Buarque da viola Sebastião faz por merecer tal deferência. Afirmo contudo que suas criações podem ser pintadas nas “Aquarelas” de Toquinho e recitadas com a delicadeza dos poemas de Vinícius.
Em Tabira o poeta potiguar encontrou amigos e o grande amor de sua vida. Ser recebido por Sebastião e Yeda é compartilhar momentos felizes em um lar onde se respira poesia, educação, muito amor e muita paz.
Encerrando esta homenagem cito versos em resposta ao poeta Severino Feitosa que terminou uma sextilha assim: ”O seu poder é supremo/e sua força infinita”. Respondeu Sebastião: “Não há coisa mais bonita/da pessoa admirar/do que ver o sol nascer/uma aranha trabalhar/uma folha se bulir/e um passarinho cantar”.
Ademar Rafael FerreiraMarabá-PA – 24 novembro de 2002
DEDÉ MONTEIRO
Não conheço um assunto sobre o qual Dedé Monteiro não tenha escrito. Sua obra extrapola as fronteiras do Pajeú e alcança do mais simples homem do campo ao mais exigente intelectual. É para mim ele o maior poeta das nossas paragens. Tenho recitado “Papai Noel de casa” pelo Brasil e em todos os lugares recebo palmas pela mensagem expressa naquele belo poema.
Sabendo que Dedé seria um dos seus mais devotados seguidores, Jesus concedeu-lhe o direito de fazer tudo com muito mais acerto do que nós, os comuns. Sua ação como cidadão é destacável, como membro do Encontro dos Casais em Cristo é louvável e como profissional nas áreas que atua é admirável.
Seu jeito brejeiro e encantador faz dele uma das pessoas cujo convívio acrescenta em tudo. A missa do poeta, homenagem a Zé Marcolino, sem ele não teria o mesmo brilho. Suas declamações recebem, sempre, merecidos aplausos calorosos.
Desde “A porca preta pelada” até sua última criação ver-se na obra de Dedé um somatório de talentos e uma mistura do hilário, do popular e do erudito. Seus poemas são múltiplos.
Nas rodadas de poesias, na Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira, com Sebastião Dias, Zé Liberal e Afonso nota-se que a glosa de Dedé tem um perfume encontrado apenas nas flores campestres e é revestida da pureza da criança.
Por não ter o privilégio de sua companhia, em meu cotidiano, mato a saudade lendo e relendo o seu livro, que recebi do amigo Danizete, cujo prefácio é de Antonio de Catarina e o criador do nome é o meu conterrâneo Zé Liberal.
Na leitura reencontro minha terra, conforme lhe disse nos primeiros versos do soneto que o enviei certa época: Eu aqui juntinho aos kaiapós, lendo a réplica que fizestes a quem és tu, fui de volta ao nosso Pajeú, esqueci Tocantins e Tapajós...
Caro Dedé, seus relatos poéticos tem a rapidez do Globo Repórter, porém o programa global por mais elaborado que seja não alcança a beleza de sua obra.
Muito obrigado por tudo e continue sendo a mais brilhante estrela do nosso rincão, tu és, Dedé, imortal por natureza.
Marabá-PA – Julho-2002
DONA LAURA
Na época de sua morte o poeta João Paraibano escreveu em uma de suas estrofes os seguintes versos: “A senhora não deve a Afogados, Afogados é quem deve pra senhora”. Além da beleza métrica a mensagem espelha, com muita nitidez, uma verdade: Dona Laura realmente fez muito por Afogados.
Como colega de sala de aula de Bila, amigo de Antônio e de Heleno e funcionário de Aniceto, tive a honra de conviver na residência de Dona Laura. Mãe exemplar, sabia de quem eram filhos os amigos dos seus filhos e as amigas de suas filhas.
Os genros e noras eram tratados como filhos e ai de quem fizesse uma injustiça com um dos seus. Com respeito, porém com muita veemência, ela defendia sua família.
Era o ponto de equilíbrio e o calmante para Zé Mariano na hora em que ele pretendia punir um dos filhos caso cometesse um desvio, sob sua ótica.
No comércio, conhecia pelo nome todos os clientes e sempre perguntava por outro membro da família ao encontrar um amigo. Tinha invariavelmente uma palavra de apoio para quem a procurasse. Desconheço um caso de uma pessoa que tenha batido em sua porta e ficado ao relento.
Foi a grande conselheira e confidente de Antônio Mariano. Em 83 levei uns amigos do Ceará para conhecer Afogados e Antônio; após uma bela rodada de cerveja no clube campestre, nos levou a sua casa para que os cearenses conhecessem Dona Laura, apresentando-a como o grande esteio da sua carreira política.
Em suas compras de presentes, ao final de cada de ano, Dona Laura incluía todos os seus funcionários, com os quais dividia sua farta mesa.
Assim defino a eterna Dama da Manoel Borba.
Marabá-PA – Junho-2002
MARIA DA PAZ (Paizinha)
Os que tiveram oportunidade de assistir Paizinha, nas matinês do Cine São José, viam naquela linda menina um diamante em fase de lapidação. Seu talento superava os concorrentes.
Veio o conjunto “Os Unidos”, maravilhoso invento de Seu Dino. Ali nossa grande cantora ao lado de Toinho Tarê, João do Baixo, Chagas e Edson Pilão trouxe alegria às tertúlias do Pajeú.
Foi levada para Marajoara de Sertânia onde, em parceria com Charuto, levou muitas pessoas aos bailes. Suas intervenções eram um espetáculo à parte. O sucesso extrapolava os limites do Pajeú, tornava-se, portanto, um nome regional.
Seu primeiro trabalho em disco trouxe uma interpretação de Súplica Cearense que o mais radical crítico dificilmente achará um ponto falho.
No velho continente reforçou seu potencial artístico. Na volta, com a mesma voz doce, agreste e bela presenteou o mundo da música com dois belos CD.
O nome Maria da Paz é agora conhecido em todo país. Com inteligência rara defende as bases musicais que acredita. O asfalto não matou a Paizinha de Afogados.
Não vende de mesmo tanto das musas do axé. Não é sócia do programa do Faustão. Sua química é outra. Ouvir Maria da Paz é dar um presente para alma.
Quando deixei Afogados em l982 recebi como presente de Leni, colega de Banco, uma fita com as músicas do primeiro LP de Maria da Paz. Foi durante muitos anos o único remédio que abrandava minha saudade.
Continue brilhando Maria da Paz, nós que amamos a boa música agradecemos.
Marabá-PA – junho/2002
MANOEL JERÔNIMO NETO
Nos carrancudos anos 70, em Iguaracy, surge a figura de Manoel Jerônimo Neto, agricultor, autodidata, poeta e sindicalista por excelência.
Antecipou-se e começou a desenvolver um trabalho de organização no meio rural, fazendo ressurgir o movimento esfacelado pela revolução de 64.
Sua voz estridente dispensava megafone e suas idéias libertárias enfrentavam a ira de proprietários de terras que viam na figura de Manoel Jerônimo uma ameaça para seu estilo de gestão, baseado no favorecimento dos grupos dominantes e na exploração de mão-de-obra barata.
No campo poético Manoel Jerônimo travava embates com outros poetas da região no memorável programa no “Terreiro da Fazenda”, comandado por Waldecy Menezes, já destacado nesta coluna.
Ideais defendidos por Manoel Jerônimo fortaleceram-se com a volta da democracia e foram esmagados pelo governo de FHC, no tocante a divisão de rendas. A subida do PT ao poder com certeza deu-lhe alegrias, espero que novamente as promessas não se percam pelos caminhos da burocracia do Estado.
No eco de qualquer grito do campo e em toda ação pelo direito a um pedaço de terra haverá sempre a voz do nosso maior líder sindical.
Marabá-PA – Junho/2002
ROGACIANO LEITE
Os caminhos de pedras juntas do alto Pajeú servem de base para muralha poética representada por Rogaciano Leite. O mito de Itapetim foi qualificado por Terezinha Costa, na obra “São José do Egito - Musa do Pajeú”, como: “Cantador, poeta, orador, filósofo, jornalista e inteligência beirando a genialidade.” A jornalista Carlyie Martins, da Gazeta de Notícias do Ceará, assim definiu-o, após assistir uma apresentação dele no Teatro José de Alencar: “A musa de Rogaciano Leite veste-se da seda brilhante e colorida das alvoradas e põe nos cabelos os grampos das estrelas e as fitas que têm as tonalidades dos crepúsculos”.
Demonstrou a rebeldia com sua terra na estrofe a seguir, em resposta a provocação de Lourival Batista. Disse Louro: Não maltrates tua terra/Rogaciano sossega/Ela é mãe e tu és filho/Paciência meu colega/Filho que fala de mãe/morrendo o diabo carrega. Respondeu Rogaciano: De fato caro colega/Sua razão não se some/O diabo carrega o filho/Que da mãe manchar o nome/Mas também carrega a mãe/Que mata o filho de fome. Porém, no “Poema da minha terra” ele deixou uma verdadeira declaração de amor ao Pajeú. ...Ah! que tempo de alegria/quando bebendo poesia/de calça curta eu corria/à margem do Pajeú/comendo jabuticaba/melão, mamão e goiaba/Cambuí, jambo e quixaba/maracujá e umbu...
Encontrou reconhecimento em Fortaleza e em pagamento ao carinho do povo do Ceará, deixou o poema “Ceará Selvagem”, do qual destacamos: ... Ó Iracema formosa/deusa da raça praiana/ teu corpo emprestou perfume/às águas de Messejana!/Mercioca inda delira?Maranguape inda respira/fragrâncias do teu calor/Teu pé trigueiro e pequeno/sobre o rastro de Moreno/deixou um cheiro de flor... O beijo de uma selvagem/deve ter tanta doçura/como polpa de mangaba/quando é colhida madura/embora seu sangue bravo/nos faço lembrar o travo/da pitanga sem sabor/no coração de quem ama/acende a mais viva chama/celebra o mais puro amor...
Seus trabalhos: Pirambú, Acorda Castro Alves e Trabalhadores, são revestidos de revolta presente apenas nas obras dos rebeldes imortais e relatam tragédias provocadas pelo homem, contra ele mesmo.
Certa vez um barbalhense confidenciou-me que Rogaciano encantava todos que lhe ouvia, porém morrera levando consigo uma paixão tão grande como as estrofes de “Eulália”.
Nenhum espaço é suficiente para decifrarmos os feitos de Rogaciano, mas entendemos que sua presença nessa galeria é obrigatória.
Serrinha-BA – Março/2002
ZÉ MARCOLINO
Os sertanejos que ajudaram transformar Paulo Afonso na atual potência do nosso setor energético, em alguns finais de semana tinham o poderíamos chamar de agenda cheia.
Primeiro, com dinheiro no bolso, tomavam umas doses de pinga com um preazinho assado ou peixe frito; depois, ouviam uma cantoria de pé-de-parede com Chudú x Jô Patriota x Bule-Bule, com direito a participações de Heleno Cai-Cai x Manoel Filó e após meia noite, no famoso COPA – Clube Operário de Paulo Afonso -, dançavam ao som de Zé Marcolino.
A apresentação do menestrel de Sumé era a maneira mais animada e barata de voltar ao sertão. Suas letras, verdadeiros hinos, transportavam os sertanejos para suas cidades de origem, ao som da sanfona.
É muito difícil encontramos uma pessoa do sertão que não saiba um trecho de “Numa Sala de Reboco”. Zé Marcolino teve a sensibilidade de levar para a música a falência da atividade rural, motivada principalmente virtude do êxodo dos trabalhadores rurais e do abandono das grandes propriedades pelos filhos dos antigos donos, “Fazenda Cacimba Nova” e “Serrote Agudo”, espelham tais realidades.
Sebastião Dias, contou com a capacidade que encontramos apenas nos grandes poetas para criar o mote: “A estrada matou quem escreveu o mais belo poema da estrada”. Tal frase ligou o acidente que causou a morte de Marcolino a sua música “Estrada”, eternizada na voz de Bia Marinho, no trabalho Zeto & Bia.
Maciel Melo e Petrúcio Amorim, grandes talentos da música nordestina, são os herdeiros da linha de Marcolino, porém, numa época em que as dificuldades são menores, especialmente, no tocante ao reconhecimento do público e recebimento dos direitos autorais, elementos que a “pureza” do criador de “Matuto Aperriado” deixou que tirassem dele, com tanta freqüência.
Por inspiração de Padre Assis, Dedé Monteiro, Zé Liberal e outros iluminados de Tabira, naquela cidade realiza-se a cada ano uma festa denominada a “Missa do Poeta”, neste evento o Pajeú presta uma homenagem que a Paraíba esqueceu de prestar, ao seu talentoso filho.
Saiba caro poeta que Lostiba, Chico Arruda, Val, Bia, Zá, Flávio José, Delmiro Barros, Marquinhos, Pé Roxo, Pé de Banda, Bigodão e todos sertanejos, amantes da boa música, nunca deixarão sua obra ser engolida por esta mídia teleguiada, você é eterno.
Serrinha-BA – Março/2002
JOÃO PARAIBANO
Um dos maiores talentos da cantoria de viola, é o que poderemos chamar de jóia rara, cuja lapidação deu-se sob o sol escaldante das barrancas do Rio Pajeú. Quem conheceu o início de sua carreira, como reserva do programa “Quando as violas se encontram” viu que os titulares Raimundo Borges e Moacir Laurentino reservavam para ele o papel de coadjuvante.
Com uma perseverança invejável João foi ocupando seu espaço até chegar ao maior parceiro: Sebastião Dias. Teve como principais incentivadores meu pai, seu compadre Jotinha, Beijo e João Ézio. O alpendre da fazenda Humaitá, de propriedade de Zezinho Moura, foi palco onde amolou sua guilhotina.
Hoje, sentar ao lado de João, num pé de parede ou em um congresso é das mais difíceis missões que um cantador pode enfrentar.
Tive oportunidade de ver muitos poetas, que antes torciam o nariz para João, apanhar dele em todos os baiões de uma cantoria, isto porém nunca lhe deu força para pisar em alguém, pagou, sempre as injustiças com versos.
Citar suas maiores estrofes é missão impossível. As seguintes, retiradas do livro Roteiro de velhos cantadores e poetas populares do sertão, de Luís Wilson, tem o intuito de embelezar esta crônica. Na deixa de Sebastião Dias: “No meu lar criamos muito/pato, peru e galinha, Paraibano respondeu: Me lembro de uma vaquinha/num curral sem ter cancela/comendo uns troncos de palma/cortados numa gamela/eu arriava o bezerro/mãe tirava o leite dela. Em outra oportunidade ele disse: Um pé de jerimunzeiro/que a água no tronco empoça/cria força na raiz/bota flor a rama engrossa/travessa a cerca do dono/via vingar na outra roça.
A letra P acompanha João há muito tempo. Nasceu Pobre no sítio Pica-pau de Princesa Izabel na Paraíba, ganhou a alcunha de Paraibano, mora no Pajeú, e é Poeta.
Portanto, peço permissão para parar.
Serrinha-BA – Março/2002
AMARO PÉ-DE-PATO
Permita-me a família do homenageado que o trate pela alcunha que foi conhecido por todos em nossa cidade. Sua memória privilegiada permitida que os apostadores do jogo do bicho soubessem os números das placas de todos veículos existentes em Afogados até os anos 70, bem como dos automóveis de usuários dos hotéis de Caranguejo, Dona Milinha ou Pousada Costa, e vissem seus sonhos transformados em milhares, centenas e dezenas.
A entrega do secular “Diário de Pernambuco” era feita sob sol e chuva, seguindo uma ordem que apenas ele sabia, acredito que na seqüência dos leitores mais apressados.
Torcedor inflamado do Guarany não perdia um treino ou um jogo, sempre disposto e contribuir com o time no que estivesse ao seu alcance.
Brincalhão, divertia-se com a citação da história do “bolo” ocorrida à beira do antigo campo do BAC. Quando alguns atletas, orquestrados por Lulu Pantera, mandaram ele bater um escanteio enquanto os outros jogadores comeram um bolo que ele levava para uma aniversariante.
Tinha no rosto o sorriso gratuito que apenas os habitantes do pajeú possuem e exerceu os papéis de cambista e entregador de jornal com exemplar correção. Fazia questão de entregar o prêmio do jogo no mesmo dia e não permitia atraso na entrega do jornal.
Caro amigo Amaro: você faz parte da história de Afogados da Ingazeira, por ter trazido, em cada dia, a história do mundo via “Diário de Pernambuco” e, principalmente, pela sua simpatia e simplicidade.
Serrinha-BA, Janeiro/2002.
LUIZ ALVES DOS SANTOS
Quem, como eu, tiver origem em família humilde entenderá melhor este texto. Luiz Alves dos Santos, oriundo de Carnaíba, educador incansável, agropecuarista, jogador de futebol e bom de papo.
Seu Luiz, Diretor perpétuo, do Colégio Comercial Monsenhor Pinto de Campos, nosso inesquecível Industrial, bateu em muitas portas, recebeu muita resposta negativa para sua luta em favor da entidade que dirigia e que para ela dedicou a vida.
Foi seu ímpeto que deu a Afogados da Ingazeira a primeira quadra de futebol de salão, a anterior – ao lado da cadeia – fora construída para voleibol. Foi sua garra que de sala em sala fez o prédio hoje existente. Contou com a ajuda de alunos, de professores e da sociedade, mas sua tenacidade fez a diferença.
Ajudou a mim e a outros estudantes pobres sem interesses distantes da formação que acreditava ser a correta . Nunca ouvi dele um pedido de voto para ele ou candidato de sua simpatia.
Com seu jeito liberal abrandou muitas penas impostas pelo Professor Alberto, por Dona Fátima e pela sua esposa Dona Lucinda. Não os desautorizava, mas encontrava atenuantes e resolvia.
Participou do folclórico time do CEUB e vibrava ao ver a quadra do Ginásio cheia em noites de Barcelona.
Vibra com o sucesso de cada ex-aluno com a mesma intensidade que festeja uma vitória de um filho. Cita, com orgulho, o nome dos ex-pupilos que estão bem colocados na vida e procura ajudar os que não tiveram a mesma sorte.
Existirá quem discorde, no entanto, vejo em Seu Luiz um exemplo e ser seguido quando falamos em persistência e dedicação a uma causa.
Serrinha-BA, Janeiro/2002.
O CARTEIRO
Sexta-feira, dia 25 de janeiro, comemora-se o dia do carteiro.
Não há palavras que afira a importância dos seus serviços em um país continental como o nosso e com cidades desenhadas sem critérios urbanísticos.
Para falarmos sobre os desafios que o carteiro enfrenta em seu labor, carecíamos utilizar várias laudas, citemos, no entanto, as três mais freqüentes: - intempéries da natureza; - cães, e - mau humor das pessoas.
Quem de nós não recebeu uma grande notícia por meio de um carteiro, ele, em conjunto com o rádio foi o maior divulgador dos acontecimentos no seio das famílias e pelo mundo afora. O rádio a televisão sufocou o carteiro por nada é sufocado.
Com o advento da internet muitos pregaram o fim da atividade, diziam os apressados: Tudo agora será virtual e em tempo real. O tempo, porém, provou o contrário. São eles os entregadores das compras realizadas através da rede. No entanto, eles, como a grande massa trabalhadora do Brasil, recebem muito pouco pelo que realizam.
Os que mandam cartões para seus eleitores – à custa do erário – não incluem os carteiros nos debates travados em nossas casas legislativas, sobre salários. Demos um sorriso ou um simples cumprimento “humano” aos únicos brasileiros que honram a camisa “amarela” que vestem.
Serrinha-BA, Janeiro/2002
WALDECY XAVIER DE MENEZES
Apesar de não ter nascido no sertão, seus feitos e sua eterna defesa das causas do pajeú capacita-o para figurar nesta coluna.
Waldecy Xavier de Menezes, figura de destaque nos anos 60 a 90 em nosso Afogados, foi um professor admirável. Viu antes de muitos educadores que a tênue linha do saber é tecida muito mais pela interface entre mestre e aprendiz do que por meio de provas em finais de períodos. Uma aula sua era o que podemos chamar de uma viagem ao desconhecido, porém, na bagagem de volta estava contida a sapiência, sua eloqüência de doutrinador não deixava dúvidas.
Nos memoráveis desfiles de sete de setembro, seu ímpeto patriota estava presente. Por diversas vezes testemunhei lágrimas dos seus olhos, ao ver “seus” alunos chegarem na praça Mons. Arruda Câmara cantando o hino nacional.
Nas ondas da Pajeú, através do programa “No terreiro da fazenda”, deu voz e vez aos talentos da região. Poetas, sanfoneiros, pifeiros e cantadores apresentaram-se naquele espaço, porém, os poemas lidos por Waldecy ganhavam uma roupagem que apenas sua voz inconfundível era capaz de dar.
Quando podia, ele passava férias em Bonfim, na fazenda do amigo Luizinho Nunes. Ao passar em Jabitacá sempre dava um abraço em Quincas Rafael, poeta que a seu pedido compôs o poema “Sesquicentenário” incluso no livro “Afogados deu de tudo”.
Caro mestre: Deus não lhe deixou ver as riquezas do nosso Brasil serem entregues, para abrandar a usura do capital especulativo, a segregação social e a injusta distribuição de rendas. Feitos que deixarão uma marca tão profunda quanto à escravidão, que você tanto condenava.
Serrinha-BA, janeiro/2002
LULU PANTERA
Esta alcunha poderia pertencer a um artista de circo ou uma dona de casa noturna, mas acompanha uma das figuras mais queridas da história recente de Afogados da Ingazeira
Como todo sertanejo aprendeu sozinho: músico, treinador de futebol, vigilante, contador de estórias e conselheiro. Neste último posto dava conselhos a muitos jovens de minha geração, quando aventurávamos gestões “pós-linha férrea”.
As cidades do pajeú, em muitas oportunidades, ouviram sua música. Fez parte de um elenco maravilhoso que tinha ainda Luiz de Ernesto, Mestre Biu, Seu Dino e tantos outros. Caso tivesse morado no Rio teria sido grande parceiro de Geraldo Pereira e Wilson Batista, pois, suas idéias encontravam guarida nas idéias de tais sambistas.
Treinou o Ferroviário na memorável partida contra o Guarani, num final do ano, na qual apenas o juiz viu irregularidade no gol de Arnaldo. Assistir um jogo ao lado dele era divertido, por mais fraca que fosse a partida ele encontrava algo para fazer piadas e inventar situações.
Como vigilante foi grande guardador de “causos”, bens materiais não faziam parte do seu universo, isto o torna único.
Nunca o vi com raiva, quando tinha uma grande decepção balançava a cabeça e procurava algo interessante para fazer, afinal onde ele estava a tristeza tinha pouco espaço, suas estórias eram fábricas de risos.
Lulu: que seu sorriso largo esteja presente no rosto do povo do sertão, nos próximos anos e que através da pureza do sertanejo se espalhe por todo Brasil.
Serrinha-BA, Dezembro/2001
LOURIVAL BATISTA (Louro do Pajeú)
Ao citarmos o nome de Lourival Batista, a maioria das pessoas lembrará o extraordinário poeta, o rei do trocadilho, porém, “Louro” deixou outra obra tão grandiosa quanto sua poesia: sua família.
Comecemos por Helena, sua fiel companheira: trata-se de uma dama, mulher de grande fibra e dotada de senso de solidariedade comum apenas nos seres humanos iluminados.
Sem termos nada contra os filhos de Xororó, temos certeza de que se apenas dez por cento dos holofotes dispensados para Sandy e Júnior, fossem ligados na direção de Bia, Val e Zá, a música popular brasileira teria uma outra vertente, tão poderosa como a de Caetano e Bethânia, esta com cheiro de recôncavo baiano, aquela com cheiro de pajeú.
Branquinho, Hilário e Maria Helena herdaram, cada um ao seu modo, os ensinamentos de “Louro” e Helena, nas memoráveis festas do dia seis de janeiro de cada ano. Aquela era a mais democrática festa de aniversário que conheci. Hoje, os três recebem com a mesma naturalidade, com pratos e copos cheios e com música de primeira linha, de preferência, na interpretação dos irmãos Bia, Val e Zá, sem esquecer que os anfitriões também escrevem e contam com maestria.
Bat, o outro filho que completa o grupo, é um ser humano de dotes raros quanto ao encantamento a quem o conhece, figura humana extraordinária, suas qualidades superam qualquer rebeldia.
Obrigado “Louro”, sua dinastia perdurará eternamente, seus netos estão no mesmo caminho dos filhos.
Para dar brilho e este texto, registramos a estrofe a seguir, extraída do livro Roteiro de velhos cantadores e poetas populares do sertão, de Luís Wilson, sobre o velho que passava, portando uma bengala:
“O homem na mocidade / com duas pernas se arruma,
mas depois que fica velho / com tudo se desapruma!
De duas passa pra três / E as três não valem uma.
Serrinha-BA, Dezembro/2001
QUINCAS RAFAEL (Um ano sem o poeta)
Há um ano o poeta Quincas Rafael nos deixou, sem dar trabalho a ninguém, como sempre desejou
Foi um defensor da liberdade. Os princípios da Revolução Francesa: Igualdade, Fraternidade e Liberdade estiveram presentes em toda sua vida. Uma das poucas coisas que não aceitava era a injustiça; no mais conformava-se com muito pouco.
Sua morada, a famosa casa de pedra em Jabitacá, não tinha tranca na porta, ali quem batesse seria bem recebido para ouvir e contar “causos”, aquela velha casa foi o maior fórum de conversas matutas que conheci. Toinzé que o diga.
No dia da missa de sétimo dia ouvi de Diniz e João Rabelo o seguinte: “Uma banda de Jabitacá morreu com Quincas; ela nunca mais será a mesma”. Existe um pouco de exagero na frase, porém tem muita verdade.
Quincas era Jabitacá e Jabitacá era Quincas.
Comentou comigo, várias vezes, sobre os seus grandes amigos da infância: Décio Campos, Zezito Sá e Minéu; das aventuras como vaqueiro citava Zé Torres, Chiquinho Vicente e Gonçalo Gomes.
Certa vez, "Beijo" do Cartório me disse que vinha de Tuparetama para Afogados e, ao ver o poeta na estrada, falou consigo mesmo: “Ganhei o dia, ouvirei Quincas até Afogados”.
Assim era meu velho pai: um verdadeiro animador de auditórios; onde estava tinha risos, histórias e estórias.
Sua simplicidade é motivo de meu orgulho.
Que o Deus o proteja!
Salvador-BA, 23.11.2000.
MARCOS PORRÓIA
Em 1999 Afogados ficou sem um dos seus filhos mais queridos: Marcos de Zé Coió, ou Marcos Porróia, para nós.
Escrever sobre Marcos é muito fácil. Quando jovem não quis um curso superior, pois sabia que Deus havia lhe dado talento suficiente para prescindir diplomas. Meia-esquerda brilhante, formou ao lado do saudoso Alex um meio de campo fenomenal no Santa Cruz de Ninô. Ainda no futebol nos deu, em conjunto com Arnaldo, Batista, Murilo, nosso inesquecível Dinga e Dinda, o Guarabira, único time que foi capaz de vencer o Barcelona. Ali Marcos impediu muitos gols que ele tanto sabia fazer, foi um dos maiores goleiros da história de Afogados.
Com seu sorriso franco e carisma peculiar mudou-se para Princesa Isabel-PB, após o casamento. Para lá levava, sempre que pedia, seus amigos. Ali destacou-se como empresário e vaqueiro, na terra de Zé Pereira e Arismar; foi vitorioso em várias vaquejadas.
Tudo que ele fazia colocava muito amor e garra. Nunca vi Marcos reclamar de ninguém; se era para fazer algo ele tomava a frente e com sua liderança realizava da melhor maneira.
A morte de Mário tirou muito do brilho de seu olhar, mas jamais desistiu de qualquer coisa; foi um vitorioso com sua próprias pernas. Todas as vezes que precisei de Marcos para qualquer coisa ele atendia no ato. Era seu jeito.
Fica o legado para que os jovens de nossa terra lutem por seus objetivos como Marcos fez. Deixou-nos em busca da felicidade com Maísa, e, na Paraíba, sempre dava guarida a quem fosse do Pajeú de por ali passasse. Muitas vezes ficamos perto do que gostamos e não realizamos nada em pró dos nossos e de nós mesmos.
Marcos sempre procurou ir além, que o diga os goleiros que ele fez ir buscar o bola no fundo da rede, pois, a potência do seu chute não dava tempo para ver o bola.
Barreiras ( BA) - Janeiro 2000.
AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje | 1997-2010