AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
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AFOGADOS DA INGAZEIRA ontem & hoje
Antiga sede da Rádio Pajeú Waldecy MenezesAbílio Barbosa Dinamérico Lopes Dom Mota e funcionários Dom Mota e funcionários funcionários funcionários Tarciso Sá Aldo Vidal e Nill Jr. Carlinho de Lica Anchieta SantosTito BarbosaTony Medeiros

COMUNICAÇÃO

 

RÁDIO PAJEÚ

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Idealizada e instalada pelo primeiro bispo diocesano de Afogados da Ingazeira Dom João José da Mota e Albuquerque em 4 de outubro de 1959, foi inaugurada a Rádio Pajeú de Educação Popular Ltda, "Pioneira do Sertão Pernambucano".

A principal meta da emissora era a de educar a população da nossa região, através do MEB (Movimento de Educação de Bases), projeto da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

O MEB consistia em Escolas Radiofônicas, que só foram inauguradas a partir de 1961, já com o segundo bispo da diocese, Dom Francisco Austregésilo de Mesquita Filho. Elas só existiam na zona rural, pois na cidade havia escolas.

Chegou a ter 405 (quatrocentas e cinco) unidades e, para cada uma, era necessário um responsável, um lampião com combustível, um rádio cativo com pilhas (sintonizava apenas a Rádio Pajeú), quadro negro e giz. Os voluntários, que trabalhavam nesse Movimento, eram quase que em sua totalidade mulheres. Não eram remunerados. O que ganhavam era um simples presente ao final de cada treinamento.

Em 1964, com a ditadura militar, as escolas foram invadidas e apreendido todo o seu material de trabalho, quebrando os rádios, atirando-os ao chão, dizendo que tudo era comunismo, contra a revolução. Com o AI-5 (Ato Institucional) a programação da Emissora foi censurada e controlada pelos militares. Só era permitido divulgar o que eles queriam.

A Rádio tinha três sócios: Dom Mota, com 796 cotas; o vigário, padre Antonio de Pádua Santos, com duas e seu Helvécio César de Macedo Lima, duas, totalizando 800 (oitocentas) cotas. Com a transferência de Dom Mota, suas cotas foram doadas ao bispo sucessor, Dom Francisco, como também por ele foram adquiridas, com o falecimento do Padre Antonio, as suas cotas, conforme constava do estatuto. As do Seu Helvécio, com o seu falecimento, passaram a ser do herdeiro, Dr. Vicente Jesus de Lima, que posteriormente foram doadas à Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos Remédios. O prédio da emissora, também foi doado à Fundação.

Pelo estatuto, o Presidente será sempre o bispo da diocese de Afogados da Ingazeira.

A emissora possuía dois transmissores. Um ficava ativo e o outro na reserva. A dificuldade com a manutenção era grande, pois não existia técnico na região.
Como a cidade só tinha energia das 18h às 21h, a Rádio tinha um motor para gerar sua própria força.

A Emissora passou a ser a nova diversão, com os programas educativos, musicais, os programas românticos e caipiras, depois, os domingos-alegres, programas de auditório, apresentados pelo saudoso Waldecy Xavier de Menezes e transmitido diretamente do palco do Cine Pajeú (São José).

O "Domingo-Alegre" constava de um roteiro bastante variado: concurso de danças, cantores, curiosidades, brincadeiras, declamadores e ainda uma parte cultural; uma espécie de competição entre escolas. Os alunos eram sabatinados sobre determinado assunto. Era um estímulo para os alunos estudarem a fim de defender cada um a sua escola. A torcida se empolgava aplaudindo o vencedor e zombando do derrotado. É evidente que tudo não passava de brincadeira.

O ponto alto da programação acontecia no momento em que Waldecy anunciava que ia declamar uma de suas poesias preferidas. Quase sempre era “Tédio” ou “Perfil de Hospício” para atender a insistência da platéia que aclamava com entusiasmo.

Em determinado momento Waldecy convidava dois meninos ao palco. De repente corriam cinco ou seis. Ele prometia um prêmio àquele que o acompanhasse repetindo um trocadilho sem tropeçar, e dava início: "Compadre Berinjela!"; "A casa de compadre Berinjela"... cada vez aumentava mais uma palavra. Era difícil alguém acompanhá-lo até o fim, sem errar. A euforia era geral. Relembrar momentos tão saudáveis e alegres nos deixa uma imensa saudade.

É grande a relação dos jovens que lá se destacaram: Eduardo Rodrigues da Silva, "O canarinho"; Oscarzinho Barbosa, "Justiça de Deus"; Toinho Xavier; Maria da Paz, Lindaura Siqueira, Sílvio de Seu Né, Geraldo Valdevino, Lulú Pantera (o Charles Pantera), Assis de Floriano, Luciana Arcoverde (Lulita) e Nadir Alves. Júlio Góes, o "JG", com suas botas e roupas incrementadas era o Valdick Soriano do Pajeú. A jovem Lindaura chegou a participar de festivais, inclusive na cidade de Caruaru.

Waldecy Menezes apresentava os programas "No Terreiro da Fazenda", que era radiofônico, e "Festa na Roça" de auditório. Este, às sextas-feiras, com força maior na época de inverno onde se sorteavam produtos agrícolas, milho verde, melancia, jerimum, ovos, galinhas e outros, com o Cine São José sempre lotado. Waldecy o fazia de um modo dinâmico e agradável. Ele deu voz e vez aos talentos da região. Poetas, sanfoneiros, pifeiros e cantadores apresentaram-se naquele espaço, porém, os poemas lidos por ele ganhavam uma roupagem que apenas sua voz inconfundível era capaz de dar. A sua preferência maior era pelos poemas de Zé da Luz. Na maioria das vezes ele, atendendo a inúmeros pedidos, declamara "Confissão de Caboclo". Assumia a condição de matuto analfabeto que assassinara a esposa porque não sabia ler. Poucos eram os ouvintes que não se emocionavam ao ouvir o nosso querido e inesquecível apresentador.

Vale ressaltar que o Sr. Davi de Sousa Lima "Seu Vidinho", possuía dotes de seresteiro. Na década de 60 ocupava um pequeno espaço na nossa Rádio Pajeú com um programa intitulado "Davi de Sousa Canta", no qual exibia sua voz com as melodias do passado. Era um saudosista autêntico.

Aos domingos, às 19h, após a missa, a criançada não perdia o programa do "Tio Roberto". Não adiantava tentar tirar uma daquelas crianças de perto do rádio. Sentados no chão, braços apoiados nos joelhos e mãos no queixo. Não piscavam os olhos, até o programa terminar às 19h30. A vibração maior era quando ele lia as cartas que enviavam e citavam o nome de algumas crianças. A alegria era geral.
Na década de 70, o programa "Repórter Peninha", nome inspirado em uma personagem confusa do jornal "A Patada", de propriedade do sovina "Tio Patinhas", apresentado pelo jovem Edson Costa de Siqueira (Edson Bigodão), aproveitando a idéia de Nelson Galvão de Luna Cavalcanti Filho (Nelsinho), apresentava Música Popular Brasileira (MPB), principalmente as músicas de protesto e Bossa Nova, divulgando o nome dos autores e intérpretes e comentando suas letras, relacionado-as com o dia a dia do povo brasileiro que vivia o regime de exceção.

Um programa satírico, com grande participação popular que, pela ousadia do apresentador e, até certo ponto, inconseqüência, praticamente levava as autoridades constituídas a tomar providencias na solução de simples brigas familiares a questões sérias de urbanização, abastecimento de água e energia, saneamento, policiamento, construção e recuperação de estradas vicinais, badernas noturnas, animais soltos na cidade, etc.
Para garantir a credibilidade e o apoio das autoridades locais, era premissa do Programa averiguar, exaustivamente, não só as fontes de informações mas principalmente os fatos denunciados.

Um outro programa criado com o objetivo de promover o estudante foi "Aquarela Estudantil", produzido e apresentado por um grupo de alunos do Colégio Normal. Nesse programa muitos tiveram a oportunidade de exercitar a arte de produzir textos, sendo estimulados a, eles próprios apresentarem o programa com suas produções.
Vale ressaltar que os pioneiros desse veículo de comunicação foram: Abílio Barbosa, Dinamérico Lopes, Waldecy Menezes, Ulisses Lima, Celson e Tarciso Sá. Depois vieram Fernando Souza, Toinho Xavier, José Tenório, Vianei Galdino, Barnabé, Wanderly Galdino, Padre Assis, Miguel Rodrigues, Agamenon Pessoa de Almeida, Carlos Pessoa (...).

 

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