
A Barragem de Brotas foi projetada no ano de 1914 pela Inspetoria de Obras Contra as Secas - IOCS -, que depois passou a se denominar DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. O governador de Pernambuco na época era o General Emídio Dantas Barreto (1911 a 1915) e o prefeito de Afogados da Ingazeira o sr. João Alves dos Passos.
Em 1917 o então governador de Pernambuco, Dr. Manoel Antônio Pereira Borba (Manoel Borba), viajou de carro à cidade de Sertânia. Dali o governador continuou viagem a cavalo para a vila de Custódia; descansou no povoado Quitimbu, seguindo para Afogados da Ingazeira, onde foi recebido com festividades pelo prefeito Elpídio do Amaral Padilha.
No projeto inicial de BROTAS constava uma profundidade máxima de 24 metros, mas trazia o problema de inundar a vizinha cidade de Ingazeira - PE, que fica na montante. Diminuiram a profundidade máxima para 17 metros. Os recursos financeiro foram diminuindo e terminaram concluindo a barragem com uma profundidade máxima de 14m14cm (quatorze metros e quatorze centimetro) em 1977. O goverdador era o dr. Eraldo Gueiros Leite.
Lembro-me de uma matéria publicada no Jornal Diário de Pernambuco, na qual o Dr. Eraldo Gueiros dizia que com a construção da Barragem de Brotas iria realizar o sonho de um grande amigo: o deputado Monsenhor Alfredo Arruda Câmara.
Vale lembrar que na década de 60 a cidade de Afogados da Ingazeira passou por grande crise econômica (recessão). A partir do início da construção da Barragem de Brotas (1974) a cidade se recuperou.
Costumo dizer que a Barragem de Brotas - com capacidade de armazenamento de 25.000.000 m³ (vinte e cinco milhões de metros cúbicos) - é o divisor do desenvovimento econômico de Afogados da Ingazeira. Tenho uma verdadeira admiração por ela. Toda vez que vou a Afogados da Ingazeira faço uma visita à Barragem; ”vou ver a Barragem, a minha namorada”.
Já tive a curiosidade de medir uma das ombreiras do sangradouro: 5 metros. Acredito que será possível passar a profundidade máxima para os 17 metros, o que aumentaria significativamente o seu volume d’água. Ainda, quando a barragem foi projetada, não estava previsto o abastecimento de Tabira. Consequentemente, é necessária a sua ampliação, que será realizada quando Afogados da Ingazeira tiver um gestor visionário.... (Joaquim Nazário de Azevêdo)

Em 08 de setembro de 1974, há quase 36 anos, o Jornal do Brasil, através dos seus enviados especiais, Luiz Roberto Marinho e Natanael Guedes, publicava em suas páginas a seguinte matéria:
Vale do Pajeú encara com ceticismo obra de barragem
Recife (Sucursal) – O homem do povo que perguntou no dia do lançamento do Programa de Aproveitamento dos Recursos hídricos dos Rios Pajeú, Brígida e Moxotó (Propajeú) se a Barragem de Brotas será toda construída de pedras fundamentais refletia o ceticismo com que a maior parte dos 25 mil habitantes de Afogados da Ingazeira, um dos 18 municípios integrantes do Vale do Pajeú, encara a construção da obra.
Vale de Esperança
Apesar do desmatamento já concluído e do início em regime de urgência das obras de infraestrutura, até o jovem prefeito de Afogados da Ingazeira – José Silvério Brito, de 26 anos – faz a pergunta: “por que tudo foi decidido as vésperas das eleições, após quatro anos de Governo?” Castigado por um clima semiárido quente que lhe seca os três principais rios de setembro a dezembro, o Vale do Pajeú, com seus 8 mil e 633 quilômetros quadrados e uma população de mais de 310 mil habitantes espalhada pelos 18 municípios, vive de uma pecuária pobre e cultura de subsistência, e tem hoje no Propajeú uma esperança nova.
Promessa eleitoral
A longa espera deixou os habitantes do Vale do Pajeú excessivamente céticos. Mas também contribuiu para isso agora o fato de estarem os trabalhos a cargo do Departamento Estadual de Poços e Açudagem (DEPA), considerado tradicionalmente ineficaz.
Fernando Simões, 73 anos, proprietário de 80 hectares de terra a serem inundados pela futura barragem lembra que “a promessa sempre volta às vésperas de eleições”. Severino Freitas Lima, 78 anos, outro dono de terras em Afogados da Ingazeira, garante: “Moço é mais uma tapeação.” O prefeito Silvério, embora na Arena, diz que não se ilude com política e garante que somente Monsenhor Arruda Câmara, deputado federal que morreu há uns quatro anos, se interessava realmente pela barragem e lutava por ela. “Seus herdeiros só estão atrás de votos.”
Lição futura
O chefe de gabinete da Secretaria de Governo e Presidente do grupo de trabalho para a construção de Brotas, Engenheiro Mário Antonino, justifica a descrença geral com as decepções do passado, mais garante que desta vez “daremos uma lição de objetividade com uma vitória sobre o fatalismo.” O Sr. Antonio assegura ainda que o Propajeú estava nos planos do Governo desde fins do ano passado, mais que foi adiado devido à doença do Sr. Eraldo Gueiros. O Vice-governador Barreto Guimarães não levou o plano adiante - diz – por uma questão de delicadeza, pois “as raízes familiares do Governo estão na região do Pajeú e por isso o Vice preferiu deixar que o lançamento coubesse ao próprio Sr. Eraldo Gueiros.”
Muita pressa
Alheio às críticas e ao ceticismo da população de Afogados da Ingazeira, o Sr. Mário Antonino reúne-se quase diariamente no palácio dos despachos com os técnicos e engenheiros responsáveis pela obra. “A pressa é tanta que nomeamos o DEPA seu executor por que a abertura de concorrência e a escolha da firma construtora levariam pelo menos dois meses”, diz.
“Pelo seu porte, a barragem levaria normalmente 15 meses para ser concluída, mais até março queremos deixá-la muito além da metade, de modo a tornar irreversível o seu funcionamento. Em menos de um mês do lançamento do programa, a área de construção já foi totalmente desmatada e iniciaram-se os serviços de infra-estrutura, com uns 40 homens empenhados na abertura de sulcos para os alicerces iniciais.”
A construção dessa barragem para a qual o Governo estadual destinou segunda feira passada recursos de Cr$ 4 milhões 500 mil. Será com base em projeto do DNOCS. O canteiro de obras está sendo construído e as máquinas chegarão no máximo no final de semana.
A barragem terá 17 metros de altura, 569 metros de extensão e uma capacidade máxima de represamento da ordem de 25 milhões de metros cúbicos de água do rio Pajeú, o que permitirá a irrigação de 540 hectares de terra. O lago represado terá quase 10 quilômetros de extensão em linha reta, inundando uma área de 4,8 quilômetros quadrados, inclusive mais de 100 propriedades rurais a serem indenizadas e um pequeno trecho da Rodovia Sertania – Afogados da Ingazeira, a ser desviada.
Parte dela se assentará sobre as rochas existentes no leito do Pajeú – gnáissicas compactas de boa qualidade – representando um volume de concreto de 35 mil metros cúbicos. O vertedouro de 225 metros foi projetado e será executado para um fluxo de 3.180 metros cúbicos d’água por segundo. Além de permitir a irrigação da terra árida de cinco municípios, a barragem tornará perene o rio Pajeú, retendo suas águas no inverno e liberando-as no verão, quando ela chega a secar completamente. (Texto enviado pelo prof. Adelmo Santos)






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